Flávio faz promessas sem fundamento para iludir eleitores
Pedro do Coutto
Na reta final da campanha, a guerra de versões se intensifica. Cada candidato procura apresentar-se como o intérprete mais confiável das expectativas do eleitor, mas também tenta explorar as fragilidades que identifica no adversário. O resultado é uma eleição em que propostas, promessas e ataques se misturam na tentativa de definir não apenas quem deve governar o país, mas qual narrativa prevalecerá sobre o futuro do Brasil.
A promessa de prosperidade feita por Flávio Bolsonaro é um exemplo dessa disputa. O candidato anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade, destinado a oferecer, segundo sua campanha, oportunidades de estudo, qualificação, crédito e empreendedorismo. A proposta procura associar proteção social a uma trajetória de autonomia econômica: o cidadão receberia apoio para se qualificar, abrir um negócio, obter crédito e, progressivamente, depender menos de políticas de transferência de renda.
APELO ELEITORAL – A ideia tem um apelo eleitoral evidente. Empreendedorismo, acesso ao crédito e possibilidade de melhorar de vida são aspirações concretas para milhões de brasileiros. O problema começa quando uma questão complexa é apresentada como se pudesse ser resolvida pela simples criação de uma estrutura administrativa. Prosperidade não é uma política pública isolada, muito menos o resultado automático da existência de um ministério.
Uma economia próspera depende de uma combinação de fatores que se constroem ao longo do tempo: crescimento consistente, investimento, produtividade, educação, infraestrutura, segurança jurídica, estabilidade fiscal, crédito acessível e capacidade de geração de empregos e negócios. Um governo pode criar condições para que esses fatores se desenvolvam, mas não pode decretar o resultado. É justamente nessa diferença entre criar instrumentos e produzir resultados que as promessas eleitorais precisam ser examinadas.
Há, inclusive, uma contradição que merece atenção. O próprio plano de governo de Flávio Bolsonaro defende a redução da estrutura administrativa e prevê o corte de pelo menos dez ministérios, ao mesmo tempo em que a campanha passou a defender a criação do Ministério da Prosperidade. O plano também atribui à Caixa Econômica Federal um papel ampliado no crédito, na orientação financeira e no apoio ao empreendedorismo.
EXPLICAÇÕES – Isso não torna necessariamente a proposta inviável, mas exige explicações mais precisas. Se a intenção é reorganizar estruturas existentes, transferir atribuições ou concentrar políticas dispersas, a discussão é uma. Se a solução apresentada é simplesmente acrescentar uma nova pasta, a pergunta passa a ser outra: por que um novo ministério seria mais eficiente do que utilizar as estruturas que já existem?
Do outro lado, Lula procura transformar essa mesma disputa em uma escolha entre continuidade e risco. O presidente acusa o adversário de prometer manter programas sociais que, durante a campanha, Flávio passou a defender explicitamente. O candidato do PL afirma que pretende preservar e reajustar o Bolsa Família e manter programas como Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular.
A estratégia de Lula consiste em levantar uma dúvida: como conciliar a promessa de manutenção dos benefícios com o discurso de redução de impostos, corte de despesas e diminuição da máquina pública? A questão é legítima, mas também não deve ser transformada automaticamente em conclusão. O eleitor precisa saber quais despesas seriam reduzidas, quais receitas sustentariam os programas e quais mudanças seriam feitas na política social. Sem essas respostas, tanto a promessa de manter benefícios quanto o alerta sobre eventuais cortes permanecem, em alguma medida, no terreno da disputa eleitoral.
PERSUASÃO – É significativo, portanto, que os dois candidatos estejam tentando ocupar espaços que tradicionalmente pertenciam ao adversário. Flávio procura apresentar-se não apenas como candidato da mudança, mas como alguém disposto a preservar programas populares e oferecer mecanismos de ascensão econômica. Lula, por sua vez, amplia o discurso em direção ao empreendedorismo e às dificuldades concretas de quem trabalha por conta própria. A disputa deixou de ser apenas sobre esquerda e direita e passou a envolver quem consegue convencer o eleitor de que compreende melhor suas necessidades materiais.
Essa mudança é importante porque revela o que está em jogo na eleição. O eleitor não vota apenas em programas de governo; vota também em expectativas. Quer saber se terá emprego, renda, crédito, casa, segurança e condições para melhorar de vida. É justamente por isso que palavras como prosperidade, mudança e continuidade ganham tanta força na reta final.
POLÍTICAS PÚBLICAS – Mas palavras não substituem políticas públicas. Prosperidade pode ser um objetivo legítimo de governo; não pode ser apresentada como consequência automática de um ministério. Da mesma forma, a manutenção de programas sociais é importante para milhões de famílias, mas sua sustentabilidade depende de orçamento, prioridades e capacidade de financiamento do Estado.
No fim, a questão mais relevante não é qual candidato consegue formular a promessa mais atraente. É qual deles consegue explicar com maior clareza como pretende transformar a promessa em resultado. A campanha pode produzir ministérios no papel, slogans, anúncios e compromissos eleitorais. A prosperidade, porém, exige algo menos imediato e muito mais difícil: uma sequência de decisões capazes de produzir crescimento, oportunidades e melhoria real das condições de vida. É aí que termina a propaganda e começa a responsabilidade de governar.
Glauber Braga
Página · Político
Eleito pelo júri do Congresso em Foco o Melhor Deputado Federal. https://lnk.bio/GlauberBraga
glauberbraga.com.b
Quer dizer que o mascote de Trump disse aos aliados próximos e interlocutores do mercado que vai votar a favor do fim da escala 6×1 pra não queimar o filme e depois, se eleito presidente, muda o que foi aprovado? A falsidade pinga do rosto desse sujeito. Vai perder! É Lula 13!
Verdade Russa Multipolar🇷🇺
Grupo Público
Helder C. Vieira
Mora em Astana, Kazakhstan
“A Rússia de hoje é um país muito mais rico do que era em qualquer momento desde o colapso da União Soviética.
Fui a Moscovo em junho. Não ia lá desde 2019 e consegui falar com pessoas de vários quadrantes. Falei com empregados de mesa, com taxistas e com trabalhadores de uma fábrica de panificação.
A única conclusão que tirei de todos eles foi que houve uma grande retoma na economia russa. O país tornou-se muito mais rico.
E a principal razão para este crescimento económico deve-se ao facto de as sanções ocidentais estarem a impedir a saída do dinheiro russo.
Quando a Rússia era um exportador de matérias-primas, o dinheiro gerado pelas exportações era transferido para o Ocidente. Ia para instituições financeiras e bancos ocidentais, ou era investido no mercado imobiliário em Londres. Por várias razões, os russos não confiavam no seu próprio sistema financeiro.
Agora, como não podem tirar o dinheiro do país, ele tem de ficar lá. E como o dinheiro não gosta de ficar parado, tem de ser rentabilizado.
As empresas ocidentais saíram e as empresas russas ocuparam o seu lugar. Estão a investir dentro da Rússia, o que originou a criação de um mercado interno muito forte que, por sua vez, impulsionou uma industrialização muito rápida.
Isto acontece também devido ao petróleo e à energia barata. O facto de a Rússia não ter um mercado de ações massivo faz com que todo o sistema financeiro esteja muito mais focado em investir dinheiro para aumentar a produção.
E tem havido um progresso assinalável: a indústria transformadora está a crescer e o setor dos serviços acompanha este desenvolvimento. Podemos ver isso nas lojas, nos restaurantes e em todo o tipo de negócios em expansão. O comércio eletrónico cresceu a um nível que ultrapassa completamente a minha imaginação e os bens de consumo estão muito mais disponíveis.
O custo de vida baixou. Não porque a inflação tenha diminuído, mas porque os rendimentos reais subiram muito mais depressa. O governo está a facilitar todos estes processos através do sistema fiscal e está também a criar uma infraestrutura digital para os apoiar.
Mas nós, no Ocidente, estamos obviamente confrontados com a nossa própria propaganda. Grande parte destas análises sobre a situação são feitas de forma abstrata, sem ir ao terreno ver a realidade do que se está a passar na Rússia atualmente.” – Alexander Mercouris
O Sr do Coutto, canhoteiro histórico, escreve para alimentar os militontos petralhas. Critica uma promessa de campanha do Flávio e silencia sobre as centenas de promessas não cumpridas, feitas pelo traficante Luladrão, desde a década de 80. Quase meio século de mentiras descaradas, na forma de promessas, varridas para baixo de tapete pelo ilustre jornalulista.