
Direita e mercado erram ao superestimar ganhos na relação
Eduardo Graça
O Globo
Daqui a alguns dias os brasileiros decidirão quem comandará o país e é um equívoco superestimar resultados práticos de uma eventual relação carnal com Washington a partir de janeiro. Por lá, o norte seguirá o dos Estados Unidos em primeiro lugar. Donald Trump trata adversários e aliados com a mesma lógica da farinha pouca meu pirão primeiro.
Referência na avaliação de risco geopolítico para o mercado financeiro e corporativo, a Eurasia Group calcula em 70% a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro sair vitorioso no dia 25. Analista da consultoria americana no Brasil, a cientista política Julia Thomson afirma que o alinhamento ao Trump 2.0, com concessões nas taxas ao etanol e ao setor automobilístico americano, pode levar ao fim das sobretaxas de 25% impostas ao Brasil por Washington em junho de 2026 por supostas práticas desleais de comércio.
PARCERIAS – Ela também vislumbra parcerias em mineração estratégica e investimento em armamento e treinamento de forças de combate com a adesão ao Escudo das Américas, aliança criada e liderada por Washington centrada nominalmente no enfrentamento conjunto ao narcotráfico na região.
O cenário não inclui, no entanto, investimentos significativos em infraestrutura e o fim do tarifaço original, de 50%. Há, destaca Tomson, uma “expectativa exagerada” na direita brasileira e no mercado sobre uma parceria estratégica com Washington.
Em pouco menos de um mês, os EUA também irão às urnas. Pesquisas cravam que a Câmara será comandada pelos democratas, ligeiramente favoritos no Senado. Se confirmado, o resultado girará radicalmente a atenção dos republicanos para a política interna, de olho na sucessão presidencial em 2028.
“PREÇO PEQUENO” – Quando acuado, Trump dá bom dia a cavalo. Em comício, sem encontrar justificativa para a decisão de entrar em guerra com o Irã, afirmou que a destruição de Los Angeles e San Diego por Teerã seria “preço pequeno a se pagar pela segurança do país”. Mais cedo, criticara a demora na apuração em locais governados pelos democratas, em insinuação mentirosa de fraude. Usou como exemplo de eficiência os recentes resultados, “anunciados no mesmo dia”, em “um país com 125 milhões de eleitores”.
Errou no número e no endereço. Foram 33,7 milhões a mais de votantes e ele se referia, claro, ao Brasil, não, como escreveu em sua rede social, à Índia. Deslize cognitivo ou ato falho, Nova Délhi sim é parceira estratégica dos EUA, comandada pela direita radical, e com a popularidade do governo ladeira abaixo desde a imposição de tarifaços por Washington.
EXPECTATIVA – No Brasil, desde a redemocratização, nenhum candidato chegou atrás no primeiro turno e se elegeu presidente. Por outro lado, a frente de 1,87% da oposição é a menor desde 1989. Uma das possibilidades é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger por margem igualmente estreita. Neste caso, a expectativa no universo das relações exteriores é a de os EUA demorarem mais do que seus pares europeus e asiáticos a reconhecer o resultado. Mas de o fazerem.
Dois elementos corroboram a percepção. Um deles é a ausência de ações recentes que explicitem ainda mais a interferência em curso da Casa Branca no pleito brasileiro. O outro é justamente o elogio de Trump às urnas eletrônicas. Inadvertidamente, o político que jamais admitiu a derrota em 2020 para Joe Biden jogou contra eventual campanha de negacionismo eleitoral no Brasil.
Há “dendos”, em:
https://www.facebook.com/share/v/1Cdn4389tj/
Para Trump as prioridades de 1 a 10 são ele, sua familía e seus apaniguados e depois os Estados Unidos da América e o Brasil, assim como o resto do mundo, que se dane!!!! Não criando problemas e entregando o que interessa para ele tanto faz quem será o presidente da “republiqueta”. Garanto isso.
Rachadinha vota a favor da redução da jornada de trabalho (sic)
Escala 5×2 pode encarecer contratações, agravar escassez de trabalhadores e agravar a falta de mão de obra em setores-chave da economia, como supermercados e construção
Para manter o nível de atividade, empresas de dois setores específicos teriam de elevar em 16,7% o volume de contratações, calcula Hélio Zylberstajn; perspectiva é de que negócios recorram à informalidade para conter a alta de custos
(…)
Fonte: Estadão, Política, 15/10/2026 | 11h34 Por Jayanne Rodrigues e Márcia De Chiara
Causa estranheza o fato de o senador Flávio Bolsonaro, de extrema-direita, ter votado a favor da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, externando, talvez, uma oculta admiração por Barba e pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A medida pode torná-lo um candidato à Presidência dispensável para os patrões e eleitores conservadores, resultando em uma possível queda nas suas intenções de voto em pesquisas eleitorais.
Que tal a Janja? A palhaçada é tanta que não dá para levar nada a sério. Num país sério, não poderíamos ter um Lula ou um Flávio como CANDIDATOS à presidência. Até a Dilma seria melhor.