Brasil alerta europeus sobre pressão estrangeira
Gabriel Stargardter
Folha / Reuters
Autoridades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontaram supostas interferências dos Estados Unidos e da Rússia antes das eleições durante uma visita das delegações da França e da Alemanha a Brasília em setembro, segundo fontes e documentos consultados pela agência de notícias Reuters.
Conforme um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, membros da Abin teriam afirmado que a intervenção americana iria “da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente”. Não há detalhes sobre a suposta ingerência russa.
PREOCUPAÇÃO – A visita, até então não divulgada, evidencia a crescente preocupação dos dois lados do Atlântico com os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para apoiar candidatos alinhados ao movimento Maga (acrônimo em inglês para Make America Great Again, ou Faça a América Grande Novamente). Também mostra como potenciais alvos da ingerência de Washington estão agora trocando informações.
O primeiro turno das eleições acontece no domingo (4). As pesquisas mais recentes mostram uma disputa acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) —cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado e cumpre pena em prisão domiciliar por tramar um golpe de Estado após as eleições de 2022.
A possibilidade de uma interferência dos EUA a favor de Flávio Bolsonaro tem pairado sobre a votação, e Lula afirmou ter advertido Trump a não se intrometer. O Departamento de Estado dos EUA não respondeu a um pedido de comentário da agência Reuters. Antes, o órgão negou tentar interferir nas eleições brasileiras. Procuradas pela Reuters, a Abin e a embaixada da Rússia no Brasil também não responderam. Moscou já negou anteriormente interferir nas eleições de outros países.
APOIO DE TRUMP – O apoio explícito do governo Trump a candidatos de direita em todo o mundo representa uma ruptura com políticas de longa data dos EUA e cria um dilema para os governos em exercício sobre se esse apoio configura interferência estrangeira. Nos últimos meses, Washington endossou abertamente candidatos ideologicamente alinhados em toda a Europa e a América Latina.
Os Estados Unidos ofereceram um pacote de socorro que pode chegar a US$ 40 bilhões (cerca de R$ 208,8 bilhões) para impulsionar o presidente da Argentina, Javier Milei, antes das eleições de meio de mandato, enquanto o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, viajou à Hungria para apoiar o ex-primeiro-ministro Viktor Orbán em sua fracassada tentativa de reeleição.
ALERTA – Na França, onde a candidata de extrema-direita Marine Le Pen lidera as pesquisas de opinião, autoridades têm rejeitado publicamente qualquer ingerência dos EUA nos assuntos internos do país. Em particular, afirmam ver as eleições brasileiras como um possível alerta antecipado para a eleição presidencial francesa em 2027.
Na Alemanha, onde o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) ficou em primeiro lugar nas eleições de dois estados no mês passado, autoridades têm criticado regularmente o apoio do governo Trump à AfD.
DELEGAÇÕES – As autoridades francesas e alemãs visitaram o Brasil de 9 a 11 de setembro, como parte de uma delegação da União Europeia, para discutir a implementação da Lei de Serviços Digitais do bloco, que exige que as plataformas online façam mais para combater conteúdos ilegais e nocivos.
Washington tem criticado a Lei de Serviços Digitais sob o argumento de que ela tem como alvo as gigantes de tecnologia dos EUA. Os objetivos da delegação no Brasil também incluíam “preparar respostas coordenadas antes das eleições de 2026”, segundo documento consultado pela agência Reuters.
As autoridades francesas eram da Viginum, agência de detecção de desinformação estrangeira, e da Arcom, órgão regulador de mídia e comunicações. As autoridades alemãs eram da Agência Federal de Redes, que regula os setores de telecomunicações, energia, ferrovias e serviços postais.
INTERFERÊNCIA – A Arcom confirmou que um de seus representantes participou da visita, assim como a Viginum. A Agência Federal de Redes da Alemanha afirmou que “uma possível interferência dos EUA nas eleições alemãs não foi discutida” na reunião.
Uma alta autoridade brasileira da área cibernética que participou da reunião e falou à Reuters sob condição de anonimato afirmou que o número de ataques cibernéticos no Brasil quase dobrou em comparação com 2025, enquanto também houve um forte aumento nas invasões e tentativas de phishing contra a Presidência da República, algo que, segundo a autoridade, estaria “relacionado às eleições”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É mais uma Piada do Ano! Além dos dólares do Tio Sam, agora aparece também o velho ouro de Moscou para interferir na eleição brasileira contra Lula… Esses jornalistas não têm medo do ridículo. Trump está cheio de problemas, rejeitado por 65% da população antes da eleição de novembro, enquanto Putin não tem dinheiro nem para alimentar o gato, porque a guerra na Ucrânia está exaurindo o caixa. (P.S.)
EUA e Austrália fecham embaixadas e consulados por “segurança” às vésperas da eleição no Brasil
Após os Estados Unidos anunciarem a suspensão dos serviços consulares na embaixada do país norte-americano no Distrito Federal e nos consulados dos EUA espalhados pelo Brasil, nesta sexta-feira (2/10), a representação diplomática da Austrália também divulgou o fechamento da Embaixada em Brasília (DF).
A medida foi tomada devido a “preocupações com a segurança”.
O comunicado foi publicado no perfil diplomático oficial do governo da Austrália voltado para o atendimento no território brasileiro.
No aviso, a representação australiana ainda instruiu os australianos a evitarem de ir à Embaixada e outras instalações diplomáticas dos EUA.
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Fonte: Metrópoles, Distrito Federal, 02/10/2026 09:22 Por Felipe Machado
https://www.metropoles.com/distrito-federal/apos-eua-australia-anuncia-fechamento-da-embaixada-por-seguranca
O fechamento repentino da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos e da Austrália no Brasil às vésperas das eleições gera perplexidade e exige uma análise cautelosa frente ao cenário geopolítico.
Ministro Gilmar Mendes (STF) ligou para donos de veículos de comunicação nas últimas semanas para expressar sua INSATISFAÇÃO com editoriais e reportagens críticas à Corte.
Trump e Putin não sei.
Mas que há togados interferindo nesta eleição, com certeza há.
Político poderosíssimo, vitalício, sem limite nenhum e sem voto nem mandato dá nisso.
“Majestades” todadas…
Devolvam-nos a ideia de república.
Acho que inteligência deveria ser retirada do nome da abin e colocarem incomPTência
Em claro tom eleitoreiro, o governo Barba – via Petrobrás – anunciou uma “nova” descoberta de petróleo em águas ultra profundas no Oceano Atlântico.
Trata-se do mesmo poço Morpho (sic), na Margem Equatorial brasileira, próximo à divisa marítima com a Guiana Francesa.
A profundidade do poço é tão extrema, e são tão imensos os desafios técnicos e geopolíticos da exploração na região, que, à boca pequena, nos bastidores, já se brinca sobre o temor de o Japão também explorar, concomitantemente, o mesmo poço de petróleo do outro lado da Terra.
Seria cômico não fosse trágico.