Charge do Cláudio Oliveira (Folha)
Raquel Landim
Estadão
Seja qual for o resultado das eleições de domingo, preparam-se para um estelionato eleitoral ou para uma crise econômica em 2027. Não é catastrofismo. O fato é que nem o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, nem o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, apresentaram até agora propostas concretas para lidar com a economia.
Flávio negou todos os ajustes necessários para reduzir a dívida pública: desindexação do salário mínimo, mudança nos pisos de saúde e educação, uma reforma da previdência, entre outras medidas. Chegou até a se comprometer com a escala 6 por 1, que, num primeiro momento, vai afetar a produtividade da economia.
PROMESSAS VÃS – No debate promovido pela Band e Estadão, o candidato do PL disse que só o fato de se tornar presidente vai liberar recursos porque os juros de longo prazo vão cair. Flávio disso que vai combater a corrupção para conseguir mais recursos – uma promessa insólita dado o seu histórico. Prometeu um ministério da Prosperidade sem dizer quanto ia custar. Pode até ser que sua eleição provoque um alívio nos mercados, mas será temporário. Logo a conta vai chegar.
Lula estabeleceu um ritmo desenfreado de gastos para tentar vencer, já que está atrás nas pesquisas eleitorais: aumento de 15% do Bolsa Família, renovações sucessivas da subvenção à importação de combustíveis, compra de dívidas por meio do novo Desenrola, dinheiro para os microempreendedores e até mesmo a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS, entre muitas outras.
Prometeu até uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para garantir Passe Livre aos fins de semana, que quer pagar com o dinheiro das emendas parlamentares. Faltou combinar com o Congresso, que dificilmente vai querer abrir mão desses recursos. Muitas das emendas são carimbadas.
MANO A MANO – A ausência de propostas de austeridade fiscal por ambos os candidatos explica-se pela disputa mais acirrada da história do país. A diferença é de um a dois pontos percentuais dependendo da pesquisa. Ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos.
O que nos leva a um impasse. As equipes econômicas de Flávio e Lula não são ingênuas e sabem o que precisa ser feito para conter a dívida pública e evitar seu efeito deletério nos juros, no câmbio e na inflação. O Brasil precisa de um novo ajuste fiscal logo no início do novo mandato.
Os técnicos já estão preparando pacotes para soltar assim que vencerem o pleito, o que configurará um estelionato eleitoral dado o que os candidatos prometeram ou esconderam do eleitor. Ou pretendem deixar tudo como está, com ajustes graduais e cosméticos, que não vão resolver o problema do país. Se prevalecer a segunda alternativa, quem vai pagar a conta de uma dívida pública explosiva é, principalmente, o povo mais pobre com mais inflação.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A ausência de propostas de austeridade fiscal explica-se pela disputa acirrada; ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos Apenas isso. Lula e Flávio têm algo em comum — a preocupação deles com o povo é zero. (C.N.)
Essa eleição é regrada sob o “Fator Elon Musk”!