Ideia de que nossos líderes deveriam servir de exemplo é uma letra morta

Cartum: Charges | Folha

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lembro-me de que, nas eleições de 2022, muitos que apoiavam Lula falavam em defesa do projeto civilizador. Fato era que a figura de Bolsonaro, com seu comportamento vil, parecia dar lugar à ideia de que as boas maneiras, o respeito às pessoas que morriam de Covid —”não sou coveiro”, lembra?—, o comer com garfo e faca, enfim, Bolsonaro parecia uma ameaça de retrocesso ao neolítico — com todo o respeito ao neolítico.

Mas daí achar que o PT representa um Brasil mais civilizado é outra história. O PT é uma gangue, responsável, em grande parte — uma vez que tem estado no poder federal por quase 18 anos —, pela desgraça moral, econômica e política que se abate sobre o país.

TUDO PODRE – O PT não é uma força civilizadora no Brasil, aliás, diga-se de passagem, tampouco é o centrão, a direita, o STF —todos delinquentes. Todos eles se reúnem num grande abraço de afogado. Sugam o país como sanguessugas letais.

Um país em que os líderes dos três Poderes se reúnem para ferir a lei, traficar influência e faturar alta grana a favor dos seus, não pode deixar de ver um esgarçamento do contrato social. E, quando ocorre esse tipo de fenômeno, torna-se inevitável o crescimento da desconfiança entre os cidadãos.

Esse esgarçamento aparece nos espancamentos que vimos nas últimas semanas. Aparece no modo como motociclistas, ciclistas e motoristas se comportam nas vias públicas. Um monte de gente não respeita nem mais farol vermelho.

ATÉ NA MÚSICA – Aparece no fato de muita gente ouvir música alta nas suas casas, obrigando os vizinhos a aguentar a música lixo que essa gente gosta.

Aparece também no modo dramático como cada vez mais sentimos que qualquer estabelecimento comercial ou empresa pode ser lavador de dinheiro. Aparece na violência da especulação imobiliária em cidades como São Paulo, que constroem torres imensas, despejando milhares de carros, destruindo a qualidade do convívio nos bairros. Um grande “foda-se” percorre nossas vidas no Brasil.

A ideia de que nossos líderes deveriam servir de exemplo é letra morta. Durante o período das eleições, como agora, essa gente vem atrás de nós para votarmos neles. Mas, para quem tem mais de dois neurônios, é óbvio que mentem e riem da nossa cara. Lula, ao prometer projetos, deveria responder, afinal, por que, depois de tanto tempo no poder, qual foi a razão de não ter realizado esses “projetos” até agora.

EXPERIÊNCIA ZERO -Por outro lado, como confiar num candidato — Flávio Bolsonaro — com experiência zero de gestão pública, erguido à condição de candidato só porque tem o sangue do pai?

Esse critério de indicação de sucessor para o cargo maior da República replica modos de transmissão do poder característicos das máfias. Segundo Joseph Schumpeter, na democracia, o soberano se estabelece por meio de uma competição por votos —conhecida como eleições. Logo, o que importa é ganhar essa competição por votos, o resto é blá-blá-blá.

E, na medida em que essa competição por votos se acirra entre grupos que se odeiam, a tendência é que cada vez mais esses candidatos deem menos bola para “projetos” e discursos racionais. O objetivo único é ganhar a competição por votos e que se foda.

SEM QUALIDADE – Por outro lado, as pessoas polarizadas e militantes estão na mesma “vibe” que seus candidatos preferidos. Nem candidatos, nem eleitores estão preocupados com a “qualidade dos políticos”.

Preocupam-se que os seus políticos vençam e ponham a mão na grana do Estado. Mas, apesar de falarmos de política, a questão é pré-política. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que o problema do Brasil é, em grande parte, moral, e a moral é mais difícil de manipular do que a política.

Os costumes, os hábitos, os sentimentos morais, como dizia Adam Smith no século 18, os comportamentos espontâneos entre nós estão em franca desagregação. A cultura brasileira hoje pertence ao “sem noção”, a própria alegria brasileira hoje não passa de signo de atraso e falta de civilização. A bandidagem adora gente alegre.

FALTA EDUCAÇÃO – Talvez a dura verdade seja que não há como manter certos cuidados morais básicos quando se é ruidosamente alegre como muitos brasileiros são, e mal educados, que escondem essa má educação sob o manto da alegria festiva.

Assim como há a esquerda festiva, há o mal educado festivo. Não se trata de aliviar a barra dos políticos e ministros corruptos, mas, sim, de dizer que a corrupção brasileira é moral, antes de ser política. Não dá para ser civilizado e sujar ruas com seus maus hábitos e garrafas de Macallan.

Não há civilização sem contenção moral. Sei, os inteligentinhos vão às raias da loucura com isso, mas que fiquem, hoje, brincando no parquinho.

4 thoughts on “Ideia de que nossos líderes deveriam servir de exemplo é uma letra morta”

  1. Democracia Direta, Nele$, Já, com Meritocracia e Deus na causa, no bojo da RPL-PNBC-DD-ME, porque é tudo de bom, novo, honesto, autêntico, verdadeiro, evolutivo, alternativo e alvissareiro, que nos resta CONTRA A CONDENAÇÃO PERPÉTUA DO NADA DE NOVO NO FRONT, QUE SE REPETE NO BRASIL HÁ 136 ANOS. Na república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$, que, há 136 anos, via golpe, capturaram o país para si, é assim mesmo que a banda toca, o aparelhamento partidário, ideológico e religioso das instituições não poupa nem o STF. Imaginem então o que acontece no dia a dia do conjunto da população na base, nos municípios, à mercê do dito-cujo aparelhamento, espionada o tempo todo pelo sistema dos me$mo$, sem ter a quem reclamar senão apenas a Deus no céu e ao Papa na terra. É por tudo isso, e muito mais, que não me canso de gritar “urbe et orbe”: XÔ AUTOCRACIA CHINESA, XÔ PLUTOCRACIA NORTE-AMERICANA, você$ não nos representam. BASTA, CHEGA DOS ME$MO$. Vade retro Tio Sam. Xô Sataná$, vai para o inferno com as suas “boas intenções” para com o Brasil, a América do Sul, e Latina, e leve consigo as vossas aleivosias, malignidade e desumanidade representada pela loucura compulsiva e insaciável por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, gerada pelo vosso sistema de gastança, comilança e impostança, copiado mal e porcamente no Brasil, há 136 anos, fantasiada de democracia apenas para locupletar espertos e ludibriar a sua tola freguesia, até porque se essa desgraça for mesmo a democracia, que tenho certeza que não é, então estamos todos desgraçados, “desbundados” e sem futuro alvissareiro, no mato e sem cachorro, no ar, sem escada e com a broxa e a bomba-relógio-financeira armada, alimentada e potencializada pelos me$mo$, há 136 anos, no nosso colo e em nossas mãos. Daí a necessidade de evoluirmos no sentido da novíssima Democracia Direta, com Meritocracia e Deus na causa (concurso público padrão, aberto à participação ativa de todos, o mais rigoroso do país, eleições gerais, mandatos de no máximo 5 anos, sem reeleição, salários de servidores públicos comuns…), genuinamente brasileira, antes tarde do que nunca, até porque, em sã consciência, a Humanidade não suporta mais a excrescência do continuísmo da mesmice da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, porque isso que aí está, há 136 anos, é muita loucura e muita guerra tribal, primitiva, permanente e insana por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, por nada de esperanço, novo e alvissareiro para o conjunto da população, espionado e pressionado, diuturnamente, pelos operadores e comensais do dito-cujo sistema, intensamente, de dois em dois anos, insuportável por seres humanos normais, e inviável para o sucesso do país, além de uma enorme perda de tempo cumulada com um gigantesco desperdício de dinheiro público, que faz muita falta ao que realmente interessa que é a consecução do bem comum como finalidade precípua do estado constitucional, finalidade essa ignorada pelo dito-cujo sistema que impede o país de funcionar a contento e que obriga a população a girar o tempo todo, feito barata tonta, em função dos interesses dos seus operadores, com a população imiscuída na embromação dos me$mo$ feito boba da corte numa guerra que não é sua mas isto sim dos operadores do dito-cujo sistema dos me$mo$, de modo que, por tudo isso, urge tirarmos o povo da fogueira dos me$mo$ e colocá-los numa nova arena civilizada de disputas por cargos políticos, assistida, vigiada e monitora de camarote pelo povo, o dono da democracia. DAÍ A NECESSIDADE DA RPL-PNBC-DD-ME, com Democracia Direta, Meritocracia e Deus na causa, que, por sua vez, para se viabilizar, pacificamente, necessita da compreensão e da união de todos no seu entorno, direita, esquerda e centro, oposição e situação, a ser formalizada em um novo e necessário PACTO NACIONAL CONFEDERATIVO. https://tribunadainternet.com.br/…/folha-diz-que…/…

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