Flávio Bolsonaro admite encontro com Daniel Vorcaro após prisão do ex-banqueiro

Flávio disse encontro foi para colocar ‘ponto final nessa história’

Carolina Linhares
Isadora Albernaz
Folha

O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou Daniel Vorcaro, do Banco Master, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por Flávio nesta terça-feira (19).

O encontro em novembro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo, depois que o ex-banqueiro foi liberado da prisão por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que determinou restrições como o uso de tornozeleira eletrônica.

“PONTO FINAL” – Em entrevista nesta terça (19), Flávio afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final nessa história” e relatou ter dito ao ex-banqueiro que, se tivesse sido avisado que a “situação era grave”, ele teria procurado outro investidor para o filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“No final de 2025, houve aquele áudio, que todos ouviram, em que eu peço uma luz, uma palavra final sobre o que ia acontecer. Estava em um grande risco de o filme ser encerrado. Seria uma catástrofe. E no dia seguinte ele foi preso. Foi nesse momento que nós vimos ali que deu uma virada de chave, entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, disse na sede do PL, em Brasília.

Apesar de ter confirmado o encontro com Vorcaro, Flávio não respondeu quando foi questionado pela Folha sobre por que não contou sobre a reunião com o dono do Master antes. O senador deixou a sede do PL sem responder às perguntas dos jornalistas.

FINANCIAMENTO – Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha à Presidência e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na esteira do caso “Dark Horse”, ele se reuniu nesta manhã com as bancadas do PL na Câmara e no Senado para dar explicações sobre o escândalo e tratar do posicionamento do grupo sobre o fim da escala 6×1.

Ao justificar sua relação com o então banqueiro, o pré-candidato do PL repetiu que Vorcaro “circulava em todas as rodas em Brasília” e que, na época das negociações para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente, o dono do Master era uma “pessoa acima de qualquer suspeita”. “Ainda no final de 2024, em um jantar com um amigo comentando sobre a dificuldade de arrumar investidores aqui no Brasil, ele disse que conhecia uma pessoa que já tinha investido em outros filmes e me apresentou a esse investidor, que é o Vorcaro”, relatou Flávio.

FUNDO NOS EUA – A Polícia Federal também suspeita que o montante repassado por Vorcaro pode ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Isso porque recursos da Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, chegaram a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Flávio afirmou que pediu ao fundo americano e à produtora brasileira que apresentem, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. Além disso, ele disse que o valor investido por Vorcaro será deixado “à disposição” das autoridades brasileiras.

“Assim que o filme começar a dar o resultado, o valor aplicado no filme em função do investimento por intermédio dessa empresa indicada pelo Daniel Vorcaro vai ser separado para que fique à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entender que está dentro da lei”, disse.

APOIO – Flávio revelou o encontro pessoal com Vorcaro aos deputados e senadores do PL durante a reunião. Segundo os parlamentares presentes, mais da metade do tempo da reunião foi dedicada ao assunto Vorcaro. Sob reserva, eles afirmaram que saíram satisfeitos com as explicações dadas por Flávio e que o senador agradeceu a unidade e o apoio da bancada em relação a essa crise da sua pré-campanha.

Ao menos dois deles afirmaram à Folha que o encontro pessoal de Flávio e Vorcaro após a prisão do ex-banqueiro não agrava a situação porque ainda está dentro do contexto das tratativas sobre o filme. Segundo eles, esse era um assunto que Flávio deveria tratar pessoalmente e que, naquela altura, enviar mensagens ao celular de Vorcaro seria ainda pior.

“PÁGINA VIRADA” – O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que “essa página foi virada”. “Se acontecer algo fora do filme, aí sim será surpresa”, respondeu a respeito da revelação do encontro. Parte dos parlamentares bolsonaristas afirmou ainda que a relação entre Flávio e Vorcaro é uma narrativa, que acabou inflada, e que deve ser derrotada. Eles reforçaram o contra-ataque que tem sido usado como resposta à crise —o apoio à instalação da CPI do Master e a ressalva de que Lula também se reuniu com o ex-banqueiro.

Na reunião, Flávio ainda exibiu um trailer de “Dark Horse”, que ele publicou em suas redes em seguida. Esteve no encontro a maior parte dos senadores e deputados do PL, inclusive os líderes. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos poucos ausentes. Sua assessoria informou que ele cumpria agenda no Acre.

Na última sexta (15), o senador disse que novas informações sobre “algum encontro” entre ele e Vorcaro poderiam ser divulgadas. “Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou em entrevista à CNN Brasil.

“POUCAS VEZES” – Na ocasião, ele disse que se encontrou pessoalmente “poucas vezes” com Vorcaro, todas para tratar da produção, e que o dono do Master ainda não era investigado. O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Segundo investigadores, ele tentava fugir do Brasil para evitar ser preso pelas fraudes no caso. A defesa do ex-banqueiro nega.

No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central. Dez dias depois da primeira prisão, Vorcaro foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi detido novamente. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

Escândalo do Master arrasta BRB para operação bilionária e risco institucional

Guilherme de Almeida e sua poética paixão pelos filmes em preto & branco

Boa Noite !!! 🌙🌟 “Lá se vai a vida, Lá se vai a flor. Passa o sonho da vida, E fica a dor.” Guilherme de Almeida (1890-1969) #BoaNoite #versos #poesia #poetas #guilhermedealmeida

Paulo Peres
Poemas & Canções

O desenhista, cinéfilo, jornalista, advogado, tradutor, cronista e poeta paulista Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), o Príncipe dos Poetas Brasileiros, revela que somente enxerga os olhos de sua amada na sala escura do “Cinema”.

CINEMA
Guilherme de Almeida

Na grande sala escura,
só teus olhos existem para os meus:
olhos cor de romance e de aventura,
longos como um adeus.

Só teus olhos: nenhuma
atitude, nenhum traço, nenhum
gesto persiste sob o vácuo de uma
grande sombra comum.

E os teus olhos de opala,
exagerados na penumbra, são
para os meus olhos soltos pela sala,
uma dupla obsessão.

Um cordão de silhuetas
escapa desses olhos que, afinal,
são dois carvões pondo figuras pretas
sobre um muro de cal.

E uma gente esquisita,
em torno deles, como de dois sóis,
é um sistema de estrelas que gravita:
são bandidos e heróis;

são lágrimas e risos;
são mulheres com lábios de bombons;
bobos gordos, alegres como guizos;
homens maus e homens bons…

É a vida, a grande vida
que um deus artificial gera e conduz
num mundo branco e preto, e que trepida
nos seus dedos de luz.

PF aponta que grupo ligado a Daniel Vorcaro tentou hackear celular de Lauro Jardim

Produtora de “Dark Horse” recebeu R$ 700 mil em emendas estaduais em São Paulo

O efeito Vorcaro é cada vez mais intenso e ameaça o bolsonarismo

Lula precisa entender que Messias não pode ser indicado novamente este ano

Lula não pode reenviar nome de Messias ao Senado 

Pedro do Coutto

A notícia de O Globo de que o presidente Lula da Silva pretende indicar novamente Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal após sua rejeição pelo Senado, reabre um debate delicado sobre os limites entre autoridade presidencial, independência institucional e equilíbrio entre os Poderes.

Segundo a reportagem, Lula considera que a derrota de Messias representou uma afronta política ao governo. A avaliação no entorno presidencial é de que o Senado extrapolou o campo técnico e promoveu uma derrota simbólica ao Palácio do Planalto.

ILUSÃO À TOA – A reação do presidente seria justamente dobrar a aposta: recolocar o mesmo nome na disputa e entrar pessoalmente na articulação para garantir votos suficientes à aprovação.

Mas isso é impossível, porque as norma do Senado proíbem a reapresentação do nome na mesma legislatura. Ou seja, Messias somente pode ser indicado novamente no ano que vem, quando ainda nem se sabe se o presidente ainda será Lula.

Politicamente, a movimentação tinha lógica. Presidentes raramente aceitam derrotas institucionais dessa magnitude sem tentar recuperar autoridade. Ainda mais em um contexto em que o governo já enfrenta desgaste no Congresso, dificuldades de articulação e sinais de erosão política.

UMA  FRAQUEZA – A rejeição de um indicado ao STF — algo que não acontecia havia mais de um século — foi interpretada dentro do Planalto como demonstração de fraqueza do Executivo diante de um Senado cada vez mais autônomo e assertivo. Mas há um ponto sensível nessa reação presidencial que merece atenção.

A Constituição brasileira não estabelece que o Senado exista apenas para homologar automaticamente a vontade do presidente da República. O mecanismo de sabatina e aprovação foi criado justamente como sistema de freios e contrapesos. A indicação é prerrogativa do chefe do Executivo; a aprovação, porém, depende de concordância política e institucional da Casa revisora.

Transformar a rejeição em algo “ilegítimo” por definição produz um raciocínio perigoso: o de que o Senado só estaria correto quando confirma o desejo presidencial. Isso esvazia o próprio sentido constitucional da sabatina.

CRITÉRIOS OBJETIVOS – O argumento mais consistente que o governo poderia sustentar seria outro. Não o de que o Senado era obrigado a aprovar Jorge Messias, mas o de que faltaram critérios objetivos e transparentes para justificar a rejeição. Essa, sim, é uma discussão relevante.

A política brasileira frequentemente opera por vetos silenciosos, ressentimentos internos, disputas de poder e acordos de bastidor pouco claros. Em um tema da dimensão de uma vaga no STF, seria desejável que os senadores explicitassem publicamente as razões substantivas de eventual reprovação: notório saber jurídico insuficiente? Excessiva proximidade política com o governo? Falta de independência? Questões técnicas? Divergências institucionais?

A ausência dessa objetividade fragiliza o processo e alimenta a percepção de arbitrariedade. Ainda assim, há distância enorme entre exigir critérios mais transparentes e defender uma espécie de obrigação tácita de aprovação presidencial. O Senado não é o cartório do Executivo. E justamente porque não é, pode aprovar ou rejeitar nomes.

CONFLITOS – O episódio também revela algo maior sobre o momento político brasileiro. O sistema institucional atravessa uma fase de hipertrofia de conflitos. O Congresso ganhou musculatura nos últimos anos, o STF ampliou influência política e os presidentes passaram a encontrar muito mais resistência para impor agendas unilateralmente. O resultado é um ambiente de tensão permanente entre Poderes.

Nesse contexto, a possível resistência em Jorge Messias pode produzir dois efeitos opostos. Se Lula conseguir aprová-lo numa segunda tentativa, transformará uma derrota histórica em demonstração de força política e capacidade de articulação. Mas, se fracassar novamente, o desgaste institucional será muito mais profundo — não apenas para o presidente, mas para a própria relação entre Executivo e Senado.

Há ainda uma dimensão simbólica importante. Desde a redemocratização, criou-se no Brasil uma cultura política em que indicações presidenciais ao STF quase sempre eram aprovadas, ainda que sob críticas. Isso gerou a percepção informal de que o Senado dificilmente exerceria de fato seu poder de veto. A rejeição de Messias rompeu esse paradigma.

EXTREMOS – O desafio agora é impedir que o país caminhe para dois extremos igualmente ruins: de um lado, um Senado que transforme indicações ao Supremo em instrumento de chantagem política; de outro, um Executivo que trate qualquer rejeição como insubordinação institucional.

Democracias maduras dependem justamente da existência de limites recíprocos. O presidente indica. O Senado avalia. E ambos precisam conviver com a possibilidade legítima da discordância.

Áudios de Flávio podem afastar direita moderada e mudar eleição, avalia cientista político

Pai de Vorcaro mandou matar “Sicário”? O chefe da quadrilha é o pai ou o filho?

Família Vorcaro usava bicheiros, milicianos e policiais para intimidar  adversários | Brasil Paralelo

Surgem mais dúvidas sobre a quadrilha da família Vorcaro

Roberto Nascimento

Henrique Vorcaro, pai do banqueiro fraudados que criou o grupo Master, preso na semana passada pela Polícia Federal, por ordem do ministro-relator André Mendonça, era o homem que comandava a “Turma” (milícia de aluguel), na qual atuava o capanga Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, título de uma série na TV sobre um criminoso sanguinário.

O patriarca Henrique Vorcaro era assessorado por três policiais da PF – dois agentes e uma delegada federal. Além disso, o empresário também comandava os pagamentos pelos serviços prestados à gangue pelos “Meninos”, grupo de hackers que acessavam investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República.  

GRANDES DÚVIDAS – A prisão de Henrique Vorcaro e a divulgação de suas atividades criminosas levantam importantes dúvidas sobre o rumoroso caso. Logo de cara, reforçam a possibilidade de Sicário ter sido morto mando de Henrique Vorcaro na Superintendência da PF em Belo Horizonte, porque jamais foram divulgadas as imagens do suposto suicídio dele, e o superintendente da PF em Minas, delegado Richard Murad, garantiu publicamente que a gravação do vídeo não tinha “pontos cegos”.

Outra dúvida que surge é sobre a organização criminosa. O chefe era o filho, Daniel Vorcaro, ou o próprio país? De uma forma ou de outra, ambos são cúmplices.

Esses mafiosos da pior espécie não podem ficar impunes, porque em liberdade se tornarão um perigo ainda maior para a sociedade, porque costumam eliminar aqueles que entram no seu caminho.

CORREM RISCO – Tanto o pai quanto o filho precisam ser vigiados e protegidos em prisões de segurança máxima, porque correm risco de serem eliminados pelos poderosos corruptos que receberam milhões da sua rede de empresas e fundos especializados em lavagem de dinheiro.

Qualquer informação que se refira ao caso Master é sempre muito estranha e complicada, envolvendo grandes autoridades da República, como os ministro Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Não é de se estranhar, portanto, que estejam demorando tanto a se concretizar as delações premiadas de Daniel Vorcaro, de seu cunhado e operador Fernando Zettel e do ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa. Eles sabem que não podem falar demais, porque correm risco de vida, junto com suas famílias e seus amigos.

Bolsonaro imita Lula e também quer ser “descondenado” e libertado pelo STF

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Recordar é viver. Em dezembro, quando o julgamento de Bolsonaro chegava ao fim, seus advogados apresentaram o derradeiro recurso – agravo regimental, após recusa de embargos infringentes. Ao fazê-lo, os renomados criminalistas Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, além de outros seis advogados coadjuvantes, demonstraram surpreendente despreparo.

Erraram duplamente. De início, ao encaminhar equivocadamente o agravo regimental ao relator Alexandre de Moraes. E, por fim, ao requerer que o recurso de Bolsonaro fosse julgado pelo Plenário, o que não era cabível. Ou seja, esqueceram de conferir o Regimento do Supremo, nenhum dos nove causídicos se preocupou em estudar o rito processual.

MORAES APROVEITOU – A defesa de Bolsonaro deveria ter dirigido o agravo ao presidente do STF, requerendo que fosse encaminhado ao ministro-relator da Segunda Turma, ainda a ser escolhido, nos termos dos artigos 76 e 77. Mas o recurso foi enviado equivocadamente ao relator da Primeira Turma, Alexandre de Moraes, que já deveria estar afastado do processo. Foi um erro fatal.

Na forma da lei, Moraes tinha de devolver o recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, para ser sorteado o novo relator na Segunda Turma. Mas não o fez. Fingiu-se de desentendido e despachou ilegalmente, arquivando o agravo regimental a pretexto de que o processo já estaria extinto desde a recusa dos embargos infringentes, o que é outra barbaridade processual, pois não se pode encerrar nenhuma ação enquanto houver cabimento de recurso. E assim Bolsonaro passou a cumprir 27 anos e três meses de prisão.

Na época, apenas o editor da Tribuna da Internet protestou contra a ilegalidade, denunciando que Moraes e o Supremo estavam descumprindo o próprio Regimento. Esperava-se intensa repercussão da notícia. Mas não aconteceu nada.

ENFIM, A VERDADE – Nenhum ministro do Supremo tocou no assunto, assim como nenhum jurista de renome – como Miguel Reale Jr., Ives Gandra Martins ou Modesto Carvalhosa – se manifestou a respeito. Todos se calaram, mas foi um silêncio respeitoso, porque ninguém teve coragem de contestar a afirmação do editor da Tribuna.

Quase seis meses depois, a verdade veio à tona e os novos advogados de Bolsonaro – Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury – seguem exatamente o caminho apontado em dezembro e janeiro pelo editor da Tribuna e apresentam a ação de revisão criminal. Desta vez, porém, enviaram acertadamente a petição ao presidente do Supremo, com pedido de sorteio do relator na Segunda Turma, que fará um novo julgamento de Jair Bolsonaro.

O grupo de ministros liderado por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes imediatamente armou um lobby, plantando notícias de que não adianta Bolsonaro ser inocentado na Segunda Turma, porque depois teria de ser julgado pelo Plenário, onde a condenação é certa.

LOBBY INÓCUO – A imprensa amestrada então saiu desmentindo a Tribuna, com matérias em O Globo, nos sites jurídicos Migalhas e Conjur, na CNN etc. e tal, mas as “informações” do lobby não têm a menor sustentação no Regimento. Já houve época em que o julgamento final de casos criminais cabia ao Plenário. Por isso, há réus do 8 de Janeiro que ainda estão sendo julgados em primeira instância pelo Plenário, enquanto outros são julgados na Primeira Turma, como ocorreu com Bolsonato.

Isso aconteceu porque, ao analisar o caso de Bolsonaro em 2025, o próprio Supremo confirmou as mudanças nas regras, ocorridas em 2020 e 2023, e desde então o Plenário somente pode julgar autoridades máximas (presidente, vice, ministros, parlamentares, magistrados de tribunais superiores etc.) em casos criminais e se ainda estiverem no exercício do cargo.

É justamente por isso que Jair Bolsonaro, condenado na Primeira Turma, só poderia mover ação de revisão criminal na outra Segunda Turma, sem direito a recorrer ao Plenário, ao contrário do que alega absurdamente o lobby dos ministros do STF, que chegou ao cúmulo de plantar notícia falsa no próprio site da Suprema Corte, conforme já denunciamos à Ouvidoria.

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P.S. 1 –
Na semana passada, mais 20 réus do 8 de Janeiro foram julgados no Plenário, porque os processos tinham começado antes da modificação do Regimento, em 2025. Perderam de 7 a 3. Votaram pela absolvição Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. Justamente os três ministros que formam maioria na Segunda Turma e vão fazer Bolsonaro ser “descondenado” igual a Lula, mas com uma diferença. O petista foi beneficiado por uma manobra jurídica claramente ilegal, enquanto a absolvição de Bolsonaro será rigorosamente dentro da lei.  

P.S. 2 – Vamos ver como reagirá o lobby dos ministros do STF ligados a Lula. Amanhã, iremos analisar a longa petição (90 páginas) apresentada pelos novos advogados de Bolsonaro. (C.N.)

Zema baixa o tom contra Flávio após se desgastar com os aliados do Novo

Neymar pode ser fundamental e decidir as partidas mais complicadas da seleção

A reação do público ao nome de Neymar na Seleção Brasileira | VEJA

Se não chamasse Neymar, na certa Ancelotti seria vaiado

Vicente Limongi Netto

Enquanto a lista de Ancelotti não era divulgada, na festa organizada pela CBF no poético Museu do Amanhã, fomos reféns de um festival de bobagens e script medonho. Recordações de outras copas feitas com amadorismo oceânico. Sem graça. Público sonolento.

Entrou no palco o presidente da CBF, o jovem e sorridente Samir Xaud. Emocionado e otimista com o futuro da seleção. Com a melhoria das arbitragens e certo de que a seleção feminina também vai brilhar na copa do mundo em 2027, que será no Brasil.

PALAVRÓRIO – E o público estava impaciente. Cansado de palavrório.  Mais interessado na lista dos guerreiros do mister Carlo Ancelotti, nos nomes dos astros que irão a copa.  

Mestre de cerimônia, o experiente repórter Tino Marcos. Com blazer e gravata fora do tom. Melhor seria se tivesse ido de jeans e camisa da seleção. Brilhando no placo a presença bonita, sorridente e elegante da atriz Érica Januza. Um colírio para os olhos dos marmanjos. 

É claro que Neymar figuraria na lista do exigente Ancelotti. Sempre defendi a convocação dele. Mesmo que comece na reserva, Neymar tem técnica apurada para decidir o jogo em circunstâncias difíceis.  Com uma jogada muda o resultado do jogo. 

ALEGRIA ALHEIA – Neymar fora da copa faria a alegria dos adversários. Agora é hora de torcer. Gostemos ou não da lista dos meninos de Ancelotti. É o que temos. A safra é ruim. Sempre fui contra a vinda de técnico estrangeiro.  Sem necessidade. Temos bons profissionais.

Ancelotti ainda não ganhou nada. Mas já renovaram o contrato dele. Inacreditável. O italiano “mister” virou super homem. Tem uma missão difícil. Tomara que faça jus ao milionário salário, já renovado até copa de 2030.

A CBF, como sempre, oferece todo o conforto e segurança aos atletas convocados. São tratados a pão de ló. Hotéis exclusivos e maravilhosos, com centros de treinamento. Médicos, massagistas, fisioterapeutas, alimentação de primeiro mundo. Com todo este rosário de delícias, os torcedores esperam que os jogadores honrem a amarelinha. Joguem bem. Com fibra e personalidade. Tragam o hexa. Deixarão o povo feliz e agradecido. 

BAIXARIA – Tudo que a jornalista Ana Dubeux escreve é relevante. De interesse público. Na edição 17/05 a diretora de redação do Correio Braziliense observou, lamentando, “Se a pré-campanha está assim…”. 

Dubeux tem razão. A baixaria política começou cedo. Perturba nossos ouvidos. Agressões sustentam o noticiário. Candidatos preferem vociferar do que raciocinar. Navegam na estupidez. A jornalista acentua que “espero ouvir propostas reais e não apenas um palavrório repetitivo que não chega a lugar nenhum”.

Jovens estarão votando pela primeira vez nas eleições de outubro. Dubeux aconselha, enfatizando: “Precisamos depurar nosso olhar político, estudar as opções, buscar a verdade sempre, questionar, entender, de uma vez por todas, que o voto é o elo fundamental entre nós e o país que queremos”. 

Michelle Bolsonaro segura definições da campanha ao Senado até agosto

Cuidados com Bolsonaro tem inviabilizado agenda pública

Gabriela Echenique
Folha

A ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro (PL-DF), tem confidenciado aos aliados que só vai definir as estratégias de campanha incluindo a definição do seu suplente ao Senado, em agosto. Isso porque ela tem concentrado os cuidados ao ex-presidente Jair Bolsonaro após ele passar por uma cirurgia no ombro.

Integrantes do PL afirmam que Michelle está sobrecarregada e que isso tem inviabilizado a agenda pública da pré-candidata ao Senado. O nome dela está posto, mas não tem feito campanha nas ruas. Mesmo assim, a avaliação interna no partido é que ela não precisa usar o período da pré-campanha porque já tem um nome viável.

ATIVO POLÍTICO – Além disso, postagens da ex-primeira-dama nas redes sobre os cuidados ao marido são usadas como ativo político e eleitoral, principalmente de olho na eleitora conservadora.

O PL, no entanto, aposta na entrada mais rápida de Michelle na campanha para impulsionar o segundo voto ao Senado na deputada Bia Kicis (PL-DF). O cenário, para ela, é mais difícil, mas a direita aposta na aliança com a ex-primeira dama para garantir as duas cadeiras do Distrito Federal na Casa.

Matérias plantadas sobre nova indicação de Messias são desmentidas no Estadão

Disputa entre aliados atrapalha definição de palanques para Lula

Lula pensou (?) que poderia indicar Messias ainda neste ano

José Carlos Werneck

“O Estado de São Paulo” publica, nesta segunda-feira, que um ato de 2010 veda a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado, desmentindo as matérias sobre a intenção do presidente Lula, que pretenderia reenviar o nome de Messias após derrota histórica no mês passado.

A matéria destaca que o referido ato, publicado em 2010 pela Secretaria de Gestão de Informação e Documentação, regulamentou a apreciação pelo plenário e a comunicação do resultado sobre a escolha de uma autoridade.

VEDAÇÃO – O quinto artigo diz que “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”. Sessão legislativa é o período anual em que o parlamento se reúne para trabalhar.

No dia 29 de abril, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo, rejeitando Messias por 42 votos a 34. Com o resultado, o presidente Lula rompeu uma aliança que tinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como artífice do episódio.

Lula e os líderes de sua bancada no Senado desconheciam esse impedimento e o presidente Lula disse a aliados que estaria disposto a mandar a indicação de Messias novamente, mas isso seria um erro grotesco.

Após escândalo do filme “Dark Horse”, PL reúne bancada para alinhar discurso

Convocação da seleção se transforma num espetáculo grotesco e patético

Convocação da Seleção Brasileira muda horários na programação da Globo

Everaldo Marques foi um dos apresentadores da patuscada

Carlos Newton

Desta vez, a Copa do Mundo é nossa. Nenhum país conseguirá produzir um espetáculo tão ridículo e deprimente quanto o show preparado pela TV Globo e pela Confederação Brasileira de Futebol para a anunciar os 26 jogadores convocados para a competição.

É triste constatar que a TV Globo, depois de se tornar uma das mais respeitadas emissoras do mundo, tenha sido capaz de apresentar um programa tão deplorável e ridículo. Foi uma produção milionária em custo para a CBF, ainda não se sabe quanto a Globo cobrou, mas o resultado foi pífio, estúpido e entediante.

DEU SAUDADE – Os brasileiros têm saudade dos tempos em que a Globo era dirigida por executivos brilhantes, como Walter Clark e Boni de Oliveira. Hoje, a emissora é gerida por um neto de Roberto Marinho, que está conseguindo destruir um trabalho admirável do ponto de vista técnico, embora deplorável do ponto de vista político.

E a importância da tão esperada lista de convocados se perdeu em meio a um espetáculo marcado pela mediocridade e falta de imaginação criativa. Foi lamentável.

A única coisa positiva foi a convocação de Neymar. Se entrar em campo para jogar os últimos 30 minutos de cada jogo, vai fazer a diferença. Já foi campeão olímpico, pode ser campeão mundial.

Escândalo do Banco Master provoca recuo de aliados e isola Flávio nos estados

Lula acelera medidas populares enquanto caso Master atinge núcleo da oposição

Flávio corre à Faria Lima para conter a crise e resgatar a própria candidatura

Datafolha: 70% veem mais confronto do que colaboração entre Lula e Congresso