Flávio desfila propostas sem cobrança sobre os números
Míriam Leitão
O Globo
Algumas vezes, há um divórcio entre fato e percepção, e observamos isso neste processo eleitoral. O importante na eleição é a percepção, e não o fato. O fato é que foi o PT que criou o MEI, e não há nenhuma informação concreta sobre algo que Bolsonaro tenha feito para favorecer os microempreendedores. Mas fica a ideia de que o candidato do PT, que tem sua origem no movimento sindical do ABC, fala apenas com o trabalhador formal e não fez esforços concretos para o resto da economia.
Os economistas, inclusive aqueles especializados em contas públicas, classificam o governo do PT como gastador e o de Jair Bolsonaro como austero. No entanto, Lula reduziu o déficit primário, e Bolsonaro não foi austero. Além disso, o que Flávio tem proposto agora são absurdos fiscais, como ressuscitar o Perse sem informar de onde viriam os recursos para um programa que foi interrompido após registrar gastos bilionários, em torno de R$ 60 bilhões, e irregularidades.
DESFILE DE PROPOSTAS – O candidato do PL vem desfilando propostas com impacto fiscal, sem nenhuma cobrança sobre os números. Até agora, Flávio não apresentou nenhum programa de ajuste fiscal que indique a possibilidade de um corte de 1,5% do PIB, os tais R$ 200 bilhões, que se compromete a fazer, caso eleito, no primeiro ano de mandato.
Até aqui, no entanto, Lula também não fez nada em seu discurso para melhorar essa percepção de gastador, especialmente, quando afirma que a solução para a dívida é crescer mais a economia.
O debate na TV Globo é desenhado para ter mais discussão de propostas, o que o torna ainda mais importante nessa reta final em que a pesquisa ainda mostra um percentual significativo de indecisos. O ponto é que o debate econômico nessa eleição, até aqui, tem fugido dos fatos.
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