STF mergulha na desconfiança ao misturar decisões judiciais e disputa política

STF avançou e revelou-se mau jogador na política

Dora Kramer
Folha

O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela. Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.

A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mais do que já atrapalhou. De outro lado, a extemporânea entrada da revisão criminal de Jair Bolsonaro (PL) na pauta da corte sinaliza a presunção de que os ventos no tribunal possam mudar a depender do resultado das eleições.

ALINHAMENTOS – Ambos os gestos mantêm o STF atrelado a alinhamentos políticos, o que está bem longe de significar contenção às funções jurídico-constitucionais. Se processos deveriam ser arquivados, denúncias rejeitadas e penas relaxadas, tais providências tomadas agora dão a ideia de que obedeceram ao calor dos votos. À mesma lógica submete-se o exame do benefício ao ex-presidente.

Nesse modo, prossegue o tribunal que, estando à beira do abismo reputacional, dá um passo adiante e mergulha no poço da desconfiança, quando as circunstâncias adversas aconselhariam a direção oposta.

O ativismo vem agora embalado em supostas reparações, mas nem por isso deixa de exibir as digitais do engajamento. Aos políticos de profissão é dada a prerrogativa da pressa em se posicionar. Dos apoios emprestados a quente depende a acomodação futura das forças em disputa de poder e relevância.

DISTÂNCIA – Aos juízes cabe o papel de observação não engajada; espectadores mantidos a prudente distância de interpretações de cunho político-eleitoral. Recolher os flaps sob a ponderada orientação do presidente Edson Fachin é a melhor opção.

A pior, voltar ao tabuleiro onde o STF já se mostrou um mau jogador. Não soube medir as consequências de seus atos. Convém, então, que se convença de que não deve se aventurar por mares onde não está preparado nem autorizado a navegar.

8 thoughts on “STF mergulha na desconfiança ao misturar decisões judiciais e disputa política”

  1. Vorcaro na Mídia:

    Grupo Globo demite CEO após vazamento de conversas com dono do Banco Master

    Diálogos no celular de Daniel Vorcaro com executivo da Editora Globo mostram intimidade, negociação de patrocínios e pressão contra jornalistas do grupo; em nota, empresa reafirma independência editorial do jornalismo

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, 15/10/2026 | 13h57 Por Redação

    ____________

    Vorcaro orientou reportagens do Metrópoles contra diretor do BC que fiscalizou Master

    Textos jornalísticos lançavam dúvidas sobre atuação de Renato Gomes e chegaram a ser divulgados em painéis eletrônicos por Brasília; procurada, a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, não respondeu

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, 15/10/2026 | 16h05 Por Redação

  2. Crusoé: A rede de influência de Vorcaro no noticiário

    Segundo o ‘Uol’, o ex-controlador do Master influenciou publicações nos sites Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ DCM, Carta Capital e Metrópoles

    Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o ex-controlador do Banco Master montou uma rede de influência em sites de notícias, jornais e revistas por meio de patrocínios e investimentos.

    Segundo o Uol, Vorcaro influenciou publicações nos sites Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ DCM, Carta Capital e Metrópoles.

    (…)

    O Antagonista, Brasil, 15.10.2026 16:28 Por Redação

  3. Renan Santos disse que não é Lula, talvez até vote nulo, mas deixou claro em entrevista ao UOL, aos seus milhares de seguidores, que com o Flávio Bolsonaro o perigo contra o Brasil é total. E assim a VIRADA DE LULA está acontecendo, com as fichas caindo e dando conta de que Lula, de novo, a exemplo de 2022, é a única arma eleitoral que a democracia partidária tem para impedir o avanço do retrocesso representado pelo bolsonarismo que traz em si, no seu histórico, a possibilidade de desastre total contra o necessário descortino dos novos horizontes que o país e o povo brasileiro necessitam há trocentos anos, de modo que o Renan Santos tb deve estar preocupado com as possíveis retaliações derivadas do velho revanchismo que, desta feita, tendo em vista o armamento tresloucado da população visando possível matança de seres humanos, cogitada pelo próprio Bolsonaro, antes da sua eleição, poderá redundar em banho de sangue, até porque as forças armadas do bem, legalistas e democráticas, e ninguém em sã consciência, aceitará tamanha loucura contra nossos irmãos brasileiros sejam eles de esquerda, de direita e de centro. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2026/10/15/renan-santos-critica-campanha-de-flavio-ja-esta-com-rei-na-barriga.ghtm

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