
Flávio tenta escapar e concentrar investigação em Mendonça
Bela Megale
O Globo
Com temor das consequências que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) possa ter para Flávio Bolsonaro (PL), a campanha do presidenciável tem atuado para tentar se blindar de eventuais ações do ministro Flávio Dino no caso “Dark Horse”. O magistrado é o relator de uma das investigações sobre o filme inspirado em Jair Bolsonaro que apura se houve uso de dinheiro público e emendas parlamentares da produção.
O foco da campanha de Flávio hoje é tentar tirar o caso de Dino e concentrar todas as apurações do filme nas mãos de André Mendonça, que é o relator das investigações do caso Master, incluindo a que envolve “Dark Horse”. A ação mais recente do time de Flávio foi coordenada com a defesa da dona da Go Up Entertainment, produtora do longa, Karina Gama.
25 MIL PÁGINAS – Na semana passada, Karina entregou 25 mil páginas sobre gastos do filme ao gabinete de André Mendonça. Os documentos incluem contratos, transações bancárias e notas fiscais emitidas de gastos com a produção. O foco é tentar esvaziar um pedido de quebra de sigilo bancário ou outras medidas contra a produtora por parte de Dino.
A estratégia foi traçada com a cúpula da campanha de Flávio na tentativa de esvaziar a investigação do ministro. Dino autorizou há duas semanas que a Polícia Federal tivesse acesso aos documentos da investigação da Polícia Civil de São Paulo que apurou contratos de Karina com a Prefeitura de São Paulo. O foco da PF era justamente a documentação sobre o filme “Dark Horse”.
DIRECIONAMENTO – Inicialmente, Karina Gama disse que iria colaborar e que compartilharia todo material com Dino. A estratégia adotada, no entanto, foi direcionar a documentação para Mendonça. O foco é fazer com que o ministro, que foi nomeado para o STF por Jair Bolsonaro, concentre as investigações sobre a produção.
A defesa de Flávio Bolsonaro chegou a pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, que a investigação que tramita sob a relatoria do Dino seja remetida para Mendonça. Como informou a colunista Malu Gaspar, a campanha de Flávio está em pânico com a possibilidade de Dino e Alexandre de Moraes tomarem medidas que possam abalar a candidatura do senador diante da crise instaurada com André Mendonça.
Presidenciável na mira da PF: Flávio é investigado no STF por 4 crimes
O levantamento do sigilo de documentos do caso Banco Master no STF revelou o segredo que André Mendonça guardou a sete chaves:
– Flávio é oficialmente investigado pela PF por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.
O inquérito, autorizado pelo próprio Mendonça ainda em julho a pedido da PF, apura o financiamento milionário e remessas ilegais ao exterior ligadas ao documentário Dark Horse.
Pressionado por Fachin e pela reação de ministros que cobravam acesso amplo aos autos após vazamentos seletivos, Mendonça teve de abrir a gaveta.
A revelação atinge em cheio a campanha de Flávio às vésperas do primeiro turno.
Candidato à Presidência pendurado em quatro crimes graves e sem nunca ter explicado o dinheiro de Vorcaro, Rachadinha agora terá de fazer campanha explicando como virou caso de polícia no Supremo.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 12/09/2026 09:00 Por Ricardo Noblat
Impasse regimental e arrastamento do processo de Moraes
A decisão de Fachin de restringir a pauta do STF exclusivamente à análise da conduta de Moraes é avaliada como um equívoco estratégico que pode paralisar o julgamento.
Como a sessão focará apenas em Moraes, os ministros poderão adotar pedidos de vista sucessivos, prolongando indefinidamente a tramitação do caso.
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Fachin dá tiro no pé e caso Moraes pode ficar para “Dia de São Nunca”
Ministros devem recorrer a pedidos sucessivos de vista após Fachin decidir restringir sessão à análise da conduta de Moraes
Ao discordar do pedido para incluir na pauta de terça-feira, 15/9, análise sobre a conduta do ministro André Mendonça, Fachin deu um tiro no pé. Já que a sessão será apenas para analisar se o ministro Moraes deve ser investigado, ministros irão pedir vista inviabilizando a votação.
Os ministros podem pedir vista um atrás do outro. Quando um devolve para julgar, outro pede. Há julgamentos no Supremo que levam décadas nesse vai e vem.
Pelo Regimento Interno do Supremo, o ministro que pedir vista tem prazo de 90 dias para devolver o processo para julgamento.
Encerrado esse período, os autos são automaticamente liberados para que o julgamento prossiga. Na prática, porém, um novo pedido de vista pode ser feito por outro ministro, prolongando novamente a análise do caso.
Um acordo para evitar os sucessivos pedidos de vista passa por incluir numa mesma sessão os casos de Moraes (ele pode ser investigado por suas relações com Vorcaro?) e Mendonça (ele mandou investigar Moraes sem o aval da Corte? Se fez isso, as provas são inválidas?).
Fonte: Metrópoles, Opinião, 12/09/2026 13:05 Por Andreza Matais
Leitura extremamente relevante.
Andreza Matais se mostra um azougue em sua análise.
O BanDino não é um juiz, é um …