Entre escândalos, eleições e guerras: a política sob pressão no Brasil e no mundo

Flávio tenta diminuir proximidade com Ciro Nogueira

Pedro do Coutto

A política raramente oferece terreno firme. Em períodos eleitorais, então, alianças mudam rapidamente, antigos parceiros se tornam pesos incômodos e fatos inesperados podem alterar estratégias cuidadosamente planejadas. O cenário atual brasileiro parece confirmar essa lógica de maneira contundente. A movimentação do senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível presidenciável do PL para 2026, revela exatamente esse ambiente de instabilidade.

Nos bastidores de Brasília, tornou-se perceptível um esforço para reduzir a proximidade política com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. O motivo é evidente: as investigações envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master e suspeitas levantadas pela Polícia Federal criaram um ambiente tóxico para qualquer projeto eleitoral que dependa do discurso anticorrupção.

DESGASTE MORAL – Na política moderna, sobretudo em tempos de redes sociais e exposição permanente, desgaste moral produz efeitos imediatos. Não importa apenas a existência de culpa comprovada ou condenação judicial. A percepção pública passou a ter peso devastador. Quando um aliado estratégico se transforma em personagem frequente de manchetes negativas, o custo político se torna elevado demais.

É justamente esse cálculo que parece orientar setores do bolsonarismo neste momento. Durante anos, Ciro Nogueira foi peça importante na sustentação política do governo de Jair Bolsonaro. Experiente articulador do Centrão, ajudou a construir pontes institucionais fundamentais para a sobrevivência do governo no Congresso.

Entretanto, em um ambiente eleitoral polarizado, qualquer associação com suspeitas de corrupção pode corroer narrativas construídas com dificuldade ao longo dos últimos anos. O bolsonarismo sabe que sua força eleitoral depende, em grande medida, da preservação de uma imagem ligada à defesa da moralidade pública e do combate aos privilégios do sistema político tradicional. Quando aparecem investigações envolvendo personagens centrais desse campo político, abre-se uma fissura delicada na narrativa.

REFLEXOS – A oposição certamente explorará esse desgaste nas eleições de outubro. E não apenas por razões eleitorais naturais, mas porque a corrupção continua sendo um tema altamente sensível para o eleitor brasileiro. Escândalos financeiros produzem indignação transversal, atingindo desde eleitores conservadores até setores mais moderados da sociedade.

Enquanto isso, o presidente Lula da Silva tenta ocupar outro espaço político: o da projeção internacional. O recente encontro com Donald Trump na Casa Branca teve forte simbolismo diplomático e repercussão global. Para Lula, a reunião serviu como demonstração de relevância internacional em um momento de instabilidade geopolítica crescente. Para Trump, o encontro também representou oportunidade estratégica em meio às tensões internacionais que cercam sua política externa.

Mas o contexto americano é extremamente delicado. O avanço da crise envolvendo o Irã e o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio começam a produzir impactos internos nos Estados Unidos, especialmente no aumento do preço dos combustíveis e na insegurança econômica. Em sociedades altamente dependentes de energia, guerras externas rapidamente se transformam em problemas domésticos.

TRAUMA DO VIETNÃ – Além disso, existe um fator emocional profundo na memória coletiva americana: o trauma do Vietnã. A simples possibilidade de um envolvimento militar mais amplo desperta temores históricos em parte significativa da população. Famílias americanas ainda associam guerras prolongadas a perdas humanas, desgaste político e erosão da imagem internacional dos Estados Unidos.

A lembrança da derrota no Vietnã permanece viva justamente porque simboliza os limites do poder militar diante de conflitos complexos e prolongados. O receio atual é que o Oriente Médio se transforme novamente em um cenário de desgaste contínuo, capaz de consumir recursos financeiros gigantescos e produzir consequências imprevisíveis.

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz talvez represente hoje um dos pontos mais sensíveis do planeta. Qualquer instabilidade naquela região pode comprometer o fluxo mundial de petróleo e provocar impactos econômicos em escala global. Não se trata apenas de um conflito regional entre Irã e Israel, mas de uma disputa com potencial de envolver grandes potências e alterar o equilíbrio internacional.

ATORES – Ao redor desse tabuleiro estão atores explosivos: Estados Unidos, Israel, Hezbollah, além da permanente tensão envolvendo a Coreia do Norte. Qualquer erro de cálculo pode ampliar dramaticamente o conflito.

No fim das contas, política e guerra continuam ligadas por uma lógica brutal de poder. A diferença é que, na democracia, a disputa deveria ocorrer sem destruição física, sem mortes e sem cidades arrasadas. Quando conflitos escapam do campo político e se transformam em confrontos armados, o custo humano se torna irreparável.

TURBULÊNCIAS – O Brasil observa esse cenário em meio às suas próprias turbulências internas. De um lado, disputas judiciais e escândalos políticos moldam o ambiente eleitoral. De outro, crises internacionais ameaçam impactar diretamente a economia, os combustíveis e a estabilidade global.

Num tempo marcado por polarização, investigações, guerras e incertezas econômicas, a única certeza parece ser a imprevisibilidade. E talvez seja justamente essa a essência mais permanente da política: a capacidade de surpreender até aqueles que acreditam controlar o jogo.

Derrota do “sistema de poder” precisa ser reconhecida pelo próprio Supremo

Esta é a charge de Claudio Mor (@mortoon_oficial) publicada em todas as plataformas da Folha. Quer ver mais charges no jornal? Acesse folha.com/ charges #PraTodosVerem: Charge de Claudio Mor publicada na Folha em

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fernando Schüler
Estadão

“Foi a vitória da baixa política”, leio em um artigo, sobre a rejeição de Messias, para o STF. Achei curioso. Quem sabe a “alta política” teria sido repetir a crônica de 130 anos de “carimbos”, por parte do Senado, às indicações para o Supremo, vindas do executivo. Em outra notícia, leio que um grupo de “juristas” cogitava recorrer ao Supremo por “desvio de finalidade”. Achei graça, naquilo, mas me pareceu plausível.

Desvio de finalidade já justificou impedir Lula de assumir um ministério, no governo Dilma. E um ex-presidente conceder um indulto para um deputado condenado por “delito de opinião”. Isso e um bocado de esquisitices. Em um País que se especializou em relativizar direitos e reescrever a lei, a partir do próprio judiciário, não me surpreenderia com mais esta bizarrice.

GRANDE NOVIDADE – A rejeição da indicação de Messias traz uma novidade em nossa história republicana: o Legislativo pode decidir com autonomia, na contramão do Executivo. Pode resistir ao peso da liberação de emendas e das posições no governo. Não há grande virtude, nisso. Há apenas instituições cumprindo o seu papel. Exercendo poder, funcionando dentro da regra.

Como disse o próprio Messias, em sua fala sóbria e ponderada, depois do resultado, há dias de vitória e há dias de derrota. Talvez tenhamos esquecido disso, nos últimos 130 anos de mando do governo sobre o parlamento. E é positivo para nossa república que todos saibam que as coisas possam seguir um rumo diferente.

A rejeição de Messias sugere um outro aspecto: é a derrota de um perfil de indicações, para o Supremo. De um político experiente escutei a frase síntese: o Supremo não é assessoria da presidência.

Depois de indicar seu advogado pessoal e um correligionário político, Lula tentou emplacar alguém cuja carreira foi essencialmente produzida pela fidelidade ao partido e a seus governos. Nenhum problema com isso. Pode ser uma ótima carreira.

Mas inadequada a uma Suprema Corte, cuja virtude essencial é precisamente a independência e a imparcialidade, não o alinhamento político. É a fidelidade à lei e à Constituição, e não a uma fé, a um governo ou ideologia.

CASO DE HOMOFOBIA – Por fim, há o tema existencial brasileiro. Na última semana, a PGR arquivou uma ação por homofobia contra um ministro do Supremo. E o fez porque considerou a fala (reconhecida como homofóbica pelo próprio ministro), como sem maior relevância. E porque ele havia se desculpado, depois.

Curioso, isso. Significa que, a partir de agora, se alguém fizer uma fala homofóbica ou racista, e no dia seguinte pedir desculpas, estará tudo bem? Ou vale só neste caso? Ou não somos exatamente iguais, perante a lei? Ou quem sabe a lei, criada pelo próprio Supremo, é só de brincadeirinha, aplicada segundo a “interpretação” do momento?

O que temos aí é uma minúscula cereja do bolo. O fato é que o estado de direito foi quebrado, no Brasil, exatamente porque fomos cedendo, ao longo do tempo, a uma estranha hierarquia: a interpretação à frente do texto. A norma aplicada segundo a cor, a posição, o “lado”, o contexto.

FORO ERRADO – É o mesmo caso com a imunidade parlamentar. O que faz um deputado processado, por denunciar um caso de abuso de poder da tribuna da Câmara? O que faz um pastor, sem foro, convertido em réu no Supremo, por chamar um punhado de autoridades de “covardes”. E o que faz uma Advocacia Geral da União mandando uma carta a uma jornalista para que apague um tuite com uma crítica a um projeto de lei em discussão, no Congresso?

Se observarmos com algum cuidado, é este o mesmíssimo significado da aprovação final da “dosimetria”, no Congresso. Ou alguém acha que há amparo legal para condenar aquele senhor de 70 anos, do interior de Santa Catarina, a 14 anos de prisão, por um Pix de 500 reais? Ou acha bacana atirar pela janela o princípio da instância devida, julgando pessoas sem Foro no Supremo, sem direito a recurso, à revelia de tudo que reza nosso estado de direito?

O fato é que a tudo isso fomos assistindo um tanto quanto “bestializados”, nos anos recentes. E agora houve uma reação. Uma derrota não do governo, mas de um sistema de poder. De um modo de lidar com os direitos e garantias individuais, no Brasil.

A melhor resposta que o Supremo pode dar a esta reação é encerrar os “inquéritos” e retomar a normalidade institucional, no País. Retomar a vigência da regra do jogo, que todos decidimos, e da qual jamais deveríamos ter nos afastado, neste triste Brasil dos últimos anos.

Documentos da ditadura expõem ligação internacional com práticas de tortura no Brasil

Advogados de Bolsonaro decidem seguir a linha de defesa que a Tribuna sugeriu

Marcelo Bessa entra na chapa de Vevé nas eleições da OAB-DF

Marcelo Bessa utiliza os argumentos sugeridos pela Tribuna

Carlos Newton

Cinco meses depois de a Tribuna da Internet ter revelado erros processuais e jurídicos do relator Alexandre de Moraes, ao negar seguimento aos embargos infringentes e declarar concluído o processo contra Jair Bolsonaro quando ainda havia direito a recurso, seus novos advogados enfim seguem o caminho judicial que sugerimos e nesta sexta-feira, dia 8,  apresentaram o derradeiro recurso ao Supremo para anular os 27 anos de prisão pela trama golpista.

Conforme a Tribuna noticiou em dezembro, com absoluta exclusividade, os advogados precisavam explorar os abusos do relator Moraes, mas somente agora eles decidiram alegar que o julgamento na Primeira Turma foi irregular e estão pedindo novo relator no caso, solicitação que deveria ter feita naquela época pelos advogados anteriores, mas dormiram no ponto, por desconhecerem o Regimento do Supremo.

REVISÃO CRIMINAL – No recurso de revisão criminal, agora apresentado ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, a defesa de Bolsonaro enfim pede que a condenação seja anulada.

Os novos advogados, Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury, que atuam nos tribunais superiores em Brasília, alegam que o julgamento na Primeira Turma foi irregular, exibindo suas justificativas num documento de 90 páginas, em que pedem a absolvição de Bolsonaro dos crimes contra o Estado Democrático de Direito etc.

No requerimento em que solicitam a abertura da revisão criminal, os advogados seguem o que foi sugerido pela Tribuna da Internet e pedem que um novo relator seja sorteado na Segunda Turma para garantir a imparcialidade, na forma prevista no Regimento do Supremo (art. 76).

DEFESA ERROU – Todos esses detalhes jurídicos foram explicados detalhadamente na época pela Tribuna da Internet, mas os três advogados famosos que então defendiam Bolsonaro (Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser), considerados sumidades em Direito Penal, simplesmente não se deram ao trabalho de estudar o Regimento do STF, que tem mais de 500 dispositivos.

Se dominassem o assunto, não teriam se equivocado, ao encaminhar agravo regimental ao próprio relator Alexandre de Moraes, como se ele fosse isento o suficiente para admitir os erros cometidos.

Esse agravo, na forma do Regimento, deveria ser encaminhado ao presidente do Supremo para sortear novo relator entre os membros da Segunda Turma – no caso, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli, pois Gilmar Mendes é presidente da Turma e não pode relatar.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO – Em Brasília, comenta-se que esses três famosos advogados paulistas teriam recebido cerca de R$ 16 milhões para defender o ex-presidente. A ser verdadeira tal informação, Bolsonaro deveria processá-los por enriquecimento ilícito, pois os erros deles causaram sua condenação e prisão.  

Os criminalistas simplesmente mostraram desconhecer os artigos 335 e 76, que fundamentam a prática processual. Ao invés de enviar o agravo regimental a Fachin, encaminharam a Moraes, que já nem era mais relator, porém imediatamente meteu a caneta e declarou encerrado o processo. Ninguém protestou, à época. Apenas a Tribuna da Internet apontou o erro, com base no artigo 76.

Agora, com abertura de um novo processo sem Moraes como relator, os novos advogados pedem a anulação do acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, bem como de todas as provas derivadas dessa delação. Os advogados alegam ainda cerceamento de defesa ao longo do processo, fato que realmente ocorreu.

ABSOLVIÇÃO – Com base nos erros de Moraes, a defesa de Bolsonaro requer a absolvição completa do ex-presidente de todos os crimes imputados a ele – liderança de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, danos contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Na forma da lei, os advogados também pedem que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o caso, assinalando: “O fundamento dessa ação é a reparação do erro judiciário, para que a jurisdição penal volte a atuar segundo os postulados da justiça”.

Agora, a revisão depende de Fachin, que não tem fundamentos jurídicos para rejeitá-la. A não ser que exercite novamente a criatividade demonstrada em 2021, quando limpou a ficha suja de Lula da Silva, alegando que o processo dele, julgado por unanimidade em três instâncias, teria se originado na Vara errada. Aliás, era tão errada que na hora os ministros do Supremo nem souberam dizer qual teria sido a Vara certa…

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P.S. 1
– É tudo verdade, diria Orson Welles, tomando uma caipirinha com Grande Otelo no Copacabana Palace, em meio às filmagens de seu documentário sobre o Brasil. Realmente, os ilustres ministros cancelaram as condenações de Lula sem saber em que Vara ele deveria ter sido julgado. Tiveram de se reunir novamente, no dia seguinte, para escolher entre São Paulo e Brasília, vejam a que ponto chega a desfaçatez desses juristas, no manuseio das leis que teriam sido feitas para todos. 

P.S. 2 – O assunto é apaixonante. Voltaremos a ele amanhã, com novas informações absolutamente exclusivas, é claro. (C.N.)

Apenas um dia para homenagear as mães é pouco, muito pouco mesmo…

Mulher, mãe, TAE e de luta - SINTUFCE | Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará

Nada substitui o amor de mãe e nada consegue destruí-lo

Vicente Limongi Netto

Mãe é a semente divina germinando vidas. O porta-retrato da ternura. É o frescor cativante da solidariedade e do amor. Mãe é o acolhimento diário dos bons exemplos e da bondade. Mãe é aquela que reflete a alma amorosa e o carinho infinito. É a energia forjando o caráter.

Mãe é a protetora nos obstáculos. Mãe é quem alimenta esperanças e otimismo. É ela que abranda o coração nas aflições. Mãe é quem deixa de comer para dar aos filhos. Mãe não dorme enquanto o filho não chega.  É a sensatez fortalecendo atitudes. Mãe é a fortaleza que navega no espírito do filho. Mãe é o porto seguro da dignidade.

Operação contra Ciro Nogueira é vista no Senado como recado do Planalto

Senadores interpretaram como resposta à derrota de Messias

Deu na CNN

Uma ala do Senado Federal interpretou a operação policial contra Ciro Nogueira como um recado do Palácio do Planalto, especialmente após a derrota na tentativa de aprovar Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

A avaliação é da analista de política Larissa Rodrigues ao Bastidores CNN, que acompanha a relação entre o Legislativo e o Executivo. O cenário de tensão se intensificou após Davi Alcolumbre afirmar que “não tem o que esperar do governo”, sinalizando o grau de deterioração dessa relação política.

CHAMADO DE ATENÇÃO – Segundo Larissa Rodrigues, o entorno de Ciro Nogueira também enxergou a operação como um chamado de atenção direcionado ao próprio Alcolumbre. Nos últimos meses, Ciro Nogueira havia adotado uma postura mais discreta.

Larissa Rodrigues destacou que, desde o escândalo envolvendo o caso Master, o senador passou a evitar posicionamentos públicos e declarações à imprensa. Apesar de ter sido um dos principais críticos ao governo Lula durante o chamado governo Lula III, Ciro Nogueira diminuiu o tom em 2026 — movimento atribuído tanto ao escândalo quanto ao cenário eleitoral. Ainda assim, essa mudança de postura não representou qualquer sinalização de aproximação com o Palácio do Planalto.

COLIGAÇÕES – A analista também ressaltou que o senador havia deixado para os estados a definição sobre eventuais coligações, dado que o PP, por ser um partido de centro, pode estabelecer alianças com o PT ou partidos de esquerda em diferentes regiões do Brasil. O senador, por sua vez, segue afirmando ser inocente, embora já houvesse a expectativa de que as investigações avançassem até ele, em razão da relação de proximidade com Vorcaro.

De acordo com Larissa Rodrigues, fontes indicaram que a Polícia Federal chegou a pedir ao STF autorização para realizar buscas e apreensões dentro do gabinete de Ciro Nogueira, no Senado Federal. No entanto, essa autorização não foi concedida. O advogado do senador, identificado como Kakay, classificou a operação como respeitosa, destacando que não houve grande exposição midiática na condução das diligências.

No entorno de Davi Alcolumbre, a percepção é de que a operação foi necessária e não visou diretamente o Senado Federal. A analista informou que Alcolumbre não pretende se envolver no assunto, ao menos por enquanto, e que a questão envolvendo Ciro Nogueira não complicaria ainda mais a relação entre o presidente do Senado e o Planalto. “Não vai complicar mais, porque já é uma relação muito complicada”, afirmou Larissa Rodrigues. Diante desse contexto, a tendência, segundo a analista, é de que o governo Lula intensifique as críticas a Ciro Nogueira nos próximos dias.

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Ciro Nogueira acha que perdeu a honra (que jamais teve) e está correndo atrás

09/05/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, está aflito. Perdeu a honra. Um sentimento sensível que ajuda a pulsar o coração. Ciro pede ajuda das pessoas caridosas. A honra do senador é sensível. Costuma ser agressiva com desconhecidos. Mas com boa lábia ela cede e aceita tudo de bom que as maravilhas do mundo oferecem.
Ciro precisa muito da bendita honra para entregar ao advogado Antonio Carlos Castro, o Kakay. Outro homem bom. Sempre ajudando as pessoas abonadas. Kakay é sabido. Costuma transformar meliantes engomados em anjos prontos para serem canonizados pelo Vaticano.
CORRENDO ATRÁS – O senador montou um poderoso esquema entre amigos do peito para correr atrás da preciosa honra. Pediu ajuda ao senador Davi Alcolumbre, que também costuma perder e esquecer a honra em ministérios e poderosos palácios.
Com o habitual sorriso falso de hiena,  Alcolumbre prometeu fazer de tudo para acabar com a depressão do colega Ciro Nogueira. Vai acionar o FBI,  a Polinter, a Policia Rodoviária Federal e o Mossad (Polícia Secreta de Israel).
Amigos chegados do Piauí, terra de Ciro, sugerem que procure a honra nos guichês dos achados e perdidos. Outra boa opção é recorrer à exigente e respeitada Anvisa, onde poderá obter remédios caros e aprovados pela saúde publica com bastante dosagens de honra.
CAMISA DA SELEÇÃO – Em Teresina, o rico senador mandou afixar em vias públicas:  “Quem achar minha honra ganhará camisa da seleção brasileira autografada pelo amigão Daniel Vorcaro”.
Boas e desinteressadas amizades valem mais do que cartões de crédito, hotéis caros e viagens internacionais.

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A amizade de Vinicius e Pixinguinha rendeu grandes músicas, como “Lamento”

Documentário mostra parceria entre Vinicius e Pixinguinha - Jornal GGN

Vinicius e Pixinguinha, parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Vinícius de Moraes (1913-1980), na letra do chorinho “Lamento”, confessa a tristeza do desamor e tenta a reconciliação. O choro “Lamento”, composto por Pixinguinha em 1928, foi originalmente apenas instrumental e somente em 1962 ganhou essa letra do Vinícius de Moraes.

O chorinho fez parte da trilha sonora do filme “Sol sobre a Lama”, de Alex Viany, inteiramente composta por Pixinguinha e Vinicius, e depois  foi gravado por  Elizeth Cardoso no LP Muito Elizeth, em 1966, pela Copacabana.

LAMENTO
Pixinguinha e Vinícius de Moraes

Morena, tem pena
Mas ouve o meu lamento
Tento em vão te esquecer
Mas olhe, o meu tormento é tanto
Que eu vivo em prantos, sou tão infeliz
Não há coisa mais triste, meu benzinho
Que esse chorinho que eu te fiz

Sozinho, morena
Você nem tem mais pena
Ai, meu bem, fiquei tão só
Tem dó, tem dó de mim
Porque eu estou triste assim por amor de você
Não há coisa mais linda neste mundo
Que o meu carinho por você

Morena, tem pena…                         

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Com 5 meses de atraso, novos advogados de Bolsonaro querem anular condenação

Moraes é sorteado relator de ações que questionam Lei da Dosimetria no STF e dá cinco dias para Congresso se manifestar

Moraes cometeu erros processuais e judiciários no julgamento

Ana Pompeu
Folha

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (8) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, a anulação do processo que resultou na condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.

Com isso, os atuais advogados do ex-presidente dão início a um novo processo na corte, chamado revisão criminal, que ganhará outro número — e não tramitará na ação penal 2668, a ação do núcleo central da trama golpista de 2022 e que transitou em julgado.

NOVO RELATOR – Eles pedem, ainda, que o relator seja sorteado apenas entre os integrantes da Segunda Turma da corte, para assegurar que o comando da ação não caia para o mesmo ministro que conduziu a condenação, Alexandre de Moraes.

“O fundamento dessa ação é a reparação do erro judiciário, para que a jurisdição penal volte a atuar segundo os postulados da justiça”, dizem os advogadosMarcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury.

A Segunda Turma é composta por André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, presidente. Fux participava na Primeira Turma, votou pela absolvição de Bolsonaro e depois pediu para mudar de colegiado.

ANULAR DELAÇÃO – No pedido, de 90 páginas, a defesa do ex-presidente requer também a anulação da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e, assim, a nulidade de todas as provas decorrentes da colaboração do tenente-coronel.

O relator original do processo, Alexandre de Moraes, oficializou em 25 de novembro passado a condenação definitiva de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, 656 dias após o início das investigações.

O trânsito em julgado é o encerramento do processo e a partir de quando a pena começa a ser efetivamente cumprida. Até então, Bolsonaro cumpria medidas cautelares sob justificativa de risco de fuga.

NOVOS RECURSOS – As defesas dos condenados, entre elas a de Bolsonaro, se disseram indignadas com a condenação definitiva, apontaram cerceamento de direito defesa e prometeram novos recursos mesmo com a conclusão da ação.

O advogado Celso Vilardi, que representou Bolsonaro no processo da trama golpista, afirmou que o processo ainda não havia terminado, uma vez que o prazo para que a defesa apresentasse embargos infringentes ainda não havia se esgotado.

A defesa então apresentou esse recurso, que foi negado por Moraes em 19 de dezembro. Em 12 de janeiro, os advogados entregaram à corte novo recurso, um agravo regimental, considerado prejudicado no dia seguinte.

REVISÃO CRIMINAL – Agora, o derradeiro recurso é apresentado, nas seguinte bases: “É nesse contexto processual absolutamente singular que se propõe a presente revisão criminal. O que se submete a essa Suprema Corte, com a devida vênia, é a existência de vícios objetivos, relevantes e autônomos do próprio título condenatório”, diz o pedido desta sexta.

Mas Bolsonaro continuará preso, porque a pendência de revisão criminal não impede a execução da condenação penal, de acordo com entendimento do próprio Supremo.

O STF tem rejeitado, em decisões monocráticas e no plenário virtual, pedidos desse tipo apresentados por condenados dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 por ausência de fatos novos ou provas inéditas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como se vê, com mais de cinco meses de atraso, Bolsonaro precisou contratar novos advogados para recorrer contra os erros processuais e judiciários cometidos pelo relator Alexandre de Moraes, denunciado em janeiro com absoluta exclusividade aqui na Tribuna. Os três advogados famosos que na época defendiam Bolsonaro não estudaram o Regimento do Supremo e erraram ao fazer o recurso de agravo regimental, que deveria ser apresentado ao presidente do Supremo, Édson Fachin, para encaminhamento à Segunda Turma, e não ao relator da Primeira Turma, Alexandre de Moraes, que já deveria ter sido afastado dos autos, mas continuou despachando e ilegalmente declarou encerrado o processo. Depois a gente volta, para explicar melhor esses erros judiciários e processuais que depõem contra o notório saber dos ministros do Supremo e justificam a revisão criminal ora pretendida, mas que deveria ter sido apresentada em janeiro, antes da prisão de Bolsonaro. (C.N.)

Câmara corre para votar fim da escala 6×1 em meio à pressão das centrais sindicais

Charge do Bira Dantas (Arquivo do Google)

Gabriela Echenique
Folha

A comissão especial que discute o fim da escala 6×1 fechou o cronograma da turnê que está sendo feita nos estados e prevê mais cinco viagens: São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Minas Gerais e Amazonas.

A primeira ocorreu na última quinta-feira (7), na Paraíba, num aceno ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A próxima será em São Paulo, no dia 14 de maio. A previsão é que a reunião seja realizada no Sindicato dos Metalúrgicos da capital, às 10h.

MAIS PRESSÃO – As centrais sindicais querem aproveitar a próxima audiência para fazer ainda mais pressão em defesa da redução da jornada de trabalho e prometem lotar o espaço, que tem capacidade para cerca de 600 pessoas. No dia 15, os deputados desembarcam no Rio Grande do Sul. No dia seguinte (16), estarão no Maranhão. Na última semana de trabalho, a comissão ainda prevê audiências em Minas Gerais (21) e no Amazonas (22).

A previsão do relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), é apresentar o texto final da comissão no dia 20. Se a promessa for cumprida, as duas últimas reuniões nos estados serão feitas já com o texto fechado.

O presidente da Câmara pediu celeridade e a comissão fechou o cronograma com previsão de votação do relatório no dia 26. A ideia é que o projeto vá ao plenário na mesma semana, mas alguns deputados acreditam que o tempo é curto e a votação fica para junho.

Flávio tenta ligar Lula ao caso Master após operação contra Ciro Nogueira

Lula avança no exterior enquanto crise no Centrão abala a direita brasileira

Para Lula, a aproximação ajuda a reduzir tensões comerciais

Pedro do Coutto

A visita do presidente Lula da Silva à Casa Branca produziu uma imagem rara na política contemporânea: dois líderes ideologicamente antagônicos tentando construir uma convivência pragmática em meio a um cenário internacional explosivo. O encontro entre Lula e Donald Trump, marcado por cordialidade e gestos calculados de aproximação, ocorreu num momento em que a geopolítica atravessa uma fase de instabilidade crescente, impulsionada pela escalada militar envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos, pela disputa global por minerais críticos e pela reorganização dos blocos econômicos mundiais.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a explosão do escândalo envolvendo o Banco Master e o senador Ciro Nogueira adicionou um componente doméstico que pode alterar profundamente o tabuleiro eleitoral de 2026. Embora separados por visões distintas de mundo, Lula e Trump compreenderam que havia vantagens mútuas em produzir sinais públicos de entendimento.

TENSÕES COMERCIAIS – Para Lula, a aproximação ajuda a reduzir tensões comerciais e evita que o Brasil fique isolado em um momento em que os Estados Unidos ampliam sua disputa econômica com a China. Para Trump, o gesto serviu para suavizar a imagem internacional de um governo pressionado pelas críticas relacionadas à guerra envolvendo o Irã e os bombardeios no sul do Líbano. A reunião também funcionou como uma tentativa de demonstrar estabilidade diplomática num contexto em que Washington busca recompor alianças estratégicas sem perder o discurso de força que marca o trumpismo.

O componente econômico da reunião talvez tenha sido ainda mais relevante do que o simbólico. A disputa global por minerais críticos e terras raras tornou-se um dos temas centrais da política internacional contemporânea. Estados Unidos, Europa e China travam uma corrida silenciosa pelo controle de cadeias produtivas ligadas à inteligência artificial, semicondutores, baterias, defesa militar e tecnologias avançadas. O governo Trump intensificou recentemente medidas para garantir acesso estratégico a minerais processados considerados essenciais à segurança nacional americana.

PESO GEOPOLÍTICO – Nesse contexto, o Brasil ganhou novo peso geopolítico. O país possui reservas estratégicas de minerais raros e capacidade potencial de expansão em setores ligados à transição energética e à indústria tecnológica. Lula percebeu isso cedo. Nos últimos meses, passou a defender com mais intensidade que o Brasil deixe de ser apenas exportador de matéria-prima bruta e avance na industrialização de cadeias ligadas aos minerais críticos. O encontro com Trump ocorreu exatamente sob essa lógica: ampliar comércio, negociar investimentos e transformar o país em peça relevante da nova economia global.

Politicamente, porém, talvez o efeito mais importante da visita tenha ocorrido dentro do Brasil. A cordialidade entre Lula e Trump produziu desconforto em parte da direita brasileira porque reduziu o espaço para a narrativa de isolamento internacional do governo petista. Ao mesmo tempo, aproximou Lula de setores do centro conservador que valorizam estabilidade econômica, previsibilidade diplomática e pragmatismo institucional. Em eleições polarizadas, movimentos simbólicos costumam ter impacto maior do que aparentam inicialmente.

COMPLIANCE ZERO – Enquanto isso, em Brasília, outro fato político alterava dramaticamente o ambiente nacional. A nova fase da Operação Compliance Zero atingiu em cheio o senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes do Centrão e figura central da articulação bolsonarista no Congresso. A Polícia Federal afirma possuir indícios de que o senador teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em troca de atuação favorável aos interesses da instituição financeira no Parlamento.

As suspeitas são politicamente devastadoras porque atingem um dos pilares da aliança entre o bolsonarismo e o Centrão. Segundo as investigações, projetos legislativos apresentados por Ciro beneficiariam diretamente interesses do Banco Master, incluindo propostas relacionadas ao Fundo Garantidor de Crédito. A Polícia Federal sustenta que a relação extrapolava interlocução política regular e configurava um arranjo de vantagens econômicas indevidas.

O impacto não é apenas jurídico. Ele é sobretudo político. Ciro Nogueira sempre operou como um dos grandes construtores de pontes entre setores fisiológicos do Congresso e o bolsonarismo. Sua eventual fragilização altera equilíbrios importantes dentro da direita. O escândalo produz um efeito particularmente delicado para Flávio Bolsonaro, que dependia da estrutura política do PP e da federação União-PP como peça estratégica para 2026.

CRISE SISTÊMICA – Em Brasília, muitos compreenderam rapidamente a gravidade do momento. O caso Banco Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro e começou a assumir contornos de crise sistêmica. Há receio de que novas delações e novas fases da investigação atinjam outros parlamentares, operadores financeiros e dirigentes partidários. O Centrão, historicamente especialista em sobrevivência política, já demonstra sinais de recalculando alianças e reposicionando interesses.

Lula percebe esse ambiente com atenção. O presidente sabe que dificilmente conquistará apoio orgânico do eleitorado conservador, mas entende que pode ampliar sua margem de competitividade se conseguir fragmentar a coalizão adversária. A combinação entre pragmatismo internacional, estabilidade econômica e desgaste ético de setores da oposição cria um cenário politicamente mais favorável ao Planalto do que parecia há poucos meses.

REFLEXOS ELEITORAIS – Ainda é cedo para afirmar se o encontro entre Lula e Trump terá efeitos duradouros ou se o escândalo do Banco Master produzirá consequências eleitorais profundas. Mas os dois acontecimentos revelam algo importante sobre o momento atual: a política brasileira voltou a ser fortemente influenciada pela intersecção entre geopolítica, economia global e crises institucionais domésticas.

No mesmo dia em que Lula buscava se projetar como interlocutor global relevante diante de Donald Trump, a Polícia Federal avançava sobre uma das engrenagens mais influentes do sistema político brasileiro. Talvez essa coincidência explique melhor do que qualquer discurso o tamanho da disputa em curso no país: de um lado, a tentativa de reposicionar o Brasil no cenário internacional; de outro, o desgaste acelerado de estruturas políticas que dominaram os bastidores do poder nas últimas décadas.

Compliance Zero chega ao núcleo do poder em regime de democracia plena