Publicado em 18 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Renata e Tralha, preparados para entrevistar Carlo Ancelotti
Vicente Limongi Netto
Clima de Copa do Mundo no Brasil. Nação dividida. Confiança no hexa e desconfiança no hexa. A TV Globo e o SporTV, como sempre, monopolizam os espaços e entrevistas.
No SporTV o preferido da vez é Denilson, campeão do mundo. Quem jogou com ele na copa ou nos clubes, tem vez e espaço garantido nos programas.
SEM PANELINHA – Agiria bem, com sabedoria, se também tivesse a grandeza de entrevistar notáveis campeões do mundo, como Gerson, Rivelino, Clodoaldo, PC Caju, Tostão e Jairzinho. Deixar um pouco o apreço exagerado pela mesquinha panelinha.
A não ser que Denilson, que foi apenas um jogador razoável, pense(vá lá, vá lá) que monstros sagrados da seleção de 70, a mais expressiva e qualificada de todas, não estejam à altura de merecer serem chamados para entrevistas no impoluto SporTV. Seria honroso para a emissora e para Denilson. Pena que não pensem assim.
ENTREVISTA – Outra mancada oceânica do grupo Globo já ecoa pelo planeta terra. Parou o mundo. A ansiedade é geral. Corações dos torcedores batendo mais forte. Cesar Tralha e Renata Vasconcelos entrevistarão, com toda pompa, com exclusividade, na TV Globo, o treinador Carlo Ancelotti.
Não creio que o pomposo e falante Tralha entenda de futebol. Aliás, não sei de que Tralha entende. Se já jogou pelo menos pedra em mangueira ou pedra em vidraça ou se já foi goleiro das peladas de ruas. Duvido se já colocou chuteiras nos pés.
Renata Vasconcelos também é mistério. Não é do ramo. A produção certamente vai socorre-la com boas perguntas ao ilustre convidado. Renata no máximo jogou dama no colégio ou voleibol na praia.
SERIA MELHOR… – Tralha e Renata são os menos indicados para a missão gloriosa de entrevistar Carlo Ancelotti, que ainda não fez nada, porém já teve seu contrato renovado até a próxima Copa, em 2030.O correto seria o badalado italiano, que pela primeira vez tem a responsabilidade de treinar uma seleção, e logo a do Brasil, penta campeã do mundo, ser entrevistado por ex-jogadores, muitos deles comentaristas, alguns bons outros patéticos, da própria Globo e do Sportv.
Como Júnior, Carlos Mansur, Ricardinho, Paulo Cesar Vasconcelos, Paulo Nunes e Felipe Mello. Pelo menos não precisariam levar cola para entrevistar Ancelotti
Publicado em 18 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Cláudio (Folha)
Míriam Leitão O Globo
A direita vive tempos difíceis. Nenhuma explicação do senador Flávio Bolsonaro fica de pé. Ciro Nogueira torce para que a onda sobre Flávio seja tão grande que o país esqueça da mesada que ele recebia.
O ex-governador Cláudio Castro foi visitado pela Polícia Federal. Os analistas de mercado suspiram de saudade da candidatura presidencial que não foi e poderia ter sido a do governador Tarcísio de Freitas. A direita bolsonarista briga com os outros pré-candidatos da direita que criticaram Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro vê a onda que atingiu seu irmão se voltar também contra ele. O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, finge de morto enquanto o BRB luta para sobreviver. E a família Vorcaro já tem quatro elementos na cadeia.
CONTRADIÇÕES – Flávio Bolsonaro afirmou, há dois meses, que nunca teve contato com Vorcaro. No áudio divulgado na última quarta-feira pelo site “The Intercept Brasil”, ele aparece cobrando dinheiro do banqueiro – “muita parcela para trás” e “muita conta para pagar”– e declara haver entre eles união estável, “irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”.
O repórter do site fez uma pergunta direta sobre o financiamento de Vorcaro. O senador respondeu: “Mentira, de onde você tirou isso? Pelo amor de Deus. Militante não dá, cara”. Na quinta-feira, em entrevista à GloboNews, disse que não tinha afirmado que era mentira. Um espanto negar a fala da véspera. Tal pai, tal filho. Jair, quando presidente, atacava repórteres e mentia sobre seus atos e palavras.
Na versão atual, Flávio Bolsonaro afirma que o filme recebeu só dinheiro privado, e que não falou antes porque o contrato é confidencial. A verdade: o contrato caducou, portanto, poderia ter sido divulgado. O filme tinha verba pública, sim. O banqueiro que o financiava deixou um rombo de R$ 12 bilhões em banco estadual, um déficit de R$ 2 bilhões em fundos de previdência de servidores, e um buraco de R$ 55 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), formado em parte por depósitos do Banco do Brasil e Caixa.
ROTA NEBULOSA – A rota da doação é nebulosa. Sai de fundos do ecossistema do Master e termina num fundo gerido pelo advogado que cuidou do processo de imigração de Eduardo. A dúvida que paira é se esse recurso financiou também Eduardo.
No começo desse escândalo, Daniel Vorcaro era um banqueiro acusado de gestão temerária. Hoje já se sabe que é chefe de máfia. Tinha uma milícia privada de intimidação, um grupo de hackers para invadir sistemas digitais públicos, era um corruptor serial e mantinha infiltrados em órgãos de controle.
Seu pai, Henrique, foi preso semana passada acusado de ser demandante, beneficiário e operador financeiro do esquema mafioso. O primo também foi preso após fracassar na fuga num carrinho de golfe. O cunhado já estava preso. Vorcaro tentava comprar todo mundo, mas teve especial sucesso na direita.
“AMIGO DA VIDA” – Ciro Nogueira, o “amigo da vida” de Vorcaro, foi acusado de ato de ofício. Ou seja, recebeu dinheiro e em troca usou seu mandato para beneficiar o Master na emenda que arrombaria o FGC para salvar o banqueiro encrencado. As suspeitas sobre Ciro são fortes. O Ministério Público avaliou que “os elementos da investigação revelam indícios concretos de estreita relação pessoal, empresarial e financeira entre os investigados”. Era o vice dos sonhos de Flávio e depois passou a ser tratado como tóxico pelo mesmo Flávio, que agora também se tornou tóxico.
O ex-governador bolsonarista de Brasília, Ibaneis Rocha, tem poucas chances de escapar de tudo isso, dado que o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, escolhido por ele e que comandou todas as falcatruas no banco em favor de Vorcaro, está fazendo delação premiada.
USO DA MÁQUINA DO ESTADO – O ex-governador bolsonarista no Rio, Cláudio Castro, devia explicação sobre o R$ 1 bilhão que a previdência dos servidores aplicou em papéis podres de Vorcaro. Na sexta, foi alvo da Operação Sem Refino sob a suspeita de ter colocado a máquina do Estado em favor do maior sonegador do país, Ricardo Magro, um foragido da Justiça, que mora hoje nos Estados Unidos.
Todos esses casos atingiram a direita bolsonarista. E a outra direita? Não tem vida independente desde que se deixou capturar pelos extremistas. Poderia até escapar deste destino de satélite, mas anda meio perdida. Quanto a Flávio Bolsonaro, ele posava como vitorioso de véspera e agora tenta salvar a candidatura.
Publicado em 18 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Direita se desarruma e abre a cena eleitoral
Dora Kramer Folha
A trombada foi feia, obrigou Flávio Bolsonaro (PL) a sair da inércia, levou o PT a acionar a artilharia antes do previsto, escancarou as divergências na direita e pode mudar o rumo da corrida eleitoral.
Em qual direção, ainda não sabemos. Depende do quão perigosas se mostrem as ligações do senador com o esquema de Daniel Vorcaro. Decerto, temos apenas a comprovação de que sabem muito bem do que vêm falando olheiros qualificados do humor do eleitorado como Felipe Nunes (Quaest), Renato Meireles (Locomotiva), Antônio Lavareda (Ipespe) Murilo Hidalgo (Paraná) e Maurício Moura (Ideia).
QUADRO INSTÁVEL – Todos eles têm alertado para a instabilidade do quadro. Aconselham a não dar como certa a consolidação da disputa e muito menos a vitória de um dos lados prévia e emocionalmente comprometidos com as torcidas lulista e bolsonarista. Apontam que a eleição ainda não chegou ao cotidiano da maioria do eleitorado e que não se deve desconsiderar a existência de largo contingente de independentes.
No campo dos especialistas em pesquisas, não há divergência quanto ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT), ou eventual substituto, ter lugar no segundo turno. Isso não desobriga o governo de se atentar ao fato de que nanicos no primeiro aparecem nos levantamentos como ameaça concreta a Lula, mas dá algum conforto.
DESAFIO – O desacerto agora senta praça na antessala da direita. O desafio de Flávio Bolsonaro já não é se mostrar moderado nem escolher a companhia ideal para vice na chapa. A tarefa é sobreviver até a convenção do PL sem se tornar um personagem radioativo a ponto de ter a candidatura rifada.
Antes terá de se livrar da pecha de mentiroso e emprestar coerência à figura cuja retidão não vê mal em se valer de uma rede financeira fraudulenta para patrocinar peça de propaganda com intuito de usar o pai preso como cabo eleitoral. Caso não consiga, a família Bolsonaro terá caído na arapuca que armou para si ao obrigar Tarcísio de Freitas (Republicanos) a deixar passar o cavalo selado.
Publicado em 18 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Ouvidoria Fala BR pediu 30 dias para responder à denúncia
Carlos Newton
Para qualquer repórter, é desconfortável defender sozinho uma tese jurídica, sem que outros jornalistas apoiem, sem que nenhum jurista de notório saber se manifeste contra ou a favor. E pior fica quando surgem juristas de nenhum saber fazendo reparos às reportagens, com base em informações manipuladas, totalmente errôneas, divulgadas pelo próprio Supremo em seu site oficial.
Publicada no dia 12 de maio pela jornalista Suelen Pires, a matéria do STF tem o seguinte título: “Ex-presidente Bolsonaro apresenta revisão criminal contra condenação por tentativa de golpe de Estado”. E a manipulação da notícia vem logo abaixo, no subtítulo: “Instrumento processual é utilizado contra condenações definitivas, e a competência para julgamento é do Plenário”. Mas isso não existe.
INACREDITÁVEL – Realmente, não dá para aceitar que uma barbaridade dessas ocorra no site da Suprema Corte, acessado diariamente por jornalistas em busca de informações oficiais, que possam ser reutilizadas sem qualquer temor de adulteração das normais legais em vigor.
A reportagem do site do STF foi “atualizada” dia 14, mas continuou com o vício de origem, ao afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso absolvido agora no julgamento da Segunda Turma, será julgado novamente pelo Plenário, onde a derrota é certa.
A que ponto chegamos… É óbvio que a jornalista Suelen Pires jamais tomaria a iniciativa de cometer erros propositais, em assunto de tal magnitude, porque poderia ser demitida. Portanto, algum ministro encarregou sua equipe de manipular as informações e passá-las à repórter ou aos editores do site
“REINTERPRETAÇÃO” – Assim, fica claro que o grupo de ministros ligados a Lula deu início à “reinterpretação” do Regimento, para evitar a correção dos erros judiciários e processuais cometidos pelo relator Alexandre de Moraes e pela Primeira Turma, que os coonestou.
Esses ministros tentam fingir que o artigo 6º regula o caso, mas é grotesco dizê-lo, pois só se aplica a quem foi julgado pelo Plenário, fato que não ocorreu com Bolsonaro, que foi processado pela Segunda Turma, e muito depois de ser presidente, repita-se.
Esses ministros procuram esconder também que em 7 de dezembro de 2023 ratificaram a competência das Turmas para processar e julgar ações penais.
NOVA REALIDADE – Originalmente, a competência para julgar ações penais era do Plenário. O congestionamento da pauta no “Mensalão” motivou em 2014 o deslocamento para as Turmas, para acelerar a resolução das ações criminais no menor tempo possível.
Depois, em 2023, confirmaram a distribuição dos processos criminais às duas Turmas, para continuar reduzindo a sobrecarga do Plenário, que passou a julgar apenas crimes comuns de presidente, vice, ministros, senadores, magistrados superiores etc., quando no exercício do poder.
Em 2025, nos preparativos para julgar Bolsonaro, o próprio Plenário reafirmou novamente que a competência era das Turmas, e uma cada uma delas funciona como revisora da outra, sem possibilidade de haver recurso posterior ao Plenário.
CASO BOLSONARO – Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma, sem ter direito de recorrer ao Plenário, o que seus advogados até tentaram fazer em dezembro, sem êxito. Seu único caminho, portanto, foi pedir um novo julgamento na Segunda Turma, em revisão criminal.
Desta vez, com cinco novos julgadores na Segunda Turma, a absolvição tem chances de prevalecer por 3 a 2, com o voto que Luiz Fux já deu quando era da Primeira Turma, somado aos de Nunes Marques e André Mendonça, deixando Gilmar Mendes e Dias Toffoli como votos vencidos, conforme há meses temos afirmado aqui na Tribuna, com absoluta exclusividade.
Mas agora os ministros (aqueles de sempre) querem melar o jogo, caso Bolsonaro seja mesmo inocentado, e fazer com que venha a ser julgado pela terceira vez, mas em processo no Plenário, onde a derrota dele é garantida.
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P.S. –Diante dessa situação abusiva e criminosa, a Tribuna da Internet está enviando a presente denúncia à Corregedoria do Supremo, para que tome providências e substituia a informação falsa que é mantida no Site oficial, assim como para apurar também quem foi o autor da manipulação e em que gabinete ou seção do STF ele trabalha. É o mínimo que a Tribuna da Internet pode fazer.
P.S. 2 – O número do protocolo é 03746202601393637. Enviamos a denúncia duas vezes. Uma foi encaminhada à Ouvidoria do STF e a outra ao portal Fala BR. O Supremo ainda nem confirmou recebimento, mas o Fala BR prometeu nos responder em 30 dias, com mais 30 dias se atrasar. Vamos esperar sentados, é claro. Amanhã, vou enviar de novo ao Supremo. (C.N.)
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Lula ganha presentes de Flávio Bolsonaro e aliados
Ricardo Corrêa Estadão
Uma eleição que registra empate técnico em um provável segundo turno, faltando ainda cinco meses para as eleições, é de previsão difícil. O momento, agora, porém, é favorável a Lula, depois de algum tempo em que, jogando parado, Flávio Bolsonaro contou com erros do governo e um cansaço da população com a gestão Lula para avançar.
E três fatores concomitantes contribuem para as duas semanas de alívio para o presidente após meses profundamente difíceis: a aceleração do uso da máquina, um discurso bolsonarista que resgatou o negacionismo da pandemia e, agora, o áudio que fez Flávio Bolsonaro ser apanhado no caso.
PODER DA MÁQUINA – O primeiro fator depende exclusivamente de Lula. E isso é o que no Brasil costuma garantir que quem está no poder vá crescendo paulatinamente ao longo da campanha, garantindo altos índices de reeleição. A máquina é muito poderosa se usada até o limite para benefício eleitoral. E Lula mostrou nos últimos dias que está disposto a testá-la até esse limite.
Até aqui, a principal ação havia sido a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, que registrou poucos dividendos eleitorais para Lula. Mas, agora, embora dois terços dos brasileiros digam que não foram contemplados pela medida, o sentimento entre aqueles que se dizem beneficiados melhorou. Isso é perceptível em todas as faixas, segundo a pesquisa Genial/Quaest.
Encorajado pela necessidade de reverter o crescimento que Flávio Bolsonaro vinha demonstrando, o governo colocou o pé no acelerador do uso da máquina nos últimos dias. E aí veio o Desenrola 2.0, de alto potencial eleitoral. Hoje, ainda há 43% dos brasileiros que não ouviram falar do novo programa, o que mostra ainda um espaço de melhora.
BOA IDEIA – Pois entre os que conhecem, 50% acham que é uma ideia boa por ajudar quem está endividado a sair do vermelho e mais 22% também acham boa, embora avaliem que não resolva propriamente o problema das dívidas. A rejeição popular ao programa é baixa em cenário de polarização: 23% consideram uma má ideia. Os números são bem semelhantes entre os independentes, público a ser conquistado na disputa, faixa na qual apenas 21% rejeitam a ideia.
Outras cartadas foram dadas nas últimas horas. Primeiro, com a revogação da chamada “taxa das blusinhas”. Segundo, com uma MP para tentar forçar a redução do preço dos combustíveis ou impedir que haja um aumento. Ninguém duvida que foi a taxa sobre pequenas compras internacionais o que mais pesou na popularidade do governo no início do atual mandato.
CAUTELA – Os efeitos da revogação agora tenderiam a ser positivos, mas é preciso cautela. Ao revogar a taxa, o governo trouxe de volta a discussão sobre sua aplicação e há nítidas dificuldades de justificar as razões pelas quais, apenas no período eleitoral, resolveu mudar de ideia. Ainda assim, derrubar a taxa seria melhor do que mantê-la, do ponto de vista de discurso de campanha.
Sobre a MP para os combustíveis, depende muito de como se dará sua implementação. Se servir apenas para compensar um aumento que a Petrobras já sinalizou que fará, o efeito será pequeno. Nos dois casos, com impostos estaduais ainda mantidos e com a dificuldade do cidadão de distinguir quem lhe cobra o quê, os efeitos não tendem a ser tão expressivos.
E para o futuro, vem toda a discussão da escala 6×1 que, implantada ou não, só por ser debatida, já ajuda o governo a emparedar o discurso da oposição e se colocar do lado da faixa majoritária da população. Se precisar, virá discussão sobre tarifa zero ou que mais for necessário para quem está no governo tentar vencer, exatamente como fizeram as gestões anteriores. O céu, e não o orçamento, é o limite. E o resto se vê depois, como é costume no Brasil.
SEM RUMO – Enquanto isso, os aliados do principal adversário de Lula perderam o rumo. Sem espaço para discutir o caso Master nos últimos dias, após o estouro da operação contra o aliado do centrão Ciro Nogueira, pisando em ovos na relação com o STF e vendo o governo ganhar espaço na agenda com as reuniões com Trump e anúncios, o bolsonarismo passou dias mirando na decisão da Anvisa de suspender lotes de produtos da Ypê.
Erro grosseiro pois, junto com as reclamações de que haveria perseguição política contra uma empresa brasileira, vieram cenas e discursos bizarros que fizeram lembrar o negacionismo da época da pandemia. Ali estava um enorme calcanhar de aquiles da gestão Bolsonaro, principal responsável por sua derrota em 2022.
Ao contrapor a mesma Anvisa que era bombardeada a cada vacina que era aprovada e ao oferecer cenas de gente fingindo beber detergente, os bolsonaristas deram um presente para a esquerda. Que casou com o evento de Lula em lembrança às vítimas da pandemia, no qual Janja fez referência à polêmica da vez. E também com discursos de Lula e de Alexandre Padilha que levam ao questionamento sobre o que aconteceria se quem bebe detergente tivesse que administrar uma nova pandemia pelos próximos quatro anos.
AÚDIO – Quando o cenário já parecia começar a favorecer o petista, veio o áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro e as mensagens em que diz que estará com o banqueiro sempre. Implodindo o discurso do senador sobre o caso Master e abrindo um caminho para que outros nomes à direita possam tentar surfar em seu derretimento.
Para Lula o benefício depende do tamanho do estrago. Se for exagerado e viabilizar outro candidato, pode virar uma armadilha. O tamanho da encrenca para Flávio, porém, dependerá de quanto tempo levará para que o bolsonarismo consiga retomar um rumo no debate para conter o impacto da pancada. Até lá, Lula agradece.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Zema teria atribuído Gilmar à prática de corrupção passiva
Mariana Muniz O Globo
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por calúnia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e pediu a condenação do político ao pagamento de indenização mínima equivalente a 100 salários mínimos por danos morais.
Na denúncia oferecida ao Superior Tribunal Justiça (STJ), o Ministério Público Federal sustenta que Zema publicou conteúdo nas redes sociais atribuindo falsamente ao ministro a prática do crime de corrupção passiva. Segundo a acusação, a postagem sugeria que Gilmar teria colocado a função jurisdicional “a serviço de interesse privado”, em troca de vantagem indevida.
FALSA ATRIBUIÇÃO – “O denunciado não se limitou a formular crítica institucional, paródia política ou inconformismo com decisão judicial”, afirma a PGR no documento. “Ao atribuir falsamente ao ministro Gilmar Mendes a prática de corrupção passiva, fez incidir o tipo de calúnia”, prossegue a denúncia.
O órgão enquadrou a conduta no crime de calúnia majorada, previsto no Código Penal, combinado com agravantes do artigo 141, aplicáveis quando a ofensa é praticada contra funcionário público em razão da função e por meio que facilite a ampla divulgação.
ALCANCE DA PUBLICAÇÃO – A PGR também destacou o alcance da publicação nas plataformas digitais. Segundo a denúncia, até a apresentação da acusação, o conteúdo havia registrado 487,2 mil visualizações na rede X e 2,8 milhões de visualizações no Instagram. Para o Ministério Público, a repercussão ampliou os danos à honra objetiva e à reputação funcional do ministro do STF.
O órgão ainda requer que, ao final da ação penal, seja fixado valor mínimo de reparação civil equivalente a 100 salários mínimos, “compatível com a gravidade da imputação caluniosa, a extensão da divulgação e a repercussão pública da ofensa”.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Trump desorganizou o sistema de comércio com o tarifaço
Maria Hermínia Tavares Folha
Em pouco mais de um ano, Donald Trump abalroou o conjunto de instituições que deram feição própria à ordem internacional liberal, criada no segundo pós-Guerra e da qual os EUA foram avalista e principal beneficiário.
Megalomaníaco, desorganizou o sistema de comércio com o tarifaço e debilitou o FMI e o Banco Mundial; paralisou o Conselho de Segurança, cerne das Nações Unidas; abandonou o Acordo de Paris, dificultando ainda mais os já penosos esforços de mitigação da crise climática. Enfraqueceu a Otan, pilar do sistema de segurança europeu; destruiu o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), substituindo a proveitosa cooperação comercial com o Canadá e o México pela ameaça à soberania dos vizinhos.
INTERVENÇÃO – Invadiu a Venezuela e sequestrou seu ditador, retomando uma prática de intervenção armada na vizinhança que se imaginava confinada ao passado. Estrangula Cuba, ao extremar um cruel bloqueio econômico a fim de derrubar o regime castrista. Em parceria com Israel, a quem apoiou no massacre de Gaza, faz agora guerra ao Irã, com consequências imprevisíveis —mas certamente nefastas— para o Oriente Médio e a economia mundial.
Se o saldo é negativo para o mundo, que se tornou um lugar ainda mais inseguro, a aposta do titular da Casa Branca no uso despudorado de seu poder econômico e militar devasta a reputação internacional do país.
Pesquisa recente dá conta do desastre. Conduzida pela empresa japonesa Nira Data, a pedido da Alliance of Democracies, leva o título de “Democracy Perception Index 2026” e foi feita em 68 países. Nela, comparam-se as percepções e sentimentos do público não só sobre o sistema democrático mas também sobre segurança e conflitos globais, além de avaliação, uma a uma, das nações incluídas na amostra.
INVERSÃO – Quando se coteja a diferença entre percepções positivas e negativas sobre cada país, os EUA ocupam a 64ª posição, à frente apenas de Irã, Afeganistão, Coreia do Norte e Israel. Mas não é tudo. Há três anos, as opiniões positivas sobre a potência do norte superavam com folga as negativas. O quadro se inverteu, com a queda vertiginosa da aprovação a partir de 2025 —não por acaso, primeiro ano de Trump 2.0.
O estudo capta um fenômeno de consequências duradouras: a rápida erosão do soft power (poder brando), termo caro aos estudiosos das relações internacionais. Designa a capacidade de um país de influenciar a conduta de outros pela persuasão e mobilização de valores compartilhados em lugar da coerção e da força bruta, conhecidos como instrumentos do hard power (poder duro).
SEM SUSTENTAÇÃO – Países se tornam potências internacionais quando lançam mão de uma combinação desses dois atributos. Têm recursos econômicos e militares para coagir, mas não se impõem por muito tempo se não souberem atrair e convencer outras nações dos valores que defendem.
O uso cínico e desabrido que Trump faz do imenso arsenal de recursos de coerção está destruindo o muito de poder suave que os EUA construíram. Essa é a tese defendida por Stephen Walt, professor da Universidade Harvard, em artigo contundente publicado na revista Foreign Policy: “The End of America’s Soft Power”. Não poderia estar mais certo.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Mariosan (O Popular)
Caio Spechoto Folha
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute uma proposta legislativa para limitar os bônus que permitem uma fração dos servidores públicos receber rendimentos acima do teto constitucional de R$ 46.366,19, conhecidos como “penduricalhos”.
A proposta é discutida no Ministério da Gestão. A ideia ganhou força depois de o Supremo Tribunal Federal restringir os pagamentos desses penduricalhos para membros do Judiciário e do Ministério Público até o Congresso aprovar uma lei que regulamente o tema. Uma eventual proposta do governo sobre o tema precisa de aval do Legislativo para entrar em vigor.
ACIMA DO TETO – Os penduricalhos beneficiam principalmente pessoas ligadas ao Judiciário e ao Ministério Público, como juízes e procuradores. No Executivo, o maior foco de rendimentos acima do teto está na categoria de advogados públicos. O projeto discutido pelo governo abarcaria os três Poderes em todos os níveis, não só federal.
O projeto deverá fazer uma distinção entre direitos trabalhistas que beneficiam também trabalhadores da iniciativa privada, como décimo terceiro salário, e o que mais comumente é chamado de penduricalho, como diárias para quem viaja a trabalho. A limitação deverá incidir principalmente sobre esse segundo grupo.
O tema ganhou notoriedade por causa de decisões do ministro do STF Flávio Dino contra essas benesses percebidas por parte dos funcionários do Estado. Em março, o Supremo aprovou uma tese sobre essas remunerações e estabeleceu regras para vigorarem até um projeto ser aprovado pelo Congresso.
PROIBIÇÃO – O tribunal determinou que as verbas indenizatórias para juízes e procuradores não poderão passar do equivalente a 35% do salário. Além disso, permitiu que esses profissionais recebam aumento de 5% a cada cinco anos de carreira, também com limite de 35%. O STF proibiu penduricalhos como auxílios natalinos ou para ressarcir compra de combustível, auxílio-moradia ou alimentação e licença compensatória de um dia de folga por três trabalhados.
Em abril, Lula criticou as remunerações acima do teto constitucional. “Não é possível que você não acabe com os penduricalhos desse país, não é possível continuar com essa promiscuidade”, declarou em entrevista ao site ICL Notícias.
Antes, em fevereiro, o petista já havia vetado parcialmente projetos de lei que reajustavam salários de funcionários da Câmara dos Deputados, do Senado e do TCU (Tribunal de Contas da União). Os projetos criavam indenizações e verbas extras que poderiam aumentar os rendimentos de alguns servidores para mais de R$ 80 mil.
INDENIZAÇÃO – Um dos trechos proporcionava um dia de folga a cada três trabalhados em períodos como feriados e finais de semana, e o servidor poderia optar por receber uma indenização em vez de efetivamente tirar a folga e ficar um dia sem trabalhar.
O veto do presidente foi interpretado, à época, como mais um fator que poderia acelerar a criação de uma lei que regulamente as verbas indenizatórias. Integrantes tanto do governo quanto da oposição deram declarações a favor do teto remuneratório do serviço público.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É da série “Me Engana Que Eu Gosto”. Lula não tem como impedir penduricalhos. Apenas o Supremo pode fazê-lo, porém não o fará, porque foi o próprio STF que os autorizou, embora a Constituição os proíba. (C.N.)
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Ex-relator do mensalão substituiria Aldo Rebelo
Fábio Zanini Folha
O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa filiou-se no início de abril ao partido DC (Democracia Cristã). A legenda pretende lançá-lo candidato a presidente da República.
O DC, presidido pelo ex-deputado federal João Caldas (AL), apresentou no início do ano a pré-candidatura presidencial do ex-ministro Aldo Rebelo, que não decolou nas pesquisas. Foi oferecida a Aldo a possibilidade de disputar outro cargo. Procurado, Barbosa, 71, não quis comentar.
RELATOR DO MENSALÃO – Em 11 anos na corte, ele presidiu o Supremo e foi relator do caso do mensalão. Aposentou-se em 2014 e hoje se dedica a dar pareceres jurídicos. Na eleição de 2018, quando estava filiado ao PSB, chegou a flertar com uma disputa presidencial, mas acabou desistindo.
Dessa vez, o DC acredita que a disposição dele será diferente. O partido fez pesquisas qualitativas testando o nome do ex-ministro, e o resultado foi considerado positivo, com uma forte identificação com a bandeira da ética.
Outro tema forte da campanha seria a pauta das reformas do Judiciário, com criação de regras de conduta de ministros do STF e limites para penduricalhos. O STF vive uma crise de imagem sem precedentes em razão da associação com o escândalo do Master.
HISTÓRIA PESSOAL – Também é considerado um ativo eleitoral a história pessoal de Barbosa, nascido numa família pobre de Minas Gerais, e que chegou à presidência do STF. A prioridade da legenda é dar estrutura de campanha para o ex-ministro, tendo em vista que o DC é uma legenda pequena, com poucos recursos e sem tempo de TV, nem direito de participar de debates.
O presidente do partido, João Caldas, já fez contatos com dirigentes de outras siglas propondo alianças. A aposta também é que Barbosa pontue bem nas próximas pesquisas e assim atraia o interesse de possíveis aliados.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do J. Caesar (Veja)
Mario Sabino Metrópoles
Os lulistas, principalmente os da imprensa, estão eufóricos com a revelação das ligações perigosas de Flávio Bolsonaro et caterva com Daniel Vorcaro. Dá para entender a euforia de quem estava tão pessimista pouco tempo atrás, inclusive porque as ações eleitoreiras já começaram a dar algum efeito, como indicaram as últimas sondagens. Só uma próxima rodada de pesquisas, porém, mostrará o tamanho do impacto da notícia na candidatura do filho do ex-presidente.
O que veio à tona até o momento não é de somenos, mas ainda pode ser ajeitado com a mão pela narrativa de que o dinheiro era para a hagiografia cinematográfica de Bolsonaro, não para o enriquecimento da sua família em troca da promessa de vantagens indevidas.
EM OUTRA CONTA – Isso, claro, se não houver outra confirmação: a de que o dinheiro foi parar em alguma conta de um dos integrantes do clã. Nesse caso, a situação ficará bem mais difícil para Flávio, inclusive no que se refere ao apoio daquele consórcio de gente virtuosa, o Centrão.
Os lulistas eufóricos se fiam na anulação do processo que condenou Lula por corrupção e lavagem de dinheiro para vender a ideia de que o seu líder é alma mais honesta do mundo.
Aos olhos de pelo menos metade dos eleitores, contudo, Lula continuará a ser o da faixa que o cidadão de Presidente Prudente foi obrigado a tirar da janela do seu apartamento pela Polícia Federal. O maior de todos.
SEM VENCEDOR – Ou seja, ainda há motivo — e incancelável — para a direita acreditar que pode derrotar o ex-presidente. Se não for com Flávio, com outro candidato.
Romeu Zema queimou pontes com o bolsonarismo ao afirmar que o áudio do filho de Bolsonaro a Vorcaro foi um “tapa na cara dos brasileiros”.
Ronaldo Caiado, por seu turno de político mais calejado, teve uma reação calculada. Disse que Flávio “precisa se explicar sobre as gravações publicadas”, mas que espera que “a centro-direita brasileira não se divida, não rompa essa unidade, para que possamos, aí sim, derrotar o PT e o Lula no segundo turno”. O jogo não acabou, lulistas; na verdade, mal começou
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
TSE avalia precedente contra documentário bolsonarista
Rafael Moraes Moura O Globo
Cercado de polêmica por conta do financiamento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, articulado pelo pré-candidato do PL à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (RJ), o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, pode enfrentar obstáculos jurídicos caso seja lançado em setembro, a um mês das eleições presidenciais.
Isso porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já suspendeu o lançamento de um filme sobre Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais – no caso o documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, da produtora de vídeos de direita Brasil Paralelo, que seria exibido às vésperas do segundo turno.
PRECEDENTE – Na época, o TSE acolheu um pedido da coligação de Lula. O precedente pode ser usado agora para barrar a exibição de “Dark Horse” pelo menos até o fim da disputa eleitoral, em 25 de outubro. Esse risco já vem sendo considerado em reuniões fechadas por aliados do senador, que temem que a estréia do longa-metragem mais prejudique do que ajude a campanha à Presidência.
No caso do documentário, o TSE concluiu que era importante evitar que um “tema reiteradamente explorado pelo candidato em sua campanha receba exponencial alcance, sob a roupagem de documentário que foi objeto de estratégia publicitária custeada com substanciais recursos de pessoa jurídica”, conforme voto do ministro Benedito Gonçalves, relator do caso e de outras duas ações que levaram depois à inelegibilidade de Bolsonaro. O filme só foi exibido depois das eleições.
PROTAGONISTA – A diferença é que, no caso do documentário de 2022, Jair Bolsonaro era candidato à reeleição e protagonista do documentário sobre o atentado à faca em Juiz de Fora, enquanto agora quem vai disputar a corrida presidencial é o seu filho. “Dark Horse” (Azarão, em tradução livre) é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente.
A ficha técnica no site IMDb, considerado a Bíblia dos cinéfilos, indica que foram escalados atores para os papéis do clã Bolsonaro, como Michelle, Carlos, Eduardo e o próprio Flávio, que será vivido pelo ator brasileiro Marcus Ornellas, mas ainda não sabe o espaço que cada um deles terá na trama.
PROPAGANDA – Entre aliados de Flávio, o temor é de que “Dark Horse” seja encarado pelo TSE como um instrumento de propaganda. E não só isso: que um eventual lançamento em setembro, conforme previsto, resgate na memória do eleitor a controvérsia envolvendo os diálogos trocados entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, que abalaram a pré-campanha bolsonarista e provocaram um tiroteio dentro do próprio campo da direita.
“Existe uma dúvida quanto ao lançamento nesse momento eleitoral, que poderia ser encarado pelo TSE como propaganda. Isso exige uma cautela jurídica necessária”, afirmou ao blog uma fonte que acompanha de perto as discussões nos bastidores.
REDUÇÃO DE DANOS – Já um integrante da campanha ouvido em caráter reservado fez uma análise diametralmente oposta: defendeu a antecipação da estreia do filme, em uma tentativa de “reduzir danos” e tentar encerrar o assunto o quanto antes, justamente para virar a página dos áudios de Flávio com Vorcaro, se é que isso é possível. Os R$ 61 milhões que Vorcaro pagou para financiar o filme são equivalentes a 13 vezes o que o Banco Master tinha em caixa quando foi liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
Antes mesmo do início da campanha eleitoral, o TSE já foi acionado sobre a antecipação da propaganda e se debruçou sobre um caso rumoroso que opôs bolsonaristas e lulistas – um precedente lembrado por Flávio Bolsonaro diversas vezes na entrevista que deu nesta quinta-feira à GloboNews.
Em fevereiro, o TSE negou dois pedidos de liminar dos partidos Novo e Missão para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, considerado propaganda eleitoral antecipada pela oposição. Após o cortejo carnavalesco, o PL pediu ao TSE a abertura de uma investigação sobre o financiamento do desfile, mas o caso foi arquivado.
DIRECIONADO PARA A BOLHA – “Em tese, o filme do Bolsonaro vai atingir a própria bolha, só vai assisti-lo quem se dispor a ir e pagar o ingresso. Já o TSE não proibiu o desfile do Lula, que foi exibido em TV aberta, financiado com dinheiro público e invadiu a casa de milhões de brasileiros”, afirmou um aliado de Flávio, tentando diferenciar os casos.
O desfile foi marcado pela exaltação à figura de Lula e a programas sociais da administração petista, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Luz para Todos – além de alfinetadas em Bolsonaro, retratado na comissão de frente como um palhaço que acaba preso. A Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação e foi rebaixada.
JINGLE DE CAMPANHA – O samba-enredo entoado na Marquês de Sapucaí remetia em seu refrão a um jingle de campanha de Lula, com os versos “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. Em uma das alas, componentes estavam fantasiados com uma estrela vermelha, em alusão ao símbolo do PT.
Já os detalhes do roteiro e da pós-produção de “Dark Horse” não são plenamente conhecidos, mas sabe-se que a produção abordará a trajetória política de Bolsonaro – e dará destaque ao atentado à faca, conforme cenas que vazaram da gravação do filme, com o ator Jim Caviezel encenando o episódio nas ruas de São Paulo.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Paulo Peres Poemas & Canções
O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta romântico maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), no poema “Minha Terra”, retratou a fortíssima saudade que sentia ao estar longe de seu país.
MINHA TERRA Gonçalves Dias
Quanto é grato em terra estranha Sob um céu menos querido, Entre feições estrangeiras, Ver um rosto conhecido;
Ouvir a pátria linguagem Do berço balbuciada, Recordar sabidos casos Saudosos — da terra amada!
E em tristes serões d’inverno, Tendo a face contra o lar, Lembrar o sol que já vimos, E o nosso ameno luar!
Certo é grato; mais sentido Se nos bate o coração, Que para a pátria nos voa, P’ra onde os nossos estão!
Depois de girar no mundo Como barco em crespo mar, Amiga praia nos chama Lá no horizonte a brilhar.
E vendo os vales e os montes E a pátria que Deus nos deu, Possamos dizer contentes: Tudo isto que vejo é meu!
Meu este sol que me aclara, Minha esta brisa, estes céus: Estas praias, bosques, fontes, Eu os conheço — são meus!
Mais os amo quando volte, Pois do que por fora vi, A mais querer minha terra, E minha gente aprendi.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Motta tem convicção que Senado votará PEC da Segurança
Letícia Pille O Globo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou ter “convicção” de que o Senado Federal irá contribuir para a aprovação da PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara há cerca de dois meses e ainda pendente de análise pelos senadores.
A declaração foi dada durante cerimônia no Palácio do Planalto destinada ao lançamento do novo programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, iniciativa do governo federal voltada ao combate às facções criminosas e ao fortalecimento das políticas de segurança pública. O pacote prevê investimentos de cerca de R$ 1 bilhão na área.
PREOCUPAÇÃO – Durante o discurso, Motta afirmou que a segurança pública é “uma das preocupações mais concretas da vida nacional” e disse que o tema “não se resolve com frases fáceis e disputa estéril”. Segundo ele, a Câmara passou a tratar o assunto como prioridade nos últimos anos.
O presidente da Casa também afirmou que, apenas na atual gestão, cerca de 50 projetos ligados à segurança pública foram aprovados pelos deputados. Ao citar a PEC da Segurança, Motta disse que as propostas buscam aperfeiçoar a cooperação entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado.
— Temos convicção de que o Senado Federal, com sua reconhecida tradição de equilíbrio e diálogo, contribuirá para que essa iniciativa se transforme, em breve, em avanço concreto para o País — afirmou.
“FOCO INESCAPÁVEL” – Motta ainda defendeu maior atenção ao combate ao feminicídio e disse que o tema é um “foco inescapável”. Nessa esteira, ele também citou iniciativas em discussão na Câmara relacionadas ao endurecimento de punições para crimes de misoginia.
A PEC da Segurança Pública é uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a área e foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 4 de março, após amplo acordo entre governo, oposição e partidos de centro.
O texto aprovado pelos deputados prevê, entre outros pontos, a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), o fortalecimento da atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado e às milícias, além da possibilidade de endurecimento das regras para progressão de regime de integrantes de facções criminosas.
MECANISMOS DE COOPERAÇÃO – A proposta também amplia mecanismos de cooperação entre União, estados e municípios na área de segurança pública e estabelece novas regras para o financiamento do setor, incluindo a destinação de parte dos recursos arrecadados com apostas esportivas.
Apesar da aprovação expressiva na Câmara, a PEC segue sem avanço no Senado Federal. Até agora, o texto sequer foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, primeiro passo da tramitação entre os senadores.
Ainda não há previsão para o início da análise da proposta. O andamento depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por definir os próximos passos da tramitação. Mesmo tratada como prioridade entre governistas, parlamentares aliados de Lula já admitem que o texto não deve avançar antes de outubo, já tendo passado o período eleitoral.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Produtora recebeu recurso de cota de Mario Frias
Gustavo Zeitel Ana Gabriela Oliveira Lima Folha
O documentário “A Colisão dos Destinos”, dirigido por Doriel Francisco, que conta a história da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, chega ao seu primeiro fim de semana em cartaz nos cinemas com distribuição falha e salas vazias. Apesar de ser exibido em 17 estados, a obra está fora do circuito Rio-São Paulo.
Profissionais do setor audiovisual afirmam que um filme com esse teor político, em ano eleitoral, afasta os programadores. Do mesmo modo, dizem que a estratégia de lançamento do filme foi mal conduzida. Tanto que, em geral, a comunidade cinéfila desconhecia sua produção até a estreia. Assim como “Dark Horse”, “A Colisão dos Destinos” integra uma rede que tem elo com verbas de deputados bolsonaristas.
FINANCIAMENTO – Além de ser o diretor, Francisco é dono da produtora, a Dori Filmes, sediada em Brasília, e assina o roteiro com William Alves. O argumento foi criado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também ajudou a financiar a obra, em parceria com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A distribuição é feita de maneira independente, pela própria produtora.
A reportagem tentou contato com a Dori Filmes, mas não obteve resposta. “O pouco investimento que tem no filme é recurso próprio meu”, afirmou Francisco, em entrevista à Gazeta do Povo, em abril.
No site oficial, consta que “A Colisão dos Destinos” foi desenvolvido a fim de repassar a biografia do ex-presidente, sob a perspectiva íntima de amigos e familiares. Segundo o texto do site, esse “filme de 70 minutos mergulha nas camadas mais profundas da vida privada de Bolsonaro, desafiando as narrativas convencionais e revelando ângulos inexplorados pela mídia tradicional.” O texto é seguido pelo trailer.
ENTREVISTAS – Dentre as cenas selecionadas, estão entrevistas dos filhos. Numa delas, a câmera dá um close no rosto do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), que chora ao lembrar a figura paterna. “Me fazendo pagar mico aí, pô.” O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que cobrou dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, afirma, no documentário, que o pai é um escolhido de Deus.
Solange, a irmã, rememora o tempo que Bolsonaro saía para pescar e, com o dinheiro da venda, pagava uma tubaína para a família. O documentário estreou, em Brasília, na quinta-feira (14). “Não é um filme político, é um filme cultural. É um filme que fala do Jair Messias Bolsonaro humano e não político”, conta Francisco, em um vídeo postado no Instagram. Embora todas as regiões recebam o filme, a obra não está sendo exibida, até o momento, nos dois principais circuitos culturais do país: São Paulo e Rio de Janeiro.
Coordenador do curso de cinema da Faap e programador da distribuidora Gullane+, Humberto Neiva diz que a ausência indica alguns entraves para a circulação da obra. “É um documentário sobre um político que traz milhões de polêmicas e alguns exibidores não querem se comprometer com questões políticas”, afirma Neiva, exibidor do Espaço Itaú de Cinema por 28 anos. O professor também vê erros da produção.
DESCONHECIMENTO – Conta que o mercado exibidor sequer tomou conhecimento da existência da obra. Em geral, as salas têm acesso às obras com antecedência e avaliam quais fazem parte do perfil do espaço. Trata-se de um processo que envolve uma equipe de marketing e de assessoria de imprensa, tornando o filme em questão um assunto na comunidade cinéfila, diz. “Esse documentário não foi lançado, ele foi arremessado em um ano eleitoral.” Proprietários de dois cinemas tradicionais da capital paulista dizem desconhecer a obra.
Da França, onde participa do Festival de Cannes, André Sturm, programador do Cine Belas Artes e ex-secretário municipal da Cultura, conta nunca ter ouvido falar de “A Colisão dos Destinos” e que ninguém o ofereceu ao Belas Artes. Afirma que teria restrições à escolha. “Se for um filme de divulgação, não [exibiria].” Por intermédio de sua assessoria, Adhemar Oliveira, do Espaço Petrobras de Cinema, também diz não ter recebido contatos de distribuidora e conta que a obra não se encaixaria no perfil de sua sala.
Mesmo nos outros estados, o documentário passa ao largo de grandes redes, como Cinemark e Kinoplex, sendo veiculado por marcas menos famosas, quais sejam, Grupo Cine, Cine Plus, Cinemas Premier, entre outras. Exibidor do Cine Glauber Rocha, em Salvador, Cláudio Marques afirma que toda produção passa pelo controle de qualidade das salas exibidoras. E que todo cinema deve conhecer o seu público.
SALAS VAZIAS – “O dono da sala quer ver a sala cheia, não importa a questão ideológica. Se eles não passaram nesses lugares, é porque acham que as pessoas não querem ver”, diz. Acontece que as salas têm estado vazias.
Na noite desta sexta-feira, havia sessão em ao menos 8 das 17 cidades do interior de São Paulo em que o Grupo Cine, o maior exibidor, tem sala. Faltando uma hora para o início do filme, quatro cinemas estavam completamente vazios. Em Itapetininga, duas pessoas reservaram assentos; Rio Claro, Sumaré e Vargem Grande Paulista, pouco mais de dez poltronas ocupadas.
Um profissional do setor audiovisual que prefere não se identificar conta que faltou à produção um contrato com uma distribuidora reconhecida. Diz que a Dori Filmes parece ter uma estrutura amadora por não constar em seu portfólio nenhum documentário de peso.
SEM INFORMAÇÕES – Se tivesse contrato com uma boa distribuidora, o documentário, afirma esse profissional, poderia até ser um sucesso comercial, haja vista o público crescente da produtora Brasil Paralelo. Mas, se o objetivo for expandir o eleitorado, a obra deveria estar no streaming —e não no cinema. Há pouca informação sobre o financiamento da obra. É sabido, no entanto, que a Dori Filmes está envolta numa rede abastecida por verbas de bolsonaristas.
Entre abril e julho de 2024, Mario Frias enviou R$ 22.432 à Dori Filmes por meio de cota parlamentar. Frias afirma ter sido um colaborador pontual da produção, “auxiliando na articulação de agenda com a família do presidente Jair Bolsonaro e também como um dos depoentes”.
O dinheiro da cota, diz, se refere a serviços prestados de produção de material publicitário para atuação parlamentar, “em valor irrisório quando comparado ao custo de produção de um documentário”. Outra organização ligada ao diretor, a Associação Passos da Liberdade, recebeu emendas no total de R$ 860 mil de Frias, do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e de Eduardo Bolsonaro.
REPASSE – A revelação foi do portal Uol. O valor foi repassado para a produção de um documentário, “Genocidas”, criado, segundo diz a ficha técnica, com o objetivo de “correlacionar os horrores dos genocídios históricos na Europa com fatos contemporâneos na América Latina”. Esse documento não cita Bolsonaro, chamado de genocida por seus oposicionistas, em razão de seu comportamento durante a pandemia da Covid-19.
A assessoria de Pollon diz que as emendas foram destinadas de maneira regular e transparente e que a obra tem “caráter histórico sobre acontecimentos ocorridos na Europa e seus reflexos na América Latina”.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Aroeira (Brasil 247)
Sarah Teófilo Eduardo Gonçalves O Globo
Dois meses após firmar termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, enfrenta dificuldades para convencer autoridades de que está disposto a cooperar.
Diante do avanço das investigações e da indicação de outros alvos de que também querem entregar o que sabem em troca de benefícios, advogados e integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que ele está pressionado a apresentar uma nova proposta, caso queira mesmo ter um alívio da pena em caso de condenação. A primeira, entregue por sua defesa em 5 de maio, foi considerada insuficiente.
MAIS ELEMENTOS – Os investigadores entendem que o material extraído dos celulares do próprio Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, o Sicário, tem muito mais elementos do que os relatos apresentados no rascunho de delação até agora. Vorcaro não citou, por exemplo, a suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em valores que chegavam a R$ 500 mil, como mostrou a colunista Malu Gaspar, do O Globo.
A investigação mostrou uma relação de proximidade do banqueiro com o parlamentar, apontado pela PF como “destinatário central” de favores financeiros pagos pelo dono do Master. A lista inclui uso de um imóvel em São Paulo e o custeio de viagens internacionais, como hospedagens, restaurantes e voos privados. Procurada, a defesa do executivo afirmou que não iria comentar. Em nota, a defesa de Ciro afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
COBRANÇAS DE FLÁVIO – Outro fato que ficou de fora, como mostrou a colunista Míriam Leitão, foram as cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo valor total poderia chegar a R$ 124 milhões. O site Intercept Brasil revelou trocas de mensagens do parlamentar combinando encontros com o banqueiro. O filho do ex-presidente admitiu as conversas, mas nega que representem irregularidades.
Tanto os favores a Ciro Nogueira quanto a relação com Flávio foram revelados em momentos posteriores à apresentação da primeira proposta pela defesa do banqueiro. Para investigadores, conforme o tempo passa e as investigações avançam, mais difícil será para Vorcaro conseguir um desfecho favorável.
Um acordo de colaboração premiada é um meio de obtenção de provas e prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multa. Em troca, o investigado obtém benefícios, como redução de pena. Vorcaro havia feito dois pedidos aos investigadores para iniciar as tratativas: ser transferido do presídio federal de Brasília e a blindagem a seus familiares.
NA MESA DE MENDONÇA – A trégua, porém, não durou muito. Após ser levado para uma cela na Superintendência da PF em Brasília enquanto negociava o acordo, em 23 de março, Vorcaro agora pode ter que voltar à penitenciária federal, onde o regime é mais rígido. Um pedido feito pela corporação está na mesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte, a quem cabe autorizar a transferência.
Em outro sinal de que um acordo está distante, a PF prendeu na semana passada Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, suspeito de ser operador financeiro da “Turma”, o braço armado da suposta organização criminosa comandada pelo dono do banco Master. Segundo as investigações, Henrique também atuava como “demandante e beneficiário” do grupo suspeito de intimidar adversários de Daniel Vorcaro.
CONTA DO PAI – A PF aponta ainda que Vorcaro utilizou uma conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes financeiras. Procurada, a defesa de Henrique diz considerar a prisão “grave” e “desnecessária”. Um acordo de colaboração que também envolva a família não seria novidade para a PF. Delator na ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, o tenente-coronel Mauro Cid incluiu proteção jurídica ao pai, à mulher e à filha em troca de contar o que sabia sobre a trama golpista.
Além do avanço das investigações, autoridades envolvidas nas negociações com Vorcaro citam outro fator que pressiona o banqueiro a entregar mais. Enquanto sua colaboração está parada, outros investigados também se mostraram dispostos a delatar, gerando uma corrida entre as defesas para saber quem consegue fechar um acordo primeiro. A avaliação de investigadores é que uma delação não exclui outras, mas que quem chegar depois precisará apresentar novidades.
CONFIDENCIALIDADE – Uma das tratativas mais avançadas é a do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso há um mês após a PF apontar suspeita de que ele negociou o recebimento de propina de R$ 146 milhões em imóveis em troca de beneficiar o Banco Master em operações financeiras fraudulentas. Pessoas a par das negociações afirmam que um acordo de confidencialidade, etapa que antecede formalmente a apresentação da colaboração premiada, deve ser assinado nesta semana. A expectativa é que os anexos da delação sejam entregues em junho.
Interlocutores envolvidos nas tratativas avaliam que uma eventual colaboração do ex-presidente do BRB não inviabiliza a de Vorcaro, já que os dois teriam conhecimentos distintos sobre o funcionamento do esquema investigado. No caso de Costa, conversas preliminares indicam que ele deve apontar o “caminho do dinheiro” no Brasil e no exterior.
NOVAS INFORMAÇÕES – Investigadores esperam que o ex-presidente do BRB apresente informações novas e relevantes, inclusive sobre recursos mantidos fora do país e sobre figuras envolvidas nas negociações entre o banco público e o Master.
A investigação aponta para a existência de uma organização criminosa concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB. Conforme a apuração, uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master ocorreu por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” do Banco Central do Brasil.
AUTORIDADES DO DF – Na condição de presidente do BRB, Costa também indicou ter informações sobre autoridades do Distrito Federal envolvidas nas negociações relacionadas à tentativa de compra do Master pelo banco público. Segundo relatos obtidos por investigadores, Costa vinha se preparando há meses para colaborar com a PF. Antes da prisão, ele costumava circular em Brasília carregando uma pasta com documentos e chegou a desenvolver um sistema de inteligência artificial para localizar mensagens armazenadas em seu celular por temas e personagens.
Após iniciar as conversas sobre delação, Costa foi transferido na semana passada do Complexo Penitenciário da Papuda para uma sala do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. A unidade apresenta instalações mais espaçosas, com regras mais flexíveis, e é tradicionalmente reservada para policiais militares e autoridades. A mudança foi um pedido da defesa para facilitar as tratativas com seu cliente.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)
Pedro do Coutto
O Brasil atravessa mais um daqueles momentos em que política, negócios privados, interesses eleitorais e suspeitas de favorecimento se misturam de maneira tão intensa que a fronteira entre o público e o privado parece desaparecer diante dos olhos da sociedade.
Nas últimas semanas, uma sucessão de revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o filme “Dark Horse” e o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro expôs mais uma vez um velho problema nacional: a naturalização das relações promíscuas entre poder político, influência econômica e versões cuidadosamente moldadas para consumo público.
BANALIZAÇÃO DA MENTIRA – A crítica publicada por Thaís Oyama em O Globo não se limita a uma divergência política ou ideológica. Ela toca em algo mais profundo: a banalização da mentira como método político. Segundo a jornalista, Flávio Bolsonaro teria elevado o cinismo a um novo patamar ao tentar justificar os repasses ligados ao financiamento do filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O problema central não está apenas na existência do financiamento privado — algo legal em determinadas circunstâncias —, mas na inconsistência das versões apresentadas diante dos fatos já revelados por investigações, reportagens e mensagens divulgadas.
A contradição tornou-se ainda mais evidente depois da divulgação de áudios e diálogos nos quais Flávio Bolsonaro aparece pressionando Daniel Vorcaro por pagamentos ligados ao projeto cinematográfico. Em determinado momento, o senador admite o constrangimento pela cobrança insistente, mas afirma que o filme atravessava uma fase decisiva e que havia parcelas atrasadas. A fala desmonta parte da tentativa posterior de minimizar sua participação nas negociações.
SUSPEITAS – O caso se agrava porque Daniel Vorcaro não é um empresário qualquer envolvido numa disputa comercial comum. O ex-controlador do Banco Master tornou-se personagem central de uma investigação explosiva que inclui suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e operações financeiras consideradas fraudulentas. Quando um político em pré-campanha presidencial mantém interlocução financeira intensa com alguém sob esse grau de suspeita, a questão deixa de ser apenas jurídica e passa a ser moral e institucional.
Há outro elemento particularmente simbólico nessa história: o filme “Dark Horse”. A produção, concebida como uma espécie de epopeia política da ascensão de Bolsonaro após a facada de 2018, acabou se transformando em metáfora involuntária do próprio bolsonarismo contemporâneo. O que deveria servir como peça de construção de imagem passou a expor conflitos internos, disputas ideológicas, suspeitas financeiras e desconfortos até entre profissionais contratados para trabalhar no projeto.
TENSÃO POLÍTICA – Relatos de bastidores publicados pela imprensa revelam uma produção marcada por tensão política permanente. Parte da equipe técnica, composta por profissionais tradicionalmente identificados com posições progressistas no meio audiovisual, teria resistido ao ambiente ideológico imposto pelas lideranças do projeto.
Ao mesmo tempo, os relatos apontam para um padrão de gastos considerado incomum até para produções brasileiras de grande porte: dezenas de semanas de filmagem, múltiplas equipes de câmera, centenas de figurantes e equipamentos sofisticados. Num país onde o setor cultural frequentemente enfrenta dificuldades de financiamento, a abundância de recursos chamou atenção.
A questão inevitável é: de onde veio tanto dinheiro, exatamente? E mais importante: com quais contrapartidas políticas, econômicas ou simbólicas? Enquanto isso, outra frente reforça a sensação de deterioração institucional. O governador Cláudio Castro passou a enfrentar acusações relacionadas à assinatura de decretos que poderiam beneficiar diretamente interesses empresariais específicos, incluindo a empresa Refit.
DESCONFIANÇA – As suspeitas surgem em um ambiente já contaminado pela desconfiança crescente da sociedade em relação às relações entre governos estaduais, grandes grupos econômicos e decisões administrativas bilionárias.
O problema brasileiro não é apenas a corrupção clássica, feita em envelopes ou contas secretas. O modelo contemporâneo é mais sofisticado. Ele opera por meio de decretos, lobby informal, influência política, patrocínios culturais, fundos de investimento, estruturas empresariais opacas e redes de proteção institucional. Tudo costuma ser apresentado dentro da legalidade aparente. O desafio é justamente esse: práticas formalmente defensáveis podem esconder distorções profundas do interesse público.
Nesse cenário, o Supremo Tribunal Federal ganhou protagonismo inevitável. O ministro Alexandre de Moraes aparece no centro de diversas decisões relacionadas tanto aos desdobramentos do 8 de Janeiro quanto às investigações envolvendo aliados do bolsonarismo. Para apoiadores do ex-presidente, Moraes simboliza excessos do Judiciário. Para adversários de Bolsonaro, tornou-se uma espécie de barreira institucional contra ataques à democracia.
CONSENSO – O risco é que o país continue aprisionado numa lógica em que todas as instituições passam a ser interpretadas exclusivamente sob lentes partidárias. Quando isso acontece, desaparece a possibilidade de consenso mínimo sobre fatos objetivos. Cada investigação vira “perseguição”. Cada denúncia vira “narrativa”. Cada prova depende da torcida política de quem interpreta.
A crise atual também revela uma contradição profunda do discurso moralizante que marcou parte da direita brasileira na última década. O bolsonarismo cresceu denunciando privilégios, corrupção, fisiologismo e relações obscuras entre empresários e poder político. Agora, enfrenta acusações que lembram justamente aquilo que prometia combater. O impacto simbólico disso é devastador porque corrói um dos pilares centrais da identidade política construída desde 2018.
Mais grave ainda é perceber que o fenômeno não se restringe a um grupo político específico. O Brasil parece preso a um ciclo contínuo de substituição de personagens, mas manutenção das práticas. Mudam os discursos. Mudam os slogans. Mudam os inimigos da vez. Mas os mecanismos de poder permanecem assustadoramente semelhantes.
PERPLEXIDADE – O cidadão comum observa tudo isso entre perplexidade e cansaço. A sensação dominante é a de que escândalos se sucedem em velocidade tão grande que já não produzem indignação duradoura. O absurdo virou rotina. E talvez esse seja o aspecto mais perigoso da atual crise brasileira: não apenas a existência de suspeitas graves, mas a normalização delas.
Uma democracia não morre apenas por rupturas violentas. Às vezes ela se desgasta lentamente, corroída pelo cinismo, pela relativização ética e pela incapacidade coletiva de distinguir interesse público de conveniência política. O Brasil de hoje parece perigosamente próximo desse ponto.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Victor Lima Sedlmaier é suspeito de ataques cibernéticos
Pedro Augusto Figueiredo Weslley Galzo Estadão
Investigado por suspeita de fazer parte do grupo de hackers que prestava serviços a Daniel Vorcaro, Victor Lima Sedlmaier foi preso neste sábado, 16, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele era considerado foragido desde o dia 13, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na 6ª fase da Operação Compliance Zero.
A informação foi divulgada inicialmente pela GloboNews e confirmada pelo Estadão. Em nota, a Polícia Federal afirmou que, ao tentar entrar no país árabe, Sedlmaier foi imediatamente deportado e desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), onde foi preso pelas autoridades brasileiras.
COOPERAÇÃO POLICIAL – “A Polícia Federal acionou mecanismos de cooperação policial internacional junto às autoridades dos Emirados Árabes Unidos. A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil”, disse a PF. A defesa de Victor Lima Sedlmaier não foi localizada pela reportagem.
De acordo com as investigações, Sedlmaier era integrante do núcleo chamado “Os Meninos”, que tinha como líder David Henrique Alves. Alves, por sua vez, recebia encomendas de serviços de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que respondia diretamente a Vorcaro. Mourão morreu após ser preso e atentar contra a própria vida.
QUESTÕES DE DANIEL – Em depoimento à PF, Victor declarou ser estudante de ciência da computação e que, desde julho de 2024, prestava serviços a David. Ele afirmou que recebia R$ 2 mil mensais, além de bônus, e que sabia que David trabalhava para Mourão “por questões do Daniel”.
“Tais dados são relevantes porque situam Victor em posição de prestador de serviços remunerado, não apenas por David, mas dentro de um fluxo econômico maior conectado a Felipe Mourão e aos interesses do núcleo central da organização“, narrou Mendonça, com base nas informações prestadas pela PF.
Ainda conforme as investigações, Victor teria ajudado David a ocultar provas da atuação do grupo no dia da deflagração da terceira fase da Compliance Zero, que prendeu o Sicário no início de março.
MUDANÇA ÀS PRESSAS – Os dois teriam feito uma mudança às pressas da casa onde o grupo atuava na cidade de Lagoa Santa (MG). “Victor não apenas conhecia a rotina do líder do grupo, mas teria atuado para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com potencial relevância probatória, em momento sensível da investigação“, afirma a decisão de Mendonça.
Além de Victor, a 6ª fase da Compliance Zero também determinou a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, de David Alves e Rodrigo Franco, respectivamente líder e integrante do grupo “Os Meninos”, além de um policial federal da ativa e um aposentado.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Senador tem muito a explicar sobre a relação com Vorcaro
Míriam Leitão O Globo
O senador Flávio Bolsonaro não conseguiu esclarecer o caminho percorrido pelos milhões de dólares pedidos a Daniel Vorcaro em sua entrevista à GloboNews na última quinta-feira.
Desde que os áudios do diálogo entre o candidato à Presidência e o ex-dono do Banco Master foram divulgados pelo Intercept, as versões sobre os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro já se modificaram várias vezes. Flávio Bolsonaro mostrou-se muito preocupado em negar que esse dinheiro teria sido usado para manter seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, insistindo que todo o recurso foi destinado à produção do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas admitiu que o dinheiro passou por uma empresa do advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, a Havengate Development Fund, sediada no Texas.
DINHEIRO “PRIVADO” – Outro ponto que não se sustenta é o argumento de Flávio Bolsonaro de que todo o dinheiro é privado. Não se pode esquecer que muitos dos recursos do Banco Master foram obtidos com a venda de carteira fraudulenta ao BRB, banco público, e com a captação de fundos de pensão de servidores de vários estados brasileiros. Ou seja, Daniel Vorcaro captava muito dinheiro no setor público, dando calote e cometendo fraudes.
A alegação do pré-candidato à Presidência de que suas conversas com Vorcaro ocorreram antes de pesarem sobre o banqueiro todas as acusações que o relacionam a fraudes e a uma organização criminosa também não se sustenta. Basta observar a cronologia das conversas e dos fatos envolvendo o dono do Master para confirmar que os contatos se deram quando já se sabia que ele estava sendo investigado: a Polícia Federal já havia aberto inquérito, e Flávio Bolsonaro continuava cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro. Um dos contatos, inclusive, ocorreu um dia antes da primeira prisão do ex-banqueiro pela PF.
É importante destacar também que não se trata de um simples filme em homenagem ao pai, como diz Flávio Bolsonaro, mas de uma peça de campanha eleitoral, com lançamento programado para cerca de 40 dias antes do primeiro turno.
CONFIDENCIALIDADE – Outro ponto relevante é a alegação de Flávio Bolsonaro de que não teria falado antes sobre o investimento de Vorcaro no filme porque havia um contrato de confidencialidade. Na entrevista à GloboNews, a colunista Malu Gaspar o questionou sobre o contrato, afinal a essa altura o contrato acabou, não haveria mais necessidade de confidencialidade, e seria fundamental apresentar o documento que poderia explicar como se organiza essa relação e o financiamento do ex-banqueiro ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Chama ainda atenção, nos diálogos, a intimidade entre o senador e o ex-banqueiro, intimidada que Flávio tentou negar durante a entrevista à GloboNews. Todas as conversas representam uma demonstração inequívoca de proximidade entre os dois, apesar de ele ter dito que mal conhecia Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens, Flávio Bolsonaro escreve para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”
EXPLICAÇÕES – O senador Flávio Bolsonaro ainda tem muito a explicar. A Polícia Federal precisa continuar investigando, porque está tudo muito nebuloso. É importante não perder de vista o modus operandi de Daniel Vorcaro é justamente criar complexos mecanismos financeiros para fraudar o sistema usando transferências entre fundos para dificultar a identificação do caminho do dinheiro.
A missão da PF tem sido tornar esse percurso cada vez mais compreensível para quem acompanha o caso. E os desdobramentos não param: a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, prendeu o pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, ao mostrar a relação do grupo com o submundo do crime, como o jogo do bicho e a cooptação de policiais federais da ativa e aposentados, evidenciando quão extensos são os braços dessa organização criminosa ligada a Daniel Vorcaro.
Publicado em 17 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Regimento do Supremo não foi feito para humilhar ninguém
Carlos Newton
O comentarista José Vidal, sempre atento ao lance e preocupado com as críticas a erros jurídicos e processuais cometidos por ministros do Supremo, envia-nos uma curiosa matéria do site Migalhas, especializado em questões judiciais, que tenta desmentir informações publicadas pela Tribuna da Internet com absoluta exclusividade.
O texto, assinado pela Redação do “Migalhas” tem o título “Bolsonaro mira revisão criminal na 2ª turma do STF; veja se é possível” e teria sido publicado anteriormente em 28/10/2025 e depois revisto, mas na verdade são dois artigos completamente diferentes.
EM DUAS VERSÕES – O texto anterior – “Se condenado na 1ª turma, Bolsonaro pode recorrer ao plenário? Entenda” – era sobre a possibilidade de a defesa recorrer após os “embargos infringentes”, o que seria a penúltima alternativa dos advogados.
Em caso de insucesso, ainda poderiam tentar um agravo regimental, como fizeram, mas foi recusado ilegalmente pelo relator Alexandre de Moraes, que não aguardou o sorteio de um novo relator na outra Turma, segundo prevê o art. 76, conforme a Tribuna da Internet esclareceu à época, com absoluta exclusividade.
Portanto, o conteúdo do primeiro artigo do Migalhas estava totalmente superado, e o novo redator não conseguiu aproveitar nem 10% da versão anterior.
DENTRO DO LOBBY – Já o texto atual – bastante extenso – demonstra ter sido cuidadosamente preparado para atender aos interesses do grupo de ministros hoje liderados por Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – não necessariamente nesta ordem, porque quem manda mesmo no Supremo Tribunal Federal, como todos sabem, é apenas Gilmar.
A matéria do Migalhas começa dizendo que “a defesa de Bolsonaro estaria apoiada nos arts. 76 e 77 do regimento interno do STF”, como se isso fosse um erro, quando na verdade trata-se de exigência processual.
O objetivo óbvio é fortalecer a imaginária versão de que o processo de Bolsonaro terá de ser revisto pelo Plenário, algo que não existe no Regimento do STF, embora seja essa a opinião de dois supostos juristas ouvidos pela Redação do Migalhas – Bruno Salles e Aury Lopes Jr., que se perderam completamente em suas considerações, nada entendem de Supremo, deu até pena.
REVISÃO CRIMINAL – O que está no Regimento, em caso de condenação por uma Turma, é a revisão criminal ser feita pela outra Turma, com sorteio de novo relator. Cabe ao Plenário rever “exclusivamente” suas próprias condenações, com sorteio de novo relator e também de novo revisor.
A matéria do Migalhas é fruto desse lobby que está sendo divulgado para abrir a possibilidade de levar ao Plenário a ação de revisão criminal apresentada pelos novos defensores de Bolsonaro, que demonstram conhecer em profundidade o Regimento do Supremo.
A revisão pela Segunda Turma é definitiva, não haverá recurso ao Plenário. Isso significa o processo contra Bolsonaro dependerá dos votos do relator Nunes Marques e dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça. Ou seja, tudo indica que Bolsonaro será absolvido pelos votos de Marques, Fux e Mendonça.
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P.S. – Detalhe importante: em 25 de março de 2025, o próprio site Migalhas reproduziu declaração oficial do Supremo, informando que, ao debater o caso Bolsonaro, os ministros modificaram as normas para regulamentar as ações penais julgadas exclusivamente pelas duas Turmas. Decidiram que todos os casos penais seriam julgados e revistos pelas Turmas, reafirmando que seriam julgados pelo Plenário apenas crimes comuns cometidos no exercício do cargo por autoridades máximas, como presidente e vice, ministros de Estado, ministros do próprio STF e de tribunais superiores, incluindo TCU, comandantes das Forças Armadas, deputados e senadores, procurador-geral da República e chefes de missão diplomática permanente (embaixadores).
P.S. – Como Bolsonaro não estava no exercício do poder, foi condenado numa Turma e será descondenado na outra, conforme a Tribuna vem afirmando desde o ano passado, com absoluta exclusividade. Mas parece que o Migalhas não acredita naquilo que publica.(C.N.)
Publicado em 16 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
Cabeleireira está em prisão domiciliar desde 2025
Ana Pompeu Folha
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), intimou a cabeleireira Débora Rodrigues a se explicar sobre períodos em que ela esteve sem sinal de GPS. Conhecida como “Débora do Batom”, ela está em prisão domiciliar e com tornozeleira eletrônica pela condenação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O relator pediu informações à defesa da cabeleireira sobre o descumprimento das condições de monitoramento no fim de abril. Em 1° de maio, os advogados dela responderam não ter havido tentativa de fuga.
GOLPE DE ESTADO – Ela foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio tombado, dano qualificado com violência e associação criminosa armada. As ausências de sinal foram registradas entre 20 e 26 de abril e depois entre 27 de abril e 3 de maio.
Débora está cumprindo pena em prisão domiciliar desde o ano passado. “Os registros de ausência de sinal de GPS, mencionados nos autos, não indicam qualquer tentativa de evasão ou descumprimento deliberado das condições impostas. Tais ocorrências decorrem, com elevada probabilidade, de falhas técnicas inerentes ao sistema de monitoramento eletrônico, não sendo aptas a caracterizar falta disciplinar”, disse a defesa.
“A apenada permaneceu em sua residência, inexistindo qualquer elemento concreto que demonstre violação das condições estabelecidas. Depois das primeiras explicações, foram encaminhadas às autoridades novas comunicações de ausências de sinal, entre 27 de abril e 3 de maio.
MANIFESTAÇÃO DA PGR – Na última terça (12), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou, a pedido de Moraes. “A natureza e as características dos registros, de poucos minutos, por vários dias seguidos, mostram-se compatíveis com as justificativas apresentadas. No entanto, não havendo informação oficial da Cecop [Centro de Controle e Operações Penitenciárias] sobre a verossimilhança do alegado, é recomendável que se proceda à certificação da situação”, disse.
Débora também vem pedindo a revisão de sua pena diante da Lei da Dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional —que pode reduzir as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados por tentativa de golpe de Estado e pelos ataques do 8 de Janeiro.
No último domingo (10) Moraes aplicou para ela o entendimento que suspendeu a aplicação da lei até o julgamento do plenário da corte sobre a constitucionalidade da medida, que já virou alvo de questionamentos judiciais.
SORTEIO – As ações que questionam a lei foram sorteadas na noite do último dia 8 ao próprio Moraes. Portanto, além de relatar os casos relacionados à trama golpista e aos ataques às sedes dos três Poderes, vai conduzir as ações sobre os tamanhos das penas aos crimes relacionados aos casos. A defesa de Débora e de outros condenados disse que a decisão de Moraes causa “enorme preocupação jurídica e institucional”.
“O Congresso Nacional aprovou uma lei. A lei foi promulgada. A lei foi publicada. A lei está em vigor. E mesmo assim, ela deixa de ser aplicada por uma decisão individual baseada em uma suspensão burocrática até julgamento futuro de ações no Supremo”, diz nota do advogado Hélio Garcia Ortiz Junior.
EFEITOS IMPEDIDOS – “Ao invés de permitir a incidência imediata de uma lei penal mais benéfica —algo historicamente garantido pelo ordenamento jurídico brasileiro— optou-se por impedir seus efeitos antes mesmo de uma decisão definitiva do plenário”, completa.
A cabeleireira participou dos ataques de 8/1 e ficou conhecida pela pichação de batom em uma estátua diante do STF, com a frase “perdeu, mané”. Ela foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio tombado, dano qualificado com violência e associação criminosa armada.