
País não construiu uma figura relevante entre os dois polos
Caio Sartori
O Globo
Na hora de decidir o voto na disputa presidencial deste ano, o eleitor brasileiro terá à disposição um cardápio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um lado e candidatos de direita do outro. Trata-se da primeira eleição da Nova República em que não há, pelo menos até agora, opções de centro. Na América do Sul, vizinhos do Brasil passaram por cenários parecidos nos últimos anos.
O país caminha para um ambiente em que Lula aglutina todos os partidos de esquerda e centro-esquerda com representatividade política, enquanto a direita oferece diferentes candidaturas ao eleitor. Flávio Bolsonaro (PL) é, com folga, quem tem o melhor desempenho nas pesquisas, mas Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também tentam espaço, além de Renan Santos (Missão) — que, embora seja de uma sigla recém-fundada, aparece empatado com o goiano e numericamente à frente do mineiro na última pesquisa Genial/Quaest.
ALTERNATIVAS – Nunca foi assim. Nas eleições anteriores, existiam diferentes alternativas aos polos que dominavam o jogo, fosse ele disputado entre PT e PSDB ou PT e bolsonarismo. Isso sem considerar a de 1989, primeira depois da redemocratização, que contou com mais de 20 candidatos. Na ocasião, praticamente todos os partidos optaram por lançar um nome próprio, na esteira da novidade que uma campanha presidencial representava para várias gerações.
A divisão intransigente entre direita e esquerda, diz o cientista político Marco Antonio Teixeira, fez com que o país não fosse capaz de construir uma figura relevante de centro nos últimos anos. Assim, as escolhas disponíveis para quem não quer votar em Lula são todas de direita.
— A polarização diminuiu o espaço do centro, e ele passou a ficar sem discurso. O que esperávamos após a eleição de 2022 era que o centro recuperasse de alguma maneira esse protagonismo — observa o professor da FGV EAESP. — Mas, talvez pelo fato de sua principal protagonista naquela eleição, Simone Tebet, ter ido para o governo Lula e ficado associada à gestão, acabou perdendo essa referência. Não por acaso, agora ela é candidata ao Senado não por um partido de centro (MDB), mas por um tido como de esquerda (PSB).
VÍNCULOS COM O BOLSONARISMO – Tebet é um caso que ilustra bem o movimento, sobretudo se comparada a Ciro Gomes, hoje no PSDB, que ficou atrás dela na eleição passada. Em vez de se reaproximar de Lula ou adotar postura “nem-nem”, o ex-PDT criou vínculos com o bolsonarismo no Ceará, onde vai disputar o governo estadual.
— A explicação para a ausência de centro é a força da extrema direita, que levou todo o sistema para mais perto de si, enquanto Lula agrupou a esquerda e a centro-esquerda. Quem não aceita isso (se unir a Lula), como o Ciro Gomes, vai para a direita, porque percebe que não tem jeito — aponta o cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ.
LEQUE REDUZIDO – Em 1994, a primeira eleição casada com os outros cargos em disputa — deputado estadual, deputado federal, senador e governador —, o leque de candidaturas ficou reduzido, mas sem deixar de preencher diferentes posições do espectro. Além de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula, tiveram performance acima de 2% Orestes Quércia (MDB), Leonel Brizola (PDT), Enéas Carneiro (Prona) e Esperidião Amin (PPR).
Quatro anos depois, de novo Enéas marcou presença, mas o principal candidato, além de Lula e FH, foi Ciro Gomes, filiado ao antigo PPS. Em 2002, Ciro estava lá outra vez, mas terminou atrás de Anthony Garotinho, na época ainda de centro-esquerda e filiado ao PSB. Lula e José Serra (PSDB) foram para o segundo turno.
Quando o PT enfim ganhou sua primeira eleição presidencial, a disputa seguinte apresentou aos brasileiros duas alternativas a Lula no próprio campo: Cristóvam Buarque, pelo PDT e mais de centro, e Heloísa Helena, do recém-criado PSOL. Já em 2010, quem concentrou os votos dos eleitores que não queriam nem o petismo nem o PSDB foi Marina Silva (PV) — que tentaria de novo em 2014, mas pelo PSB.
FORA DA POLARIZAÇÃO – Nas duas eleições com Jair Bolsonaro, opções também pululavam. Em 2018, Ciro Gomes pelo PDT, Geraldo Alckmin pelo PSDB e João Amoêdo pelo Novo foram as principais alternativas, num leque que ia da centro-esquerda até uma nova direita com discurso calcado na ideia de Estado mínimo. Há quatro anos, Tebet e Ciro despontaram como candidatos relevantes fora da polarização, e a ex-emedebista virou o apoio mais estratégico para Lula no segundo turno.
Agora, todos que aparecem como pré-candidatos viveram trajetórias mais ligadas à direita. Zema e Caiado até tentam marcar diferenças, mas foram aliados do ex-presidente nos últimos anos, defenderam pautas como a anistia a Bolsonaro e têm, ideologicamente, visões bem direitistas em diferentes pautas, sejam econômicas ou comportamentais.
VOTO INDEFINIDO – A ausência de nomes atrativos tem feito com que os eleitores “independentes”, que não se consideram nem de direita nem de esquerda, registrem alto percentual de indefinição nas pesquisas. Na última Genial/Quaest, Lula se beneficiou do impacto que o caso “Dark Horse” exerceu nesse eleitorado: abriu 13 pontos de vantagem no segmento no segundo turno contra Flávio.
— Depois das mensagens de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o eleitor independente está indo para Lula, porque não tem mais para onde ir — analisa Medeiros.
EXCEÇÕES – O quadro dialoga com um movimento que toma conta da América do Sul nos últimos anos, com mudanças presidenciais nos países vizinhos desde que Lula assumiu o mandato. Hoje, com exceção do Uruguai e da Colômbia — que pode deixar de ser exceção depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 21 de junho —, o continente está majoritariamente nas mãos da direita.
Em algumas eleições recentes, o que se viu foi um cenário de “primárias” direitistas para ver quem disputaria o segundo turno contra o único expoente da esquerda. Foi o caso do Chile, onde a candidata apoiada pelo então presidente Gabriel Boric, Jeanette Jara, teve quatro adversários relevantes no primeiro turno, todos à direita, entre eles José Antonio Kast, vencedor da disputa. Na Bolívia, situação foi ainda mais adversa para a esquerda: dois do campo político oposto passaram para a segunda rodada. O vencedor foi Rodrigo Paz.
EXTRA! EXTRA! EXTRA! CNT/MDA:
FLAVIO DESPENCA PARA 28,2% NO PRIMEIRO TURNO E PARA 36,8% NO SEGUNDO
Lula sobe para 41,8% das intenções de voto no 1º turno, e Flávio desaba para 28,2%;
E no 2º turno, Lula vai a 49,3%, e Flávio desce para 36,8%.
Pesquisa CNT (Confederação Nacional do Transporte) / Instituto MDA divulgada nesta terça-feira, 16.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, 16/06/2026 | 11h58 Por Victor Ohana e Daniel Tozzi (Broadcast), Brasília e São Paulo
De agora em diante, é daí para trás.
Não é a direita, mas o bolsonarismo que, hoje, tende a perder para Lula
O problema, para os que se opõem ao PT, não é a força de Lula. É a incapacidade de o campo oposicionista produzir uma liderança competitiva
Após uma série de pesquisas confirmar a tendência de vitória do lulopetismo na corrida pelo Planalto em outubro próximo, a despeito da contrariedade do ministro do STF Kassio Marques que, na Presidência do TSE, suspendeu monocrática e liminarmente uma pesquisa AtlasIntel que apontou, em primeira mão, a queda de Flávio após a divulgação pública dos áudios em que ele pede dinheiro – milhões de dólares – ao “irmão” Vorcaro, ex-banqueiro envolvido na crise do Banco Master, em processo de liquidação pelo BC, diversos analistas e cientistas políticos apontam como praticamente irreversível a chance de reeleição de Barba, que deverá continuar a afundar o país (pela quarta vez).
Porém, esses mesmos analistas e cientistas políticos cometem, em sua maioria, um erro e, eu diria, uma injustiça com o eleitorado antipetista e verdadeiramente de direita: eles atribuem justamente a este espectro da população a possível futura derrota para a “alma mais honesta deste país”.
Ora, o antipetismo, sim, tende a perder por ser menor – ao menos segundo as pesquisas atuais – ou para o lulopetismo ou para quem não tem tanta rejeição assim pelo partido do mensalão e do petrolão.
Mas a direita, não. Porque não é a direita que está disputando a eleição presidencial, e sim um grupelho oportunista, patrimonialista, egotista, corrupto, reacionário, antidemocrático e totalmente incapaz não só de administrar o país – vide o ex-mito -, mas até mesmo de disputar uma eleição tão dura.
Nomes aos bois
A eleição não é Lula contra a direita. É Lula contra o clã Bolsonaro. Se a sociedade brasileira, seja lá por qual motivo, resolveu não permitir que outrem representasse a oposição ao PT, são outros quinhentos. Mas atribuir a essa gente o selo de líder da direita do país é uma ofensa a quem de fato se identifica com o antiesquerdismo ou com o liberal-conservadorismo.
A família das rachadinhas, dos imóveis comprados em dinheiro vivo, dos milicianos, de Vorcaro e afins representa, no máximo, a si mesma e a uma turba de fanáticos aloprados que bate continência para pneu e bebe detergente.
O problema, para os que se opõem ao PT, não é a força de Lula. É a incapacidade de o campo oposicionista produzir uma liderança competitiva, minimamente preparada e desvinculada dos escândalos, das excentricidades e do culto à personalidade que transformaram o bolsonarismo em um projeto familiar de poder.
Se as pesquisas estiverem corretas e forem ratificadas em outubro próximo, não será uma derrota da direita. Será, antes de tudo, mais uma derrota do próprio bolsonarismo.
O Antagonista, Opinião, 15.06.2026 15:07 Por Ricardo Kertzman
“A eleição não é Lula contra a direita. É Lula contra o clã Bolsonaro.
A família das rachadinhas, dos imóveis comprados em dinheiro vivo, dos milicianos, de Vorcaro e afins representa, no máximo, a si mesma e a uma turba de fanáticos aloprados que bate continência para pneu e bebe detergente.”
O Papa Leão XIV tem razão, em bater de frente contra a loucura por dinheiro e poder, pela libertação do que ainda resta de Humanidade no mundo. Por isso, espera-se que pelo menos a igreja católica o apoie massivamente no embate contra a loucura da plutocracia norte-americana e afin$, até porque igreja que apoia loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, não é a Igreja de Jesus Cristo mas isto sim hospício do capeta perigosíssimo para o triunfo da Humanidade e da própria Igreja, seja ela de que denominação for. O MAGA DO TRUMP, BASEADO NA VIOLÊNCIA E NO DESRESPEITO AO DIREITO INTERNACIONAL, À SOBERANIA ALHEIA E AO SER HUMANO, É LOUCURA EXTREMA por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, alimento para a plutocracia putrefata norte-americana, condenada publicamente pelo Papa Leão XIV, o homem certo, no lugar certo na hora certa. Por isso, desde criancinha, humano e humanista, apartidário e independente, com projeto próprio, prefiro para o Brasil e o mundo algo realmente novo e alvissareiro, mais evoluído, tal seja a nossa MEGA, ou seja, a mega solução, via evolução, alicerçada na verdade, na paz, no amor, no perdão, na conciliação, na união e na mobilização por Ela, a mega solução, para o nosso país, a nossa política, a nossa gente e, sobretudo, para o progresso consciente da Humanidade. Pelo artigo sempre substancioso do decano do Jornalismo nacional, Carlos Newton, editor-chefe da Tribuna da Internet, riquíssimos em termos de informações históricas confiáveis, vê-se que, não obstante tudo, golpes, ditaduras, estelionatos eleitorais, mentiras em abundância, sofismas, factoides, manobras diversionistas, fake news, etc. e tal, o Brasil vive o mesmo dilema e impasse de décadas necessitando de um Advogado capaz de resolver não apenas o problema detectado por Getúlio Vargas no nordeste mas isto sim o próprio país, a política e a vida do conjunto da população. E no caso, entre mais de 1 milhão de advogados temos no Brasil, ainda vivo, apenas um talhado para o caso e, por isso, capaz de resolver não apenas o país, mas tb a política e a vida do povo brasileiro, pacificamente, sem blá-blá-blá, sem polarização e sem guerra tribal, primitiva, permanente e insana, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, para os próximos 500 anos, alicerçado na paz, no amor, no perdão, na conciliação, na união e na mobilização de todos, eu disse todos (direita, esquerda e centro, oposição, situação, católicos, evangélicos, espíritas, enfim todos e todas) pela mega solução, via evolução. E quem, quem, quem, seria esse Advogado ? Não, não é o Prof. Raimundo Nonato da EPR, da globo, mas isto sim o José Roberto Loriaga Leão, 73 anos de idade, aposentado aos 65 anos de idade, após 40 anos de militância a fio, em todas as áreas, inclusive na assistência judiciária gratuita, na luta pela sobrevivência desde os 10 anos de idade, filho de família humilde e pai comunista perseguido pelo sistema, cansado de malhar em ferro frio e enxugar gelo face à problemática nacional, defendendo há cerca de 40 anos a fio o advento do possível Novo Brasil de Verdade, confederativo, com Democracia Direta, Meritocracia e Deus na Causa, que já poderia ter resolvido o país caso tivesse sido convidado pelo próprio FHC (a quem sugeriu o plano real, sob o nome de ecodódar, porém completo, deturpado que foi e usado apenas como mais um golpe eleitoral), ou pela Dilma, ou pelo Bolsonaro, ou pelo Lula para resolver a crise nacional que perdura há 136 anos, em sendo ele, o Advogado do Novo Brasil de Verdade, inimigo apenas da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, mãe de todas as demais crises e, sobretudo, da problemática nacional, gerada pelos golpes, ditaduras e estelionatos eleitorais que perfazem a história da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$… https://tribunadainternet.com.br/2026/06/15/piada-do-ano-na-falsa-delacao-vorcaro-iria-inocentar-moraes-e-a-mulher-dele/?fbclid=IwY2xjawSc3I1leHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEerfOPUdXnoM4nVLFP0IIU-YvqjkZ5Ze2dyY2NnHlVmfTAfg7H8YpOkTUZYDk_aem_KIWukaKSvGgfnMO1ykPTUw#comments
País não construiu uma figura relevante entre os dois polos
Bingo
Na mosca…
Por coincidência sábado estava conversando com dois amigos e falávamos a mesma coisa..
Os dois já perderam a paciência e também não votam em mais ninguém, ou vão de branco ou vão anular o voto…..
Todo o sistema é viciado para ser sempre os mesmos canalhas, crápulas, calhordas, covardes e corruptos…
No mínimo já tinha que ter uma meia dúzia fora desses pilantras já ai estão…
Mas, quem se interessa…??
aquele abraço