Abstenção indígena chega a 26%, e governo aciona STF e TSE para garantir voto

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  1. Um voto pela democracia: contra o ódio e contra a barbárie

    Disputa entre Lula e Flávio vai além das diferenças ideológicas e coloca em discussão o futuro das instituições e dos direitos sociais

    Recordo-me de um tempo em que a sociedade não era dividida pelo ódio.

    Você ia a um encontro de família e, mesmo com todas as diferenças, sabia que seria uma confraternização de amor e carinho. Não existia a hipótese de encontrar uma divisão, uma agressão, ainda que velada, ou uma animosidade decorrente de um posicionamento político ou comportamental diferente. As pessoas se respeitavam e o ódio não fazia parte das nossas vidas.

    O bolsonarismo fragmentou o país, as famílias e os amigos.

    Uma seita baseada na mentira, na falsidade e na raiva dos princípios democráticos, na aversão aos pobres, aos povos originários, aos pretos, às mulheres e aos que assumem uma sexualidade diferente da que eles propagam –pois eles não se assumem. Enfim, ódio à vida.

    Semeiam a cizânia, apostam na violência, no ódio e na agressividade.

    Como mentem muito, é uma característica da ultradireita, adotam como regra uma atitude arrogante e se jactam da própria ignorância. A mentira e as fake news são estratégias que sustentam um discurso vazio e sem compromisso com a realidade.

    Roubam à luz do dia, porém, mantêm uma narrativa de honestidade. Saquearam o país e agora prometem entregá-lo aos EUA, mas se dizem patriotas.

    Usam o nome de Deus para impressionar os incautos e, em nome de Deus, entregam-se às orgias mais descaradas. Prostitutas pagas com dinheiro público. Um bando de hipócritas que conseguiu tornar o Brasil um lugar tóxico.

    Hoje, uma simples ida a uma festa de família, como um casamento, requer certos cuidados ao encontrar aquele primo ou tio bolsonarista e sectário. O bolsonarismo é como uma praga, um vírus, uma doença.

    Faço essa reflexão para que pensemos na importância das eleições de domingo (25.out.2026). Não é uma eleição qualquer. Se a ultradireita ganhar, estaremos validando uma divisão odiosa no Brasil.

    Será como dar um passe livre à normalização da institucionalização da violência e do desprezo aos direitos humanos, aos direitos dos pobres, dos negros, das mulheres e dos menos favorecidos.

    Será um salvo-conduto para a disseminação do preconceito. A mentira sendo coroada como regra de comportamento e a corrupção como método de usar o bem público.

    Estarão validadas todas as compras sem procedência do dinheiro, as rachadinhas, o apoio às milícias e aos assassinos de aluguel e às sociedades ocultas com quem reconhecidamente fraudou e saqueou os cofres públicos. Enfim, é a vitória da barbárie sobre a civilização.

    Essa é a exata dimensão do que estará em jogo com o voto de cada um de nós. Estará nas nossas mãos uma claríssima opção pelo Estado Democrático de Direito ou pela ruptura institucional.

    De maneira descarada, o candidato Flávio Bolsonaro já deixou claro que irá desmontar o SUS e todas as políticas sociais implementadas pelos últimos governos, não só pelos do presidente Lula. E a completa subserviência aos interesses dos EUA.

    Perderemos mais do que a soberania ao entregar nossas riquezas naturais.

    O Brasil será um quintal dos norte-americanos em troca de uma segurança de proteção aos inúmeros crimes cometidos pelos bolsonaristas nos últimos tempos. Essa eleição, para a família Bolsonaro, é, na verdade, uma busca de imunidade, uma maneira de escapar da prisão. Até por isso, não pouparão esforços; será, literalmente, um vale-tudo.

    Não existe, em absoluto, uma divisão entre esquerda e direita; o que está em jogo é muito mais profundo. Quando se normaliza a violência e o ódio, na verdade, valida-se a opção pela morte dos princípios que regem e norteiam uma convivência democrática e saudável.

    Uma sociedade manietada e com medo é um terreno fértil para o florescimento da cultura do bolsonarismo de extrema direita. E o obscurantismo será nosso destino e nosso precipício.

    As almas insepultas dos 700 mil mortos na pandemia, pela irresponsabilidade negacionista do então presidente Jair Bolsonaro, vão continuar rondando os milhões de familiares e amigos que ficaram com a dor da perda.

    É também por eles que vamos votar contra Flávio Bolsonaro.

    Tenho repetido, nos últimos dias, que numa democracia é possível perder uma eleição; o que é inadmissível é perder a democracia numa eleição. A vitória da ultradireita terá esse significado: a morte do Estado Democrático de Direito.

    Está em nossas mãos o destino do país. Nossa arma é o voto em Lula e Alckmin, contra o ódio e contra a barbárie.

    Fonte: Poder360, Opinião, 23.out.2026 – 5h57 Por Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado criminal

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