
Temer reclamou de ser chamado de golpista por Lula
Lauriberto Pompeu
O Globo
O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou nesta segunda-feira apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. O candidato do PL disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (P.
Temer assumiu a Presidência em 2016, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem era vice. Desde essa época passou a ser criticado por integrantes do PT e pelo próprio Lula.
ARGUMENTO – Ao justificar o apoio a Flávio, o emedebista citou as críticas que recebeu do presidente e candidato à reeleição. “Na sua concepção, se você fosse presidente chamado de golpista pelo outro lado e permanentemente o PT inteiro te chamando de golpista, qual seria sua posição?”, disse ao O Globo.
O MDB, no entanto, ainda não declarou posição no segundo turno. Na primeira etapa da disputa, a legenda decidiu por liberar os filiados a apoiarem quem desejarem.
Apesar de abrigar nomes de oposição ao PT, como Temer e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a legenda também tem uma ala próxima do petista. A sigla chegou a comandar os ministérios dos Transportes, Cidades e Planejamento durante quase todo o terceiro mandato presidencial de Lula.
REUNIÃO – Por sua vez, o comando nacional do PP marcou para a tarde desta terça-feira uma reunião para decidir a posição da sigla no segundo turno da eleição presidencial. De acordo com integrantes da Executiva Nacional do partido, a tendência é que a legenda apoie Flávio.
O União Brasil também vai se reunir no mesmo dia e também deve declarar apoio a Flávio. Os dois partidos formam uma federação e precisam seguir a mesma posição nas eleições. Na noite de domingo, pouco após o resultado, o PSD declarou neutralidade e liberou os filiados a apoiarem Lula ou Flávio.
O cerco se fecha em torno de Xande, indicado de Temer
A partir do dia 25, com a ascensão fulminante de Flávio à presidência e o ostracismo político de seu parceiro Barba, Xande será lançado contra uma nova e cruel realidade: o retorno implacável do ex-mito ao topo do poder.
Esse revés estremecerá as estruturas, impulsionado diretamente por seu filho Rachadinha e por uma avassaladora onda de parlamentares bolsonaristas eleitos.
O cerco está fechado: Xande agora se vê obrigado a digerir e combater cada armadilha, trava e retaliação que a maior força política do país — agora transfigurada em sua pior inimiga — injetará em sua rotina.
Diante do abismo, o relógio corre e Xande é encurralado por uma escolha brutal:
– Ou cede à pressão asfixiante e costura um acordo humilhante com o preposto do ex-mito para libertar o líder e a bancada de presos do golpe fracassado, ou assistirá, impotente, à extinção de seu próprio mandato via impeachment — um desfecho catastrófico que carimbará, de uma vez por todas, a anistia irrestrita de todos os golpistas que condenou.
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