
Charge do Baggi (Jornal de Brasília)
Dimitrius Dantas
Lauriberto Pompeu
O Globo
Na cidade de Várzea, município de 2,7 mil habitantes no Sertão da Paraíba, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu 253 votos para deputado federal em 2022. No último dia 4, superou em quatro vezes esse desempenho e foi escolhido por 1.067 eleitores, a maior votação da cidade. Entre uma eleição e outra, a prefeitura recebeu R$ 1,73 milhão em emendas destinadas pelo parlamentar, o equivalente a 43% de todos os recursos desse tipo destinados à localidade no período.
A 68 quilômetros dali, em Condado (PB), o cenário foi parecido. Motta obteve 1.834 votos, o que representou 44,7% do total, o maior índice entre os demais candidatos, e 656 a mais do que há quatro anos. Nesse intervalo, enviou R$ 2,08 milhões em emendas ao município, 80% de tudo o que a prefeitura da cidade recebeu nessa modalidade.
INFLUÊNCIA DAS VERBAS – Os dois casos são exemplos da influência das verbas federais no resultado eleitoral. Um levantamento feito pelo O Globo mostra que a cada R$ 10 enviados em emendas nos últimos três anos, R$ 7 foram para o grupo de municípios em que os deputados tiveram suas maiores votações proporcionais.
Os dados indicam que em 90% das cidades em que um único deputado respondeu por mais da metade das emendas, o parlamentar terminou entre os três candidatos mais votados. Em 70%, foi o primeiro colocado.
Motta admite que seu desempenho nas urnas é fruto das verbas enviadas nos últimos anos e defende a utilização do instrumento por parlamentares para abastecer seus redutos eleitorais. Em sua gestão à frente da Câmara, o valor reservado no Orçamento para este tipo de recurso bateu recorde, com R$ 50,4 bilhões em 2025 e R$ 49,9 bilhões reservados neste ano.
NOTA – “A votação é consequência dessa minha atuação e revela a importância das emendas parlamentares. São os parlamentares que conhecem as necessidades de sua região”, afirmou Motta, em nota enviada por sua assessoria.
Mas a relação das emendas com o resultado eleitoral não se restringiu à disputa pela Câmara. O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), por exemplo, foi o candidato a senador mais votado em três de cada quatro cidades de Alagoas que receberam emendas de sua autoria nos últimos três anos. Em 52 dos 55 municípios contemplados, terminou entre os dois primeiros colocados.
No município de Girau do Ponciano (AL), por exemplo, Lira havia recebido 221 votos e ficado em 14º lugar entre os candidatos a deputado federal em 2022. Nos três anos seguintes, destinou R$ 3,15 milhões apenas em emendas individuais ao município, o equivalente a 78% de toda a verba do tipo recebida pela cidade. Foi o mais votado, sendo escolhido por 14,6 mil eleitores. Procurado, ele não respondeu.
VOTO TURBINADO – Os dados mostram ainda que o desempenho eleitoral dos parlamentares melhora quanto maior é o peso das suas emendas no orçamento municipal. Nos casos em que um único deputado foi responsável por mais de 75% dos recursos enviados à prefeitura, oito de cada dez foram os candidatos mais votados da localidade.
Ao comparar os dados de 2026 com os de 2022, os números indicam que o envio das emendas ajudou a turbinar a votação de deputados que disputaram a reeleição. É o caso, por exemplo, de Felipe Carreras (PSB-PE), que em 2022 obteve 83 votos em Santa Cruz do Capibaribe, município de 98 mil habitantes no Agreste pernambucano. Na ocasião, foi apenas o 33º entre os mais votados na cidade.
Quando o resultado da eleição à Câmara foi divulgado, o cenário já era outro. Carreras foi o mais votado no município, com 22,3 mil eleitores o escolhendo como o candidato a deputado. Entre uma eleição e outra, foi quem mais destinou emendas individuais para a cidade, com R$ 7,9 milhões.
COMEMORAÇÃO – O salto foi comemorado por Carreras em suas redes sociais: “O federal campeão em recursos é também o federal campeão de votos da cidade!”. Durante a campanha, o parlamentar também publicou diversos vídeos destacando as obras realizadas na cidade. “Santa Cruz virou um verdadeiro canteiro de obras, e por trás de cada avanço tem uma palavra que faz toda a diferença: parceria”, escreveu o deputado em uma das publicações. Procurado, ele não respondeu.
A relação entre voto e emenda também é observada em cidades maiores. Em Marabá, município de 267 mil habitantes no Pará, o deputado Delegado Caveira (PL-PA) saiu do oitavo lugar, com 4,3 mil votos em 2022, para o primeiro, com 35,4 mil neste ano. Entre as duas eleições, enviou R$ 17,9 milhões em emendas individuais para a cidade, o equivalente a 82% de todos os recursos desse tipo recebidos pelo município. Questionado sobre as verbas, não se manifestou.
Em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Luciano Vieira (PSDB-RJ) passou do terceiro para o primeiro lugar entre uma eleição e outra, passando de 10,5 mil para 50,4 mil votos. No período, ele foi o principal autor das emendas individuais destinadas ao município, com R$ 51,1 milhões. O parlamentar não comentou.
PRESENÇA – Para o deputado Danilo Forte (PP-CE), que relatou a Lei de Diretrizes Orçamentárias em 2024, é natural que deputados sejam mais votados em municípios para os quais enviam mais recursos, pois é onde se fazem mais presentes.
— As minhas emendas são em cima das demandas, então é lógico que eu vou enviar para os municípios nos quais eu ando e tenho parceria — disse Forte.
Em 2022, Forte recebeu 74 votos em Uruburetama, no interior do Ceará, o equivalente a 0,54% dos votos válidos para deputado federal no município. No dia 4 deste mês, o cenário foi outro: o parlamentar recebeu 6.065 votos na cidade e alcançou 42,13% da votação local. Entre uma eleição e outra, Uruburetama foi destino de R$ 7,76 milhões em emendas individuais empenhadas pelo parlamentar.
A que se destinam os desvios em sobras?
A NOSSO VER, A DEMOCRACIA DE VERDADE, DIRETA, COM MERITOCRACIA E DEUS NA CAUSA, no bojo da RPL-PNBC-DD-ME, pela qual o conjunto da sociedade apartidária gritou firme, forte, alto e em bom som nas ruas do país em Junho de 2013, é a única fórmula capaz de anular o estado de coisa$ e coiso$ em que a república do militarismo e do partidarismo transformou o Brasil. ENTÃO jovem advogado, recém-formado, no início da década de 80, aderimos ao PT, seduzidos exatamente pelo discurso do somos coerentes e diferentes de tudo isso que aí está, somos contra a podridão sistêmica, e assim chegamos ao poder. Todavia, ao constatar que as mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas que o país, a política e a vida da população tanto necessitava e continua necessitando não era apenas uma questão de discurso mas isto sim de oferecimento para o conjunto da sociedade de projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, antissistema de verdade, que mostra nova política de verdade a ser estabelecida no lugar da velha política, fato que me levou a pular fora do PT e da política-partidária-eleitoral, prevendo tudo isso que tem acontecido no Brasil, na seara política, econômica e social, de modo que até para não perder a viagem política que iniciei, e que roubou parte da minha vida, tratei de me antecipar aos fatos vindouros e avançando 100 anos no tempo e no espaço, face ao tempo perdido pelo Brasil com disputas histéricas e estéreis, elaborei o megaprojeto das mudanças com as quais sempre sonhei desde criancinha, para o nosso país, a política e a nossa gente, que apelidei de RPL-PNBC-DD-ME, com o qual bati em várias portas partidárias, no espectro da esquerda, tentando colocá-la na cena eleitoral, inclusive no PSOL que, infelizmente, preferiu abandonar a sua posição de alternativa ao PT para se rebaixar à condição de puxadinho do PT, dominado pela dupla lulista, Boulos e Medeiros, e deu no que deu, com o conjunto da sociedade dividido e envolvida no estado de guerra tribal, primitiva permanente e insana por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, gerado pela política-partidária-eleitoral, que gira em torno do nada e do coisa nenhuma em termos de mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas, com a esquerda toda e tb a direita bem intencionada, acuadas pela pior espécie de retrocesso oportunista, peçonhento, que não desiste nunca das tetas gordas do erário, com o Rio de Janeiro, p. ex., já transformado num estado de criminalidade, que não pode contaminar o resto do Brasil, sob pena de perda total, que acabará acontecendo caso o nosso megaprojeto continue sendo isolado não obstante mais atual e mais necessário do que nunca, inclusive com alguns excertos copiados tanto pela direita quanto pela esquerda, restando claro tb que o discurso do contra tudo isso que aí está tb continua mais atual do que nunca, à mercê de toda espécie e sorte de aventureiros, charlatões, oportunistas e aproveitadores. https://tribunadainternet.com.br/2026/10/17/chico-alencaraponta-para-a-mediocrizacao-da-politica-apos-avanco-da-direita/?fbclid=IwY2xjawVBoWVleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR5uN08Zw5sDf3KFaYWygxzjEi7wmXKnrW3kCyAJUqZ8mZG7TaCl2wCLUQHQiw_aem_JONEgEJWwxqLLuXCcebEKQ#comments