Histórias do cônsul sequestrado e do Papa Francisco, que tinha um amigo no Brasil

Lembranças libertas - Quatro cinco um

Aloysio Gomide e Maria Aparecida, felizes de volta ao Rio

Carlos Newton

No dia de hoje, 4 de julho, há 55 anos (4.7.1971) a Igreja Bom Jesus do Calvário da Via Sacra, que fica na Rua Conde de Bonfim 50, Tijuca, bem perto do “Alzirão”, estava superlotada.  Na rua, uma multidão se aglomerava. Não, para ver os noivos que subiriam ao altar às 8 da noite para o casamento que seria celebrado pelo cônego Olympio de Melo, que foi prefeito do Distrito Federal, quando o Rio era a capital da República.

A multidão queria ver o cônsul Aloysio Gomide e sua esposa Maria Aparecida Gomide. Era a primeira vez que o cônsul aparecia em público depois de passar sete meses no cativeiro em Montevidéu, sequestrado pelos guerrilheiros tupamaros.

DEU NO JORNAL – Tudo isso aconteceu porque naquele domingo, 4 de julho de 1971, O Globo publicou na primeira. página a notícia que o casal Aloysio e  Aparecida Gomide seria padrinho de casamento do então repórter Jorge Béja, que foi o primeiro a doar dinheiro para arrecadar 1 milhão de dólares e entregar aos tupamaros como pagamento do resgate do diplomata.

Então, pelo seu gesto, o repórter da Rádio Nacional, Béja foi contemplado com a promessa de dona Aparecida: “quando o Aloysio for libertado, ele e eu  queremos ser padrinhos do seu casamento “. 

O dinheiro arrecadado foi levado de ônibus para o Uruguai, entregue aos tupamaros, que soltaram o cônsul foi libertado. De volta ao Rio, ele cumpriu a promessa feita pela esposa,

MULTIDÃO – Era muita gente, muita gente mesmo, pessoas do povo e repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Afinal, todos queriam ver, fotografar e ouvir o diplomata e sua esposa. A multidão era tanta que lembrou o que décadas depois veio a ser o “alzirão” das Copas do Mundo de Futebol.

Béja depois deixou a Rádio Nacional e, já formado em Direito e inscrito na OAB, foi ser diretor jurídico da Estrada de Ferro do Corcovado, cargo que ocupou por dois anos. Depois, começou a advogar com escritório próprio, sempre defendendo vítimas de danos.

Casou-se com uma grande historiadora, Clarinda Béja, que estudou com ele em Paris, na Sorbonne, e se tornou um dos maiores juristas brasileiros;

CASAL PERFEITO – Tenha uma admiração enorme por Jorge Béja e Clarinda, que formam um casal perfeito. Sou mais ligado a ele, com quem convivo desde os velhos tempos, quando o advogado era sempre convocado a dar entrevistas, devido à importância das causas que defendia.

É um profissional raro, que comparo a Sobral Pinto, vizinho de minha família em Laranjeiras, com quem também convivi muito e sou amigo de seu neto e das duas bisnetas. Dr. Sobral tinha muita coisa em comum com Béja, como o saber jurídico, a honra e a religiosidade. Além disso, os dois jamais cobraram um tostão para defender suas causas.

E há outro detalhe: em sua carreira singular, Béja se especializou em defender vítimas de negligência estatal ou privada e suas famílias, como os náufragos do Bateau Mouche, os adolescentes chacinados na Candelária, os soterrados no desabamento do Elevado Paulo de Frontin e no edifício Palace II, é um nunca-acabar de casos humanitários. Sempre me emociono quando escrevo sobre ele.

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P.S. –
Outro detalhe: Jorge Béja é um pianista clássico de primeira categoria. Numa certa noite, em Buenos Aires, ele estava se apresentando num evento, quando recebeu um bilhete, pedindo que tocasse “Clair de Lune”, de Debussy. Ele atendeu. Na recepção que se seguiu, o cardeal Jorge Bergoglio, autor do pedido, agradeceu a gentileza e ficaram amigos, passando a se corresponder, inclusive depois que Bergoglio se tornou o Papa Francisco, uma honra realmente extraordinária. (C.N.)

Moraes autoriza transferência das joias sauditas apreendidas com aliados de Bolsonaro

Michelle elogia programa de Lula e provoca revolta na base bolsonarista

Michelle chamou programa de “sonho realizado”

Deu na CNN

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) elogiou nesta sexta-feira (3) a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ela chamou o programa de “sonho realizado” e foi criticada nas redes sociais pela base bolsonarista.

O programa tem como objetivo garantir oferta, acesso e permanência de alunos que usam essa modalidade de ensino. A ex-primeira-dama fez uma publicação nas redes sociais reforçando que seguia trabalhando por um Brasil mais acessível e parabenizou a “comunidade” pelo programa.

PAUTA DEFENDIDA – Segundo aliados de Michelle, a ex-primeira-dama parabenizou a comunidade surda por considerar que a medida atende a uma pauta defendida por ela desde o governo Bolsonaro, quando articulou a criação de uma diretoria voltada à educação bilíngue de surdos.

Nas redes sociais, uma parcela significativa da base bolsonarista se colocou contra Michelle. Deputados, senadores e figuras importantes do PL passaram a compartilhar no WhatsApp uma figurinha da ex-primeira-dama com a camisa do PT. Militantes bolsonaristas também compartilharam reportagens destacando o elogio de Michelle ao programa seguido de frases como “traidora”.

Esse é mais um episódio em uma crise que cresceu na semana passada. A ex-primeira-dama publicou um vídeo afirmando ter levado uma “punhalada” e decidiu expor publicamente o atrito que vive há meses com o enteado Flávio Bolsonaro.

“CORAÇÃO ABERTO” – O senador respondeu na mesma noite às acusações de que teria desrespeitado e humilhado Michelle durante uma ligação telefônica. Em suas redes sociais, o pré-candidato pediu desculpas públicas à esposa do pai e disse que está “de coração aberto” para ela.

A publicação gerou um debate interno e dividiu o PL entre congressistas que estavam a favor de Flávio aqueles pró-Michelle. Depois de uma série de críticas, Michelle anunciou na terça a saída do comando do PL Mulher e deixou em aberto a disputa.

CONVERSA SOBRE A CRISE – Flávio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se encontraram nesta sexta-feira (3) no Rio de Janeiro, durante um seminário do Partido Liberal. De acordo com apuração do âncora Gustavo Uribe, o encontro foi marcado por uma conversa sobre a crise gerada pelo vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, no qual ela expôs atritos com Flávio.

Valdemar tem defendido que Michelle e Flávio se reúnam pessoalmente para superar o mal-estar. No entanto, a ex-primeira-dama tem resistido à proposta. “Ela inclusive tem indicado que não vai subir no palanque de Flávio durante o processo eleitoral”, ressaltou Uribe durante o Bastidores CNN desta sexta-feira.

O tarifaço, Flávio Bolsonaro e os limites da política internacional como estratégia eleitoral

Aumento dos preços fortalecerá discurso do governo federal

Pedro do Coutto

A carta enviada por Flávio Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo o adiamento da entrada em vigor de novas tarifas sobre produtos brasileiros, representa um episódio politicamente revelador. Mais do que uma tentativa de influenciar uma decisão comercial de Washington, ela expõe como disputas eleitorais domésticas passaram a dialogar diretamente com a política econômica internacional, produzindo dilemas que dificilmente encontram soluções simples.

O argumento apresentado pelo senador parte de uma lógica essencialmente eleitoral. Se o aumento das tarifas elevar os custos de exportação brasileiros e produzir efeitos indiretos sobre preços, emprego, renda e expectativas econômicas, parte desse impacto poderá ser percebida pelos eleitores antes da eleição presidencial.

FORTALECIMENTO DO DISCURSO – Em um cenário de inflação mais elevada ou de desaceleração da atividade econômica, cresce a possibilidade de o governo federal atribuir parte dessas dificuldades às pressões externas, fortalecendo o discurso de defesa da economia nacional. Ao mesmo tempo, adversários da família Bolsonaro poderão explorar o fato de que a proximidade política construída ao longo dos últimos anos com Donald Trump não foi suficiente para evitar medidas prejudiciais ao Brasil.

Trata-se, portanto, de uma preocupação compreensível do ponto de vista eleitoral. A economia continua sendo um dos principais fatores que influenciam o comportamento do eleitor. Diversos estudos da ciência política demonstram que governos costumam ser premiados quando a população percebe melhora em indicadores como emprego, renda e inflação, enquanto enfrentam maior desgaste quando o custo de vida aumenta. Nesse contexto, qualquer choque externo que altere preços ou reduza o dinamismo econômico passa inevitavelmente a integrar o debate político interno.

Entretanto, o pedido dirigido a Trump também revela uma contradição difícil de ignorar. Ao solicitar que a aplicação das tarifas seja postergada para não produzir efeitos eleitorais no Brasil, Flávio Bolsonaro reconhece, ainda que indiretamente, que decisões econômicas tomadas por uma potência estrangeira podem influenciar o resultado de uma eleição brasileira. Em outras palavras, admite que a política internacional produz impactos concretos sobre a disputa doméstica, justamente um dos argumentos frequentemente utilizados para defender maior autonomia nacional diante das grandes potências.

PRESSÃO – Há ainda um aspecto prático que torna o pleito de difícil execução. A política comercial dos Estados Unidos raramente é construída para atender exclusivamente aos interesses eleitorais de outros países. Tarifas fazem parte de estratégias mais amplas de proteção da indústria nacional, de negociação comercial e, muitas vezes, de pressão diplomática. Mesmo quando produzem efeitos colaterais relevantes sobre parceiros econômicos, sua revisão normalmente depende de cálculos internos da administração americana, envolvendo Congresso, setor produtivo e interesses estratégicos dos próprios Estados Unidos.

Caso Trump decidisse recuar apenas para evitar consequências eleitorais no Brasil, abriria espaço para questionamentos internos sobre a coerência de sua política comercial. Afinal, boa parte de seu discurso político sempre esteve associada justamente à defesa de medidas protecionistas e da indústria americana. Uma mudança motivada predominantemente pelo calendário eleitoral brasileiro poderia ser interpretada como uma exceção difícil de justificar perante seu próprio eleitorado.

O episódio também evidencia uma característica cada vez mais marcante da economia contemporânea: a crescente interdependência entre os países. Em um mercado globalizado, tarifas, sanções econômicas, alterações cambiais, conflitos geopolíticos e mudanças nas cadeias produtivas ultrapassam rapidamente as fronteiras nacionais. Uma decisão tomada em Washington pode alterar preços em São Paulo; uma crise energética na Europa afeta custos industriais na América Latina; tensões comerciais entre grandes economias repercutem sobre exportadores de países emergentes.

RUMOS DA ECONOMIA – Essa realidade reduz a capacidade de qualquer governo controlar isoladamente os rumos da economia. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de coordenação internacional e de diplomacia econômica consistente. Não se trata apenas de negociar acordos comerciais, mas de compreender que decisões externas podem redefinir cenários políticos internos em questão de semanas.

Nesse ambiente, estratégias eleitorais baseadas exclusivamente em alinhamentos ideológicos internacionais tornam-se mais complexas. Relações pessoais entre líderes podem facilitar canais de diálogo, mas dificilmente substituem os interesses permanentes dos Estados nacionais. Governos mudam; prioridades econômicas permanecem. A história das relações internacionais mostra que mesmo países aliados frequentemente entram em conflito quando seus interesses comerciais deixam de convergir.

Por isso, a carta de Flávio Bolsonaro possui um significado que ultrapassa seu resultado prático. Independentemente de Trump acolher ou não o pedido, o episódio ilustra como a política doméstica brasileira passou a incorporar variáveis externas de maneira muito mais intensa do que em décadas anteriores. As fronteiras entre política interna e política internacional tornaram-se mais permeáveis, especialmente em temas ligados ao comércio, à tecnologia, à segurança e às finanças.

LIMITES DO INTERNACIONALISMO – Ao mesmo tempo, a iniciativa revela os limites do internacionalismo quando aplicado às disputas eleitorais. A cooperação entre lideranças conservadoras de diferentes países pode produzir afinidades políticas e ideológicas, mas dificilmente elimina os conflitos decorrentes dos interesses econômicos nacionais. Cada governo responde, em primeiro lugar, às demandas de seu próprio eleitorado.

O caso demonstra, em última análise, que a economia globalizada produz uma cadeia de efeitos muitas vezes impossível de ser controlada por um único ator político. Tarifas destinadas a proteger determinados setores econômicos acabam influenciando inflação, investimentos, emprego, popularidade de governos e estratégias eleitorais em diversos países simultaneamente. É precisamente essa interdependência que torna a política internacional um terreno cada vez mais decisivo — e, ao mesmo tempo, mais imprevisível — para quem disputa o poder.

A carta de Flávio Bolsonaro sintetiza essa nova realidade. Ao buscar em Washington uma solução para um problema que pode afetar a eleição brasileira, o senador evidencia que, na política contemporânea, decisões econômicas internacionais já não permanecem restritas às relações entre Estados. Elas passaram a integrar, de forma direta, o cálculo eleitoral, tornando cada vez mais difícil separar política externa, economia e democracia em um mundo profundamente interligado.

Caso Vorcaro: PF aponta que perito tentou vazar à imprensa documentos sobre Moraes e Toffoli

Datafolha: direita ultrapassa esquerda pela primeira vez em mais de uma década

Caso Master comprova: a imprensa livre é fundamental para limpar este país

Janaina Paschoal teme prisão de Malu Gaspar, do O Globo – Portal Vale  Evangélico

Vorcaro tentou destruir Malu Gaspar, mas foi derrotado

Carlos Newton

No século 16, quando os maiores intelectuais da época criaram o movimento que passou a ser chamado de Iluminismo, eles deram enorme impulso ao desenvolvimento político e social da Europa, e uma de suas principais metas era impor que todos fossem iguais perante a lei, um imenso desafio que até hoje não se concretizou.

Esse objetivo continua a ser uma utopia, como costumava dizer Lord Kenneth Clark, um dos maiores historiadores e filósofos do século 20. “Civilização? Até hoje ainda não encontrei nenhuma. Mas tenho certeza de que, se algum dia a encontrar, saberei reconhecê-la”, afirmava o pensador britânico.

META UTÓPICA? – Clark morreu em 1983, ainda sem ter encontrado nenhuma civilização. É possível que sua utopia se concretize, mas isso somente poderá acontecer se a imprensa cumprir seu papel de atuar como fiscal dos governantes e das instituições.

Essa tem sido a função da imprensa desde o século 15, quando o alemão Johannes Gutenberg criou o sistema de tipos móveis, revolucionando a difusão do conhecimento na Europa, permitindo a produção em massa de livros e jornais.

Assim, três séculos depois, quando o nobre francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, desenvolveu a teoria dos Três Poderes, independentes e harmônicos, tese que possibilitaria a difusão da democracia, já estava implícita a fundamental função da imprensa.

ARMA DEMOCRÁTICA – Sem imprensa livre, não há democracia – simples assim. Mas os insistentes usurpadores de recursos públicos, que desgraçadamente existem em todos os países, não pensam assim, como é o caso do banqueiro Daniel Vorcaro.

Na última quarta-feira, O Globo publicou importantíssima reportagem, denunciando que o dono do Banco Master e o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, vasculharam a vida privada da jornalista Malu Gaspar, para impedir que fizesse novas denúncias sobre o Master.

O celular de Vorcaro mostra que Miranda “revirou a vida” da jornalista e repassou ao ex-banqueiro informações sobre familiares, contas bancárias e a vida pessoal dela.

NADA CONSTA – Foi um esforço inútil. Nada consta contra a jornalista Malu Gaspar, nem mesmo multas de trânsito. Essa constatação foi um desespero para Vorcaro.

Acostumado a privar da intimidade não somente do presidente Lula e da família Bolsonaro, mas também de governadores, prefeitos, parlamentares, magistrados, ministros do Supremo e diretores do Banco Central, de repente o banqueiro fraudador encontrou uma pessoa honrada. E era justamente uma jornalista.

Foi o que bastou para destruir o maior esquema de corrupção já montado no Brasil desde o escândalo da Petrobras, que ficou conhecido como Lava Jato. E isso só aconteceu porque Malu Gaspar sabe honrar a profissão que escolheu.

AQUI NA TRIBUNA – É preciso destacar que a excepcional repórter conseguiu destruir o esquema do Master apesar de trabalhar em O Globo, um jornal que apoia todos os governos e não incentiva a publicação de denúncias que atinjam as elites dos três Poderes e do setor empresarial. Mas ela soube contornar as dificuldades e publicam as gravíssimas revelações.

Na verdade, os jornalistas carecem de veículos em que possam fazer denúncias livremente, como a Tribuna da Internet. Desde 2009 estamos circulando diariamente, publicando reportagens próprias e de outros veículos de comunicação, e não fomos processos. Todas as informações eram verdadeiras.

Em minha carreira, que vai completar 60 anos em dezembro, somente fui processado quatro vezes – pela Mitra Diocesana do Rio (corrupção nas obras da Catedral), pela indústria Bayer, (morte de operário na linha de produção), pelo empresário, armador e banqueiro José Carlos Fragoso Pires (crimes do colarinho branco); e pelo Partido Verde (desvio do Fundo Partidário). Em todos os processos, fui inocentado.

BALANÇO DE JUNHO – Como fazemos todos os meses, vamos divulgar o balanço das contribuições feitas por comentaristas deste blog. De início, os depósitos na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO   OPERAÇÃO                 VALOR
03    031145       DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
11    111551       DEP. DIN. LOTERIA…..200,00
11    021100       DEP. DIN. AGENCIA……76,14
19    191346       DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
23    231506       DEP. DIN. LOTERIA…..200,00

Agora, as contribuições feitas no Banco Itaú/Unibanco:

01    PIX TRANSF JOSE FR01/06………..150,00
01    PIX TRANSF PAULO R01/06……….100,00
02    TED 001.5977.JOSE A P J…………..352,06
15    TED 001.4416.MARIO ACRO……..300,00
30    TED 033.3591.ROBERTO SD………200,00

Agradecendo muito as contribuições que nos permitem exercitar diariamente essas utopias de imprensa livre, de democracia e de civilização, lembramos aqui na Tribuna que o exemplo de Malu Gaspar precisa ser seguido em todas as redações. (C.N.)           

Mendonça mantém gabinete de prontidão no recesso por avanço do Caso Master

Avanço das investigações faz Mendonça cancelar descanso

Tainá Falcão
CNN

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu manter parte da equipe do gabinete de prontidão durante o recesso do Judiciário, neste mês. A decisão ocorre em meio aos desdobramentos das investigações sobre o Master, que recentemente atingiu o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Assessores de Mendonça e o próprio ministro permanecerão trabalhando para analisar eventuais medidas urgentes encaminhadas, durante o recesso, pela Polícia Federal ou pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A avaliação é de que o inquérito tem evoluído, com novas frentes de investigação e a expectativa de novos pedidos ao Supremo.

NOVAS ETAPAS – Nas últimas semanas, a Polícia Federal deflagrou novas etapas da apuração do Master, com operações que alcançaram diferentes núcleos políticos. As mais recentes envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, entra no radar de Mendonça a possibilidade de abrir uma investigação dos recursos enviados por Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.

Além do inquérito do Master, André Mendonça também é relator das investigações sobre as fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. As duas apurações passaram a concentrar grande parte da atuação do gabinete do ministro nos últimos meses.

Os dois escândalos se conectam em alguma medida. Informações obtidas pela Polícia Federal no caso Master passaram a subsidiar linhas de investigação da CPMI do INSS. Por isso, a decisão de manter a equipe mobilizada durante o recesso reflete justamente a avaliação de que os dois inquéritos permanecem em estágio sensível e podem demandar providências urgentes nas próximas semanas.

Moraes manda apreender arsenal de Bolsonaro e revoga porte de armas

No desespero, Tariflávio vai recorrer a Trump, num gesto de submissão

30/05/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

O candidato Flávio Achocolatado Bolsonaro decidiu chutar o balde, a mesa, o vento e tudo o mais que vier pela frente. Nem tenta esconder o nervosismo. Suas recentes declarações são impulsivas e inacreditáveis.  Insultam o bom senso.  Incontáveis tiros no pé. 

O chute no pau da barraca, desferido por madame Michelle veio agravar e azedar ainda mais o clima no clã. Parece indicar que o desespero bate na porta dos arraiais do bolsonarismo. 

Na aflição, Flávio mandou carta longa e aflita ao governo Donald Trump, pedindo, quase ajoelhado, que adie as novas taxações para depois das eleições, sob pena de Lula vencer o pleito de outubro. Não satisfeito com essa oceânica, deplorável e cansativa patetice, Flávio Rachadinha vai pessoalmente beijar a mão de Trump na próxima semana. É inacreditável.

TORTURAS – As chamadas dos programas medonhos de política no canal GloboNews torturam os ouvidos e a paciência dos assinantes. Duro saber qual o mais chato e desagradável, se o Estúdio 1 ou o Mais.

Outra tortura é ver o apedeuta Paulo Figueiredo, arvorado de guru do Tariflávio Bolsonaro, jogando as patas imundas nas mulheres brasileiras, ao afirmar que não sabem votar. O pobre diabo mora nos Estados Unidos, de onde dispara asneiras contra o Brasil.

Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo (“Prendo e arrebento”) deveria aprender a ser homem e não rato. Ou  seja, tentar honrar as calças que veste.

Aliados admitem que guerra entre Michelle e Flávio Bolsonaro pode não ter fim

Governo Lula apresenta nova proposta aos EUA para barrar tarifaço de Trump

Mulheres da direita articulam ação nos EUA contra bolsonaristas por ataques nas redes

Allan dos Santos é um dos alvos do grupo

Deu no O Globo

Um grupo de mulheres de direita se articula para buscar a Justiça americana contra bolsonaristas que estão nos Estados Unidos. A informação é da jornalista Ana Flor, da GloboNews. De acordo com ela, um dos alvos é o influenciador Allan dos Santos.

O grupo é formado por mulheres conservadoras que atuam na política. Elas entendem que esses nomes do bolsonarismo estão disseminando ataques nas redes sociais contra políticas ou mulheres que se posicionam publicamente sobre temas sociais.

CALÚNIA E DIFAMAÇÃO – Ainda segundo a jornalista, os conteúdos caracterizariam calúnia, difamação e injúria que, na avaliação desse grupo de mulheres, podem ser considerados crimes também nos Estados Unidos.

A articulação se dá após o volume de ataques aumentar com o vídeo de Michelle Bolsonaro contra o enteado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Entre os alvos mais frequentes, além da ex-primeira dama, estão a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão.

AUMENTO DO TOM –  A escalada da crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro provocou uma frente de ataques ao grupo da ex-primeira-dama no campo da direita. É o que mostra levantamento da consultoria Bites obtido com exclusividade pelo O Globo. Os dados mostram que, desde 27 de junho, três dias após Michelle publicar vídeos em que acusa o enteado de tê-la maltratado, um terço das 300 mil menções nas redes à mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro trazia críticas a ela.

Nos últimos cinco dias, 103 mil posts associavam Michelle a nomes afastados do núcleo de Flávio, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o influenciador Rodrigo Constantino, ou simplesmente a atacavam. Entre as expressões mais utilizadas nas críticas à ex-primeira-dama estão os termos Michelle Firmo, seu nome de solteira, e “Dona Michelle”, com ironia. Nos ataques, ela também é chamada de “traidora” e de “feminista”.

O tom crítico também foi utilizado contra aliadas da ex-primeira-dama, como as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS), e a governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP).

EM DEFESA DE MICHELLE – O levantamento mostra que, em um primeiro momento, após a divulgação de vídeos de Michelle com críticas a Flávio, a acusação de traição não conseguiu emplacar nas redes sociais. Com a repercussão da fala da ex-presidente do PL Mulher entre a esquerda e independentes, a tese bolsonarista ficou escanteada, e nomes da direita como o senador Cleitinho (Republicanos-MG) chegaram a defender a ex-primeira-dama.

As críticas do bolsonarismo à mulher de Jair Bolsonaro ganharam força no último fim de semana e se ampliaram com a saída de Michelle da presidência do PL Mulher. Entre os nomes que optaram por atacá-la ou defender Flávio estão o blogueiro Allan dos Santos, o influenciador Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

— Os dados mostram que a direita se sente autorizada a atacar Michelle. As publicações do campo bolsonarista trazem, sobretudo, críticas à ex-primeira-dama e a aliadas, que acabam se prejudicando no segmento — afirma André Eler, diretor técnico da Bites.

O relógio corre contra Flávio Bolsonaro, e Michelle amplia a pressão dentro da direita

O bom é ser inteligente, mas sem querer entender, dizia Clarice Lispector

Frases de Clarice Lispector sobre vida, amor e sentimentosPaulo Peres
Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, no poema “Não Entendo”, afirma que na vastidão do conhecimento, é preferível ser inteligente, sem pretender tudo em nossa tão complexa vida.

NÃO ENTENDO
Clarice Lispector

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Defesa de Bolsonaro abre mão de arma para manter prisão domiciliar

PGR defendeu prisão domiciliar, sem devolução da arma 

Ana Pompeu
Folha

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a manutenção do regime domiciliar, afirmando, inclusive, que o ex-presidente abre mão da arma que tinha para ficar em casa. A defesa também ressaltou os aspectos de saúde do ex-presidente, o relatório policial que reconheceu o registro do equipamento e a manifestação favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

A petição foi enviada ao relator nesta quinta-feira (2), um dia depois de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter defendido a domiciliar, mas sem a arma apreendida com um dos seguranças de Bolsonaro. “O peticionário reitera não possuir qualquer interesse na restituição do armamento apreendido, circunstância já anteriormente informada nos autos e igualmente registrada pela Procuradoria-Geral da República”, disseram os advogados.

NOVO PRAZO – Moraes havia dado novo prazo para a PGR se manifestar, e depois disso, mais 48 horas para a defesa de Bolsonaro se manifestar. Só então o magistrado deve decidir sobre a prorrogação ou não da prisão domiciliar do ex-presidente.

Nesta quarta (1°), Gonet afirmou que o relatório policial concluiu pelo indiciamento de Estácio Leite da Silva Filho, o segurança que portava a pistola, mas afastou a materialidade e o dolo de eventual crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito por parte de Bolsonaro.

Os advogados também afirmam que as conclusões da autoridade policial convergem em grande parte com os argumentos de Bolsonaro. “Os elementos agora produzidos, portanto, apenas reforçam as razões já deduzidas pela defesa na manifestação anteriormente apresentada acerca da inexistência de falta grave, à regularidade do registro da arma e à completa excepcionalidade da situação submetida à apreciação deste Juízo”, disseram.

ALEGAÇÃO – A defesa de Bolsonaro alegou antes ao STF que o percussor da arma foi removido sem que o ex-presidente soubesse —uma decisão da sua equipe de segurança e de sua família para tornar a pistola inoperante e evitar acidentes, já que ele faz uso de medicamentos psiquiátricos que podem afetar a sua cognição e seu estado mental.

A perícia feita na arma, de acordo com a Polícia Civil, constatou após uma série de testes que a pistola estava “apta para efetuar disparos em série”. A arma apreendida na blitz, a 33 quilômetros de onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, era uma pistola Glock de calibre 9 milímetros. Havia também um carregador e 30 munições.

APELO – A defesa do ex-presidente se reuniu nesta terça-feira (30) com Moraes e fez um novo apelo pela prorrogação do período de prisão domiciliar. O prazo venceu no último dia 25 de junho. Como mostrou a Folha, o ministro estava inicialmente disposto a renová-lo por mais 90 dias, mas a apreensão da arma acendeu um alerta no magistrado.

Nas redes sociais, o advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que Moraes ouviu “com muita urbanidade” os argumentos sobre o estado de saúde do ex-presidente e as explicações a respeito da arma. “Tenho que os argumentos trazidos, sobre ambos os tópicos a serem apreciados, são relevantes e encontram-se com fundamentos bastantes para a manutenção do regime domiciliar”, escreveu.

Lula acelera agenda de inaugurações às vésperas do defeso eleitoral

Em apelo aos EUA, Flávio Bolsonaro afirma que tarifaço beneficiará Lula politicamente

Entenda como o PCC e o CV entraram na agenda geopolítica de Trump

EUA anunciam sanções contra pessoas e empresas

Pedro do Coutto

A decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” representa muito mais do que uma mudança de linguagem. Ela sinaliza uma inflexão profunda na política externa e de segurança dos Estados Unidos para a América Latina, colocando o Brasil no centro de uma agenda que ultrapassa o combate ao narcotráfico e passa a integrar os interesses estratégicos de Washington para o continente.

O anúncio foi acompanhado de sanções contra brasileiros e empresas acusados de integrar um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado à facção. Em termos práticos, trata-se da primeira demonstração concreta de uma política que busca ampliar o alcance extraterritorial das autoridades americanas sobre organizações criminosas consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos.

EFEITO POLÍTICO – Embora a dimensão internacional do PCC seja conhecida há anos por autoridades brasileiras, europeias e organismos especializados em crime organizado, o enquadramento adotado pela Casa Branca produz um efeito político muito mais amplo do que o simples reconhecimento da expansão da facção. A mensagem enviada por Washington é clara: o crime organizado latino-americano deixou de ser tratado apenas como problema policial e passou a ser considerado elemento central da estratégia de defesa americana.

Durante décadas, a política externa dos Estados Unidos para a América Latina alternou períodos de maior e menor protagonismo. No segundo mandato de Donald Trump, entretanto, a região voltou ao centro das prioridades estratégicas. O combate ao chamado narcoterrorismo tornou-se um dos pilares dessa nova doutrina, ao lado do controle migratório, da contenção da influência chinesa e da proteção das cadeias logísticas do continente. Nesse contexto, o PCC aparece como o exemplo mais evidente da transformação das organizações criminosas modernas.

ESTRUTURA EMPRESARIAL – Longe de ser apenas uma facção prisional brasileira, o grupo construiu, ao longo das últimas duas décadas, uma sofisticada estrutura empresarial voltada ao tráfico internacional de cocaína, à lavagem de dinheiro, ao uso de criptomoedas, ao comércio exterior e à infiltração em atividades econômicas aparentemente legais.

Investigações brasileiras e internacionais apontam sua presença em diversos países da América do Sul, além de conexões na Europa, África e Ásia, especialmente em rotas destinadas ao mercado europeu de drogas. Esse crescimento explica por que Washington decidiu elevar o tom.

Contudo, seria um erro interpretar a iniciativa apenas como uma resposta ao avanço do PCC. Ela também atende aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Ao classificar organizações criminosas latino-americanas como ameaças diretas à segurança nacional, o governo Trump amplia sua margem jurídica e diplomática para impor sanções financeiras, congelar ativos, restringir operações bancárias internacionais, pressionar governos aliados e intensificar o compartilhamento de inteligência.

JUSTIFICATIVA – Em cenários extremos, essa doutrina também abre espaço para justificar operações mais robustas contra estruturas criminosas que afetem interesses americanos, ainda que tais possibilidades dependam de fatores diplomáticos e jurídicos complexos. É justamente esse aspecto que desperta preocupação em Brasília.

Para o governo brasileiro, o combate ao PCC sempre foi tratado como questão de soberania nacional. A atuação de autoridades estrangeiras sobre organizações criminosas instaladas no território brasileiro inevitavelmente produz debates sobre limites jurídicos, cooperação internacional e autonomia do Estado brasileiro. Ao mesmo tempo, ignorar a crescente internacionalização da facção seria igualmente problemático.

O PCC deixou há muito de operar exclusivamente dentro das fronteiras brasileiras. Seu modelo de negócios acompanha a lógica das grandes redes criminosas globais, conectando produção de drogas, logística internacional, mercados financeiros, empresas de fachada e sofisticados mecanismos de ocultação patrimonial. Essa transformação exige níveis inéditos de cooperação entre governos, polícias, agências de inteligência e autoridades financeiras.

CONTRADIÇÃO – Nesse ponto, surge um paradoxo. Enquanto Washington endurece seu discurso e amplia seu protagonismo regional, o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais para coordenar uma estratégia nacional integrada contra o crime organizado. A fragmentação entre forças policiais, as diferenças legislativas entre estados, a lentidão de processos judiciais e a elevada capacidade financeira das facções continuam favorecendo sua expansão.

As recentes operações conduzidas por órgãos brasileiros demonstram avanços importantes no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do PCC na economia formal. Entretanto, especialistas reconhecem que organizações desse porte possuem enorme capacidade de adaptação, substituindo rapidamente empresas, operadores financeiros e rotas internacionais sempre que uma estrutura é desmantelada.

MESMO DISCURSO – Outro elemento merece atenção Ao utilizar uma retórica de segurança nacional para justificar sua política hemisférica, Donald Trump também fortalece sua narrativa política doméstica. O combate ao narcotráfico, à imigração ilegal e ao crime organizado integra um mesmo discurso voltado ao eleitorado americano, reforçando a imagem de um governo disposto a enfrentar ameaças externas com instrumentos cada vez mais contundentes.

Sob essa ótica, o PCC torna-se simultaneamente um problema real de segurança pública e um símbolo político útil para sustentar uma estratégia mais ampla de projeção de poder dos Estados Unidos nas Américas Isso não significa que a ameaça representada pela facção seja exagerada. Pelo contrário.

O crescimento internacional do PCC é amplamente documentado por investigações policiais e estudos especializados. O ponto central da discussão reside menos na existência da ameaça e mais na forma como ela será utilizada para redefinir o equilíbrio entre soberania nacional, cooperação internacional e protagonismo geopolítico dos Estados Unidos.

NOVA FASE – A classificação promovida pelo governo Trump inaugura uma nova fase dessa discussão. Se, por um lado, ela pode fortalecer mecanismos internacionais de combate ao crime organizado, por outro amplia o debate sobre até onde Washington pretende expandir sua influência em nome da segurança regional.

O Brasil, maior economia da América Latina e país de origem da organização apontada como principal ameaça criminal do continente, inevitavelmente ocupará posição central nesse novo tabuleiro geopolítico.

Mais do que uma declaração de impacto, a ofensiva americana revela que, no século XXI, organizações criminosas deixaram de ser apenas um desafio para as forças policiais. Tornaram-se variáveis estratégicas da política internacional, capazes de influenciar relações diplomáticas, políticas econômicas e a própria arquitetura de segurança das Américas.

Zebras existem porque 50% das partidas de futebol são vencidas por acaso…

Haaland brilha, Noruega elimina Costa do Marfim e encara o Brasil

Haaland fez gol por acaso; a bola bateu na sua perna e entrou

Hélio Schwartsman
Folha

O ser humano é um bicho esquisito. Como espécie, temos horror ao acaso. Inventamos as religiões precisamente para fingir que ele não existe. Mas, quando se trata de eleger um esporte, a maior parte do mundo civilizado fica com o futebol.

E o que caracteriza o futebol é justamente expor-se muito mais ao acaso do que outros esportes coletivos. É o imponderável que dá sabor à coisa. No basquete, é altamente improvável que um time muito ruim vença um muito bom, mas, no futebol, zebras fazem parte da ordem natural dos acontecimentos.

DRIBLES DO ACASO – Causou frisson em 2013 o lançamento do livro “Os Números do Jogo”, em que Chris Anderson e David Sally, depois de analisar com rigor estatístico um sem-número de partidas, tiram uma série de conclusões interessantes.

Um de seus achados é que, no futebol, o acaso explica 50% dos resultados, deixando os outros 50% para a habilidade dos jogadores e a estrutura tática.

Um jeito prático de ver isso é olhando para os prognósticos em casas de apostas. Ali por volta de 2013, os times favoritos venciam apenas 50% das vezes. No handebol, eram mais de 70%.

GOL É RARO – Vários fatores conspiram para a imponderabilidade. Um dos principais é que o gol é um desfecho raro. Uma partida pode envolver até 4.000 eventos como chutes, dribles, passes, impedimentos. Os gols, normalmente, não passam de três. Quando um time mete quatro, já chamamos de goleada.

Outra forma intuitiva de visualizar isso é observando o desenvolvimento de uma jogada. É raro tudo sair como o armador planejou. Quase sempre, ocorre algum imprevisto, como uma interceptação, um rebote, um passe errado e outras patadas do acaso. É em cima dessa generosa probabilidade que as jogadas se constroem.

Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida. As características humanas que mais nos interessam também são, pelas metanálises de genética comportamental, o resultado de um complexo jogo de interações entre genes (habilidades?) e ambiente não compartilhado (acaso?) numa razão próxima a 50/50.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Interessantíssima essa coluna de Hélio Schwartsman. As ponderações impressionaram o craque e analista Tostão, que também escreve na Folha. O estudo de Chris Anderson e David Sally não menciona, mas acredito que nos jogos de Copa do Mundo a influência do acaso caia bastante, embora o gol que classificou a Noruega tenha sido por acaso. A bola bateu no tornozelo de Haaland e entrou. Nas Copas, até agora apenas oito países conseguiram ser campeões: Brasil: 5 títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002); Alemanha: 4 títulos (1954, 1974, 1990 e 2014); Itália: 4 títulos (1934, 1938, 1982 e 2006); Argentina: 3 títulos (1978, 1986 e 2022); Uruguai: 2 títulos (1930 e 1950); França: 2 títulos (1998 e 2018); Inglaterra: 1 título (1966) e Espanha: 1 título (2010). Nesta Copa, 211 países se inscreveram e apenas 48 se classificaram para disputá-la. É impressionante. A Fifa tem mais 18 países-membros do que a ONU, que está com apenas 193 nações. Acredite se quiser. (C.N.)