
Senado americano confirma nome de Daniel Perez
Paulo Assad
O Globo
O deputado estadual da Flórida Daniel Perez foi confirmado, nesta sexta-feira, como nome para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília pelo Senado americano. Anunciado como escolha do presidente Donald Trump para o cargo, Perez se tornou pivô de uma crise diplomática pela demora do governo brasileiro em comunicar aos EUA a aceitação do nome, procedimento conhecido como agrément.
O nome de Perez estava em um pacote de mais de 70 indicações de Trump para diferentes cargos. No total, 51 senadores votaram a favor da lista e 47 contra. No início dessa semana, o governo dos EUA anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, como retaliação pela demora na concessão do agrément. A decisão escalou a crise diplomática, que atingiu patamar “sem precedentes” na história da relação bilateral, segundo avaliam especialistas.
INVERSÃO – O procedimento adotado pelos EUA ao anunciar a escolha de Perez inverteu o costume diplomático, gerando incômodo no governo brasileiro. Tradicionalmente, o agremént é concedido antes do anúncio oficial do nome indicado para ser o novo embaixador. No caso, a decisão de Trump de indicar o parlamentar republicano foi publicizada ainda em junho. Desde então, as autoridades americanas passaram a cobrar do Brasil a concessão do agrément.
Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde a posse de Donald Trump, que deu início ao seu segundo mandato em janeiro do ano passado. A última diplomata americana a ocupar a função foi Elizabeth Bagley, alinhada ao governo do democrata Joe Biden. Desde que ela deixou a função, o principal representante americano no país era o encarregado de negócios Gabriel Escobar. Em julho, uma nova diplomata assumiu a função.
SABATINA – Daniel Perez foi sabatinado por uma comissão do Senado dos EUA em meados de junho. Em sua fala na audiência, o republicano disse que organizações criminosas no país representam “desafios reais de segurança” e que o país detém “vastas reservas de minerais críticos essenciais” para a economia e segurança nacional dos EUA.
“As apostas são altas e as oportunidades são reais”, diz Perez no depoimento apresentado aos senadores que compõem a comissão. Ele afirma que o Brasil situa-se “no centro do comércio, da energia e da infraestrutura do hemisfério”, após fazer referência aos minerais críticos.
Ao descrever os “desafios reais de segurança” enfrentados pelo país, o americano citou “organizações criminosas transnacionais que alimentam os fluxos de drogas, ameaçando comunidades americanas”.
ALINHAMENTO – A declaração de Perez está alinhada à decisão recente do Departamento de Estado dos EUA de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em maio, quando o anúncio foi feito, o governo americano afirmou que a influência e redes ilícitas relacionadas aos dois grupos “estendem-se muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país”.
No depoimento, Perez coloca também entre os desafios “a presença crescente de potências externas competindo por influência em toda a região”. Ele acrescenta que entre suas prioridades frente à representação diplomática estarão pautas econômicas, como comércio, e o combate ao crime organizado.
— A maneira como os Estados Unidos se relacionarem com o Brasil nos próximos anos terá enorme importância. Minhas principais prioridades (…) serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, o avanço de nossos interesses nacionais em comércio e investimento, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional, e a construção de parcerias resilientes que beneficiem a economia e o trabalhador americanos — disse o deputado.
Trump não está nem aí com Bolsonaros. Só visa obter lucros ($) no Brasil.
No final de 2022, o ex-mito fugiu para os States com a delirante expectativa de se hospedar no resort Mar-a-Lago, de Trump, em Miami.
No entanto, acabou tendo que passar três meses hospedado na casa de um ex-lutador de MMA, José Aldo, na região de Orlando, na Flórida.
Segundo Wilson Moherdaui, do Jornal da TV Cultura, o ex-mito ficou lá todo esse tempo “sem receber nenhum telefonema nem do motorista do Trump”.
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Para Trump, o pragmatismo econômico supera a ideologia política
Ao negociar petróleo com o chavismo na Venezuela, ele virou as costas para figuras da oposição que antes apoiava, a exemplo de María Corina Machado.
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Mas Lula pode se antecipar aos Bolsonaro na entrega do Brasil aos interesses dos EUA
Ao declarar que pretende conversar com Trump, Lula pode adotar uma estratégia semelhante à da chavista Delcy Rodríguez, ‘presidente’ da Venezuela, que cedeu o controle de riquezas nacionais a interesses norte-americanos.
Além disso, ao buscar esse contato de forma antecipada, Lula disputará com a família Bolsonaro o mesmo espaço político de barganha com os Estados Unidos, reforçando o risco de submeter (antes dos Bolsonaro) o Brasil aos interesses de Trump.
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Com ampla experiência em negociações, Lula já adotava essa prática desde as greves de São Bernardo do Campo: enquanto discursava aos trabalhadores, nos bastidores ele tratava de acordos diferentes com os patrões de multinacionais americanas e europeias (como Ford, Volkswagen, Mercedes-Benz e Scania.
Acorda, Brasil! Presta Atenção!
Trump não se interessa pela América Latina, e decisões sobre a região ficam a cargo de Marco Rubio
No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.
A maior parte das autoridades políticas dos EUA e mesmo dentro do jornalismo e da academia não se interessa pelo que os americanos costumam chamar de América Latina, que basicamente inclui todos os países do Rio Grande no México à Terra do Fogo na Argentina.
Independentemente de serem democratas ou republicanos, o tal establishment de Washington e aqui de Nova York prefere temas ligados a Europa, Oriente Médio e Leste Asiático.
América Latina e África? Nem passa pela cabeça deles.
Vou até usar como exemplo o jornal New York Times. Seus principais colunistas de política internacional, como Thomas Friedman e Nicholas Kristof, raramente escrevem sobre o que ocorre na região, com raras exceções como temas de imigração, México e eventualmente Cuba e Venezuela. Brasil não entra na lista.
O ex-secretário de Estado Anthony Blinken, assim como o então presidente Joe Biden, ignoravam completamente a América Latina e em especial a América do Sul. Mal sabiam dizer “buenos dias”, apesar de viverem em um país onde parcela expressiva da população fala espanhol.
Donald Trump não é diferente da maioria em Washington. O presidente americano (…) praticamente nunca fala o nome de Lula. Talvez não lembre. Simplesmente, o Brasil não está no radar dele.
Flavio Bolsonaro? Trump certamente conhece (…) a família, mas tampouco dá muita importância ao pai e aos filhos. Nada muito além de (…) uma relação de ídolo com fãs — similar à relação com o argentino Javier Milei.
No meio deste deserto de desinteresse pela América Latina, há uma figura que desde a infância demonstra enorme interesse pela região. Naturalmente, falo do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio.
Filho de cubanos, é fluente em espanhol, entende português, identifica-se como latino-americano, adora política externa, tendo sido presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e estuda a política e a economia do continente.
Conhece a história, o contexto atual e sabe quem são os principais atores políticos nos principais países, incluindo o Brasil.
Trump (…) deve delegar a Rubio as decisões sobre questões ligadas a nações latino-americanas como o Brasil.
Conservador e republicano, Rubio tem uma agenda clara e pública de buscar ajudar a eleger figuras da direita nas eleições deste ano, como na Colômbia, no Peru e naturalmente no Brasil.
Nas eleições brasileiras, o candidato de Rubio é Flavio Bolsonaro por ser o representante da direita.
O próprio secretário de Estado deixou clara a sua insatisfação com o atual governo brasileiro em depoimento ao Congresso (…), quando pôs o Brasil no bloco de Nicarágua, Cuba e Venezuela — todas ditaduras.
No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.
O secretário de Estados de Trump (…) sabe quando o assunto for Cuba, Brasil ou Colômbia, suas opiniões tendem a prevalecer. E ele quer Flávio Bolsonaro.
Fonte: O Globo, Política Internacional, Opinião, 04/06/2026 00h00 Por Guga Chacra — Nova York