Todos somos uma bússola sem norte, segundo o poeta Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens, poeta mineiro

Paulo Peres
Poemas & Canções

O juiz, jornalista e poeta mineiro Afonso Henriques da Costa Guimaraens (1870-1921), adotou o nome de Alphonsus de Guimaraens. Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores simbolistas do Brasil. O poeta Carlos Drummond de Andrade  homenageou Alphonsus em seu centenário em 1970, com o poema “Luar para Alphonsus”.

Seus poemas versavam de maneira obsessiva a morte da mulher amada e apresentavam um ritmo melódico e um misticismo católico, temas centrais em livros como “Câmara Ardente”, com influências barrocas, românticas e decadentistas.

Ele afirma, no soneto “Cantem Outros a Clara Cor Virente”, que somos uma bússola sem norte. 

CANTEM OUTROS A CLARA COR VIRENTE
Alphonsus de Guimaraens

Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno…
Envoltos nos clarões fulvos do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.

Para muitos o imoto céu clemente
É um manto de carinho suave e terno:
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando vai o próprio inferno.

Cantem esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos…

Cada um de nós é a bússola sem norte.
Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte

One thought on “Todos somos uma bússola sem norte, segundo o poeta Alphonsus de Guimaraens

  1. É da vida…

    Dê bom dia à vida, Maria
    Saúde a felicidade, Tereza
    É da vida alegria e tristeza

    Eu me dou à mulher que amo
    Sempre rio de piada bem contada
    Adoro qualquer petisco – até de siri!
    Se acompanhado de cerveja gelada

    É parte do viver a busca do prazer
    Mas cabe com o bom senso evitar
    Excessos, que males possam trazer

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *