Falta talento no meio-campo, troca de passes, domínio da bola, mas tudo tem jeito

Vini Jr. marca golaço, mas Brasil só empata com Marrocos na estreia da Copa  | CNN Brasil

Numa jogada individual, Vini salvou o Brasil da derrota

Tostão
Folha

No empate por 1 a 1, resultado justo, Marrocos, coletivamente, foi melhor, mas o Brasil possui mais excepcionais jogadores. As chances de gols foram iguais. O Brasil começou a partida com um quarteto pelo centro (Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha), além dos atacantes Vini e Igor Thiago. Durante a partida, houve, progressivamente, várias mudanças individuais e de posicionamento.

Vini fez um belíssimo gol, mas errou muitos lances. Faltou, principalmente, mais talento no meio-campo, troca de passes e domínio da bola e do jogo. Igor Thiago não esteve bem, sendo substituído.

OS FAVORITOS – Espanha (que foi mal) Portugal e Argentina, por terem excepcionais meio-campistas e por filosofia, preenchem mais o meio-campo, têm mais domínio da bola e alternam a troca de passes com as jogadas rápidas. Já a França, por ter excelentes atacantes, prioriza a velocidade em direção ao gol. A Alemanha avança com muitos jogadores, porém deixa enormes espaços na defesa. E a Inglaterra busca o equilíbrio entre os setores.

A seleção brasileira tem sido criticada por não ter, próximo ao Mundial, uma definição da escalação e da estratégia. A justificativa quase sempre usada é que Ancelotti só teve um ano no cargo. Não vejo isso como problema.

Vários grandes times e seleções que ficaram na história foram formados em pouco tempo. Mais importante é unir as características e qualidades dos jogadores do que o tempo.

VÁRIOS EXEMPLOS – Zagallo assumiu o comando da seleção de 1970 poucos meses antes da estreia. A escalação e a estratégia foram definidas perto do Mundial, com a troca de um ponta esquerda (Edu) por um terceiro jogador no meio-campo (Rivellino), a escolha do volante Piazza como zagueiro, além da definição de que eu seria o centroavante.

A Argentina, dirigida por Scaloni, mudava a equipe a cada partida, tornando-se campeã mundial de 2022.

Cruyff dizia que, na Copa de 1974, a Holanda de Rínus Michels definiu duas semanas antes da estreia a maneira revolucionária de jogar que encantou o mundo.

ACERTOS E ERROS – Diferentemente das outras seleções, Ancelotti, nas últimas semanas, mudou várias vezes a escalação e o posicionamento de alguns jogadores. O técnico não é refém de nenhum dogma, de nenhuma estratégia. Define a maneira de jogar e a escalação de acordo com o momento, a qualidade e as características dos jogadores do time brasileiro e do adversário.

Ancelotti é flexível, capaz de, diante de circunstâncias inesperadas e negativas, tomar decisões corretas. Ele não tem filosofia, sua grande qualidade, o que não significa que não cometa erros.

Assim é a vida. Vivemos de acertos, erros e incertezas. Os treinadores mais vitoriosos são os que fazem as melhores escolhas. Nada é definitivo. “As coisas vão e voltam, a vida nem é da gente” (João Guimarães Rosa).

FESTA NO AZTECA – Ao ver a belíssima festa de abertura do Mundial no estádio Azteca, lembrei-me da final da Copa de 1970, no mesmo local. Depois de muitas comemorações da torcida e dos jogadores dentro de campo, voltamos para o hotel e depois fomos para um jantar promovido pela Fifa.

Antes da sobremesa, saí de fininho, peguei uma carona com um mexicano e voltei para o hotel, onde encontrei meus pais. Choramos abraçados.

Dormi pouco, pensando em tudo. Estava feliz e aliviado. A vida continuava.

SAUDADES DO BRITO – Meus sentimentos aos familiares do Brito, excelente zagueiro, eleito o atleta com a melhor forma física da Copa de 70 pela Fifa.

No México, Brito telefonava para a família e pedia para colocarem o seu cachorro para latir, para ter certeza de que ele estava bem.

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