Planalto evita ataques públicos, mas tentará uso político do caso de Ciro Nogueira

Planalto pode usar arsenal contra senador nas eleições

Gabriela Echenique
Folha

O Palácio do Planalto decidiu poupar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) de ataques após ele ser alvo da PF (Polícia Federal), mas ministros do governo dizem que Lula (PT) vai aproveitar o caso Master contra o adversário na campanha eleitoral.

Interlocutores do presidente dizem que a operação desta quinta-feira (7) praticamente mina qualquer chance de pacto de “não agressão”. O senador procurou o presidente Lula no final do ano passado e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) pedindo que não houvesse ataques diretos uns aos outros com citações ao Master.

SEM GARANTIA – Segundo aliados do presidente, não houve qualquer garantia. Mesmo assim, o cenário era de que Lula poderia evitar ataques ao senador durante a campanha. A nova fase da Operação Compliance Zero reverte esse cenário. Ministros e auxiliares de Lula dizem que o governo vai usar todo o arsenal contra o senador.

Neste momento, a ordem do Planalto é evitar ataques para não associar a operação com o presidente Lula. O objetivo é mostrar que a PF tem total autonomia nas investigações. O fato de o presidente estar nos Estados Unidos foi, inclusive, comemorado por um ministro do governo. Na avaliação dele, “quanto mais distante, melhor”. 

Jornalista americano diz que não houve coletiva porque Trump teria “esmagado” Lula

Lula diz ter tido reunião “muito produtiva” com Trump

Lula disse ter pedido que Donald Trump forçasse um sorriso

Carlos Newton

Um dos detalhes mais curiosos do almoço entre os presidentes Lula da Silva e Donald Trump foi o fato de ter sido entregue ao governante norte-americano dois documentos: a cópia do acordo nuclear Brasil/Irã e a lista com o nome de todas as autoridades brasileiras e familiares que ainda estão com os seus vistos suspensos para entrar nos EUA.

“Entreguei a lista dos nomes brasileiros que ainda estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Como foi aprovada a dosimetria no Congresso Nacional, que vai diminuir a pena de todo mundo, quem sabe o Trump entenda a necessidade de liberar o visto desses brasileiros que estão proibidos de entrar aqui”, disse Lula durante coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil, em Washington, após a reunião com Trump, em que revelou também ter entregue a cópia do acordo com o Irã.

DESPREPARO – O relato dessas cenas é deprimente e revela o despreparo do político brasileiro, que arrota soberania, mas se sujeita a esse tipo de subordinação.

Primeiro, ao entregar a Trump a cópia de um acordo que os EUA já conhecem de sobra; depois, ao tentar favorecer autoridades brasileiras proibidas de entrar nos Estados Unidos, como o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher Viviane Barci, que têm 129 milhões de motivos para se angustiarem com a situação.

Outros ministros barrados pelo governo Trump são Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes, além de autoridades secundárias, tipo Jorge Messias (AGU) e Paulo Gonet (PGR), além de simples funcionários, como Cristina Yukiko Kusahara Gomes (chefe de gabinete de Moraes).

FALSA ALEGAÇÃO – O mais patético foi Lula ter comentado que a Lei da Dosimetria, ao reduzir penas de condenados pela tentativa de golpe de Estado, pode melhorar a disposição do governo Trump para revogar as sanções contra autoridades brasileiras.

Lula fez essa alegação a Trump, comportando-se como se fosse o criador da Dosimetria, mas é claro que o governo americano sabe que o petista sempre foi contra o projeto  e até vetou sua aprovação, mas agora se mostra adepto da Dosimetria, vejam até que ponto vai a desfaçatez dele.

Por essas e outras, o jornalista americano Eric Daugherty afirmou que aumentam os comentários de que Trump teria “esmagado” Lula a portas fechadas, justamente por isso não houve declaração conjunta nem a entrevista coletiva, que tinha sido convocada.

A afirmação do jornalista cita o fato de Trump ter comentado rapidamente a reunião, afirmando apenas que  “correu bem” e indicando que representantes dos dois países devem voltar a se reunir nos próximos meses…

POSSIBILIDADE – Entre políticos exóticos e despreparados como Trump e Lula, tudo é possível, ambos pensam que são donos do mundo. Portanto, pode até acontecer que Trump atenda ao singelo pedido de Lula de devolver vistos, mas exija de troco as terras raras ou coisas assim.

Mas é muito difícil a liberação dos vistos de Moraes e Viviane, porque o ministro brasileiro está sendo processado pelo próprio presidente americano, através de sua empresa de mídia Trump Media & Technology Group (TMTG), que entrou na Justiça dos EUA contra Moraes em 2025. A ação é movida em conjunto com a plataforma de vídeos Rumble, parceira do grupo empresarial de Trump.

Inclusive, Moraes está fugindo da citação nesse processo, o que significa que será julgado à revelia e condenado, inapelavelmente.

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P.S. –
Lula não sabe nada disso, não entende nada disso, vive num mundo de ilusão. Não consegue compreender que Moraes não tem salvação. Trump pode até devolver o visto ao ministro brasileiro, o isso não significará nada. Moraes jamais irá pisar nos Estados Unidos, porque corre o risco de ser preso por estar se esquivando de responder ao processo. (C.N.)

Entidades acusam Judiciário de driblar STF para manter supersalários no serviço público

Carla Zambelli enfrenta rotina restrita na Itália enquanto sua extradição avança

Sequência de decisões no Congresso cria precedentes e altera dinâmica institucional

Gilmar cobra OAB por críticas ao STF e pressiona entidade a defender a Corte

“Não podemos fragilizar o STF”, argumentou Gilmar

Rafael Moraes Moura
O Globo

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, cobrou do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, pelas críticas que a entidade vem fazendo à atuação da Corte. Na conversa, ocorrida em uma audiência no Supremo no final do mês passado, Gilmar pressionou Simonetti a sair em defesa da Corte.

“Não podemos fragilizar o STF”, argumentou Gilmar, repetindo em privado uma queixa que já fizera em público a respeito da OAB em entrevista ao Jornal da Globo, dois dias antes da audiência, em 22 de abril. “A OAB de São Paulo tem criticado muito o Supremo Tribunal Federal. Mas a gente também pode fazer uma pergunta: o que a OAB tem feito contra as fraudes perpetradas por advogados?”, indagou o decano do STF à jornalista Renata Lo Prete.

APURAÇÕES E SANÇÕES – Foi para dar uma resposta ao ministro sobre a sua fala que Simonetti pediu para ser recebido. No encontro, ele entregou a Gilmar um levantamento sobre as apurações e sanções praticadas pela própria entidade contra advogados. Mas, como Gilmar se mostrava inconformado, Simonetti foi claro: disse que seu maior problema no momento é justamente conter os ânimos de sua classe, que cobra dele uma atuação ainda mais combativa contra o STF.

O presidente da OAB disse que tem falado bem menos do que a base de advogados tem lhe cobrado diante da crescente insatisfação do meio jurídico com a perpetuação do inquérito das fake news, aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli. O processo foi instaurado para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares – mas, na prática, se tornou uma espécie de atalho jurídico para o tribunal enquadrar críticos e opositores.

Na entrevista a Lo Prete, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e defendeu que ele continue aberto pelo menos até as eleições, o que teve repercussão ainda pior na base de Simonetti.

OFÍCIO –  O ministro já tinha se mostrado particularmente contrariado com a postura de Simonetti de entregar em março deste ano ao presidente do STF, Edson Fachin, um ofício a favor da conclusão do inquérito das fake news, manifestando “extrema preocupação institucional” com “investigações de longa duração”.

Daí a citação à OAB nas entrevistas que Gilmar deu, em resposta ao relatório que o senador Alessandro Vieira apresentou ao final da CPI do Master propondo o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e do próprio Gilmar, e do vídeo satírico divulgado nas redes sociais pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em que o decano era retratado como fantoche.

PRESSÃO – Gilmar tem pressionado a Procuradoria-Geral da República (PGR) para incluir Zema no inquérito das fake news. Na audiência, Simonetti argumentou que tem evitado fulanizar o debate e entrar em embates pessoais, e disse que prefere adotar uma linha institucional de defesa de reformas para o Judiciário, que respondam às demandas da sociedade e ajudem o STF a sair da crise na qual mergulhou com as revelações do caso Banco Master. Os argumentos parecem ter surtido efeito. O que começou como uma conversa dura acabou em tom conciliatório.

No mês passado, a OAB criou uma comissão especial para discutir mudanças no Poder Judiciário, que deverá abordar, entre outros pontos, a limitação de decisões monocráticas e a criação de regras mais rígidas para a atuação de parentes de magistrados na advocacia. Gilmar é um dos mais árduos críticos da proposta de Fachin de implantar um Código de Conduta na Corte.

Em dezembro do ano passado, o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, criticou uma polêmica liminar de Gilmar que dificultou a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF. À época, a decisão do decano foi interpretada como uma forma de blindar a Corte do “risco impeachment”, num momento em que a bancada anti-STF no Senado Federal deve aumentar com o resultado das eleições de outubro.

LIMINAR – “Não dá para entender porque que veio uma liminar, não havia urgência, até porque, em termos práticos, está se alterando por uma liminar o processo de impeachment de ministros. Um processo de impeachment que nunca aconteceu, não há nenhum processo de impeachment acontecendo, então não há emergência, não há conveniência e acho, mais uma vez, que se há a discussão, ótimo que ela seja feita no lugar devido ao Congresso Nacional”, criticou Sica em entrevista à rádio CBN.

Em um primeiro momento, Gilmar decidiu que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia acionar o Senado para cassar magistrados, esvaziando o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de ingressarem com pedidos dessa natureza.

Depois, o ministro recuou desse ponto, mas manteve o trecho da liminar que aumenta de 41 para 54 votos o número mínimo necessário para a abertura desse tipo de processo. Simonetti está em seu segundo mandato à frente da OAB, que só se encerra em janeiro de 2028. Procurada, a OAB informou que Simonetti não vai se manifestar.

Da “chapa dos sonhos” ao pesadelo da PF: o cerco ao senador Ciro Nogueira

Operação contra Ciro rompe blindagem de políticos

Bernardo Mello Franco
O Globo

Demorou, mas a Polícia Federal enfim bateu à porta de Ciro Nogueira. O senador estava na mira desde o início do escândalo do Master. Numa mensagem célebre, Daniel Vorcaro o descreveu como um dos “grandes amigos de vida”.

Para o ministro André Mendonça, a relação extrapolava a “mera amizade”. De acordo com as investigações, Ciro recebia mesada de até R$ 500 mil. Além disso, usava o cartão do banqueiro para pagar voos internacionais, hotéis de luxo e restaurantes estrelados.

DOBRADINHA – Ciro deixou rastros da dobradinha. Foi dele a proposta de elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Um incentivo e tanto para bancos que fraudam o sistema financeiro com títulos sem lastro. O texto assinado pelo senador já havia sido apelidado de “emenda Master”. Agora sabe-se que foi redigido por funcionários do banco e depositado num envelope em nome de Ciro. “Saiu exatamente como mandei”, festejou Vorcaro. O diálogo atesta a captura do cargo público para fins particulares.

Sempre falante, o chefão do PP passou o dia em silêncio depois de ser acordado pela polícia. Seus advogados disseram que ele “repudia qualquer ilação de ilicitude”. Ciro já foi conhecido como o príncipe do baixo clero. Habilidoso, virou presidente de partido e se projetou como um dos maiores articuladores do Centrão.

ALIANÇA – Nos últimos anos, costurou a aliança do grupo com o bolsonarismo. Foi chefe da Casa Civil de Jair e era cotado como candidato a vice de Flávio. Animado, o senador chegou a definir o arranjo como “chapa dos sonhos”.

Para a bancada do Master, a operação de ontem pode ter sido o início de um pesadelo. A PF ainda não havia encostado em políticos que alugaram seus mandatos ao trambiqueiro da Faria Lima. A fila é extensa e suprapartidária. Além de congressistas, deve pegar governadores que despejaram dinheiro de aposentados nos fundos de Vorcaro.

Pela quantidade de provas citadas por Mendonça, Ciro teve sorte. O senador pode ter perdido algumas horas de sono, mas poderá compensá-las em casa. E sem tornozeleira eletrônica.

Nova indicação ao STF vira impasse e a oposição aposta em Alcolumbre para segurar nome

Alcolumbre poderá arcar com desgaste político

Valdo Cruz
G1

Líderes da oposição querem deixar a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições, após a rejeição de Jorge Messias.

Admitem, porém, que uma possível indicação por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma jurista negra irá criar constrangimentos para eles.

SEM ARGUMENTO – “Vamos ficar sem discurso se o Lula mandar o nome de uma jurista negra, de reputação ilibada e notório saber jurídico. Se rejeitarmos vamos dar munição para ele na campanha eleitoral”, disse um líder da oposição reservadamente.

Segundo ele, o melhor caminho seria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segurar a indicação e não marcar a sabatina, ficando com ele, que não é candidato, o desgaste por engavetar o nome. Ou seja, a oposição não quer ficar com o desgaste de barrar uma nova indicação do presidente Lula se for uma jurista negra, mas espera que Alcolumbre faça o serviço para ela.

Em troca, será dada mais uma vez a sinalização de que Alcolumbre teria o apoio de Flávio Bolsonaro, caso ele vença a eleição presidencial, de ser reeleito presidente do Senado no próximo ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Lula esta revivendo enredo da célebre peça teatral de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar – “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”. Se indicar outro nome e for recusado, estará completamente desmoralizado e pode esquecer a reeleição. Eis a questão. (C.N.)

Haddad mira Flávio Bolsonaro e liga campanha de 2026 ao escândalo do Banco Master

Haddad cobra explicações sobre patrimônio de Flávio Bolsonaro

Hyndara Freitas
O Globo

Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou, nesta quinta-feira (7), que as pessoas “não têm ideia” de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Lula (PT) na disputa ao Palácio do Planalto, e que espera que a campanha mostre “quem é o personagem e quem são os amigos dele”. Ao comentar sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Haddad ainda citou o caso do Banco Master.

— Eu creio que as pessoas não têm ideia de quem seja o Flávio. Eu espero que a campanha mostre quem é o personagem, quantos mandatos ele teve, quantos projetos ele aprovou, como é que ele angariou esse patrimônio considerável que ele detém, quem são os amigos dele. As investigações estão sendo aprofundadas sobre os escândalos que o governo desbaratou, então tem havido uma compreensão maior de quem é responsável por esses desmandos, quando surgiram esses desmandos, quem foram os responsáveis. Isso tudo vai ajudar a esclarecer — falou o ex-ministro da Fazenda em coletiva de imprensa após dar uma palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo.

CASO MASTER – Ele havia sido indagado sobre como o governo poderia dialogar mais com a população, tendo em vista que Flávio aparece empatado ou até ultrapassando Lula numericamente em pesquisas eleitorais recentes. Haddad então citou o caso Master e acrescentou que é preciso “colocar as instituições para funcionar, cada um com a sua competência”, citando a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público.

— Cada uma no que lhes compete, e esclarecer para a opinião pública para onde foi o dinheiro do Master, que campanhas o Master financiou, quem é amigo de quem, para a gente ter clareza do que aconteceu. Isso vai ajudar muito. Agora, o papel é dar transparência para isso. Nós já sabemos na gestão de quem, no Banco Central, diretores foram corrompidos. Estamos investigando parlamentares que podem ter envolvimento em beneficiar o Master, e vamos atrás — acrescentou, dizendo que esse caso “obviamente vai ter impacto eleitoral” na campanha.

Na manhã desta quinta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura as ligações dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Indagado sobre a operação, Haddad disse que não havia tomado conhecimento.

MEDIDAS ECONÔMICAS – O ex-ministro da Fazenda negou que tenha havido aumento da carga tributária durante a gestão atual de Lula, e afirmou que isso só ocorreu significativamente no país durante a ditadura militar e após o Plano Real. Ele ainda justificou o aumento de gastos no governo por medidas tomadas na reta final da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— O que aconteceu em 2022 foi grave. Diante do cenário de derrota iminente, houve uma sangria nas contas. E o legado para pagar no ano seguinte era de quase R$ 200 bilhões, de precatórios não previstos, porque o Supremo declarou inconstitucional a PEC do calote, e tinha o reajuste do Bolsa Família que não estava no orçamento — falou Haddad.

– Eu não sou uma pessoa dogmática que acha que não pode gastar mais do que arrecada. Em que condições? Tem várias maneiras de fazer ajuste fiscal. E dependendo da sua visão de mundo, você faz o ajuste de uma forma ou de outra, penalizando quem ganha salário mínimo ou penalizando quem não paga para começar a pagar — , acrescentou

DIFICULDADES DA ESQUERDA –  Haddad ainda reconheceu as dificuldades da esquerda no Brasil e no mundo, destacando que experiências passadas, como o bem-estar social e o nacional-desenvolvimentismo acabaram “perdendo o charme” nas últimas décadas e, ao mesmo tempo, houve uma ascensão da extrema-direita, que dificulta planos mais de longo prazo.

— Tem duas forças que restringem a imaginação institucional, na minha opinião: a gente se enviuvou de coisas que parecem não fazer tanto sentido, e a outra é o medo do que vem pela frente. Quando você teme o futuro, você não quer muito sair do lugar. A gente pode estar diante disso em outubro, de gente falando “ah, mas vai piorar”. Se nós não enfrentarmos o espantalho do futuro, nós não vamos sair do lugar — falou.

MAIS LIBERDADE – Para o ex-titular da Fazenda, “quando há duas forças competindo com a regra do jogo bem estabelecida e respeito mútuo, como perdurou no Brasil durante 30 anos”, há “muito mais liberdade para fazer as coisas”, mas este cenário seria diferente agora.

— Porque você sabe que, se você errar, o país vai ser dirigido por gente séria. Agora se você errar aqui, tomar voos maiores, vai jogar o país nas mãos de uma cleptocracia? A extrema-direita atrapalha muito, esse tipo de ameaça inibe você de pensar a longo prazo — acrescentou.

“PRECONCEITO” – Ainda em relação à esquerda, Haddad comentou que existe uma parcela desse setor que tem “um certo preconceito” com trabalhadores que não são assalariados e que trabalham de maneira autônoma, lembrando que o PT nasceu entre sindicatos no ABC Paulista e que, hoje, as dinâmicas trabalhistas mudaram.

— Até para você vender um programa de país para uma diversidade tão grande de pontos de vista, isso ficou mais difícil. O PT nasceu num berço de pessoas que vendiam a carteira de trabalho. E ainda existe, nos partidos de esquerda, um certo preconceito com quem não é assalariado. O cara (trabalhador) precarizado, às vezes, não consegue interagir com o operário tradicional. Tem outra cabeça, tem outra visão. Nenhum desses atores são proprietários de dinheiro de produção. Então articular um projeto em torno de emancipação, de crescimento, em torno de visões tão díspares, se tornou um desafio maior – comentou.

Ao deixar o TSE, Cármen Lúcia faz apelo por igualdade e condena violência contra mulheres

Ministra defendeu a participação feminina na Justiça Eleitoral

Pepita Ortega
O Globo

A ministra Cármen Lúcia reforçou a necessidade de garantir a presença feminina nos espaços públicos em sua última sessão como presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A ministra defendeu a participação de mulheres na Justiça Eleitoral para que não prevaleçam as “desigualdades sociais, cívicas, políticas e econômicas” em razão da “violência bárbara” praticada contra as mesmas.

“Isso não é um problema de civilidade, é um problema de humanidade. E o que queremos é a uma Justiça para seres humanos e humanas igualmente dignos. Esperamos que isso continue na Justiça Eleitoral, que tem servido também como exemplo da capacidade de termos uma sociedade muito mais igual para todas as pessoas”, assinalou. A ponderação teve início quando a magistrada defendia que advogadas tenham o mesmo espaço e possibilidade que os colegas homens e ascendam a cargos públicos.

“MATRIZ DA URNA ELEITORAL” –  A ministra afirmou ainda que o País é exemplo de “matriz da urna eleitoral”. “Que a gente chegue ao momento em que possamos nos considerar matriz de democracia para toda sociedade, cumprindo as determinações de construção de uma sociedade livre justa e solidária. Somos capazes de demonstrar ao mundo que podemos viver em paz em condições de igualdade e com respeito as liberdades”, completou.

Cármen ainda fez um breve balanço de sua gestão. Ao longo da mesma, o TSE realizou mais de 300 sessões, 159 delas para julgamento presencial, tendo julgado 5215 processos ao todo. Antes do discurso a ministra foi homenageada e foi aplaudida de pé pelos ministros e demais presentes na sessão.

O presidente eleito da Corte, Kassio Nunes Marques, ressaltou o fato histórico de Cármen Lúcia ser a primeira mulher a presidir o TSE por duas eleições e afirmou que a ministra “defendeu os institutos mais caros da democracia com comprometimento próprio de quem é apaixonado pelo país”.

VISIBILIDADE – O ministro enfatizou a visibilidade dada por Cármen à participação feminina na vida pública, defendendo um tratamento justo para as mulheres nas eleições e também na própria composição da justiça eleitoral.

Kassio indicou ainda que Cármen “conduziu o tribunal por um caminho seguro” e afirmou que ele e os demais ministros seguirão as “trilhas desbravadas” pela ministra”. Como sucessor da atual presidente, ainda pontuou que será fiel ao exemplo dado na condução nas eleições de 2024, com a “firmeza no cumprimento de normas, zelo na garantia de direitos e serenidade na condução dos trabalhos”. O ministro exaltou o “gigantismo” da gestão da ministra e a “magnanimidade” do que a ministra representa para a Justiça Eleitoral.

O procurador-geral da República Paulo Gonet também homenageou a ministra, afirmando que Cármen deixa na memória da Corte eleitoral “os melhores traços de sua exitosa, culta e íntegra” história na Justiça. Segundo o PGR, “o tempo guardará o registro do empenho” da ministra na proteção e na consecução dos valores da Constituição, assim como na “defesa intransigente da democracia e da efetivação dos direitos básicos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ao invés de trocar elogios desnecessários e triviais, os ministros do Supremo deveriam estar preocupados em limpar a instituição, que está com uma imagem totalmente poluída. Mas o corporativismo é tão forte que eles vivem no melhor dos mundos, tentando desconhecer seus gravíssimos problemas. (C.N.)

Líder do PP no Senado defende a PF após investigação chegar a Ciro Nogueira

Uma canção desesperada de Cecilia Meireles, perdida entre os espaços da vida

Alguns dos melhores momentos da vida a... Cecilia meireles - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções 

A professora, jornalista e poeta carioca Cecília Meireles (1901-1964), no poema “Canção Excêntrica”, confessa sua frustração por não encontrar o espaço ideal para suportar uma vida eivada de saudades e de arrependimentos.

CANÇÃO EXCÊNTRICA
Cecília Meireles

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
– saudosa do que não faço
– do que faço, arrependida.

Ministro-relator do TCU vira alvo potencial de delação de Daniel Vorcaro

Nota de Flávio Bolsonaro irrita cúpula do PP e prejudica aliança para 2026

Bastidores ligam rejeição de Messias ao temor de Alcolumbre com delação de Vorcaro

A delação do fraudador Daniel Vorcaro e o teste das instituições

Charge do Renato Aroeira (Brasil247)

Pedro do Coutto

A entrega da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República marca um novo capítulo em uma das investigações mais delicadas e potencialmente explosivas do atual cenário político-financeiro brasileiro.

O caso, que inicialmente orbitava suspeitas de irregularidades bancárias e operações financeiras de alto risco envolvendo o Banco Master, passou a ganhar contornos muito mais amplos à medida que vieram à tona relatos sobre relações com integrantes do sistema político, operadores de influência, agentes públicos e até setores do Judiciário. A pergunta que agora domina os bastidores de Brasília não é apenas o que Vorcaro sabe, mas sobretudo o que ele pode provar.

ABALOS INSTITUCIONAIS – Essa distinção é fundamental. O histórico recente da política brasileira mostra que delações premiadas possuem enorme capacidade de produzir abalos institucionais, antecipar condenações no tribunal da opinião pública e reorganizar disputas de poder muito antes da apresentação efetiva de provas robustas. Foi assim em diferentes momentos da Operação Lava Jato, quando vazamentos seletivos, trechos descontextualizados e narrativas parcialmente construídas passaram a influenciar o debate político nacional de maneira profunda.

Por isso, a cautela das autoridades em relação à proposta apresentada por Vorcaro não parece mero formalismo jurídico. Trata-se de uma exigência institucional necessária diante da dimensão das acusações ventiladas nos bastidores e do impacto político potencialmente devastador que uma colaboração dessa natureza pode produzir.

INFORMAÇÕES SENSÍVEIS – Não há dúvida de que Daniel Vorcaro dispõe de informações sensíveis. As próprias investigações já tornadas públicas indicam conexões complexas entre interesses financeiros, movimentações políticas, emendas legislativas, fundos de investimento, relações empresariais e estruturas de influência que atravessam diferentes setores da República.

Os documentos apreendidos pela Polícia Federal, as mensagens extraídas de celulares e os relatos divulgados pela imprensa sugerem que o caso ultrapassa em muito uma simples investigação bancária. Mas informação, por si só, não basta.

O verdadeiro teste de uma delação premiada não está na quantidade de nomes citados nem na capacidade de produzir manchetes impactantes. O que define a credibilidade de uma colaboração é sua aptidão para esclarecer fatos obscuros, conectar evidências já existentes, apresentar elementos inéditos e permitir o avanço concreto das investigações.

CONJUNTO PROBATÓRIO – Esse é justamente o ponto central que parece gerar desconfiança em setores da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e até do Supremo Tribunal Federal. Há o receio de que parte da estratégia da defesa esteja baseada na criação de uma expectativa política e midiática em torno da delação, sem que exista, necessariamente, um conjunto probatório suficientemente sólido para sustentar as acusações mais graves.

A preocupação não é trivial. Em momentos de forte tensão política, delações podem se transformar em instrumentos de pressão, barganha ou sobrevivência jurídica. O colaborador passa a negociar não apenas benefícios penais, mas também relevância política. Quanto maior o potencial de desgaste institucional de suas revelações, maior tende a ser seu poder de negociação diante do sistema de Justiça.

É exatamente por isso que a legislação brasileira exige que acordos de colaboração sejam acompanhados de provas minimamente verificáveis. Não basta relatar encontros, viagens, conversas ou relações de proximidade política. É necessário demonstrar materialidade, indicar fluxo financeiro, apresentar documentos, registros, mensagens, contratos ou qualquer elemento capaz de transformar suspeitas em fatos juridicamente sustentáveis.

PERSONAGENS IMPORTANTES – O desafio se torna ainda mais delicado porque o caso envolve personagens de enorme peso político e institucional. À medida que surgem menções a parlamentares influentes, ministros de tribunais superiores, integrantes do Centrão e operadores financeiros próximos ao poder, cresce também o risco de que a investigação seja contaminada por disputas políticas, vazamentos seletivos e tentativas de instrumentalização.

Nesse ambiente, o comportamento das instituições será determinante para a credibilidade do processo. Tanto a Polícia Federal quanto a PGR e o Supremo terão de demonstrar capacidade de separar aquilo que efetivamente possui valor probatório do que eventualmente possa representar apenas estratégia defensiva ou construção narrativa.

CONFIANÇA PÚBLICA – O Brasil já conhece os efeitos devastadores de investigações conduzidas sob lógica de espetáculo. O desgaste institucional provocado por excessos cometidos em diferentes fases da Lava Jato ainda produz reflexos profundos na confiança pública sobre o sistema de Justiça. Isso não significa relativizar suspeitas nem desestimular investigações rigorosas. Significa apenas reconhecer que o combate à corrupção e aos crimes financeiros não pode prescindir do devido processo legal, da responsabilidade institucional e da preservação das garantias fundamentais.

Ao mesmo tempo, seria ingenuidade imaginar que uma investigação dessa magnitude não produzirá impactos políticos expressivos. O caso Banco Master já deixou de ser apenas uma apuração financeira. Ele começa a revelar as zonas cinzentas que frequentemente aproximam mercado, política e poder institucional no Brasil contemporâneo.

TENSÃO POLÍTICA – A grande questão, portanto, não é se Daniel Vorcaro possui informações comprometedoras. Tudo indica que possui. A verdadeira dúvida é outra: se essas informações serão capazes de iluminar estruturas efetivamente obscuras do poder ou se terminarão reduzidas a mais um capítulo de tensão política alimentado por vazamentos, especulações e narrativas inconclusas.

A resposta definirá não apenas o futuro jurídico de Vorcaro, mas também a capacidade das instituições brasileiras de lidar com investigações de grande impacto sem sucumbir novamente à lógica da guerra política permanente.

Investigação aponta que empresa ligada a Ciro comprou ativo de R$ 13 milhões por R$ 1 milhão

Investigadores acusam Vorcaro de poupar aliados em delação esvaziada

Sobre Ciro Nogueira havia apenas informações genéricas

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

Os investigadores do caso Master já formaram sua opinião sobre a proposta de delação de Daniel Vorcaro. Além de considerarem que a lista de revelações que ele se propõe a fazer é ruim e insuficiente, eles avaliam que Vorcaro está “escolhendo alvos” para entregar enquanto protege algumas pessoas — como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que sofreu busca e apreensão da Polícia Federal por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro nesta quinta-feira (7).

Na interpretação da equipe que está mergulhada nos anexos de Vorcaro, as escolhas de quem poupar e quem entregar revelam que o banqueiro ainda tem esperança de que a rede de influência que ele formou comprando políticos e autoridades possa fornecer a ele alguma saída alternativa à delação.

OMISSÃO – Na proposta entregue no início da semana, Vorcaro omitiu as informações usadas pela PF na representação que baseou a decisão do ministro André Mendonça – como a mesada de até R$ 500 mil paga ao senador Ciro Nogueira em troca da aprovação de matérias de interesse do banqueiro no Congresso.

No capítulo a respeito do senador do PP, havia apenas informações genéricas que os investigadores interpretaram como positivas, e que por isso ganharam o apelido interno de “a beatificação de Ciro”. A ausência de informações e provas que a PF já tem a respeito de outras autoridades que tiveram envolvimento flagrante com o banco e seu esquema também chama a atenção no conteúdo dos dois pen drives entregues pelos defensores aos delegados e procuradores no início da semana.

SEM NOVOS ELEMENTOS – A proposta de Vorcaro não esclarece suas conexões no meio político e jurídico e não traz novos elementos sobre personagens-chave do caso. Nesse rol, além de Ciro Nogueira – que, segundo a PF, “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do dono do Master – estariam também os ministros Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que chegou a ameaçar reverter a decisão do Banco Central que decretou a liquidação do Master.

Para os investigadores, a proposta de Vorcaro equivale a uma peça de defesa e não a uma colaboração, e para conseguir fechar um acordo ele vai ter que falar muito mais. No dia em que foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, em 17 de novembro do ano passado, Vorcaro trocou mensagens com Moraes

“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, questionou o banqueiro a Moraes cinco horas antes de ser detido pela Polícia Federal no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta.

CONTRATO MILIONÁRIO – Vorcaro também fechou um contrato com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos para defender os interesses do Master perante uma série de órgãos, como a Receita Federal, o Banco Central, o Cade e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – em todos eles, a atuação de Viviane é desconhecida.

O material apresentado por Vorcaro, no entanto, não traz novos elementos nem aprofunda sobre essas relações. “Sempre que alguém delata ministro do STF, as coisas desandam”, diz uma fonte que acompanha de perto os bastidores da negociação, em referência a delações como a do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, que mencionava suposto pagamento de R$ 4 milhões a Dias Toffoli em troca de venda de sentenças judiciais.

O acordo acabou anulado em 2021 pelo próprio Supremo – com o voto do próprio Toffoli, que agora corre o risco de ser citado em outra delação, a de Vorcaro. Antes do início das tratativas, a defesa de Vorcaro havia indicado que o banqueiro faria uma delação séria e completa, sem poupar ninguém. Até aqui, ficou só na promessa mesmo.

“NINGUÉM SAI” – Em conversa com a sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, obtida pela Polícia Federal, Vorcaro escreveu: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”.

A mensagem, de 7 de abril de 2025, veio num momento em que Vorcaro tentava garantir a aprovação pelo Banco Central da compra do Master pelo BRB, que acabaria sendo vetada pela autoridade monetária em setembro. Pelo visto, o banqueiro ainda acredita que pode sair bem de toda essa história.

Vital à democracia, a Lei da Dosimetria não pode ser suspensa pelo Supremo

Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge  #desenhodeimprensa #fragadesenhos #humor #dosimetría #pldadosimetria |  Instagram

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

Na disputa entre o Congresso e o conluio entre o Planalto e o Supremo, a derrubada do veto à Lei da Dosimetria foi uma batalha decisiva, que marca uma nova fase nos enfrentamentos. A partir de agora, passa a ser uma guerra aberta, sem soluções diplomáticas, em função de efeitos colaterais provocados pelas investigações do Banco Master e das fraudes aos aposentados e pensionistas do INSS.

A importância crucial da Lei da Dosimetria é que corrige gravíssimos erros cometidos pelos ministros da Primeira Turma do Supremo, que se deixaram contaminar pelos rompantes autoritários e nada democráticos de Alexandre de Moraes, relator dos processos do 8 de Janeiro.

“TERRORISTAS” – Além de classificar como “terroristas” mais de 1,5 mil pessoas presas pelo vandalismo dos Três Poderes, Moraes aplicou penas dobradas por crimes excludentes, como dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, quando o certo seria julgar por um dos crimes, jamais somar os dois.

E o pior foi condená-los também por organização criminosa armada, pois nenhum deles portava armas e sequer se conheciam pessoalmente, pois tinham vindo de diversas parte do país.

O balanço mostra que 979 réus (68,9%) acabam tendo penas menores: 415 foi responsabilizada por delitos de menor gravidade e tiveram penas de até um ano de detenção, enquanto 564 foram beneficiadas por Acordos de Não Persecução Penal. Os demais “terroristas” não se declararam culpados e tiveram penas fixadas entre 12 e 14 anos de prisão. 

DUPLO GOLPE – Outro erro grave de Moraes e da Primeira Turma, à exceção de Luiz Fux, foi condenar os golpistas por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Nesse caso, também não se poderia duplicar os crimes, para aumentar propositadamente as penas a serem aplicadas.

A Lei da Dosimetria corrigiu esses barbarismos, acelerando as progressões de regime e a redução de penas. Assim, Jair Bolsonaro, que pegou 27 anos e seis meses, poderá migrar para o regime semiaberto no início de 2028, ao invés de 2033, como estava determinado pelo STF, que somou em 14 anos e 8 meses as penas por abolição violenta do Estado de direito (6 anos e 6 meses) e golpe de Estado (8 anos e 2 meses).

O ex-presidente foi acertadamente por organização criminosa, porém jamais poderia ser condenado por dano qualificado e deterioração do patrimônio público, pois estava nos Estados Unidos desde 30 de dezembro.

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P.S.
– A tese de desfazer a duplicação de condenações já é adotada pelos ministros André Mendonça e Luiz Fux na Segunda Turma, que funciona como revisora da Primeira Turma. Com a promulgação, essa norma terá de ser respeitada por todos os ministros, a não ser que a maioria deles decida enfrentar o Congresso e declare inconstitucional a Lei da Dosimetria. Essa reação é possível, porém altamente  improvável. Vamos aguardar. (C.N.)

Delação de Vorcaro perde força após PF avançar mais rápido que colaboração do banqueiro

O atual cenário é de rejeição da delação de Vorcaro

Míriam Leitão
O Globo

A delação de Daniel Vorcaro pode não ser aceita. Uma fonte ligada à investigação diz que “atualmente este é o cenário”. A operação de hoje contra o senador Ciro Nogueira “enfraquece” ainda mais a proposta de delação.

Até agora “nada produtivo ao processo” fora agregado às investigações pela proposta de Vorcaro. Isso significa duas coisas. Primeiro que as investigações estão na frente do que Vorcaro propôs apresentar e já trouxeram para o processo muitas informações necessárias para elucidar o crime.

NOVAS PROVAS – Segundo, que se Vorcaro quiser manter o seu status de colaborador terá que apresentar novas provas e novos esclarecimentos. A proposta que ele apresentou até agora é insuficiente.

É por isso que o cenário mais provável no momento é a recusa da delação. Vorcaro terá que dar mais informações se quiser continuar como colaborador. A investigação trouxe elementos robustos ao processo nesta fase.