Tarcísio foi articulador de desistência de Salles
Marília Barbosa
G1
O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou nesta segunda-feira (28) que desistiu de concorrer ao Senado por São Paulo, a seis dias do primeiro turno das eleições. Ele declarou apoio às candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que também disputam as duas vagas de senador pelo estado.
A desistência, porém, não significa que o nome de Salles será retirado da urna eletrônica. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o sistema utilizado para preparar as urnas foi fechado em 22 de setembro, às 12h57. Com isso, os dados dos candidatos não podem mais ser alterados.
PEDIDO FORMAL – O TRE-SP informou que, até o momento, não recebeu o pedido formal de renúncia de Salles. Para que a desistência seja oficializada perante a Justiça Eleitoral, o candidato precisa apresentar um documento de renúncia, datado e assinado, nas formas previstas pela legislação.
O pedido é então encaminhado ao juízo eleitoral responsável pelo registro da candidatura para homologação. Enquanto isso não acontece, a situação de Salles permanece como está registrada pela Justiça Eleitoral.
Caso a renúncia seja formalizada e homologada, a candidatura passará à situação de “Inapto”. Se o candidato considerado inapto receber votos, eles são considerados nulos pela Justiça Eleitoral.
PRAZO – A Legislação Eleitoral estabelece que a substituição de candidatos pode ser feita, em regra, até 20 dias antes da eleição. Para o primeiro turno de 2026, o prazo terminou em 14 de setembro. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece a data como o último dia para pedidos de substituição de candidaturas, com exceção dos casos de morte.
A regra vale tanto para eleições majoritárias, como a disputa pelo Senado, quanto para eleições proporcionais. No caso de Salles, portanto, o prazo para que o Novo apresentasse outro candidato em seu lugar já terminou, e não haverá substituição.
RENÚNCIA – O anúncio público feito pelo candidato não substitui o procedimento exigido pela Justiça Eleitoral. A Resolução nº 23.609 do TSE determina que a renúncia seja expressa em documento datado, com firma reconhecida em cartório, assinada na presença de servidor da Justiça Eleitoral ou feita eletronicamente por meio do Gov.br. O pedido deve ser apresentado ao juízo responsável pelo registro da candidatura para homologação e atualização da situação no sistema de candidaturas.
A resolução também estabelece que o prazo para eventual substituição de um candidato que renuncia começa a contar a partir da homologação da renúncia. Mas, para as eleições de 2026, o limite de 20 dias antes do pleito já foi ultrapassado.
OUTRO CASO – Um caso ocorrido neste mês em São Paulo ajuda a entender o que pode acontecer quando uma candidatura sofre uma mudança depois do fim do prazo para substituição. A policial Edjane Lima, que concorria ao governo de São Paulo pelo Agir, deixou a disputa depois que sua vice, Professora Nayr Duarte, apresentou pedido de renúncia. A renúncia da vice foi homologada em 14 de setembro, justamente na data-limite para substituições.
O TRE-SP indeferiu a chapa de Edjane em 18 de setembro. Como o prazo para uma nova substituição já havia terminado, não era mais possível recompor a chapa para a disputa pelo governo paulista. No caso de Salles, a situação é diferente porque ele próprio anunciou a desistência depois do encerramento do prazo de substituição.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A desistência de Ricardo Salles da disputa pelo Senado não foi apenas uma decisão individual. Segundo apuração da colunista Bela Megale, de O Globo, o governador Tarcísio de Freitas atuou diretamente para convencer Salles a abandonar a candidatura e apoiar Guilherme Derrite e André do Prado. A articulação teve como objetivo concentrar os votos do campo da direita nas duas candidaturas e evitar que a divisão favorecesse Simone Tebet e Marina Silva na disputa pelas duas vagas de São Paulo. Salles, que continuava na corrida a seis dias do primeiro turno, acabou abrindo mão da candidatura para aderir à estratégia eleitoral do grupo ligado ao governador. (M.C.)
Em meio à pressão de aliados, Zema avalia desistir de corrida eleitoral e pode repetir Salles.
Folha de S. Paulo, 28/09/2026.
É bom que ele avise quando de fato desistir, pois corre o risco de ninguém notar, já que praticamente não restaram eleitores manifestando intenção de voto nele.
Tarcísio cobra também desistências de Caiado e Zema em pról de Flávio
O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) anunciou, nesta segunda-feira, 28, a desistência de sua candidatura ao Senado por São Paulo. O anúncio ocorreu após ‘apelo’ do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nos bastidores, segundo apurou a Coluna do Estadão, o recuo foi motivado pelo receio do parlamentar de dividir os votos da (extrema-)direita, abrindo espaço para a vitória da esquerda no Estado (…).
Diante das ‘negociações’ dos últimos dias e da pressão para evitar a fragmentação do eleitorado de (extrema-)direita, o parlamentar teve de abrir mão de sua postulação própria em prol da unificação do bloco ‘conservador’.
Durante o evento, Tarcísio de Freitas aproveitou o gesto para defender a união nacional do campo da direita (em razão do cagaço diante de Lula).
O governador paulista citou o movimento como exemplo e cobrou posturas semelhantes de governadores aliados, como Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), em prol de uma estratégia unificada pró Flávio e contra o Barba já no primeiro turno das eleições.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, 28/09/2026 | 15h08 Por Roseann Kennedy
Cotações de eventuais desistências de Zema e Caiado
Numa análise de cenário, a cotação da desistência de Zema de sua candidatura é extremamente baixa, dado o seu insignificante desempenho (1%) nas pesquisas de intenção de voto.
E seu eventual apoio a Flávio também se esvazia no segundo turno, uma vez que Zema não lidera o eleitorado bolsonarista que temporariamente migrou para sua base.
Já Caiado detém maior poder de barganha no tabuleiro das desistências, respaldado por seus 4% de preferência popular — um capital político que tende a se manter firme mesmo após a primeiro turno das eleições.
O fiel da balança, no entanto, será Gilberto Kassab, presidente da legenda e um negociante político nato.