Gesto reflete disputa por protagonismo eleitoral
Deu no G1
O cientista político Thomas Traumann disse nesta quinta-feira (24), no programa Estúdio i da GloboNews, que o vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na noite de quarta-feira (24) tem potencial para provocar um impacto político ainda maior do que o caso Dark Horse, que expôs a relação do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na avaliação de Traumann, o episódio vai além de um desgaste pontual e representa uma disputa direta por protagonismo dentro do campo bolsonarista. “Ele consegue rachar o bolsonarismo onde o movimento é mais essencial, que é justamente o fato de ele ter uma direção única”, afirma.
FRAGMENTAÇÃO – Segundo o analista, a manifestação pública de Michelle rompe uma das principais características do grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro: a unidade em torno de uma liderança central. “Michelle quebra toda a organização que o bolsonarismo trouxe para a política brasileira e que ele conseguiu sustentar em momentos de crises anteriores”, diz.
Para Traumann, o principal efeito da declaração da ex-primeira-dama é abrir espaço para dúvidas entre os próprios apoiadores de Bolsonaro sobre Flávio Bolsonaro. “Ela semeia uma dúvida dentro do eleitor bolsonarista a respeito de Flávio Bolsonaro, que nenhuma outra pessoa teria a mesma credibilidade para fazer”, conclui.
O comentarista da GloboNews, Octavio Guedes, avalia que Michelle Bolsonaro se consolidou como uma liderança da direita evangélica no país após a divulgação de vídeos em que ela reage a disputas internas no bolsonarismo e no PL.
ENTRELINHAS – Na análise de Guedes, uma das frases mais relevantes ditas por Michelle foi: “Eu sei mais do que eles pensam”. Para o comentarista, embora a declaração tenha sido feita em um contexto político, ela também pode ser interpretada como um recado em meio a uma disputa familiar e partidária. “Sabe o quê, exatamente? “Só de política?”, afirma o comentarista.
Guedes afirma que a fala de Michelle ocorre em um momento de disputa pelo “espólio” político do bolsonarismo. Ele afirma que a ex-primeira-dama passou a ocupar um espaço próprio, especialmente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais, segundo ele, os filhos de Jair Bolsonaro não teriam a mesma interlocução.
A crise, de acordo com a avaliação do comentarista, começou a ganhar força quando Michelle foi ao Ceará declarar apoio ao senador Eduardo Girão (NOVO). Na ocasião, Jair Bolsonaro estava em casa, e aliados ligados aos filhos do ex-presidente insinuaram que Michelle estaria cuidando de articulações políticas em vez de cuidar do marido.
DISPUTA – Para Guedes, esse episódio expôs uma disputa sobre o papel de Michelle dentro do grupo político. Ele avalia que os filhos de Bolsonaro tentavam restringir a atuação dela a uma função simbólica no PL Mulher.
Guedes comparou essa tentativa de enquadrar Michelle a “uma primeira-dama de chá-beneficente”, “simbólica”. Segundo ele, a expectativa dos filhos de Bolsonaro seria que Michelle ajudasse a “arrumar votos”, mas sem interferir na condução política do partido.
Na leitura de Guedes, a disputa no Ceará tinha relação direta com o projeto político de Michelle. Ele afirma que a ex-primeira-dama buscava fortalecer candidaturas próximas a ela, inclusive para formar uma bancada própria, mais ligada a seu grupo do que ao PL ou aos filhos de Bolsonaro.
CERCO – Para Guedes, os filhos de Jair Bolsonaro trabalhavam contra candidaturas defendidas por Michelle porque sabiam que, sem mandatos ligados a ela, a ex-primeira-dama teria menos poder dentro do partido. O comentarista avalia que Michelle percebeu um cerco ao seu projeto político.
Nesse contexto, Guedes classificou o vídeo como uma espécie de “grito de independência” de Michelle. Para ele, a ex-primeira-dama deixou claro que não aceitará ser afastada da articulação política nem ocupar um papel secundário dentro do bolsonarismo.
Na análise do comentarista, Michelle fala diretamente às mulheres e ao eleitorado evangélico. Ele afirma que os vídeos são uma demonstração de força política e uma mensagem interna ao PL e à família Bolsonaro: Michelle quer ter voz, influência e espaço próprio nas decisões do grupo.
Mas minha descrença nos jacus de gaiola e picolés de chuchu poderá ser resolvida.
Quem sabe teremos um novo descondenado pra se tornar herói nacional?
https://www.youtube.com/watch?v=v8Sls9nnzfg
TUDO TEM UM PREÇO E UM CUSTO FINAL A SEREM PAGOS, a curto, médio e longo prazo, a fatura um dia chega, às vezes até como bomba-relógio financeira programada para explodir no colo de inocentes… Portanto, a nosso ver, a esta altura do campeonato das nações, entre a cruz e a espada, o Brasil tem mais é que procurar se reinventar, buscar e encontrar o seu próprio e melhor caminho, capaz de superar a já superada plutocracia norte-americana e a autocracia chinesa, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, alicerçado na paz, no amor, no perdão, na conciliação, na união e da mobilização pela mega solução, via evolução, capaz de nos levar ao sucesso pleno do bem comum do conjunto da população, como manda a nossa Constituição
Foi só ‘mimimi’ da Michelle, ou ela quer mesmo assumir a vaga de Flávio?
Bolsonaristas e petistas se unem numa pergunta que não quer calar: Michelle está se insinuando na disputa presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha de Flávio, tanto pelo “Dark Horse” quanto pelas novas ameaças de Trump?
Ou seu vídeo contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o ex-mito?
O governo Barba comemora capacidade dos bolsonaristas de darem tiros nos próprios pés e os dois lados quebram a cabeça para saber de que lado o ex-mito está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, que é também política e eleitoral.
Michelle conquistou um papel relevante na extrema direita e o que disse no vídeo, para quem quisesse ouvir, combina com a história e as posições do ex-mito e seus filhos nas questões de gênero – apesar do slogan “Deus, Pátria e Família”.
Ela disse que foi “apunhalada”, “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio e que seus irmãos “vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos, o que pareceu combinado, premeditado”. E lamentou que “eles” a tratem como “idiota”, “que não entende nada de política”.
Como Lula teve uma vitória muito apertada em 2022, com 50,9% do total dos votos válidos, não é preciso ser um gênio em matemática, política ou qualquer coisa para reconhecer que o voto feminino fez diferença. As mulheres são em torno de 53% do eleitorado. Lula teve 54% e Bolsonaro, 46%, entre elas.
Além de ativa presidente do PL Mulher, Michelle tem influência entre os evangélicos, outro recorte poderoso nas eleições. O TSE não detalha votos por religião, mas, segundo institutos independentes, com base no cruzamento entre resultados e pesquisas de boca de urna, Bolsonaro chegou a 2/3 entre eles em 2022. Se dependesse só desse segmento, teria sido reeleito.
Flávio corre o risco de, sem Michelle, não apenas espantar novos votos femininos como, ainda, perder votos evangélicos. Ou seja: não ganhar o que não tem e ainda perder o que tem. Logo, ele precisa mais dela do que ela, dele e deveria refletir melhor antes de cutucar a onça com vara curta.
Chamado à razão pelos aliados, no meio do jogaço Brasil X Escócia, Flávio tentou se desculpar, mas não significa muito. Primeiro, porque não foi nada convincente. Segundo, porque ele já foi pego na mentira ao dizer que não tinha nada a ver com Vorcaro. Por fim, e principalmente, porque as acusações de Michele contra ele e seus irmãos fazem sentido.
Foi a mulher de Dudu Bananinha, Heloísa, que é psicóloga, quem disse num encontro de mulheres que “não há mulher insubmissa e livre” e defendeu “homem masculino, com testosterona”.
Faltou acrescentar: “e armado…” Ao depor na PF sobre manter a posse de uma pistola, apesar de condenado e preso, o ex-mito saiu-se com uma justificativa e tanto: “Eu tinha três mulheres em casa, não podia ficar desarmado.”???
Será que essa família admite o protagonismo de Michelle? E ela tem biografia, história e consistência para disputar a Presidência?
Cada um responda como quiser, mas o que realmente interessa é: quem i ex-mito considera melhor candidato e quem Lula teme mais como adversário.
O Estado de S. Paulo, Opinião, 25/06/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde
Ela tem o controle do ex-mito na mão, literalmente. E manobra a seu favor, obviamente.
tá se achando.
atitude deplorável dela.
se eu votasse em Brasília, negaria meu voto a ela
Ela tem o controle do ex-mito na mão, literalmente. E manobra o joystick a seu favor, obviamente.
Felizmente não preciso mais votar. smSinceramente com o que temos aí como opção é desanimador. Um é uma família desequilibrada outro é um clePTOmanÍaco
“Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido —os meus enteados— eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistóides”, disse Michelle.
Em tempo.
Sendo esses fatos verdadeiros, sem dúvida alguma, é uma pouca vergonha desmerecerem as posições defendidas pela Michelle, especialmente daqueles que desejam integridade moral e ética da classe política, assim como dos cidadãos brasileiros.