Este Brasil que bate continência para Trump filia-se à direita truculenta

Charge do Marcelo Martinez (Canal Meio)

Marcos Augusto Gonçalves
Folha

Embora possa causar algum espanto, parcela considerável de brasileiros vê com simpatia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem atacando o país com tarifas comerciais disparatadas e pressões políticas com vistas a interferir nas eleições.

Os apoiadores mais despudorados filiam-se à direita truculenta bolsonarista. Mas há também, talvez mais velados, simpatizantes provenientes de setores liberais conservadores e defensores das pautas das big techs. Entre esses, gente que frequentou boas escolas, teve acesso a leituras e a situação econômica privilegiada. Atestam, em seu transfugismo, quão invertebrados podem ser certos representantes das elites brasileiras.

REACIONARISMO – Parece prevalecer uma espécie de reacionarismo atávico, hoje atualizado por um tipo visceral de antipetismo, que se sobrepõe ao senso de nação —um adesismo equivocado, de viés ideológico, sem altivez. Mais uma vez, para não deixar dúvidas sobre os propósitos de Trump, o Departamento de Estado dos EUA, comandado pelo diligente e vingativo Marco Rubio, postou vídeo no qual o embaixador no Panamá, Kevin Marino Cabrera, detalha o surgimento da doutrina Monroe, em 1823, quando Washington manifestou-se a favor da independência de países latino-americanos e do afastamento das metrópoles europeias.

O post veio com a frase “o domínio americano no Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente” –proferida por Trump após a captura de Nicolás Maduro, o ex-ditador da Venezuela, ora substituído pela ditadora fantoche Delcy Rodríguez. O norte-americano, como se sabe, defende a doutrina Donroe, trocadilho infame que sintetiza seus interesses imperialistas em nosso continente, onde encontra o referido apoio entreguista.

MUNDO BÁRBARO – Trump exerce o poder como um Átila pós-liberal. Onde pisa, a democracia, o multilateralismo e o bom senso morrem. Instituições que mediavam querelas internacionais perderam sentido, na prática não existem mais. Em seu admirável mundo bárbaro, endossa a disputa entre potências de perfil autocrático —Rússia e China— com autonomia sobre suas áreas de influência. Apoia o projeto Grande Israel para regrar o Oriente Médio, de preferência em sintonia com ditaduras amigas, como a Arábia Saudita —enquanto a Europa é vista como mera frescura para os fracos.

A imposição de taxas no comércio exterior funciona como arma para impor a superpotência e também serve para ajudar no financiamento do Estado, substituindo os impostos não cobrados dos grandes empresários americanos. Seria como se Lula, se pudesse, num argumento por absurdo, tentasse buscar recursos fiscais impondo barreiras externas para compensar seus gastos públicos e o custo tributário das isenções.

ALVO  – Em ano eleitoral, o Brasil torna-se uma vítima preferencial do republicano, que acredita estar punindo Lula e favorecendo seus aliados extremistas. Recente pesquisa Datafolha, aliás, mostrou que para 52% dos brasileiros Trump atua para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, cuja família e seguidores batem continência para a bandeira dos EUA.

O clássico livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda, já chega aos 90 anos, mas ainda vale em boa medida seu diagnóstico: somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.

8 thoughts on “Este Brasil que bate continência para Trump filia-se à direita truculenta”

  1. A inesperada vaia da PM do Rio a Flávio

    (…) Flávio foi ao QG do Bope na cerimônia de entrega de equipamentos ao batalhão, parte deles comprados por meio de emenda parlamentar.

    Só que, quando Flávio resolveu dar umas rápidas palavras à tropa da força de elite da PM fluminense, foi… vaiado.

    Fonte: O Globo, Política, 16/08/2026 07h53 Por Lauro Jardim

  2. Só um petista, comedor de mortadela, esquece que ajudou a eleger um analfabeto, alcoólatra, corrupto, condenado e preso por corrupção, misógino, xenófobo, racista, senil, com Alzheimer e covarde como o Lula. E, a direita que é truculenta.

  3. A longa lista de ausências no lançamento de Flávio: Ex-mito, Michelle, Tarcísio, Malafaia…

    Bolsonaristas ‘ilustres’ não deram as caras em primeiro comício da corrida presidencial

    Em prisão domiciliar, o ex-mito não foi a única ausência ‘ilustre’ no lançamento da campanha presidencial de Flávio neste domingo, no Rio.

    Micheque e Tarcínico também não apareceram no trio elétrico montado na Praia de Copacabana.

    Malafalha, que organizou as últimas grandes manifestações bolsonaristas, tampouco deu as caras.

    O senador Romário, reeleito em 2022 pelo PL, foi mais uma ausência notada no trio elétrico. Na sexta-feira, ele pediu desfiliação do partido bolsonarista.

    Sem aliados de peso no plano nacional, Flávio teve a companhia do vice, Alfredo Gaspar, do Boy de Mogi, e de ‘políticos bolsonaristas do Rio’.

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 16/08/2026 14h10 Por Bernardo Mello Franco

    Aleluia! Já teriam percebido que Rachadinha não é o ex-mito.

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