Caso Moraes coloca julgamento de Mendonça em dúvida
Márcio Falcão
O Globo
Ministros alinhados a André Mendonça defendem que seja adiada a discussão pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de uma investigação para apurar a condução dos inquéritos do Master e INSS pelo relator. O presidente do STF, Edson Fachin, havia determinado que o caso fosse incluído na sessão do dia 23 de setembro.
A decisão foi uma resposta à pressão do grupo de Alexandre de Moraes, depois que foi marcada para esta terça-feira (15) a análise do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na sessão, os ministros próximos a Moraes passaram a defender que os dois casos fossem julgados em conjunto. O que foi rejeitado por Fachin.
BATE-BOCA – A questão, no entanto, acabou dominando a sessão e provocando até bate-boca entre os ministros, além de um pedido de vista de Flávio Dino, interrompendo a discussão. Como Dino tem até 90 dias para devolver o caso a julgamento, aliados de Mendonça entendem agora que a análise sobre a conduta do relator dos dois inquéritos também deve ser adiada.
Um dos ministros lembra que Fachin determinou que os processos ligados às duas investigações fiquem na Presidência. É preciso, portanto, uma definição do presidente da Corte sobre como fica a análise desses casos. O que exigiria uma deliberação de Fachin. Esse ministro aponta ainda que o clima de erosão na Corte pode se agravar se a sessão for mantida.
As implicações contra Mendonça surgiram após o Moraes enviar à Presidência um relatório de inteligência da PF, sem valor probatório, que apontava irregularidades na relatoria dos casos, alegando, por exemplo, abuso de autoridade. A medida foi uma resposta ao relatório da PF contra Moraes, produzido a pedido de Mendonça e que identificou 52 mensagens de Vorcaro. O ministro diz que as comunicações são fantasiosas.
QUESTÃO DE ORDEM – Uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes alterou, no entanto, o rumo das discussões no plenário. E pode, segundo interlocutores dos ministros do STF ouvidos pelo G1, adiar a discussão, também em plenário, sobre a conduta do ministro André Mendonça no caso Master.
Gilmar Mendes defendeu que o relatório da PF fosse analisado em 23 de setembro, na mesma sessão marcada para debater o pedido de investigação de Moraes sobre a atuação de Mendonça. Após um intervalo, os ministros se ativeram à análise desse pedido, da forma do julgamento — se os casos passariam a ser analisados junto ou se permaneceriam separados.
PEDIDO DE VISTA – O julgamento foi suspenso quando o placar estava em 4 votos a 3 para manter separada a análise das duas situações pelo STF. O ministro Flávio Dino, que havia votado com a corrente para juntar os dois casos, mudou o voto para um pedido de vista.
Dino tem até 90 dias para devolver a vista. O prazo termina, portanto, em dezembro, após as eleições. Até Dino liberar o caso, os ministros não podem retomar esse julgamento, nem decidir se há ou não elementos para abrir uma apuração contra Moraes. Com a questão processual em aberto, o julgamento marcado pelo presidente do STF para o dia 23 de setembro para analisar a conduta de Mendonça fica comprometido.
Julgamento de Moraes
Dino e Gilmar invertem papéis e tentam colocar Mendonça e Fachin no ‘banco dos réus’
No tumultuado julgamento do STF nesta terça-feira, marcado por bate-boca e troca de acusações entre ministros, o grupo de Alexandre de Moraes, capitaneado por Gilmar Mendes e Flávio Dino, colocou em ação uma estratégia agressiva com dois objetivos:
– O primeiro foi o de impedir a análise do mérito das 52 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, apresentando questões preliminares para travar o julgamento apontando aspectos técnicos e processuais.
A “manobra protelatória” deu certo com o pedido de vista de Dino ao final da sessão, o que empurrou o desfecho para dezembro, após as eleições.
– Já o segundo objetivo foi o de tirar o foco da discussão sobre a conduta de Moraes e suas nebulosas conexões com Vorcaro, apontando a mira para o relator do caso do Banco Master, André Mendonça, e o presidente do STF, Edson Fachin.
Foi uma tentativa de colocar os dois numa espécie de “banco dos réus”, deixando Moraes à margem dos debates acalorados no plenário.
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O Globo, Opinião, 16/09/2026 03h00 Por Rafael Moraes Moura — Brasília / Malu Gaspar
https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/09/grupo-de-moraes-inverte-papeis-e-tenta-colocar-mendonca-e-fachin-no-banco-dos-reus.ghtml
MORAES SERIA DERROTADO NO SUPREMO, MAS REVELAÇÃO DE CASO DE FILHO DE KASSIO REVERTEU O QUADRO
Novas mensagens encontradas no celular de Vorcaro citavam Kevin Marques, e ministro declarou impedimento e não participou de julgamento sobre abertura de investigação contra o colega
SEM KASSIO, PLACAR FICOU EMPATADO.
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Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 16.set.2026 às 13h23 Por Mônica Bergamo
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