
Aaliados tentam frear danos ao filho do ex-presidente
Augusto Tenório
Thaísa Oliveira
Raphael Di Cunto
Folha
As duras críticas feitas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro mobilizaram aliados do pré-candidato à Presidência para tentar conter danos à campanha do PL, que aposta no anúncio de uma vice mulher para frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino.
A divulgação de vídeos por Michelle na tarde da última quarta-feira (24), nos quais ela diz ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio após críticas à aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, pegou aliados do senador de surpresa e provocou tentativas de explicações nas horas seguintes.
IMPACTOS – A pré-campanha de Flávio admite ter se assustado com as publicações de Michelle em um primeiro momento, mas disse depois ser preciso aguardar para aferir os impactos. Parte dos aliados do senador afirma acreditar que os vídeos podem ser ruins também para a ex-primeira-dama, diante de um eleitorado bolsonarista que defende união contra Lula (PT).
Apesar da dificuldade enfrentada por Flávio em pesquisas com mulheres, a tese do PL é a de que dificilmente apoiadores de Michelle deixarão de votar no filho de Bolsonaro por causa da briga. Mesmo que haja uma migração para outros candidatos no primeiro turno, dizem esses aliados, a avaliação é a de que esses votos tendem a voltar em um eventual segundo turno.
Depois de tentar minimizar as críticas e dizer, às vésperas de partida do Brasil na Copa, que “hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”, Flávio voltou às redes sociais horas depois para negar ter ofendido Michelle e dizer que, “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.
ESCLARECIMENTOS – A ex-primeira-dama, por sua vez, disse posteriormente não ter “raiva de ninguém” e que buscou com os vídeos esclarecer “uma situação que estava sendo deturpada”. Afirmou que “uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito”. “Vamos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição.”
Antes mesmo das declarações de Michelle, Flávio já estava decidido a indicar uma mulher para ser sua candidata a vice-presidente. O nome da escolhida ainda não está definido, mas deve ser anunciado nas próximas duas semanas, segundo aliados.
Entre as cotadas estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC), hoje candidata à reeleição, e Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado. O nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), que tem ajudado Flávio, também tem sido lembrado por aliados diante do que veem como falta de opção.
NO RADAR – A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) continua no radar da pré-campanha, mas integrantes da federação formada pelo PP e pelo União Brasil dizem que as críticas de Michelle reforçaram a avaliação de que é preciso ter cautela sobre a aliança com Flávio.
Segundo aliados de Michelle, ela decidiu gravar vídeos como um desabafo, por ter se cansado do que descrevia como uma série de agressões coordenadas e informações falsas, que afetariam não só a ela, mas também à filha mais nova, Laura, que é adolescente.
Irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL) publicou um texto nas redes sociais em que diz que ela contou “muito pouco diante de tudo o que tem acontecido” e que já presenciou e precisou inclusive intervir.
SILÊNCIO – “São críticas, cobranças, acusações, injúrias e injustiças. A resposta por muito tempo foi o silêncio. Atacada por muitos até por seu silêncio, não suportou mais tamanha injustiça e resolveu fazer alguns esclarecimentos”, afirmou.
Nos vídeos divulgados na quarta, Michelle afirma que Flávio a desrespeitou, humilhou, disse que ela não entendia nada de política e deixou subentendido que não queria a participação dela em sua campanha presidencial. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, declarou.
Em resposta, Flávio publicou um texto dele e da esposa e gravou um vídeo em que nega ter humilhado a madrasta. “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse. Fernanda Bolsonaro, por sua vez, escreveu nas redes sociais que o que vê todos os dias, como esposa de Flávio, é “um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado”.
SEM DIÁLOGO – Enquanto parte do PL avalia que Flávio poderia ter desarmado essa bomba antes, evitando uma briga pública, pessoas mais próximas ao senador afirmam que ele tenta falar com Michelle há meses, sem sucesso. Dizem, inclusive, que ele ligou para a madrasta e deixou um recado na manhã desta quarta —ou seja, horas antes do vídeo— para convidá-la para uma reunião com lideranças femininas na semana que vem, mas que ela não respondeu.
“De coração aberto quero reforçar o convite que eu já tinha feito para a Michelle. Coração segue aberto, Michelle. Preciso de todo mundo junto comigo. Posso contar com você?”, disse Flávio em vídeo divulgado nesta quinta (25).
Para tentar melhorar o trânsito com o eleitorado feminino, Flávio fará uma reunião de trabalho com aliadas na semana que vem. O pré-candidato quer ouvir sugestões que possam integrar o plano de governo dele e demonstrar proximidade com lideranças importantes, como Bia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Trombadão.
Quanto mais os Bolsonaros submetem o país aos EUA, mais munição eles dão para a campanha de Lula
A mensagem de Rubio para Flávio, cheia de recados subliminares, é mais grave do que parecia à primeira vista, (…) e mais um tiro no pé de Rachadinha.
E mais uma peça de marketing, não para a campanha de Flávio, mas para as de Lula e dos adversários.
O que importa na mensagem está no penúltimo parágrafo, quando Rubio agradece “a generosa oferta” de Flávio de, se eleito, colocar uma equipe de transição “à disposição” do governo americano.
Soa como uma hipoteca: Trump interfere na eleição brasileira a favor de Flávio e Flávio paga, depois, jogando os interesses do Brasil nas mãos de Trump.
Que tipo de apoio os Bolsonaro esperam de Trump? Tarifaço, Lei Magnitsky, suspensão de vistos de autoridades, sanções com base na Seção 301 de Comércio e ameaças de usar PCC e CV como pretexto para ações no Brasil, além de intervenção direta nas eleições?
Foram eles, os Bolsonaro, que criaram e ainda hoje insistem em manter todos esses problemas com os States, que miram Lula, mas acertam produtores, exportadores, empregos e a economia do Brasil.
Nunca foi tão fácil reunir material de campanha eleitoral contra um candidato como agora, contra Flávio Rachadinha.
A equipe de Lula já tem uma coleção de vídeos, áudios e posts produzidos por Eduardo, Michelle, Flávio e grandes aliados. E esse material não para de crescer.
É impressionante a capacidade que a família e seu entorno têm de gerar provas e material de campanha contra si, incluindo o estoque deixado pelo próprio ex-mito, especialmente durante a pandemia.
O vídeo em que ridiculariza pessoas morrendo por falta de ar é imbatível.
Quanto mais Eduardo puxa Flávio para Trump e submete o Brasil aos EUA, mais munição ambos dão a Lula.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 27/06/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde
Patriotismo lesa-pátria dos Bolsonaros.
Folha de S. Paulo, Política, Opinião, 21.jun.2026 às 12h34 Por Angela Alonso, professora titular do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)
A diplomacia da vassalagem: Flávio Bolsonaro e a submissão aos EUA
A política externa da extrema-direita brasileira, liderada por Flávio, rende mais um capítulo vergonhoso de submissão aos interesses econômicos dos Estados Unidos.
Revelada por Paulo Figueiredo, uma carta de Marco Rubio volta a deixar Flávio em maus lençóis. Nela, Rubio registra a “generosa oferta” que teria sido feita por Flávio para “colocar uma equipe de transição” à disposição do governo americano, caso este se eleja presidente.
Ocorre que, pela legislação brasileira, a equipe de transição funciona unicamente para facilitar a passagem do governo que sai para o governo que entra.
Regulamentada em 2002 por decreto do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a lei prevê a criação de até 50 cargos para recolher dados junto a órgãos da administração pública federal, com o objetivo de preparar os primeiros atos do futuro governo.
Quando do primeiro tarifaço, em março do ano passado, Flávio o apoiou, assim como fizeram Bananinha e Tarcínico.
Além disso, quando Trump começou a bombardear barcos com drogas no Caribe, Flávio sugeriu que fizesse o mesmo com embarcações que navegam na Baía de Guanabara.
Cópias encardidas do pai, Rachadinha e Bananinha se comportam como vassalos de Trump. É o que de fato são.
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 27/06/2026 08.38 Por Ricardo Noblat