Supremo despreza suas regras e muitas liminares ficam sem aval do plenário

TSE chega a 2026 sob pressão para não repetir controvérsias da eleição de 2022

Supremo não surpreende ao “reaprovar” penduricalhos que ele próprio permitiu

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

A imprensa finge se surpreender com a notícia de que Supremo Tribunal Federal formou maioria para liberar o pagamento de penduricalhos retroativos, destinados a engordar os contracheques de juízes, procuradores e promotores do Ministério Público.

Com o voto do ministro Luiz Fux durante julgamento virtual neste sábado (27), o placar está 5 votos a 0 pela liberação. Mas será que alguém esperava outra posição de Fux? Claro que não.

AUXÍLIO-MORADIA – Foi justamente Fux o ministro que, em 15 de setembro de 2014, proferiu decisão liminar que assegurou direito ao auxílio-moradia a todos os juízes federais em atividade no país.

Mesmo com esse pecado original de ter sido o grande incentivador dos penduricalhos, Fux deve ser reconhecido como maior (ou único) jurista da atual leva de ministros. Realmente, ele fez carreira brilhante como advogado, professor universitário e juiz, tornando-se o maior civilista brasileiro, principal responsável pela reforma do Código de Processo Civil, apelidado de “Código do Fux”.

Até permitir o escabroso auxílio-moradia, o currículo de Fux só tinha uma mancha – o esforço extraordinário que fez para a filha ser nomeada desembargadora no Tribunal do Rio de Janeiro.

CARREIRA ADMIRÁVEL – Penduricalhos à parte,  Fux estava fazendo uma carreira admirável no Supremo, votando sempre na forma da lei. Assim, foi contra a libertação do presidiário Lula da Silva em 2019, depois foi voto vencido também na anulação das condenações do político petista em 2021.

Em todas as ocasiões, somente escorregou ao aprovar o penduricalho inicial; ao permitir que o filho abrisse um escritório de advocacia em Brasília; e ao votar a favor daquelas penas absurdas que o relator Alexandre de Moraes conseguiu ilegalmente impor aos envolvidos no 8 de Janeiro, ao “duplicar” leis e inventar a “formação de quadrilha armada” por pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas.

Fux só viria a se arrepender na chamada undécima hora, no final de 2025, quando percebeu que esses julgamentos políticos precisavam ter fim, e então redigiu uma obra volumosa – as 429 páginas de seu voto pela absolvição de Bolsonaro na Primeira Turma.

PENDURICALHOS – Agora, Fux vota novamente a favor dos penduricalhos e acompanha os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino, que propuseram limite de 35% do teto salarial para o pagamento das chamadas “indenizações”, termo utilizado para criar novos penduricalhos, a pretexto de excesso de trabalho.

Quanto à qualificação de Fux como melhor integrante do STF, essa menção agora é ameaçada por dois ministros que nunca tiveram notório saber nem reputação ilibada, até porque eram praticamente desconhecidos – Nunes Marques e André Mendonça, que têm votado sempre na forma da lei. No entanto, se aprovarem os penduricalhos, também entrarão no bloco dos sujos, é claro.

O julgamento virtual segue até esta terça-feira (30), mas os penduricalhos já estão vergonhosamente aprovados, porque empate de 5 a 5 beneficia o réu.

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P.S.
– No Japão, ocorre justamente o contrário. Lá os juízes não ganham altos salários e os tribunais mantêm alojamentos com quitinetes para abrigar os que ainda não possuem casa própria. Os magistrados também não têm salas próprias, trabalham junto com os escrivães. Mas quem se interessa? (C.N.)

Brasil é favorito, mas o time do Japão tem exibido uma invejável disciplina tática

Copa: Vini Jr. sobe para 4º lugar no ranking da Fifa de melhores atacantes | CNN Brasil

Vini Jr. sabe se multiplicar e sempre faz a diferença em campo

Tostão
Folha

O Japão possui um ótimo conjunto, bons jogadores, pressiona bastante para recuperar a bola, alterna a troca curta de passes com as jogadas em velocidade, mas não tem a improvisação e o talento individual da seleção brasileira, especialmente de Vinicius Junior.

A equipe japonesa se posiciona com um trio de zagueiros, dois alas que atacam e defendem, dois meio-campistas hábeis e um trio de atacantes. Os jogadores mudam bastante de posição, com enorme disciplina tática. Será um jogo difícil, porém o Brasil tem mais chances de vencer.

MESMO TIME – Ancelotti deve manter a escalação e a formação tática, com quatro defensores, um trio de meio-campistas (Casemiro pelo centro, Bruno de um lado e Paquetá do outro), Rayan pela direita, atacando e voltando para marcar, formando um quarteto no meio-campo na proteção aos defensores. Matheus cunha centralizado, sem precisar voltar para marcar pela esquerda, atua mais próximo de Vini livre, que se movimenta por todo o ataque. Contra a Escócia, faltou mais compactação e mais intensidade para recuperar a bola.

O gol no início da partida, após falha grave do zagueiro, pressionado por Rayan, mudou todo o planejamento da Escócia. Eles, que provavelmente iriam marcar muito atrás para contra-atacar, tiveram que avançar. Deixaram enormes espaços na defesa e continuaram fracos no ataque.

IMITA A VIDA – Os detalhes mudam a história dos jogos. Hélio Schwartsman, na sua coluna “Dribles do acaso”, relatou que no livro “Os Números do Jogo”, publicado em 2013, os autores Chris Anderson e David Sally, depois de um rigoroso trabalho estatístico e analítico, concluíram que o acaso explica 50% dos resultados. Hélio completou: “Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida”.

Eu, que sempre valorizei o acaso no futebol, sem diminuir a enorme importância da estratégia, do planejamento e do talento individual, tenho agora o amparo da ciência para minha convicção, embora ache que 50% de gols por causa do acaso é um exagero.

Os grandes craques estão brilhando na Copa. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols. São craques também os excepcionais goleiros, como Courtois, da Bélgica, zagueiros como Van Dijk, da Holanda, laterais como Nuno Mendes, de Portugal, meio-campistas como Bruno Fernandes, de Portugal, Pedri, da Espanha, e outros.

CRAQUE ARTISTA – Vini evoluiu. Está com uma técnica mais precisa, tenta menos jogadas impossíveis sem diminuir a inventividade, a fantasia e o bailado em campo. Assim como Maradona, Vini é um craque artista, diferentemente de Messi, que é muito mais craque que artista.

Kane é o craque discreto, coletivo, excepcional nas finalizações. Mbappé é o craque veloz, talentoso, com muita força física. Cristiano Ronaldo é o magistral finalizador, de todos os jeitos. Haaland é o gigante veloz e artilheiro. Lamine Yamal é o Vini pela direita, craque do presente e do futuro. Cada um tem seu jeito de fazer.

MATA-MATA – Entramos na fase do mata-mata, em que o futebol simboliza a vida e a morte. Quando ganha, é o êxtase. Quando perde, morre e renasce.

No livro “A Terra É Redonda” (editora Nós), de Milly Lacombe e Jamil Chade, a jornalista escreveu:

“O futebol em seu estado mais puro faz isso com a gente: aponta para a vida e lida com a morte. Dá sentido à existência, eleva o lugar de mais significado e ensina que tudo acaba. Morremos, renascemos, tornamos a morrer. Começo, meio e recomeço. Não existe fim, o tempo não é linear, depois de acabar volta a começar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Vamos torcer, vamos vibrar, mas sempre lembrando que é um péssimo sinal, quando a torcida começa a chamar o técnico de burro. Convenhemos, porém, que ter no elenco três dribladores fantásticos, como Vini Jr., Luiz Henrique e Neymar, e só escalar um deles, é sinal de quê? O retranqueiro Ancelotti pode até ganhar a Copa, como aconteceu com o retranqueiro Felipão, mas nos fará sofrer um bocado. (C.N.)

Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro deixa de votar em 43% das deliberações do Senado

Nunes Marques articula saída para evitar derrota no TSE sobre pesquisa Atlas

Belas lições, nos resgates das crianças que ficaram soterradas na Venezuela

🚨 EMOCIONANTE, Um bebê de apenas 18 meses foi resgatado com vida dos  escombros deixados pelos terremotos que atingiram a Venezuela., As imagens  mostram o momento em que equipes de resgate retiram a ...Vicente Limongi Netto 

Anjos saindo das frestas dos escombros nos terremotos na Venezuela. Imagens do terror da destruição preservam muitas crianças, localizados pelo choro e pela obstinação dos socorristas. 

Espremidos pelas ferragens, trêmulas, escalaram pedras e entulhos. Cabelos desalinhados. Rostos sujos de barro. Olhos miúdos e espantados. Roupa rasgada, coberta de pó. Alguns descalços. Chorando, venceram a escuridão e o frio das trevas.

FÉ E ESPERANÇA – Acolhidos pelos braços, pela alma e pelo coração de aliviados e contentes resgatadores, que estavam vestidos de fé e esperança. São anjos renascidos e gratos, retribuindo com beijos e ternura a exemplar bravura e solidariedade das equipes de socorro, que contaram com apoio de muitos países ao povo venezuelano. 

Essas imagens mostrando ao mundo que nem tudo está perdido. É preciso retemperar o otimismo. Orar por mais vidas salvas. Trocar o pavor da angústia pelo clarão da fé.

Terremotos nos levam a duras reflexões. Exige grandeza de espírito de todos que pretendam viver com grandeza, amor e solidariedade. Mesquinharias precisam ser destruídas nos corações ressentidos. 

CHÁ, DOCE CHÁ – Completam-se dois anos de funcionamento da Casa de Chá, na Praça dos Três Poderes, que se transformou numa parada obrigatória para os turistas que vêm conhecer a capital. 

Mais de 300 mil pessoas já passaram pelo acolhedor local, que funciona também como escola do Senac do Distrito Federal. 

É mais uma iniciativa que demonstra a importância do chamado Sistema S, que o empresariado mantém em benefício dos brasileiros.

Michelle mobiliza estrutura do PL para ampliar influência no espólio político de Bolsonaro

Michelle vem ganhando espaço nas decisões partidárias

Letícia Pille
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deu mais um passo em sua atuação política ao tornar pública a crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), movimento que tem como pano de fundo a disputa por influência e o interesse em formar uma bancada de aliados. Para isso, ela tem à disposição a estrutura do PL Mulher e vem ganhando espaço nas decisões partidárias.

A ex-primeira-dama fez questão de destacar essa trajetória no vídeo de 27 minutos divulgado na última semana com críticas a Flávio — a gravação foi feita na sala da presidência do PL Mulher, em Brasília. Embora apresentado como um desabafo sobre a crise familiar, boa parte funciona como uma prestação de contas de sua gestão. Michelle lembra que percorreu o Brasil, estruturou diretórios nas 27 unidades da federação e ajudou a eleger 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024, um crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior.

“MEU MARIDO” – Ao longo do vídeo, ela se refere a Jair Bolsonaro como “meu marido” 31 vezes e diz que compartilha com ele as principais decisões sobre política. Para interlocutores da ex-primeira-dama, a repetição reforça a ligação direta com o ex-presidente justamente em um momento em que diferentes grupos disputam a herança política de Bolsonaro. Aliados sustentam que o ex-presidente foi informado previamente sobre a gravação.

O principal interesse de Michelle nas eleições está relacionado a três potenciais candidaturas ao Senado: as deputadas Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e pivô da mais recente crise, Caroline de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF)l. “O trabalho que ela faz é comprovado pelo número de mulheres eleitas e filiadas. Ela não fez só eventos, ela fez treinamento”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

A estrutura construída por Michelle no PL Mulher reúne uma iniciativa voltada à formação política de mulheres conservadoras e que congrega cerca de 5.200 participantes em todo o país. O movimento distribui cartilhas para candidatas, oferece treinamentos e cria programas permanentes de formação política. Neste ano, lançou a campanha incentivando mulheres a atuarem como fiscais partidárias e mesárias nas eleições.

AUMENTO DE RECURSOS – A expansão foi acompanhada pelo aumento de recursos. Em 2024, o PL Mulher recebeu R$ 16,2 milhões da direção nacional do partido para financiar suas atividades em âmbito nacional, de acordo com dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral. O número representa o dobro do desembolsado pelo PT para a ala feminina no mesmo ano.

Michelle não movimenta diretamente os recursos, mas define prioridades orçamentárias — cursos, viagens, eventos —, cabendo à direção nacional a execução financeira. Embora tenha assumido a presidência do PL Mulher em 2023, seu engajamento começou na campanha presidencial de 2022. O movimento se aprofundou nos anos seguintes, o que gerou atritos.

Foi nesse contexto que a disputa no Ceará ganhou dimensão nacional. Michelle defende que Priscila Costa seja contemplada com uma das vagas ao Senado. A articulação conduzida por Flávio e dirigentes do partido, no entanto, caminhou em outra direção: uma composição entre o deputado estadual Alcides Fernandes e o pré-candidato do PSDB ao governo, Ciro Gomes.

CENTRO DE INFLUÊNCIA – Na avaliação de aliados, Michelle alterou o equilíbrio interno do bolsonarismo ao criar um novo centro de influência que passou a disputar espaço com o núcleo formado pelos filhos do ex-presidente.

“Michelle desempenha um papel relevante. No campo político do bolsonarismo, contudo, é inegável que todas as principais lideranças gravitam em torno de Jair Bolsonaro”, resume o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba.

Após apreensão de arma, Bolsonaro recorre ao STF para evitar perda da prisão domiciliar

Pesquisas movimentam R$ 40 milhões em 2026 e viram alvo de debate no TSE

STF tem maioria para liberar penduricalhos adquiridos antes de restrição

Governo admite dificuldades para reverter tarifa de Trump contra o Brasil

Demora em punir escândalo do INSS desmoraliza o governo e as instituições

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

O escândalo das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua produzindo desdobramentos que vão muito além da responsabilização dos envolvidos. À medida que as investigações avançam, cresce também a tensão institucional entre órgãos responsáveis pela apuração dos fatos, colocando em evidência um debate delicado: até que ponto a cooperação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal tem ocorrido de forma eficiente para garantir uma investigação ampla, célere e transparente?

Reportagem publicada por O Globo, assinada pelas jornalistas Mariana Muniz e Victoria Azevedo, revelou a existência de divergências entre o ministro do STF, André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso, e o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues. Segundo a reportagem, integrantes da Polícia Federal manifestaram preocupação com limitações no acesso a informações consideradas estratégicas para o aprofundamento das investigações, enquanto o gabinete do ministro não compartilha dessa avaliação.

DIFERENTES INTERPRETAÇÕES – O episódio evidencia um ambiente de interpretações distintas sobre o fluxo de informações dentro da investigação, ainda que ambos os lados tenham o mesmo objetivo institucional: esclarecer as fraudes e identificar seus responsáveis.

Em investigações de grande repercussão, a integração entre Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal costuma ser determinante para o sucesso das apurações. Sempre que surgem dúvidas sobre o compartilhamento de dados ou sobre a condução processual, inevitavelmente cresce a pressão política e aumenta o espaço para disputas narrativas entre governo, oposição e instituições.

O caso do INSS tornou-se um dos episódios mais sensíveis enfrentados pelo governo do presidente Lula da Silva em seu atual mandato. As investigações apontam para um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários que atingiu milhares de aposentados e pensionistas, provocando enorme repercussão nacional e exigindo medidas emergenciais para interromper os prejuízos aos segurados. As apurações seguem em andamento e ainda buscam definir toda a extensão das responsabilidades administrativas e criminais envolvidas.

REFLEXOS – As consequências políticas já apareceram. A crise culminou na saída do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, após o aumento da pressão em torno da condução da pasta diante das denúncias. Embora sua exoneração não represente, por si só, reconhecimento de responsabilidade criminal, o episódio simbolizou o desgaste político provocado pela incapacidade do governo em impedir que as fraudes alcançassem tamanha dimensão.

O escândalo também reacendeu um antigo debate sobre os mecanismos de controle interno da administração pública. Especialistas em governança pública defendem que sistemas previdenciários, justamente por administrarem bilhões de reais e atenderem milhões de beneficiários, precisam operar sob rígidos mecanismos de auditoria, inteligência e monitoramento permanente. A ausência de controles eficazes favorece a atuação de organizações criminosas que exploram vulnerabilidades administrativas por longos períodos antes de serem descobertas.

Paralelamente à crise no INSS, outras investigações de grande impacto permanecem ocupando espaço no cenário político e econômico, como as apurações envolvendo o Banco Master e o prolongado processo de recuperação judicial das Lojas Americanas. Embora sejam casos distintos, todos alimentam um ambiente de desconfiança sobre mecanismos de fiscalização e de controle em diferentes setores da economia brasileira.

AÇÕES PREVENTIVAS – Na área da segurança pública, o presidente Lula afirmou recentemente que pretende fortalecer as ações preventivas diante do crescimento da violência e da atuação do crime organizado. Ao comentar episódios recentes de violência, declarou que “o mundo está cheio de malucos”, defendendo maior investimento na proteção da população e no fortalecimento das instituições de segurança.

A preocupação do governo encontra respaldo na realidade enfrentada diariamente em diversos estados brasileiros. Ataques coordenados contra ônibus, bloqueios de vias para dificultar operações policiais, confrontos entre facções e ações criminosas cada vez mais sofisticadas demonstram que o combate à violência exige mais do que respostas após os crimes ocorrerem. Inteligência policial, integração entre órgãos de investigação e prevenção continuam sendo apontadas como instrumentos indispensáveis para reduzir a criminalidade de forma consistente.

NOTÍCIA POSITIVA – Enquanto enfrenta esses desafios políticos e institucionais, o governo recebeu uma notícia positiva na área econômica. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice já registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. O resultado reflete um mercado de trabalho ainda aquecido, com crescimento da população ocupada e redução do número de desempregados.

Apesar do desempenho favorável do mercado de trabalho, economistas observam que parte desse avanço decorre também da expansão de modalidades temporárias e informais de ocupação, ainda que a formalização tenha apresentado evolução em relação ao ano anterior. Mesmo assim, a geração de empregos tende a fortalecer a percepção positiva da economia entre parcela do eleitorado, fator que pode exercer influência significativa no ambiente político às vésperas das eleições.

DIVERGÊNCIAS NA OPOSIÇÃO – Do lado da oposição, o cenário também apresenta desafios. Divergências públicas envolvendo integrantes do campo bolsonarista, especialmente entre aliados do senador Flávio Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alimentam especulações sobre possíveis impactos na coesão política do grupo. Embora ainda seja cedo para medir os efeitos eleitorais dessas tensões, disputas internas costumam reduzir a capacidade de articulação em momentos decisivos das campanhas.

O quadro político brasileiro, portanto, permanece marcado por dois movimentos simultâneos. De um lado, o governo busca capitalizar indicadores econômicos favoráveis, especialmente a queda do desemprego e a manutenção da atividade econômica. De outro, enfrenta o desgaste provocado por investigações que colocam em xeque a eficiência dos mecanismos de controle do Estado, sobretudo no caso do INSS.

Nesse contexto, o avanço das investigações assume importância que ultrapassa a esfera criminal. A forma como STF, Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos atuarão nos próximos meses poderá influenciar não apenas o esclarecimento das responsabilidades, mas também a confiança da sociedade nas instituições encarregadas de combater a corrupção e proteger os recursos públicos. Em um ambiente de forte polarização política, transparência, cooperação institucional e respeito ao devido processo legal serão elementos decisivos para preservar a credibilidade das investigações e evitar que um dos maiores escândalos administrativos dos últimos anos seja reduzido apenas a uma disputa de versões.

Rubio agradece por Flávio se colocar ‘à disposição dos EUA caso seja eleito

Tentativas de reconciliação fracassaram antes do embate público entre Flávio e Michelle

Crise entre Flávio e Michelle poderia ter sido evitada

Rafael Moraes Moura
O Globo

Antes da crise deflagrada com a divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a conturbada relação com a madrasta.

A convivência dos dois sempre foi marcada por um clima de ressentimento e desconfiança mútua, mas chegou a um patamar inédito de desgaste com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado por conta das críticas que ela fez à aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

“HUMILHAÇÃO” – Segundo relatos, não faltaram candidatos a bombeiro para tentar apaziguar os ânimos antes que se chegasse ao vídeo postado nas redes sociais na última quarta-feira (24), em que Michelle diz ter sofrido uma “humilhação” de Flávio, que a teria acusado de não entender “nada de política”.

Entre os diferentes atores políticos que tentaram aparar as arestas no clã Bolsonaro estão o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), e o próprio presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que estava em Miami para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia quando a guerra foi deflagrada. Após o episódio, Valdemar alterou os planos e antecipou o retorno ao Brasil.

“A verdade é que, quando Michelle se firmou como liderança no PL, os filhos do Bolsonaro se sentiram ameaçados”, afirmou um interlocutor do clã ouvido em caráter reservado. “Faltou para o Flávio o raciocínio de que a Michelle pode até não ajudá-lo a ganhar as eleições, mas pode ajudá-lo a perder. Qual a mulher brasileira que rivalizaria hoje com a proporção da popularidade da Michelle? Só a Anitta.”

GESTO DE EGOÍSMO – Já a tropa de choque bolsonarista viu na ofensiva midiática de Michelle um gesto de “egoísmo” e “vaidade pessoal”, atitude de quem ainda não admitiu ter sido preterida na composição de uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“O problema é que ela nunca engoliu a história de ela não ser a candidata a vice do Tarcísio. E qual a saída pro Bolsonaro? Que o Flávio se eleja e faça uma anistia, mas ela não pensa nisso”, afirmou um parlamentar que pediu para não ser identificado.

“Ela chama Alexandre de Moraes de irmão [Michelle chamou o ministro de “irmão em Cristo” durante evento em Brasília] e continua tendo o coração duro com o Flávio porque a candidatura dela foi inviabilizada pela dele. Jair Bolsonaro está dormindo com o inimigo.”

ELEITORADO FEMININO –  Entre integrantes do PL, há o temor de que o embate público entre madrasta e enteado atrapalhe a estratégia de Flávio de angariar votos no eleitorado feminino, principalmente entre as indecisas e independentes, que podem selar o resultado das urnas. Isso porque o cabo de guerra entre Flávio e Michelle, ainda que tenha respingado mais na imagem da ex-primeira-dama nas redes sociais, traz à tona questões como machismo e misoginia, dois tópicos que ressoam no eleitorado feminino.

Os números dos levantamentos mais recentes expõem os desafios no caminho do senador. Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%).

“Numa eleição, você vende a imagem de uma família exemplar e o que temos aqui é uma família em pé de guerra. Como que Flávio vai se eleger presidente da República para unir o país se não consegue garantir a paz nem dentro da própria família?”, questiona um aliado de Bolsonaro.

Brasil precisa de um presidente que saiba como enfrentar Trump e Macron

Trump threatens 100% tariffs on wine if France won't drop tech tax | Mashable

Macron e Trump querem boicotar o agronegócio brasileiro

Carlos Newton

Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil precisa desesperadamente de um governante que consiga entender o jogo-duro da política internacional e os movimentos que fazem as grandes potências, como Estados Unidos, China e União Europeia. Existe um político com esse perfil, o ex-governador Tarcísio de Freitas, mas está fora de cogitações, descartado pela ignorância e presunção de Jair Bolsonaro.

Ao anunciar a candidatura do filho mais velho, que não tem o menor preparo para governar o país, o ex-presidente demonstrou total desprezo aos interesses nacionais e criou um problema de difícil solução.

DIGNIDADE – Mesmo sem o apoio de Bolsonaro, Tarcísio poderia ter saído candidato a Presidência, com grandes chances de vencer Lula da Silva e montar um governo de união nacional, como fez Itamar Franco (1992/1995), que era filiado ao PL e armou uma fortíssima base aliada, integrada por PMDB, PSDB, PFL, PSB, PTB, PDT, PDS, PPS e até PCdoB, ficando o PT praticamente isolado na Oposição.

Mas Tarcísio de Freitas é um homem honrado, coisa rara na política, e teve a dignidade de se mostrar agradecido a Bolsonaro, que o nomeou ministro da Infraestrutura e depois bancou a candidatura dele a governador de São Paulo.

Mas agora é tarde e o Brasil está imobilizado pela sinistra e deletéria polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, dois perdidos numa política suja, como diria o ator, diretor e dramaturgo Plínio Marcos. E nenhum dos dois tem condições de defender os interesses do Brasil, que está sob forte ataque no xadrez da política internacional.

TESE DE TRUMP – O presidente Donald Trump quer eleger Flávio Bolsonaro porque será um serviçal dos EUA, enquanto Lula é um político que poderá atrapalhar bastante os interesses norte-americanos, ao se ligar ainda mais à China.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China é de US$ 300 bilhões. Os americanos importam muito mais produtos manufaturados e eletrônicos do que exportam para o mercado chinês, negociando principalmente produtos agrícolas, matérias-primas e produtos industriais, como aeronaves e componentes para linhas de produção.

Em queda nas pesquisas e com rejeição crescente, Trump pode levar à derrota o Partido Republicano em novembro, quando serão eleitos os 435 membros da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e muitos governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.

TARIFAÇOS –  Para tentar reduzir esse déficit e proteger a indústria local, a administração norte-americana tem adotado diversas medidas, especialmente os tarifaços nas importações e os subsídios ao setor agrícola, os chineses fazem o mesmo e a Europa também é cada vez mais protecionista, liderada pelo francês Emmanuel Macron.

Em meio a essa intrincada crise, o próximo presidente brasileiro precisa saber se equilibrar para defender os interesses nacionais. Os principais candidatos — Lula e Flávio — são totalmente despreparados. Os outros 12 candidatos também são decepcionantes.

O menos ruim, digamos assim, é o ex-governador Ronado Caiado, mas sua candidatura demora a decolar, porque é boicotada pelo próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, que age como dono do partido e não admite que surja alguma liderança que possa destroná-lo.

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P.S. – Este ainda é o retrato da política brasileira, polarizada entre Lula, líder sem herdeiros, e Bolsonaro, líder com herdeiros abaixo da crítica. Pode ser que Caiado desponte, mas está difícil. Essa situação faz lembrar a velha piada de que o Brasil só cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)  

Após revés, Brasil volta a pedir extradição de Carla Zambelli à Itália

Ex-deputada foi condenada pelo STF em 2025

Ana Pompeu
Folha

O governo brasileiro apresentou na última quinta-feira (25) nova manifestação à Justiça italiana para pedir a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Desta vez, no caso da condenação no episódio em que ela sacou e apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

O país fez o pedido no âmbito da condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal à Corte de Cassação local, última instância da Justiça italiana. O julgamento foi concluído pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2025.

EXTRADIÇÃO NEGADA – Em maio, decisão da Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada federal. Os juízes consideraram um problema o papel do ministro Alexandre de Moraes no caso da invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em que Zambelli foi condenada em maio do ano passado a dez anos de prisão. Documento obtido pela Folha cita “múltiplos elementos que levam a duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal”.

Na decisão, os italianos citam uma dupla função assumida por Alexandre de Moraes, um dos integrantes da Primeira Turma, colegiado que julgou a ex-deputada, e vítima do crime atribuído a ela. Zambelli foi condenada por agir para emitir um mandado de prisão falso com o ministro.

O novo material entregue pelo Brasil à Justiça italiana foi elaborado pela AGU (Advocacia-Geral da União), a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e o Ministério das Relações Exteriores.

SOB SIGILO – A íntegra da manifestação está sob sigilo por tramitar, segundo a AGU, “sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana”. A Corte de Apelação, instância anterior, analisou os dois processos sobre a ex-deputada juntos, mas produziu duas sentenças diferentes —uma no fim de março e outra no meio de abril. Em ambas, se manifestou a favor da extradição.

No caso da arma, ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto e à perda do mandato por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A acusação do Ministério Público foi feita após o episódio em que a deputada sacou e apontou uma arma para um homem no meio da rua em São Paulo, em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, a deputada perseguiu um homem após uma discussão no bairro dos Jardins. Um segurança da parlamentar chegou a fazer um disparo e foi preso pela Polícia Civil.

VOTO DE GILMAR – “O porte de arma de fogo concedido à acusada volta-se à sua defesa pessoal, razão pela qual a portadora não pode adentrar com o armamento em locais públicos, tampouco conduzi-lo ostensivamente, salvo, evidentemente, se necessário para assegurar sua própria defesa ou de terceiros”, disse Gilmar Mendes, relator do caso, em seu voto pela condenação.

Em junho de 2025, ela fugiu para a Itália e foi considerada foragida da Justiça brasileira. Zambelli foi detida no fim de julho, em um apartamento no bairro Aurélio, em Roma.

No ano passado, a Justiça da Espanha também negou um pedido de extradição feito pelo Brasil, no caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio Filho. Em 2024, o governo dos Estados Unidos disse que não extraditaria o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. E, neste ano, autoridades da Argentina concederam refúgio a foragido da Justiça por envolvimento no 8 de Janeiro.

Supercriativos, os ministros do Supremo já “encomendaram” novos penduricalhos

Tribuna da Internet | Gilmar Mendes dá 72 horas para MP justificar “ penduricalhos” salariais

Charge do Jean Galvão (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Estão de volta as letrinhas mágicas de um tesouro que os magistrados adoram – os penduricalhos. De repente, os solidários e bondosos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) descobriram novas brechas para flexibilizar os penduricalhos que estavam proibidos, pagos a juízes e membros do Ministério Público

Coitados, eles merecem. Todos trabalham muito, mas sempre no sistema “home office”, em casa, assistindo a Copa e fazendo despachos, um atrás do outro, tipo pai-de-santo baiano.  Ficam esgotados de tanto trabalhar e reclamam que ganham migalhas.

A vida hoje é boa, alegre e com bolso forrado, para a gulosa curriola togada. Para o resto do povo, os penduricalhos são os passageiros que ficam pendurados nos trens, ônibus e metrôs superlotados, no final do expediente de cada dia.

BAIXARIAS DO CLÃ –   Dia 26, sexta-feira, escrevi aqui na Tribuna da internet sobre a medonha lavagem de roupa suja do clã Bolsonaro, entre a madrasta Michelle e o enteado Flávio.

Dia 27, com o título “Há algo de podre no reino dos Bolsonaros”, o Estado de São Paulo destacou em editorial:

“Felizmente, a senhora Michelle Bolsonaro resolveu fazer um grande favor ao Brasil ao gravar e divulgar seu depoimento a respeito de Flávio Bolsonaro. Assim, deu aos eleitores conservadores a chance de ver, com os próprios olhos, de que material é feito o bolsonarismo original. Quem sabe os estimule, finalmente, a procurar alternativas que estejam genuinamente interessadas em governar o Brasil com bom senso e dignidade – qualidades estranhas a Jair Bolsonaro e sua grei”.

Segurança de Caiado supera em mais de seis vezes a equipe dos ex-presidentes

Campanha de Flávio reage à crise com Michelle e aposta em vice mulher

Aaliados tentam frear danos ao filho do ex-presidente

Augusto Tenório
Thaísa Oliveira
Raphael Di Cunto
Folha

As duras críticas feitas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro mobilizaram aliados do pré-candidato à Presidência para tentar conter danos à campanha do PL, que aposta no anúncio de uma vice mulher para frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino.

A divulgação de vídeos por Michelle na tarde da última quarta-feira (24), nos quais ela diz ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio após críticas à aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, pegou aliados do senador de surpresa e provocou tentativas de explicações nas horas seguintes.

IMPACTOS – A pré-campanha de Flávio admite ter se assustado com as publicações de Michelle em um primeiro momento, mas disse depois ser preciso aguardar para aferir os impactos. Parte dos aliados do senador afirma acreditar que os vídeos podem ser ruins também para a ex-primeira-dama, diante de um eleitorado bolsonarista que defende união contra Lula (PT).

Apesar da dificuldade enfrentada por Flávio em pesquisas com mulheres, a tese do PL é a de que dificilmente apoiadores de Michelle deixarão de votar no filho de Bolsonaro por causa da briga. Mesmo que haja uma migração para outros candidatos no primeiro turno, dizem esses aliados, a avaliação é a de que esses votos tendem a voltar em um eventual segundo turno.

Depois de tentar minimizar as críticas e dizer, às vésperas de partida do Brasil na Copa, que “hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”, Flávio voltou às redes sociais horas depois para negar ter ofendido Michelle e dizer que, “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.

ESCLARECIMENTOS – A ex-primeira-dama, por sua vez, disse posteriormente não ter “raiva de ninguém” e que buscou com os vídeos esclarecer “uma situação que estava sendo deturpada”. Afirmou que “uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito”. “Vamos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição.”

Antes mesmo das declarações de Michelle, Flávio já estava decidido a indicar uma mulher para ser sua candidata a vice-presidente. O nome da escolhida ainda não está definido, mas deve ser anunciado nas próximas duas semanas, segundo aliados.

Entre as cotadas estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC), hoje candidata à reeleição, e Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado. O nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), que tem ajudado Flávio, também tem sido lembrado por aliados diante do que veem como falta de opção.

NO RADAR – A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) continua no radar da pré-campanha, mas integrantes da federação formada pelo PP e pelo União Brasil dizem que as críticas de Michelle reforçaram a avaliação de que é preciso ter cautela sobre a aliança com Flávio.

Segundo aliados de Michelle, ela decidiu gravar vídeos como um desabafo, por ter se cansado do que descrevia como uma série de agressões coordenadas e informações falsas, que afetariam não só a ela, mas também à filha mais nova, Laura, que é adolescente.

Irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL) publicou um texto nas redes sociais em que diz que ela contou “muito pouco diante de tudo o que tem acontecido” e que já presenciou e precisou inclusive intervir.

SILÊNCIO – “São críticas, cobranças, acusações, injúrias e injustiças. A resposta por muito tempo foi o silêncio. Atacada por muitos até por seu silêncio, não suportou mais tamanha injustiça e resolveu fazer alguns esclarecimentos”, afirmou.

Nos vídeos divulgados na quarta, Michelle afirma que Flávio a desrespeitou, humilhou, disse que ela não entendia nada de política e deixou subentendido que não queria a participação dela em sua campanha presidencial. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, declarou.

Em resposta, Flávio publicou um texto dele e da esposa e gravou um vídeo em que nega ter humilhado a madrasta. “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse. Fernanda Bolsonaro, por sua vez, escreveu nas redes sociais que o que vê todos os dias, como esposa de Flávio, é “um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado”.

SEM DIÁLOGO – Enquanto parte do PL avalia que Flávio poderia ter desarmado essa bomba antes, evitando uma briga pública, pessoas mais próximas ao senador afirmam que ele tenta falar com Michelle há meses, sem sucesso. Dizem, inclusive, que ele ligou para a madrasta e deixou um recado na manhã desta quarta —ou seja, horas antes do vídeo— para convidá-la para uma reunião com lideranças femininas na semana que vem, mas que ela não respondeu.

“De coração aberto quero reforçar o convite que eu já tinha feito para a Michelle. Coração segue aberto, Michelle. Preciso de todo mundo junto comigo. Posso contar com você?”, disse Flávio em vídeo divulgado nesta quinta (25).

Para tentar melhorar o trânsito com o eleitorado feminino, Flávio fará uma reunião de trabalho com aliadas na semana que vem. O pré-candidato quer ouvir sugestões que possam integrar o plano de governo dele e demonstrar proximidade com lideranças importantes, como Bia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).