Paulo Peres
Poemas & Canções
O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), membro da Academia Brasileira de Letras, no poema “Cais Matutino”, faz uma reflexão sobre uma noite de chuva nas docas do mundo e a vontade de partir para bem longe.
CAIS MATUTINO
Ribeiro Couto
Mercado de peixe, mercado de aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.
Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendida, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.
Pureza do largo, pureza da aurora.
Há visgos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.
O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.
Desculpem-me meu inglês lusitano:
There is no such thing as death
And neither is what we call life
We are just illusions of sensors
Of the matter that makes us alike
We feel the flowers’ fragrances
We inquire about the universe
We have pleasures and sufferings
And we can rhyme and make verses
We nurture love and evil
We idealize in our isms
But we are blind to the truth:
Faith in a god is mysticism