Não esperem grandes resultados do próximo encontro de Trump e Lula

Análise: Rota de colisão entre Trump e Lula põe em xeque a democracia  brasileira

Reprodução do Arquivo Google

Carlos Newton

O próximo encontro entre os presidentes Donald Trump e Lula da Silva será uma nova versão do Maior Espetáculo da Terra, sem a direção de Cecil B. DeMille. Apenal um confronto de dois governantes egocêntricos e despreparados, ambos em final de carreira, já com certificado de validade vencido – ambos com 79 anos.

Apesar das evidentes deficiências causadas pela senilidade, ambos se consideram em condições de governar para sempre, porque sonhar ainda não é proibido nem paga imposto.

CONVERSA VIRTUAL – A reunião deve acontecer na semana que vem, segundo Trump, certamente por telefone ou videoconferência, e não deve resultar em nada.

É inimaginável esperar que Trump desista de perseguir Alexandre de Moraes, logo após atingir novamente o ministro do Supremo, ao colocar a mulher dele sob o rigor da Lei Magnitsky.

Da mesma forma, como conceber que Lula abandone a defesa da soberania e do nacionalismo justamente quando as pesquisas (ah, as pesquisas…) indicam que essa bandeira de luta faz com que ganhe facilmente a eleição de 2026, vitória que o transformaria no mais velho político já eleito presidente (em países democráticos, claro).

CEDER É PRECISO – Para haver um mínimo de avanço nesta reunião, pelo menos um dos presidentes teria de ceder em alguns dos quesitos, digamos assim. Aliás, o ideal seria que os dois recuassem um pouco, embora isso seja improvável, em função das deformadas superdimensões dos superegos deles.

De qualquer jeito, foi um avanço o fato de os dois terem se cumprimentado nos bastidores da ONU. Para quem esperava rugidos e rosnados, soou reconfortante.

Fica demonstrado que a filial Brazil já é uma das nações mais importantes do mundo e não pode ser tratada como um dessas sucursais de terceira classe que abundam na órbita da matriz USA. Por fim, sem a menor dúvida, Lula marcou um belo ponto nesse episódio do encontro que ainda não aconteceu.

Eles se odeiam, porém conversaram por 39 segundos e até se abraçaram

Mariosan

Charge do Mariosan (O Popular)

Fabiano Lana
Estadão

Das tantas teorias sobre a política, uma delas é que se trata de uma substituição da guerra por outro mecanismo de poder, menos letal. Até então, sem a existência da política, tribos rivais precisavam entrar em campo de batalha para decidir sobre os seus pontos divergentes. Os mais fortes levavam tudo.

Agora, na democracia, são necessárias intensas negociações e discussões barulhentas e penosas para se chegar a um acordo. Quando não é possível um entendimento, as questões controversas se disputam no voto.

ANTIPOLÍTICA – Quem defende a antipolítica, na prática, quer a volta do estado de violência. Prestem atenção nas franjas do bolsonarismo, que no final das contas, partiram mesmo foi para o quebra-quebra contra as instituições.

O suposto abraço entre o presidente americano Donald Trump e o presidente Lula, na Assembleia Geral da ONU, quando proferiram discursos contundentes em que quase não houve nenhum ponto em comum, mostra algo que é do triunfo da política: manter as boas relações pessoais mesmo que nenhuma ideia se encaixe. Pode ser hipocrisia? Não sabemos. Mas é melhor do que um país declarar guerra a outro quando se estranham. Aliás, quanto tempo duraria o mundo se não houvesse a hipocrisia? Mais de uma semana?

VISÕES DIVERGENTES – Em sua fala, Lula atacou as sanções que o Brasil tem sofrido dos EUA, criticou as políticas anti-imigração patrocinadas por Trump, defendeu ações ambientais, lamentou a decadência do multilateralismo, atacou a política de Israel pela morte de palestinos inocentes e por aí vai.

Trump, na sua vez, disse que as tarifas são para corrigir injustiças históricas contra os EUA, considerou os imigrantes ilegais como traficantes ou estupradores, disse que a agenda verde representa um colapso e o aquecimento global é uma farsa, e defendeu Israel, devido aos reféns que continuam em poder do grupo terrorista Hamas.

SEM CITAÇÕES -Nenhum dos chefes de Estado citou o nome do outro. O Brasil só foi mencionado por Trump perto do final de seu longo pronunciamento, em que disparou com agressividade contra os consensos da política liberal.

Mas eis que o norte-americano sai do protocolo dos discursos lidos (já havia reclamado da quebra do teleprompter, assim como do enguiço da escada rolante) e faz um elogio ao presidente brasileiro. Pelo que dá para induzir da fala de Trump, se encontraram ali pelo plenário da ONU e conversaram por “39 segundos” – e ainda não sabemos se o tempo cronometrado inclui ou não o abraço.

UM HOMEM BOM – Pelo curto tête-à-tête, Trump já concluiu que Lula parece um homem bom e acha que o brasileiro acha o mesmo dele. Irão se encontrar na próxima semana, anunciou. Assim, tirou um peso das costas do líder do PT, bastante criticado por inação em relação ao congênere americano.

Ainda é impossível prever se o encontro ocorrerá de verdade e mesmo se haverá algum resultado positivo. Mas fica o recado para quem defende a tese de que inimigos políticos também devem ser inimigos pessoais.

Nem Trump pensa assim. A civilização, inclusive, se construiu quando conseguimos superar os instintos mais agressivos em nome de uma boa negociação política.

Supremo fecha cerco e assume exclusividade sobre buscas no Congresso

Ilusão à toa! A Casa Branca não vai conseguir salvar Bolsonaro…

Charge: Bolsonaro sentado no colo de Trump

Charge reproduzida do Arquivo Google

William Waack
CNN Brasil

Dogma é dogma justamente porque não se pode duvidar dele. É exatamente isso que ocorre, neste momento, com as forças políticas alinhadas ao bolsonarismo. Elas se recusam a questionar o dogma segundo o qual a Casa Branca irá resolver, a seu favor, aquilo que o bolsonarismo deseja. No entanto, isso não está acontecendo.

Aparentemente, não há qualquer dado da realidade capaz de convencer as forças bolsonaristas de que as sanções, os ataques e as interferências promovidas pelos Estados Unidos na política brasileira estão, na verdade, piorando a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — e não o contrário.

NA SEQUÊNCIA – É unicamente disso que se trata para aqueles que, nos Estados Unidos, estão dispostos a aceitar prejuízos ao próprio país, desde que isso sirva para defender o chefe do clã Bolsonaro.

Esse cenário se repetiu nesta segunda-feira (22), mais uma vez. Assim que o governo americano aplicou a Lei Magnitsky também contra a esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, as negociações em curso para algum tipo de anistia — ou mesmo para uma dosimetria penal mais favorável, que pudesse beneficiar até o próprio Jair Bolsonaro — esfriaram consideravelmente. E o clima aumentou com a notícia do próximo encontro entre Trump e Lula

AO CONTRÁRIO – Do ponto de vista político, o que se observa é o fortalecimento de Lula, e não da direita radical, que o bolsonarismo acredita ser a única capaz de representá-lo. Os bolsonaristas imaginaram, no Congresso, uma troca entre a aprovação da PEC da Blindagem e a anistia, mas estão sofrendo desgaste por não conseguirem conquistar nem uma, nem outra.

Apesar de o bolsonarismo ainda contar com um contingente eleitoral numeroso — que os candidatos da direita julgam não poder ignorar — essa corrente carece de dois elementos fundamentais na política: força suficiente dentro do próprio Congresso e poder de convencimento.

Acreditam que a Casa Branca lhes dará aquilo que não conseguem obter por meios próprios. Isso não passa de um dogma.

As ruas dizem não à blindagem e à anistia

PT mira Tarcísio em inserções de TV e vincula governador à anistia

Trump: “Gostei de Lula, ele gostou de mim — só faço negócios com quem gosto”

Fala de Trump foi um banho de água fria nos bolsonaristas

Deu no O Globo

O presidente americano, Donald Trump, afirmou durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU ter se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco antes de ocupar o centro do plenário em Nova York.

Os dois teriam se abraçado e concordaram em se encontrar na semana que vem, segundo o americano. A fala de Trump aconteceu após o discurso do presidente brasileiro, que fez várias críticas indiretas aos EUA e ao republicano. O governo brasileiro confirmou ao O Globo que os presidentes se encontraram, mas não que uma reunião oficial havia sido marcada.

BOA CONVERSA – “Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nos abraçamos — afirmou Trump. — Combinamos que vamos nos encontrar na próxima semana. Não tivemos muito tempo para conversar, uns 20 segundos. Em retrospecto, que bom que eu esperei, porque isso não tem funcionado bem [diálogo com Lula], mas conversamos, tivemos uma boa conversa, e combinamos de nos encontrar na semana que vem. Mas ele parecia um homem muito legal. Na verdade, ele gostou de mim, eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem eu gosto. Quando eu não gosto, eu não gosto. Tivemos ao menos 39 segundos de uma química excelente. É um bom sinal “, afirmou o presidente americano.

O governo brasileiro confirmou ao O Globo que Lula e Trump tiveram um encontro breve, mas cordial, após o discurso do brasileiro na abertura da Assembleia Geral. Segundo uma fonte que presenciou a cena, Trump havia assistido à fala do presidente, e no encontro, ambos sinalizaram disposição para um diálogo mais amplo. Ainda não há, porém, uma combinação formal para a reunião citada pelo americano.

A menção à Lula aconteceu em um momento em que Trump se referia às tarifas de 50% impostas pelos EUA a importações brasileiras — uma medida que o Departamento de Estado vinculou a uma série de pautas, incluindo uma suposta perseguição política e judicial ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro e à imposição de regulamentações às plataformas americanas, que Washington reputa como censura.

TARIFAS – “O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades de nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão,(…) corrupção judicial e ataques a críticos políticos nos Estados Unidos”,  disse Trump antes de citar o presidente brasileiro.

No momento em que foi citado, Lula se mostrou surpreso. Quando Trump começou a falar sobre o Brasil e o suposto futuro encontro com o presidente, o assessor especial Celso Amorim e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, chamaram a atenção do petista na tribuna.

O Itamaraty não solicitou nenhuma reunião bilateral entre Lula e Trump durante à viagem aos EUA. A delegação brasileira, porém, já tinha apontado que em um possível encontro nos corredores da ONU, o presidente “falaria com Trump como fez com Milei na Argentina”.

MENSAGENS – O discurso de Lula, em contrapartida, foi marcado por uma série de mensagens aos EUA, sem que o governo americano ou Trump fossem mencionados diretamente. O presidente denunciou ataques à soberania por meio imposição de sanções arbitrárias e intervenções unilaterais, e falou diretamente sobre tentativas de ingerência.

“Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia”,  afirmou Lula momentos antes do discurso de Trump. — A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.

MUITAS CRÍTICAS – Antes de Trump citar Lula, circularam entre fontes oficiais brasileiras comentários de que o discurso de Trump parecia estar sendo dito “em um bar”, e que “deveriam levar um chope pra ele”. O discurso do presidente americano foi apontado como “patético” por interlocutores.

Agentes políticos que advogam junto ao Departamento de Estado americano pela imposição de sanções ao Brasil, incluindo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador e neto do ex-ditador João Batista Figueiredo, Paulo Figueiredo — recentemente denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) —, afirmaram que o aceno de Trump a Lula seria parte de uma estratégia para forçar o presidente brasileiro a ceder às pressões americanas em pautas internas — até o momento, Lula não participou de nenhuma reunião com Trump ou discutiu as exigências de Washington para retirar as sanções.

DISSE EDUARDO — Trump primeiro estressa a relação, se coloca numa posição de superioridade e depois senta à mesa de uma maneira muito mais confortável. Agora o Lula é quem vai ter a obrigação de sair dessa mesa com uma vitória ou explicando que não houve uma violação de direitos humanos no Brasil. O constrangimento está com o lado de Lula. Para quem leu os livros do Trump, ele está fazendo exatamente aquilo que sempre falou e sempre praticou na sua vida empresarial. Não recebi com surpresa não. Ele não busca o conflito, ele busca as melhores posições para atender aos interesses dos americanos porque é um patriota, então ele está certo — disse Eduardo à coluna de Bela Megale.

Apesar da avaliação, a menção ao Brasil não ocupou um espaço central no discurso do americano. Trump citou mais de 20 países antes de se referir a Lula ou ao país, citando aliados e rivais e situações geopolíticas em quase todos os continentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A recueta de Trump foi uma surpresa total. Mas não indica nada. Não se pode presumir que ele vá parar com as sanções e suspender as que já tomou. Trump é uma esfinge muito doida, que se alimenta com ácido lisérgico. Num dia está desequilibrado, e no outro, também. Comprem pipocas. (C.N.)

Um  amor impossível destruía o orgulho do poeta Augusto Meyer

Meyer, retratado por Portinari em 1937

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, folclorista, ensaísta e poeta gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), autor do poema “Gaita”, nele confessa que não tem mais palavras para expressar seu amor não correspondido, que está levando seu orgulho e sua vida.

GAITA
Augusto Meyer

Eu não tinha mais palavras,
Vida minha,
Palavras de bem-querer;
Eu tinha um campo de mágoas,
Vida minha,
Para colher.

Eu era uma sombra longa,
Vida minha,
Sem cantigas de embalar;
Tu passavas, tu sorrias,
Vida minha,
Sem me olhar.

Vida minha, tem pena,
Tem pena da minha vida!
Eu bem sei que vou passando
Como a tua sombra longa;
Eu bem sei que vou sonhar
Sem colher a tua vida,

Vida minha,
Sem ter mãos para acenar,
Eu bem sei que vais levando
Toda, toda a minha vida,
Vida minha, e o meu orgulho
Não tem voz para chamar.

Saída de Sabino abre guerra por ministérios e pressiona Fufuca no governo

Manifestações contra anistia superam 7 de Setembro nas redes

A voz das ruas contra a blindagem e a anistia não dá margem a dúvidas

Protestos reuniram milhares de pessoas em várias capitais

Pedro do Coutto

As manifestações realizadas no último domingo em São Paulo, no Rio de Janeiro e em diversas capitais do país não deixaram dúvidas: a sociedade brasileira está mobilizada contra duas iniciativas que, para muitos, representam um ataque direto ao Estado de Direito — a chamada PEC da Blindagem e o projeto de lei de anistia.

Milhares de pessoas ocuparam as ruas em atos pacíficos, mas intensos, denunciando o que consideram ser uma tentativa de privilegiar políticos e enfraquecer a igualdade perante a lei. A PEC da Blindagem, aprovada na Câmara, prevê que o Supremo Tribunal Federal só poderá abrir processos contra parlamentares com aval prévio do Congresso.

LIMITAÇÃO – Na prática, essa medida limitaria a atuação da Justiça e abriria espaço para a impunidade, um retrocesso institucional de peso. Já o projeto de anistia, que pretende beneficiar réus e investigados por ataques antidemocráticos, é visto como ainda mais grave, uma vez que os julgamentos sequer foram concluídos.

A resposta das ruas foi clara: não há clima político nem social para blindagens ou perdões coletivos. Segundo levantamento da Veja, atos contra as duas medidas ocorreram em mais de 30 cidades e 22 capitais, em uma das maiores mobilizações deste ano.

Para lideranças como Guilherme Boulos, o recado ao Senado é direto: a população não aceitará que parlamentares se coloquem acima da lei nem que anistias sejam usadas como ferramenta de esquecimento seletivo. O tom das manifestações reflete a percepção de que tais iniciativas não são apenas extravagantes, mas também ilegítimas, pois afrontam o princípio democrático de responsabilização.

RESPONSABILIZAÇÃO – Ao lado das faixas e cartazes, o sentimento era de que a democracia só se fortalece quando todos respondem por seus atos, independentemente de cargos ou alianças políticas. No centro da disputa está um dilema maior: de um lado, defensores da blindagem e da anistia alegam que o Judiciário extrapola funções e que seria preciso reequilibrar os poderes; de outro, críticos sustentam que esse argumento não pode servir de pretexto para enfraquecer investigações e permitir que agentes públicos escapem de punições.

O risco é institucional e simbólico: se o Congresso insistir em aprovar essas medidas, poderá abrir um precedente perigoso e corroer a confiança da sociedade nas instituições. Mais do que um recado, as ruas deram um aviso inequívoco: a democracia exige limites claros ao poder, e qualquer tentativa de subvertê-los será enfrentada com mobilização popular. O Brasil vive um momento em que ignorar esse clamor não é apenas um erro político — é um atentado contra a legitimidade do próprio sistema democrático.

Climão no Supremo: Fux isola-se após voto pela absolvição de Bolsonaro

Fux foi o único que votou pela absolvição do ex-presidente

Bela Megale
O Globo

Dias após o julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, o clima entre os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e Luiz Fux segue “azedo”, segundo relatos de magistrados da corte.

Fux foi o único dos cinco integrantes do colegiado que votou pela absolvição do ex-presidente e da maioria dos condenados da trama golpista. Os ministros afirmam que não houve embates ou troca de farpas nos bastidores, mas dizem que o climão ficou instaurado e que é “muito improvável” uma reaproximação de qualquer membro da Primeira Turma, inclusive Alexandre de Moraes, com Fux.

CLIMÃO – A avaliação é que a inclusão da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, na Lei Magnitsky, pode piorar ainda mais o clima. Os magistrados destacam que o problema não foi a divergência do voto de Fux, mas a maneira como ele mostrou sua posição.

A leitura majoritária entre os membros da Primeira Turma é que o colega não proferiu seu voto em um rompante e trabalhou detalhadamente numa fala que abastece o discurso de Jair Bolsonaro e seus aliados de ataques ao STF e seus membros.

— É muito difícil o clima voltar ao normal. O ministro Fux sabia bem o que estava fazendo e não fez uma manifestação em um arroubo. Tudo que leu foi escrito, estudado. Ele, inclusive, evitou ir na sala de lanches durante o julgamento para nos encontrar — disse um magistrado.

INDIGNAÇÃO –  Os ministros relataram que Fux evitou encontrar os colegas nos intervalos do julgamento de Bolsonaro porque sabia do “clima de indignação” de todos.

A leitura dos magistrados é que, com seu voto, o ministro não só foi contraditório em relação às posições que sustentou em julgamentos do 8 de janeiro como também abasteceu os ataques ao STF em um momento em que o tribunal está pressionado pelos bolsonaristas e pela gestão Donald Trump.

Outro magistrado descreveu que o ambiente com Fux seria “o pior possível” e disse que ele “não foi coerente” e ainda “incorporou uma narrativa que coloca seus colegas e a corte na linha direta de ataques”.

E aumenta a lista de autoridades brasileiras punidas pelos EUA…

Tribuna da Internet | Entre a retaliação e a estratégia: A resposta do  Brasil ao tarifaço de Trump

Charge do Jônatas (politicadinamica,com)

Karina Ferreira
Estadão

Desde o anúncio do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros em julho, na tentativa de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), outras sanções também foram impostas a autoridades brasileiras, totalizando pelo menos 18 afetados por medidas dos Estados Unidos.

Familiares de ministros da Corte também foram sancionados, mas seus nomes não foram divulgados. Já a lista de parentes que nominalmente sofreram sanções inclui duas mulheres, casadas com dois ministros, e uma criança de dez anos, filha de um deles.

NO MESMO DIA – A revogação de vistos tem sido a punição mais comum. Porém, o governo americano incluiu o ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, aplicada contra violadores de direitos humanos, em 30 de julho, mesmo dia em que Trump oficializou a tarifa de 50% a produtos brasileiros.

Nesta segunda-feira, 22, a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, também foi sancionada com base na lei.

Também foi incluído na lista o Lex – Instituto de Estudos Jurídicos, empresa mantida por Viviane e os três filhos do casal: Gabriela, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes, com sede em São Paulo.

O Instituto é dono de onze imóveis da família.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi outro alvo do governo americano e teve seu visto cancelado.

OUTROS SEM VISTOS -Segundo a agência americana Reuters, outros sancionados pelo governo Trump são: o ex-procurador-geral José Levi, o ex-juiz eleitoral Benedito Gonçalves, o juiz auxiliar e assessor do Supremo Airton Vieira, o ex-assessor eleitoral Marco Antonio Martin Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, outro assessor de Moraes.

A punição da mulher de Moraes ocorre um dia após milhares de manifestantes irem às ruas em diversas cidades brasileiras protestarem contra a anistia encampada por bolsonaristas para que o ex-presidente não cumpra os 27 anos e 3 meses de prisão aos quais foi condenado neste mês pela Suprema Corte. Os atos também rejeitaram a PEC da Blindagem aprovada pela Câmara.

Antes de Moraes ser alvo da lei, considerada “estrangulamento financeiro”, ele e outros sete ministros já haviam tido seus vistos americanos cancelados.

MINISTROS ATINGIDOS  – O anúncio foi feito dia 18 de julho, e teve como alvo o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Edson Fachin e ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Só ficaram de fora da lista de sanções impostas pelo governo americano André Mendonça e Nunes Marques, indicações de Bolsonaro, e Luiz Fux, que mais tarde absolveria o ex-presidente de todos os crimes, em um voto de mais de 12 horas.

Quase um mês depois da revogação dos vistos dos ministros, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou dois novos alvos: o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde Mozart Júlio Tabosa Sales, e Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro.

“MAIS MÉDICOS” – Rubio justificou a medida baseado no programa “Mais Médicos”, política pública criada no governo de Dilma Rousseff para suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.

Para os EUA, os funcionários foram “foram cúmplices do esquema do regime cubano de exportação de trabalho forçado”.

Dois dias depois, em 15 de agosto, os vistos da mulher e da filha de dez anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também foram cancelados.

LISTA COMPLETA – Autoridades e seus familiares sancionados pelos EUA:

  • Alexandre de Moraes, ministro do STF: 
  • Viviane Barci de Moraes, Lei Magnitsky;
  • Luís Roberto Barroso, ministro do STF: visto cancelado;
  • Flávio Dino, ministro do STF: visto cancelado;
  • Gilmar Mendes, ministro do STF: visto cancelado;
  • Dias Toffoli, ministro do STF: visto cancelado;
  • Cristiano Zanin, ministro do STF: visto cancelado;
  • Cármen Lúcia, ministra do STF: visto cancelado;
  • Edson Fachin, ministro do STF: visto cancelado;
  • Paulo Gonet, procurador-geral da República: visto cancelado;
  • Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde: visto cancelado;
  • Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro: visto cancelado;
  • Alexandre Padilha, ministro da Saúde: restrições de circulação nos EUA;
  • Mulher de Alexandre Padilha, ministro da Saúde: visto cancelado;
  • Filha de dez anos de Alexandre Padilha, ministro da Saúde: visto cancelado;
  • Viviane Barci de Moraes, advogada e mulher de Moraes: Lei Magnitsky;
  • Jorge Messias, advogado-geral da União: visto cancelado;
  • José Levi, ex-procurador-geral da República: visto cancelado;
  • Benedito Gonçalves, ex-juiz eleitoral: visto cancelado;
  • Airton Vieira, juiz auxiliar e assessor do STF: visto cancelado;
  • Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral de Moraes: visto cancelado;
  • Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor judicial de Moraes: visto cancelado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O Brasil é o primeiro país considerado democrático que sofre punições oficiais dos Estados Unidos por ofensas a direitos humanos. E não ainda alegar que Trump é desequilibrado mental, porque as sanções são decididas pelo governo norte-americano. (C.N.) 

Mais de 65 milhões de brasileiros estão fora da força de trabalho, aponta IBGE

Parcela da população inclui diferentes perfis

Deu no Terra

Enquanto a taxa de desemprego no Brasil é amplamente discutida nos noticiários, um outro dado chama atenção e revela uma realidade ainda mais complexa: mais de 65 milhões de brasileiros estão fora da força de trabalho. Isso significa que, embora tenham idade para trabalhar (14 anos ou mais), essas pessoas não estão empregadas nem procuram emprego — e, portanto, não entram na conta oficial do desemprego.

É importante destacar que o desemprego, ou melhor, a “desocupação”, como define o IBGE, não inclui todos os que estão sem trabalho. Apenas são considerados desempregados aqueles que não trabalham, estão disponíveis e tomaram alguma providência efetiva para conseguir emprego nos últimos 30 dias.

DESAFIO – Esse cenário dos 65 milhões fora da força de trabalho representa um desafio estrutural para o país. Entre os motivos estão a falta de oportunidades formais, barreiras sociais como o cuidado com filhos ou dependentes, dificuldades de mobilidade e até a informalidade, que muitas vezes abriga pessoas em situação vulnerável sem registro ou proteção trabalhista.

Outro ponto crítico é que, entre essas milhões de pessoas, muitas vivem à margem do mercado formal e da política pública de emprego. Em tempos de crise econômica, juros altos e baixa confiança, crescer a força de trabalho ativa e ocupada torna-se ainda mais difícil.

POLÍTICAS PÚBLICAS – Compreender quem está fora da força de trabalho é essencial para desenvolver políticas públicas de emprego mais inclusivas, que vão além da criação de vagas e avancem sobre as desigualdades de gênero, idade, território e escolaridade.

Segundo os dados do IBGE para o 2º trimestre de 2025, o Brasil possui 102,3 milhões de pessoas ocupadas, ou seja, trabalhando em alguma atividade remunerada. Já os desocupados, que estão sem trabalho mas em busca de uma ocupação, somam 6,3 milhões de pessoas.

Além disso, 65,5 milhões de brasileiros estão fora da força de trabalho, o que inclui estudantes, donas de casa, aposentados, entre outros que não estão procurando emprego. Por fim, 38,6 milhões de pessoas estão abaixo da idade mínima para trabalhar (menores de 14 anos), e portanto não fazem parte da população economicamente ativa.

Mercado aperta freio eleitoral e teme efeito Trump na sucessão bolsonarista

Empresariado busca evitar novos abalos na economia

Roseann Kennedy
Estadão

Enquanto o Centrão corre para definir logo o candidato presidencial da direita e pressionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a anunciar seu sucessor, antes da prisão em regime fechado, interlocutores do mercado financeiro colocaram o “modo eleição” em stand by.

Parte do empresariado também defende um freio nas discussões públicas. O motivo é evitar novos abalos na economia, que ainda tenta prospectar todo o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

PREFERÊNCIA – Banqueiros e empresários mantêm a preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas um dos interlocutores com forte presença na Bolsa de Valores disse à Coluna do Estadão temer que a indicação do governador como sucessor na chapa bolsonarista gere nova investida de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

As articulações do deputado federal, filho zero três do ex-presidente, já provocaram danos ainda incalculáveis. Bancos e empresas estão apreensivos com novas sanções do presidente americano, Donald Trump, e de ampliação de alvos da Lei Magnitsky. Ressaltam que, até abril de 2026, prazo final de desencompatibilização, o País ainda pode ter muitas reviravoltas.

“Há muito tempo na política, precisamos nos concentrar em como vamos fechar as contas este ano e como a economia do País chegará até 2026”, afirma o representante de um dos maiores segmentos da indústria brasileira.

PEC da Blindagem une esquerda e até MBL contra o retrocesso político

Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo miram STF e viram alvo da PGR

Ayres Britto: “A democracia é inanistiável”

Esposa de Moraes entra na mira da Lei Magnitsky e tensão cresce entre Brasil e EUA

A Serra da Boa Esperança idealizada por Lamartine Babo

O CASO DE LAMARTINE BABO E A CANÇÃO SERRA DA BOA ESPERANÇA - Boa Esperança  Turismo

Lamartine escreveu belíssimas canções

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e compositor carioca Lamartine de Azeredo Babo (1904-1963) compôs “Serra da Boa Esperança” inspirado numa situação inusitada, conforme consta na “História da MPB, Grandes Compositores”, coleção da Abril Cultural.

Segundo o fascículo da  coleção, “ em 1935, Lamartine recebeu da cidade de Boa Esperança (MG) uma poética a apaixonada carta assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Iniciou-se entre ambos uma correspondência que se prolongou por cerca de um ano. Depois, o adeus na última carta de Nair.

Meses mais tarde, outra correspondência da mesma cidade convidava o compositor para a festa de estreia de um conjunto musical. O remetente era o dentista Carlos Alves Neto. Sonhando encontrar sua antiga missivista, Lamartine rumou para Minas.

E não foi difícil encontrar Nair: uma menina sobrinha do dentista, que era também autor das cartas. Ele colecionava fotos de artistas e se valera daquele expediente para aumentar sua coleção. Desse episódio, nasceu o famoso e bucólico samba-canção Serra da Boa Esperança”, gravado por Francisco Alves, em 1937, pela RCA Victor.

SERRA DA BOA ESPERANÇA
Lamartine Babo

Serra da Boa Esperança,
Esperança que encerra
No coração do Brasil
Um punhado de terra
No coração de quem vai,
No coração de que vem,
Serra da Boa Esperança,
Meu último bem

Parto levando saudades,
Saudades deixando,
Murchas, caídas na serra,
Bem perto de Deus
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!

Levo na minha cantiga
A imagem da serra
Sei que Jesus não castiga
Um poeta que erra
Nós, os poetas, erramos
Porque rimamos, também
Os nossos olhos nos olhos
De alguém que não vem

Serra da Boa Esperança,
Não tenhas receio,
Hei de guardar tua imagem
Com a graça de Deus!
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus,
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu olhar
Adeus!