Apartamentos de luxo e papéis sem lastro num escândalo expõem o poder financeiro

Legado de Oscar Schmidt mobiliza Lula, Congresso e lideranças nacionais

Farra da hora extra na Câmara: um grupo de 13 servidores recebeu R$ 9,3 milhões

O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, ganhou  R$ 22.931,04 em horas extras no mês de março deste ano. Para chegar a esse  valor, Brandão teria de trabalhar até oAndre Shalders
Metrópoles

Um grupo de 13 servidores concursados em altos postos da Câmara dos Deputados recebeu R$ 9,3 milhões apenas em horas extras da Casa desde 2016, em valores corrigidos pela inflação. Como mostrou a coluna, um pequeno grupo de servidores da Casa, em posições de direção, passou a ter ganhos extraordinários com as horas extras pagas pela Câmara, frequentemente acima de R$ 20 mil ou mesmo R$ 30 mil mensais.

Por ser considerada uma verba “extraordinária”, esse tipo de pagamento está fora do teto constitucional, que limita os ganhos de servidores públicos, e não desconta Imposto de Renda.

FALSA HORA EXTRA – Para alcançar esse valor, os servidores teriam que trabalhar até o limite de horas extras permitidas durante a semana e ainda dar expediente aos fins de semana e feriados.

O levantamento foi feito com base em raspagem de dados públicos da própria Câmara, que disponibiliza as informações sobre os contracheques dos servidores em seu site. O grupo de 13 servidores representa aqueles que receberam os maiores valores em horas extras desde 2016.

O maior valor foi recebido pelo advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes: R$ 1.062.774,22. Em 2025, foram R$ 174,6 mil em horas extras. O levantamento mostra que o recebimento de valores elevados em horas extras é mais antigo: em 2019, por exemplo, foram R$ 150,3 mil.

ÍNDICE DE CORREÇÃO – Os valores de anos anteriores foram corrigidos pela inflação usando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O segundo maior recebedor de recursos nesse período foi o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil recebidos desde 2016. Em 2025, o servidor recebeu R$ 160,7 mil em horas extras, atrás apenas de Daniel Borges de Moraes.

Guilherme Brandão é diretor-geral da Câmara desde agosto de 2025, indicado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele foi alçado ao cargo para substituir Celso de Barros Correia Neto, o diretor-geral anterior, ligado a Arthur Lira (PP-AL). Brandão é servidor concursado da Câmara há mais de 12 anos.

JORNADA EXTENUANTE – No organograma da Casa, o diretor-geral é o responsável pelo funcionamento administrativo da instituição. Na sequência, aparecem outros servidores em posições estratégicas da Casa.

Em nota à coluna, a Câmara dos Deputados disse que os servidores mencionados recebem horas extras em função de “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas” e que a frequência dos servidores tem “registro obrigatório em sistema eletrônico biométrico, tanto durante os dias úteis quanto aos fins de semana”.

“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico. A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, diz o texto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Matéria importante revoltante enviada por José Perez, sempre atento aos lances da política. Jornada extenuante? Ora, todo mundo sabe que a Câmara só funciona de terça a quinta-feira… Num país medianamente civilizado, essa gentalha já teria sido demitida e encarcerada. Mas aqui no Brasil são servidores altamente prestigiados e respeitados. (C.N.)

Para desvendar o caso Master, a PF tem de aprofundar a investigação sobre o BC

Tribuna da Internet | BC identifica fraudes do Master em fundo investigado junto com o PCC

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Carlos Newton

Chega de embromação! Vamos direto do produtor ao consumidor ou do criador à criatura. Para apurar realmente o escândalo do Banco Master, a Polícia Federal terá de investigar profundamente também o Banco Central, que em 2019, na gestão de Ilan Goldfajn se recusou a aceitar a compra do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro e oito meses depois aprovou o mesmo negócio.

A aceitação ocorreu no início da gestão de Roberto Campos Neto, em função da reconhecida “capacidade econômica” do comprador, que na verdade era apenas um audacioso fraudador. Detalhe importante: em ambos os casos, as decisões foram tomadas por unanimidade pela diretoria colegiada.

ASSESSORAMENTO – Excelente reportagem de Nathalia Garcia, na Folha, mostra que Vorcaro contou com assessoramento jurídico de Isaac Sidney, ex-diretor do BC, hoje presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), reapresentou documentos e passou a contar com apoio do Banco Central .

De 2017 a 2019, Vorcaro apresentou ao menos duas vezes a chamada “declaração de propósito” para a compra do Máxima, com mudanças na proposta de controle da instituição. Na época, ele era participante qualificado do banco, com ao menos 15% do capital total.

Outro detalhe importante: depois de pedir exoneração do BC e cumprir quarentena, Isaac Sidney passou a integrar o escritório de advocacia liderado por Valdrido Warde que tinha o Banco Máxima como cliente e c continuou trabalhando para o Master e para Vorcaro.

FALHAS NO PROCESSO – A repórter Nathalia Garcia relata que o BC identificou falhas no processo, em que Vorcaro apresentou, entre outros elementos, a distribuição de resultados da Viking Participações, firma que ficou conhecida por ser dona de três aeronaves que o banqueiro costumava usar, além de imóveis e fundos de investimento.

Mas havia dúvidas sobre a origem dos recursos, que parecia nebulosa. Os técnicos do BC suspeitaram de “circularização” de recursos, ou seja, que o próprio Banco Máxima estivesse financiando a operação.

Como Vorcaro não cumpria os requisitos econômicos, a autoridade monetária não chegou a analisar a condição de “reputação ilibada”. E a recusa foi fundamentada pelo relator Sidnei Corrêa Marques, na época diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC.

APOIO INTERNO – É óbvio que Vorcaro contou com forte apoio interno de técnicos e também de diretores do Banco Central na gestão de Campos Neto.

Seguindo as pistas, a Polícia Federal está investigando diversos dirigentes do BC. Um deles é Paulo Sérgio Neves de Souza, diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, suspeito de ter prestado consultoria informal a Vorcaro.

Como mostrou a Folha, a investigação interna da autoridade monetária apontou indícios de que esse diretor do BC simulou a venda de um sítio em Minas Gerais para ocultar o recebimento de propina do Master.

CELULAR DE VORCARO – Em mensagem no celular, Vorcaro diz a um destinatário identificado como Paulo que estava havia dois anos sendo “rechaçado” e “humilhado”. A comunicação é do início de fevereiro de 2019, dias antes de a operação ser rejeitada.

“Eu fiz todas as mudanças e concessões. Até hoje não consegui iniciar o trabalho efetivamente por conta do imbroglio do capital. Precisamos resolver isso, precisamos de sua ajuda para que o Sidnei aprove agora, antes da sua saída”, escreveu.

Está claro que o banqueiro se refere Paulo Sérgio e a Sidnei Corrêa Marques, diretor encarregado pelo voto levado à diretoria.

DIZ A DEFESA – A jornalista procurou a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza, que disse, em nota, que ele “não se recorda do que se trata [a mensagem] e em que contexto, mas lembra que, com relação à operação do Máxima, havia problema relacionado à comprovação de capacidade econômica.”

“É usual em toda transferência de controle que a área de supervisão, ocupada por Paulo Souza, subsidie a área de Organização. Mas a decisão de encaminhamento de voto para deliberação da diretoria colegiada é sempre da Diorf [Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução], que tem o poder sobre tais atos”, acrescentou, dizendo também que a equipe técnica de servidores do departamento permanece a mesma.

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P.S.
– Tom Jobim tinha razão: “É a lama, é a lama..”. Está inteiramente claro que, no caso Master, houve conivência do Banco Central antes, durante e depois da queda.  Se Vorcaro fizer delação sem envolver os dirigentes do BC, seus depoimentos não terão valor algum, serão iguais aos CDBs que ele inundou no mercado com juros totalmente irreais, impagáveis, e o BC não fez nada, absolutamente nada. O risco é haver uma delação meia-sola ou meia-bomba, que está parecendo com o inquérito do fim do mundo criado ilegalmente pelo ministro Moraes, pois o tempo passa e a delação não sai nunca. (C.N.)

Gleisi defende reforma do Judiciário e liga caso Master ao governo Bolsonaro

Vieira enfrenta Gilmar e usa decisões do próprio STF para pedir arquivamento de acusação

Senador pediu à PGR arquivamento de representação

Deu no G1

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) respondeu nesta quinta-feira (16) à representação criminal enviada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o parlamentar utiliza decisões do próprio ministro como principal argumento para pedir o arquivamento imediato do caso.

A crise começou após Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, propor o indiciamento de Gilmar Mendes por crime de responsabilidade em sua minuta de relatório final. O texto foi rejeitado pelo colegiado por 6 votos a 4, mas o ministro acionou a PGR alegando abuso de autoridade.

IMUNIDADE – No ofício protocolado, a defesa do senador sustenta que Gilmar Mendes, em casos anteriores no STF, consolidou o entendimento de que parlamentares possuem imunidade absoluta por suas opiniões e votos.

Vieira cita especificamente a Petição (Pet) 6.156, na qual o ministro absolveu um deputado acusado de crimes contra a honra, e o Mandado de Segurança (MS) 37.115, onde Gilmar afirmou que o Judiciário não deve interferir no conteúdo do trabalho de uma CPI. Em nota , o senador disse: “O Direito não pode ser instrumento de geometria variável, aplicável quando convém e afastado quando incomoda.”

MERA ELABORAÇÃO – A defesa argumenta ainda que não houve crime de abuso de autoridade, uma vez que a lei veda a punição por divergência de interpretação jurídica — o chamado “crime de hermenêutica”. Além disso, ressalta que o indiciamento proposto nunca existiu juridicamente, pois foi rejeitado pela comissão. “O tipo penal não se consuma pela mera elaboração de proposta submetida a órgão colegiado”, afirma o documento de Vieira.

O senador encerra o pedido à PGR apontando o que classifica como um conflito de interesses estrutural: o ministro Gilmar Mendes figura, simultaneamente, como acusador e suposta vítima. O ofício foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Vale lembrar que o próprio Gonet também constava na lista de sugestões de indiciamento do relatório rejeitado de Vieira.

Justiça interdita Fernando Henrique Cardoso após agravamento de Alzheimer

Flávio Bolsonaro abandona discurso pró-mulheres e articula derrubada de candidatas ao TCU

Flávio rifou a aliada em disputa ao TCU

Laura Scofield
Augusto Tenório
Carolina Linhares
Folha

No último dia 8, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lançou ao TCU (Tribunal de Contas) a deputada Soraya Santos (RJ) como candidata do PL sob o argumento de que a corte necessitava de mais mulheres. Nesta terça-feira (14), dia da votação na Câmara dos Deputados, ele foi o responsável por derrubar, em um acordo político, não só a candidatura de Soraya, mas também a de outra mulher, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que desistiu de concorrer para apoiar o PL, maior bancada da Casa.

Quando do anúncio de Soraya, na semana passada, o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República afirmou que “incomoda todo mundo que entre os membros atuais do TCU não há sequer uma mulher”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, fez publicações de apoio à Soraya. Quando a deputada retirou sua candidatura para atender a Flávio, Michelle postou “Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!”.

CRÍTICA – Na semana passada, Flávio também criticou Lula (PT) ao acenar para as mulheres —o petista tem melhor aceitação nesse público. “A estratégia do PT, além de mentir, é descumprir a promessa de colocar mulheres em lugares de poder, foi assim no STF sem nenhuma indicação de mulher, foram três mulheres no governo mandadas embora e com homens no lugar”, afirmou o senador em referência às trocas recentes nos ministérios.

Flávio costurou um acordo para que o PL, a maior bancada da Câmara, apoiasse o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), investigado sob suspeita de desvio de emendas parlamentares, na corrida para o TCU.

Apesar da articulação de Flávio, que conversou com todos os candidatos lançados pela oposição, o governista Odair Cunha (PT-MG) acabou vencendo a votação secreta, com 303 votos. Elmar ficou em segundo lugar com 96 votos —o PL tem 92 deputados em sua bancada e o União Brasil, 47.

APOIO – Como mostrou a Folha, Flávio busca atrair a federação formada pelo União Brasil e pelo PP para sua candidatura presidencial. Os dois partidos já sinalizaram apoio ao senador. Nesta terça, Soraya anunciou que desistiria “em nome de um projeto maior” e “porque eu quero ver Flávio eleito nesse país”. De acordo com ela, foi feito um acordo em seu campo político para que as próximas vagas do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do TCU sejam preenchidas por mulheres.

Depois da votação, Flávio publicou um vídeo de Soraya, disse ter orgulho dela e que sua desistência era “prova de maturidade, desprendimento e grandeza em prol de um projeto maior”. Prometeu ainda apoiá-la para a próxima vaga do TCU.

Antes de lançar Soraya, Flávio já havia rifado um outro aliado, o deputado Hélio Lopes (RJ), que pretendia concorrer ao TCU como indicado do PL. Conhecido como Hélio Negão, Lopes é um fiel aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi eleito em 2022 com o nome “Hélio Bolsonaro” na urna e neste ano concorrerá a deputado por Roraima, a pedido do ex-presidente.

Melhora clínica de Bolsonaro mantém pressão sobre Alexandre de Moraes

Bolsonaro teve boa evolução do quadro pulmonar e digestivo

Pepita Ortega
O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma “boa evolução do quadro pulmonar e digestivo”, informou o médico do ex-chefe do Executivo ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira. Segundo o cardiologista Brasil Ramos Caiado, Bolsonaro tem relatado melhora das queixas de cansaço, refluxo e dispneia (dificuldade de respirar), inclusive com maior disposição física para as atividades de rotina.

O médico relatou que foram ajustadas as doses do remédio para as crises de soluço, uma vez que os medicamentos tem implicado em perda de equilíbrio. Segundo Caiado, a resposta da mudança é “satisfatória, até o momento”.

DIETA – O relatório médico indica ainda que Bolsonaro tem mantido uma dieta “rigorosa, com baixo teor de acidez, hipossódica e hipogordurosa”. Também tem passado por reabilitação cardiorrespiratória seis vezes por semana e fisioterapia.

As informações constam de relatório que a defesa de Bolsonaro encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes em cumprimento às regras da prisão domiciliar do ex-chefe do Executivo. Ainda de acordo com o documento, o exame físico de Bolsonaro nesta semana mostrou “pressão arterial controlada, melhora discreta e progressiva na ausculta do pulmão esquerdo”.

CIRURGIA – Nesta semana, o ex-presidente também teve consulta com um médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. O relatório do atendimento indica que Bolsonaro teve melhora do quadro da dor e incapacidade funcional do ombro direito, mas ainda tem dor, durante a noite. Também indicou que o ex-chefe do Executivo passe por cirurgia para “fixação das lesões do manguito rotador do ombro direito e lesões associadas por via artroscópica”.

Moraes autorizou a domiciliar humanitária até que Bolsonaro se recupere totalmente do quadro de broncopneumonia. A medida tem validade de 90 dias, contados a partir do dia 24. Ao final de tal prazo, Moraes vai decidir se Bolsonaro seguirá em casa ou voltará a cumprir pena na Papudinha.

Bispo próximo de Bolsonaro defende Jorge Messias ao STF : ‘Cristão comprometido’

Rodovalho presta assistência espiritual ao ex-presidente

Yago Godoy
O Globo

Autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a prestar assistência espiritual ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, o bispo Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra, defende a aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Para assumir o cargo, o ministro precisa ter votos favoráveis da maioria da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o que ainda não ocorreu. Segundo Rodovalho, Messias é “extremamente capacitado” e um “cristão comprometido”.

Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro do ano passado e, de lá para cá, tem tentado ampliar sua aprovação entre senadores e líderes religiosos. Evangélico, ele tem o apoio do único ministro evangélico da Corte, André Mendonça, nomeado por Bolsonaro em 2021.

COERÊNCIA – “Conheço Jorge Messias pelo menos há 20 ou 30 anos, e sempre vi nele uma coerência entre a sua carreira, sua fé, valores, princípios e convicções. Ele é um profissional extremamente capacitado, de um profundo conteúdo. Acima de tudo, é um cristão comprometido”, afirma Rodovalho.

O bispo avalia que Messias pode apresentar divergências conceituais e ideológicas com o campo da direita, mas ressalta que isso não representaria riscos em relação à sua atuação na Corte. De acordo com Rodovalho, o ministro da AGU é aberto ao diálogo, possui “a capacidade de ouvir o contrário” e, caso ocorra o surgimento de discordâncias, é possível chamá-lo “para a sua fé na palavra de Deus”.

INFLUÊNCIA – “Eu não estou articulando em prol dele, estou dando minha opinião de vida. Temo que se ele não for a pessoa aceita, vai vir uma outra indicação (ruim), a não ser que a oposição tenha votos para bloquear com um e deixar para o próximo ano, se nós ganharmos”, explica o religioso.” O que eu puder fazer, conversar e influenciar, eu o farei. Mas não creio que seja necessário a essa altura”, afirmou.

Fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, da Rede Gênesis de Televisão, da Rede Sara Brasil FM e também do Conselho de Bispos e Pastores do Brasil (Concepab), Rodovalho tem formação em Física, com PHD em ensino de física quântica e espiritualidade pela Florida Christian University, segundo informa em seu site pessoal.

O bispo descreve a si mesmo, também em sua página oficial na internet, como uma pessoa que “tem uma influência significativa nos campos da política, música, literatura, liderança e espiritualidade”. Ele é amigo de Bolsonaro há 25 anos, e definiu o ex-presidente como “gente querida e amada”.

APROVAÇÃO NO SENADO – Para tomar posse no Supremo, os indicados pela Presidência precisam ser aprovados pelos senadores membros da Casa. Messias já conta com ao menos dez votos favoráveis na CCJ, concentrados na base governista e em parte do MDB e do PSD. Ainda assim, o placar não atinge os 14 necessários para aprovação na comissão, o que mantém o cenário aberto. Seis parlamentares já declararam voto contrário e outros 11 evitaram se manifestar.

O ministro da AGU teve sua indicação confirmada somente no início deste mês, após o Planalto enviar oficialmente a escolha ao Legislativo. Messias será sabatinado pela CCJ e, depois, o nome vai ao plenário, onde precisa de no mínimo 41 votos favoráveis (de um total de 81 senadores). Ambas as votações são secretas.

APOIO DE MENDONÇA –  Em novembro do ano passado, Messias, foi recebido por Mendonça na Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira (Conamad), em São Paulo, e foi abraçado pelo magistrado no palco.

Ao ser recebido pelo ministro do Supremo — que tem o evento como parte de sua agenda anual —, Messias também ganhou fortes aplausos da igreja. Em outubro, ele já havia participado, no Palácio do Planalto, do encontro entre Lula e lideranças da Assembleia de Deus Madureira, que também contou com a participação do bispo Samuel Ferreira, presidente da Conamad, e do deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP).

Na ocasião, foi o próprio Messias quem entrou em contato com Cezinha para comparecer ao evento, com o objetivo de agradecer pelas recentes demonstrações de apoio e também pedir orações para os próximos passos. “Não se trata de ideologia, se trata de uma coisa maior, comum a todos nós, o Reino de Deus. Eu vim aqui hoje com o coração cheio de gratidão. Eu vim agradecer a essa igreja (pelo apoio), na pessoa do seu bispo primaz, Manoel Ferreira, do seu bispo Samuel Ferreira “, discursou Messias à época.

QUALIFICAÇÃO –  O ministro André Mendonça foi o primeiro da Corte a se manifestar publicamente sobre a indicação. “Messias terá todo o meu apoio no diálogo republicano junto aos Senadores”, escreveu o magistrado nas redes sociais, afirmando se tratar de um “nome qualificado da AGU e que preenche os requisitos constitucionais”.

Conforme reportagem do O Globo publicada após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, Messias buscou angariar apoio de alas mais progressistas e também de conservadores no segmento evangélico para se tornar apto ao cargo. O advogado-geral tem boa interlocução com representantes mais ligados às “igrejas históricas”, como as do ramo batista e presbiteriano, e também mantém contato com entidades pentecostais, como a Assembleia de Deus Madureira.

Quem também já o elogiou publicamente foi o pastor Sérgio Carazza, responsável pela igreja que ele frequenta desde 2016 — a Igreja Batista Cristã, em Brasília. Aliado da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), Carazza chegou a dizer ao O Globo que Messias, criado em lar evangélico, é “raiz” e “defende os valores cristãos e os trabalhadores”.

Planalto mobiliza jantar com Lula e Alcolumbre para garantir vaga de Messias no STF

Duas decisões contra Zambelli ampliam pressão por extradição ao Brasil

Um retrato fiel da realidade brasileira, na poesia de Paulo Reis

Um retrato impactante do Brasil, na visão do poeta e ambientalista Paulo  Reis – Carlos Sousa

Paulo Reis, um poeta ambientalista 

Paulo Peres
Poemas & Canções

O professor, ambientalista e poeta Paulo Reis, nascido em Bom Jardim (RJ) e residente em Nova Friburgo, traça um retrato do “Brasil” sem sofismas e sem falácias.

BRASIL
Paulo Reis

Brasil
Rico com os pés descalços
Rosto marcado sem maquiagem
Sorriso desdentado
Agrícola de barriga vazia
Sujo com grandes mananciais
Berço da corrupção
Hábitat da impunidade
De famílias sem teto
Da habilidade
Que faz emergir da escuridão grandes estrelas
Da liberdade sem asas
Gigante dominado
De gente grande com pequenos ideais
De braços abertos
Mas não acolhe com dignidade os seus filhos
Miserável com conta na Suíça
Miscigenado com preconceito
Do povo que canta, mas não tem voz
Dos analfabetos de tantas culturas
Dos poderosos sem lei
Que comemora com festas o sofrimento
Que deixa morrer o seu futuro
Que é surpreendido enquanto dorme
Que sonha acordado
Um dia vê-lo orgulhar

Lula aposta na Europa para fortalecer alianças estratégicas e ampliar influência internacional

Zema rejeita ser vice e mantém candidatura, tensionando a direita contra Flávio Bolsonaro

Ex-chefe do BRB devia ao banco e recebeu R$ 74 milhões em imóveis, aponta PF

Inflação no prato, pressão nas urnas: o desafio de Lula diante do avanço de Flávio Bolsonaro

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Pedro do Coutto

A política brasileira raramente é decidida apenas nos gabinetes de Brasília. Mais cedo ou mais tarde, ela desce à mesa do cidadão comum — e, quando chega ali, costuma ser implacável. Hoje, esse campo de batalha tem nome claro: o preço dos alimentos. E é justamente nesse terreno que o presidente Lula da Silva enfrenta um dos seus maiores desafios rumo às eleições.

Reportagem de O Globo aponta um dado inquietante: a inflação de alimentos se tornou o principal adversário eleitoral do governo. Não se trata apenas de números frios. Trata-se de uma percepção cotidiana, repetida no supermercado, na feira e na cozinha. Diferentemente de outros gastos, a alimentação não permite adiamento. O cidadão pode postergar a troca de um celular, pode rever planos de viagem — mas não pode deixar de comer.

IMPACTO – É justamente essa característica que torna a inflação alimentar politicamente explosiva. Quando o preço do arroz, da carne ou do feijão sobe, o impacto é direto, imediato e, sobretudo, emocional. A economia deixa de ser uma abstração e se transforma em experiência concreta. E, nesse cenário, o governo perde o controle da narrativa com rapidez.

O problema se agrava porque o crescimento econômico não acompanha, na mesma proporção, a escalada dos preços. Salários comprimidos diante de custos crescentes geram a sensação de perda — e, em política, sensação muitas vezes pesa mais que indicadores técnicos. É nesse espaço que adversários ganham terreno.

DISPUTA – Entre eles, destaca-se o senador Flávio Bolsonaro, que começa a consolidar sua posição como principal contraponto eleitoral. Mesmo fora do poder e sem o aparato estatal, ele se beneficia de um ambiente clássico de desgaste governamental: inflação persistente, insatisfação difusa e percepção de perda de poder de compra. O empate técnico em pesquisas recentes não é apenas um dado estatístico — é um sinal político relevante.

Historicamente, governos enfrentam enorme dificuldade para reverter quadros inflacionários em ano pré-eleitoral. Medidas de curto prazo, como estímulos fiscais ou tentativas de controle de preços, esbarram em limites econômicos claros. Expandir gastos pode aliviar momentaneamente o consumo, mas também pressiona ainda mais a inflação. É um jogo delicado, em que cada movimento pode produzir efeitos colaterais indesejados.

FATO PSICOLÓGICO – Além disso, há um fator psicológico importante: preços que sobem raramente retornam ao patamar anterior com a mesma velocidade. No imaginário coletivo, a percepção de encarecimento tende a se fixar, mesmo que haja estabilização posterior. Ou seja, o dano político pode permanecer mesmo após eventuais correções econômicas.

Como se não bastasse o cenário econômico, o ambiente político adiciona novas camadas de complexidade. Tensões entre Congresso, governo e Judiciário — como as que emergem em torno de investigações e relatórios envolvendo figuras públicas — ampliam a sensação de instabilidade institucional. Ainda que esses temas não sejam determinantes para o eleitor médio, eles contribuem para um clima geral de desconfiança.

ALERTA – No Palácio do Planalto, o sinal já é de alerta. A mobilização interna para enfrentar o problema é intensa, com pressão por respostas rápidas e coordenadas entre ministérios. Mas há um limite objetivo: política econômica não opera no tempo da política eleitoral. Ajustes levam meses, às vezes anos, para produzir efeitos consistentes. Enquanto isso, o eleitor reage no tempo presente — e reage com o voto.

A eleição que se desenha, portanto, pode não ser decidida por grandes discursos ideológicos ou embates institucionais, mas por algo mais básico e, ao mesmo tempo, mais poderoso: o custo de vida. Em especial, o custo de se alimentar.

No fim das contas, a velha máxima da política permanece atual: governos sobem e caem não apenas pelo que dizem ou fazem, mas pelo que o cidadão sente no bolso — e, neste momento, também no prato.

Batalha pelo voto evangélico: cultos, influência e política se misturam na pré-campanha

Pedidos se acumulam, fila do INSS cresce e cobra preço político de Lula

Desmoralização de Moraes nos EUA facilitará o asilo político para Ramagem

Ordem de intimar Moraes amplia indisposição entre Brasil e EUA | WW

Justiça americana intimou Moraes, que está se esquivando…

Carlos Newton

No Brasil e no mundo, em muitos casos o noticiário da imprensa é tão sensacionalista que deveria passar por uma filtragem antes de ser levado ao conhecimento público. É exatamente o que ocorreu com a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem na Flórida, equivocadamente atribuída à Interpol, que estaria atendendo a um pedido da Polícia Federal brasileira.

Ficou confirmado que o ex-parlamentar foi detido ao cometer uma infração de trânsito, por estar com o visto de permanência vencido, e não houve a menor interferência da Interpol. Portanto, a primeira explicação a ser feita é de que “detido” não significa “preso”, porque não se tratava de ordem judicial, mas de prisão preventiva necessária a averiguações.

DIREITO DE DEFESA – Isso significa que Ramagem, ao exercer seu direito de defesa, teve respeitado o pedido de asilo político feito ao governo norte-americano e ainda não examinado.

Em tradução simultânea, o ex-deputado jamais será extraditado antes que a solicitação de asilo seja decidida. Somente em caso de indeferimento é que poderá ser expulso do país, mas essa hipótese é remotíssima e tudo indica que sua permanência na matriz USA será aceita e legalizada, em função da imagem altamente deteriorada do ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos.

Como se sabe, o ministro do STF está sendo processado na matriz por duas empresas controladas pelo presidente Donald Trump, sob acusação de emitir decisões judiciais extravagantes e nada razoáveis, ao determinar que a Justiça americana cumpra suas ordens de remoção de conteúdos em redes sociais dos EUA.

FUGINDO DA INTIMAÇÃO – Essas ordens esdrúxulas e equivocadas causaram diversos protestos na matriz USA, inclusive de Elon Musk, controlador da rede social X (ex-Twitter).

O presidente Donald Trump sentiu-se pessoalmente atingido e mandou que duas de suas empresas abrissem processo contra Moraes lá nos Estados Unidos. A ação foi recebida, está tramitando e foi pedida a citação de Moraes, mas ele está fugindo desse processo e se recusa a receber a intimação. Isso significa que será condenado à revelia, sem apresentar defesa.

Essas iniciativas ditas judiciais do ministro Moraes causaram espanto inclusive ao Congresso americano, que também está investigando as atitudes dele.

ACUSAÇÕES DIRETAS – Divulgado recentemente, o relatório inicial do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA veio logo acusando diretamente Alexandre de Moraes de violar liberdade de expressão em solo americano.

E mais: o relatório aponta que as estranhas decisões de Moraes promovem “uma campanha de censura e lawfare”, que “atinge o cerne da democracia brasileira” e pode até afetar as eleições de 2026.

Para o Comitê Judiciário, comandado atualmente pelo Partido Republicano, “a campanha de censura e lawfare do ministro Moraes atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão nos Estados Unidos”.

REGIME DE CENSURA – Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes às redes sociais dos EUA, determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas.

O relatório é acompanhado de 85 anexos. A maioria deles consiste em decisões de Moraes ordenando a suspensão de contas e a remoção de postagens. Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, o Monark.

“Baseado em novos documentos obtidos pelo Comitê, este relatório fornece evidências adicionais de como o regime de censura do Brasil mina a liberdade de expressão nos Estados Unidos, por meio da edição de ordens de remoção de conteúdo com efeitos globais, parcerias com censores em outros países e pela remoção de proteções legais das plataformas de redes sociais”, diz um trecho.

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P.S. – Moraes não tem a menor chance de escapar da condenação pela Justiça americana e já se desfez de todos os bens que possuía nos Estados Unidos. Não aceita ser intimado e tenta atrasar o processo, mas logo ele estará concluído. Quanto ao ex-deputado Alexandre Ramagem, está tranquilo, porque até agora Moraes não conseguiu extraditar nenhum bolsonarista exilado nos EUA ou na Europa. Assim, Ramagem está aguardando o pedido de asilo político, que logo lhe será deferido. E o resto é silêncio, como disse Hamlet, em sua frase final. (C.N.)