
Movimento já não consegue preservar unidade política
Marcelo Copelli
Congresso em Foco
O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro produziu repercussão imediata nos círculos políticos por razões evidentes. De um lado, está a ex-primeira-dama que se consolidou como uma das figuras mais influentes da direita brasileira. De outro, o filho do ex-presidente que há anos ocupa posição estratégica dentro do movimento bolsonarista. A relevância do caso, contudo, não está propriamente no conflito. Está no que ele ajuda a revelar sobre uma transformação mais profunda em curso dentro da principal força conservadora do país.
A política costuma oferecer sinais antes de apresentar rupturas. Nem toda divergência pública produz consequências duradouras. Nem todo conflito interno se transforma em crise. Determinados episódios, porém, possuem valor analítico porque tornam visíveis mudanças que vinham se desenvolvendo de forma menos perceptível. O desentendimento entre Michelle e Flávio parece pertencer a essa categoria.
EIXO DE CONVERGÊNCIA – Durante anos, o bolsonarismo foi analisado principalmente por sua capacidade de mobilização eleitoral e por seu impacto na reorganização da direita brasileira. Menos atenção foi dada a outro elemento que se mostrou igualmente decisivo para sua sobrevivência política: a capacidade de manter sob o mesmo guarda-chuva grupos distintos, com interesses, prioridades e estratégias muitas vezes diferentes. Parlamentares, lideranças religiosas, influenciadores, dirigentes partidários e governadores nem sempre compartilharam os mesmos objetivos. Ainda assim, encontraram um eixo de convergência capaz de preservar uma identidade comum.
Essa característica permitiu ao movimento atravessar derrotas eleitorais, investigações, crises institucionais e rompimentos com antigos aliados sem perder sua capacidade de articulação. A existência de uma liderança reconhecida por todos funcionava como fator de coordenação e contenção de disputas. Esse arranjo não eliminava conflitos, mas reduzia sua capacidade de produzir fragmentação.
Esse cenário começa a mudar. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro não eliminou sua influência sobre a direita nem reduziu sua importância simbólica para milhões de apoiadores. O ex-presidente continua sendo a principal referência política do campo conservador. No entanto, sua impossibilidade de disputar eleições introduziu um elemento novo na dinâmica interna do movimento. Pela primeira vez desde sua ascensão nacional, a questão da sucessão deixou de ser uma hipótese distante para se tornar um fator concreto de reorganização do poder. É justamente nesse ponto que surge o principal desafio enfrentado pelo bolsonarismo.
DISPUTA DE ESPAÇO – Movimentos políticos fortemente associados à figura de uma liderança costumam enfrentar dificuldades quando precisam lidar com o problema da continuidade. Enquanto existe uma autoridade reconhecida e eleitoralmente viável, disputas internas tendem a permanecer subordinadas a objetivos maiores. Quando o horizonte sucessório se aproxima, interesses que antes conviviam sob a mesma estrutura passam a disputar espaço de maneira mais visível.
O fenômeno não é novo nem exclusivo da experiência brasileira. A história política oferece inúmeros exemplos de movimentos personalistas que encontraram dificuldades para administrar a transição entre a liderança fundadora e uma nova geração de dirigentes. O desafio raramente consiste apenas em definir quem ocupará determinado espaço. A questão mais complexa costuma ser preservar uma identidade comum quando diferentes atores passam a reivindicar legitimidade para representar o mesmo legado. É exatamente essa dinâmica que começa a ganhar forma dentro do universo bolsonarista.
PRESENÇA POLÍTICA – Nos últimos anos, Michelle Bolsonaro construiu uma presença política própria. Sua interlocução com lideranças evangélicas e sua capacidade de diálogo com parcelas do eleitorado feminino ampliaram significativamente sua relevância dentro da direita. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro consolidou-se como um dos principais representantes políticos da família e manteve protagonismo constante nas discussões sobre os rumos do movimento.
Paralelamente, governadores conservadores ampliaram projeção nacional, lideranças religiosas fortaleceram sua capacidade de influência e dirigentes partidários passaram a defender estratégias nem sempre convergentes. Nenhum desses movimentos representa uma anomalia. O que chama atenção é sua simultaneidade.
Pela primeira vez desde a consolidação do bolsonarismo como fenômeno nacional, diferentes centros de influência começam a operar de forma paralela dentro de um espaço político que historicamente esteve organizado em torno de uma referência central. Isso não significa ruptura iminente. Também não significa fragmentação inevitável. Mas indica que os incentivos à competição interna são hoje maiores do que os incentivos à convergência. A questão é relevante porque a disputa em curso não envolve apenas liderança. Ela envolve identidade política.
DENOMINADOR COMUM – Durante anos, o bolsonarismo foi definido principalmente pela figura de Jair Bolsonaro. Sua liderança funcionava como o denominador comum capaz de manter coeso um campo político composto por interesses, prioridades e estratégias frequentemente distintos. À medida que múltiplos atores passam a acumular autonomia e legitimidade próprias, surge uma pergunta inevitável: quem terá autoridade para definir os rumos do movimento nos próximos anos? A resposta está longe de ser evidente.
Michelle Bolsonaro dialoga com segmentos específicos do eleitorado conservador. Flávio Bolsonaro procura preservar protagonismo dentro da estrutura política construída pela família. Governadores apostam em projetos próprios de fortalecimento regional e nacional. Partidos operam segundo seus interesses eleitorais. Lideranças religiosas possuem agendas particulares. Todos esses atores podem coexistir. Mas coexistência não é sinônimo de convergência permanente. É justamente aí que se encontra o risco político mais relevante para o futuro do bolsonarismo.
Muitas análises concentram atenção na possibilidade de uma divisão formal ou organizacional. Essa hipótese existe, mas talvez não seja a mais importante. O desafio maior pode estar na fragmentação da narrativa que sustentou o movimento ao longo dos últimos anos. Quando diferentes lideranças passam a reivindicar a representação de um mesmo legado, a disputa deixa de ocorrer apenas por espaço político. Ela passa a envolver a definição do significado desse legado.
SINAIS VISÍVEIS – Em outras palavras, a questão central já não é apenas quem herdará o capital político de Bolsonaro. A questão é qual interpretação do bolsonarismo conseguirá prevalecer. Essa discussão tende a ganhar importância à medida que o calendário eleitoral avança e os diferentes grupos internos ampliam seus movimentos de posicionamento. O processo não será necessariamente rápido nem produzirá desfechos imediatos. Mas seus sinais começam a se tornar cada vez mais visíveis.
O episódio envolvendo Michelle e Flávio tornou-se relevante justamente por isso. Não porque permita prever uma ruptura iminente, mas porque oferece um retrato das tensões que surgem quando um movimento fortemente associado a uma liderança precisa começar a discutir seu futuro sem que exista consenso sobre quem conduzirá essa transição.
O bolsonarismo enfrenta hoje um desafio que nunca precisou enfrentar desde sua ascensão nacional: administrar a convivência entre lideranças que passaram a acumular legitimidade própria, bases de apoio específicas e projetos distintos para o futuro.
RESPOSTA CONSENSUAL – Movimentos personalistas costumam enfrentar dificuldades quando precisam transferir autoridade sem transferir a presença de seu líder fundador. O bolsonarismo ainda possui força eleitoral, capacidade de mobilização e influência política. O que já não possui é uma resposta consensual para a pergunta que começará a definir os próximos anos da direita brasileira: quem terá legitimidade para falar em nome do movimento quando Jair Bolsonaro deixar de ser o único centro de gravidade capaz de mantê-lo unido?
Essa é a questão que começou a emergir no conflito entre Michelle e Flávio. E é também a questão que poderá definir não apenas o futuro do bolsonarismo, mas o formato da própria direita brasileira na próxima década.
Famiglia Bolsonaro está em pé de guerra
Entre integrantes do PL ouvidos, há o temor de que a guerra intestina no clã Bolsonaro produza efeitos mais nocivos à campanha de Flávio do que os desdobramentos das investigações do caso do Banco Master, que trouxeram à tona áudios de Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro Vorcaro supostamente para financiar o filme “Dark Horse”.
Isso porque o tiroteio nas redes sociais traz à tona questões como machismo e misoginia, além de escancarar as fissuras internas da família Bolsonaro, o que pode afugentar o eleitorado feminino, onde Flávio enfrenta mais rejeição que Lula.
“O esquema do Vorcaro não tinha ideologia e vai pegar da esquerda à direita. Agora, a crise Michelle tem um efeito mais permanente”, comenta um interlocutor de Bolsonaro ouvido.
“Numa eleição, você vende a ideia de uma família exemplar, e o que temos aqui é uma família em pé de guerra.”
A guerra, pelo visto, está longe de terminar.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 01/07/2026 04h00 Por Rafael Moraes Moura e Johanns Eller — Brasília e Rio / Malu Gaspar
Michelle prevê que escândalos vão nocautear ainda mais campanha de Flávio
Micheque teve uma longa conversa nesta terça-feira com o Boy de Mogi e o resumo do encontro é o seguinte: sem chance de apoiar Flávio Rachadinha para a Presidência sob qualquer hipótese, mas com chance de ser candidata ao Senado pelo DF.
A crise entre Michelle e Flávio explodiu há exatamente uma semana e virou um peso que Rachadinha vai ter que carregar até o dia da eleição — logo ele que precisa melhorar seu desempenho nas pesquisas justamente entre as mulheres; e, mais ainda, entre as evangélicas.
A chance de reconciliação entre os dois é zero, de acordo com alguns interlocutores de Michelle.
Nos últimos dias, além de garantir que não estará ao lado de Flávio nesta campanha, tem dito que sua campanha será abalada em breve por mais escândalos, que nocautearão sua candidatura.
Fonte: O Globo, Opinião, 01/07/2026 06h02 Por Lauro Jardim
Até Alckmin e Haddad ganhariam hoje de Fábio no 2º turno
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg traz más notícias para Flávio.
Ele não apenas perderia para Lula (por 48,8% a 42,3%) no segundo turno da eleição presidencial, como seria derrotado por Fernando Haddad (por 46,4% a 42,8%) e por Geraldo Alckmin (por 47,4% a 41,7%), caso eles fossem os candidatos da esquerda.
Ou seja, a julgar pela pesquisa, Flávio tomaria uma sova do chefão petista, do poste do chefão petista e do chuchu do chefão petista.
A má notícia trazida pelo novo levantamento está aí, e ela aponta, se não para um desfecho certo, para um fato incontestável: Flávio é um mau candidato para enfrentar um mau presidente nas urnas.
Com Flávio as dificuldades se avolumam tanto, que até poste e chuchu podem tripudiar a partir de agora.
A família Bolsonaro apropriou-se da direita brasileira, o seu único projeto é ela própria, e o seu egoísmo e a sua tacanhez deram fôlego extra ao petismo e ao seu chefão.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 01/07/2026 11:10 Por Mario Sabino
Lula tem 48,8% e Flávio, 42,3% no segundo turno, aponta pesquisa Atlas/Bloomberg
Barba vence todos os adversários no segundo turno e desempenho de Micheque é pior do que o de Rachadinha
Lula tem 48,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Rachadinha, que aparece com 42,3%, aponta pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 1º. Indecisos, brancos e nulos, somam 8,9%.
No primeiro turno, Lula tem 46,3% das intenções de voto, e Flávio 36,6%.
No primeiro turno, Barba lidera com 46,3%, seguido de Flávio com 36,6%. No segundo pelotão, Renan Santos tem 7,8%, Ronaldo Caiado 2,9%, Romeu Zema 2% e Joaquim Barbosa (DC), 1%.
Aécio Neves, Samara Martins (UP), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) obtiveram menos de 1% ou não pontuaram. Brancos e nulos são 1,1% e indecisos, 0,1%.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, 01/07/2026 | 07h00 Por Pedro Augusto Figueiredo e Gabriel de Sousa (Broadcast)
O Bolsonarismo não existe. O que existe é o Bolsonaro que está prá lá de Bagdá e não tem mais vida pública. O filho tentou captar os votos do pai e vai se dar mal, além de entregar a eleição de bandeja para o Ladrão.
A única coisa que tem futuro nesse País são os pilastra em especial os políticos corruptos com a proteção do stf
Aqui, pelo cabimento:
“Ontem ás 13:30hs quando entrei na sala de aula os alunos estavam eufóricos comentando sobre a tragédia de Suzano! Eu como professora de história resolvi deixá-los debater sobre o assunto! Até que o Victor, menino de 10 anos me perguntou! Professora e quem matou o menino que atirou? Todos já responderam, ele que se matou! Victor se levanta e diz, quando a minha mãe briga com meu pai eles ficam dias sem se falar e quando eles ficam de bem de novo ela sempre fala, você me mata todas as vezes que para de falar comigo! Acho que ele matou todos e se matou por que ninguém queria conversar com ele!Todos ficaram em silêncio, eu me levantei fui até ao banheiro e chorei como uma criança! Ontem depois de 15 anos dando aula eu aprendi com o Victor de 10 anos o que é ser humano e que nós matamos uns aos outros dia após dia! Cheguei em casa abracei meu esposo e filhos, liguei para um irmão que não nos falávamos por mais de 10 anos, e chamei-o para vir até minha casa no fim de semana. Liguei para minha mãe, para minha sogra, para alguns primos e marquei uma reunião para que todos se reunissem e conversassem uns com os outros! Liguei para alguns amigos só para saber como eles estavam! Agora vim ensinar o que o Victor me ensinou ontem! Não matem as pessoas!Conversem, cuidem um dos outros, cuide da sua familia! Nós temos o poder de causar mal ao outro e não nos damos conta disso! Achamos que viver em guerra é melhor, que deixar nossa família é o correto, batemos no peito que somos melhores que fulano e ciclano só porque nossas atitudes são diferentes, falamos mal um dos outros, postamos indireta para nos sentirmos superior, quando na verdade estamossó matando o outro de pouco a pouco! Ensinem seus filhos a amar as pessoas, não ensinem ódio, não ensinem eles a machucar as pessoas!Conversem, conversem e se cuidem!”
Professora Anita Bezerra.