
O que preocupa aliados do PL é a direção da curva
Pedro do Coutto
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada por O Globo e pela Folha de S.Paulo, produziu um efeito político imediato em Brasília: consolidou a percepção de que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro deixou de ser um episódio isolado para se transformar em um fator real de desgaste eleitoral. O levantamento mostrou o presidente Lula da Silva com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%.
Antes da revelação das conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ambos estavam tecnicamente empatados. A mudança pode parecer pequena numericamente, mas, em política, oscilações após uma crise raramente são observadas apenas pelo tamanho imediato da queda. O que preocupa aliados do PL é a direção da curva.
IMPACTO DO ESCÂNDALO – Em campanhas presidenciais, existe um elemento frequentemente subestimado: a velocidade com que uma crise se sedimenta no imaginário do eleitor. Escândalos políticos nem sempre produzem efeitos instantâneos. Muitas vezes, o impacto cresce gradualmente, à medida que novas informações surgem, a cobertura da imprensa se intensifica e adversários consolidam narrativas negativas.
É exatamente esse o temor que hoje ronda setores do bolsonarismo. A avaliação reservada de integrantes do Centrão e até de aliados próximos é que o caso envolvendo o Banco Master ainda não foi completamente absorvido pela opinião pública. Em outras palavras: o dano pode ainda não ter atingido seu teto.
O problema central para Flávio Bolsonaro não é apenas jurídico ou investigativo. Trata-se, sobretudo, de percepção pública. O Datafolha mostrou aumento da rejeição ao senador e revelou que uma parcela significativa do eleitorado considera inadequada sua atuação no episódio envolvendo pedidos de apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
CORROSÃO – Em disputas nacionais altamente polarizadas, confiança e imagem pública costumam pesar tanto quanto propostas de governo. E crises ligadas a relações financeiras, privilégios ou suspeitas de favorecimento têm capacidade histórica de corroer candidaturas de maneira contínua.
Ainda assim, o cenário está longe de representar um colapso definitivo da candidatura do senador. Apesar da queda, Flávio Bolsonaro segue ocupando o espaço de principal nome da oposição ao presidente Lula. Esse detalhe é decisivo. Nem o governador de Romeu Zema nem Ronaldo Caiado conseguiram converter o desgaste do senador em crescimento eleitoral relevante.
Ambos continuam distantes de um patamar competitivo nacionalmente. Isso explica por que o PL, ao menos neste momento, mantém publicamente o discurso de sustentação da candidatura de Flávio. Substituí-lo agora significaria admitir fragilidade antes mesmo do início oficial da campanha.
ALTERNATIVAS – Nos bastidores, porém, a discussão sobre alternativas já existe. O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular com força após as pesquisas apontarem seu potencial eleitoral dentro do eleitorado conservador. Michelle mantém forte identificação com a base bolsonarista, possui baixa rejeição comparativa e consegue dialogar com segmentos religiosos e femininos onde a direita busca ampliar presença.
Ainda assim, lideranças do PL resistem a abrir espaço excessivo para sua projeção nacional. Há um receio evidente de que uma eventual ascensão de Michelle reduza ainda mais a autoridade política de Flávio dentro do próprio bolsonarismo.
Outro aspecto importante revelado pela pesquisa é que a perda de competitividade de Flávio Bolsonaro não beneficiou diretamente outros nomes da direita. O crescimento observado foi, sobretudo, de Lula. Isso demonstra que parte do eleitorado aparentemente impactado pela crise prefere retornar ao campo governista ou migrar para a indecisão, em vez de buscar novas alternativas conservadoras.
FORTALECIMENTO DE LULA – Politicamente, esse talvez seja o dado mais preocupante para o entorno do senador: a crise não apenas desgasta sua imagem, mas fortalece diretamente o principal adversário. Lula, por sua vez, observa o cenário em posição confortável. Mesmo enfrentando desgaste natural de governo, dificuldades econômicas e tensões políticas constantes, o presidente permanece competitivo e demonstra capacidade de preservar sua base eleitoral em um ambiente de forte polarização.
A máquina federal, a visibilidade institucional e medidas recentes voltadas à renda e ao consumo ajudam a explicar parte dessa estabilidade. Em disputas presidenciais, quem ocupa o Palácio do Planalto sempre larga com vantagens estruturais importantes — especialmente quando a oposição enfrenta turbulências internas.
O histórico recente da política brasileira mostra que candidaturas presidenciais dificilmente sobrevivem ilesas a crises sucessivas quando não conseguem reorganizar rapidamente sua comunicação e reconstruir confiança pública. O desafio de Flávio Bolsonaro agora é justamente impedir que a narrativa de desgaste se transforme em identidade permanente de campanha.
PREOCUPAÇÃO – Porque, em eleições nacionais, existe uma diferença importante entre sofrer uma queda momentânea e entrar em trajetória contínua de erosão política. É exatamente esse ponto que começa a preocupar aliados, adversários e o próprio Centrão.
A eleição de 2026 ainda está distante. Haverá novos fatos políticos, crises, alianças e reconfigurações partidárias. Mas o Datafolha desta semana deixou uma mensagem clara para o campo conservador: Flávio Bolsonaro continua vivo eleitoralmente, porém já não parece invulnerável. E, na política brasileira, o momento em que um candidato deixa de parecer inevitável costuma ser também o instante em que seus aliados começam silenciosamente a discutir o futuro sem ele.
O que farão para combater o temido “Efeito Elon Musk”?
Pelo jeito o povo vai reconduzir Lula…
… pro impeachment.
Não tenho dúvida que um outro mandato do jacu será seu caminho pro seu impeachment.
Desta vez não terá tempo de colocar uma dilmanta pra segurar o tchan de mais uma quebradeira geral, que vem cultivando.
Seria ótimo. Um sujeito deste passar como herói, seria o fim.
https://sinfrerj.com.br/conteudo/10472/vamos-ter-em-algum-momento-uma-crise-fiscal-diz-ex-secretario-da-receita
Depois de vinte anos, o cara não aprendeu o básico que não se deve gastar mais que arrecada.
Ás vezes uma burrice perdoa-se, mas persistir na ignorância, é suicídio
Sanches pro Lula:
Eu sou você amanhã.
https://www.sabado.pt/video/detalhe/milhares-protestam-em-madrid-contra-pedro-sanchez-e-casos-de-corrupcao
o chefe do campo ultra-conservador, reacionário e neoludita.
https://www.youtube.com/watch?v=lsD9WHEPrwE
Tá na Era da Pedra Lascada o “progressista”.
Por mais fura que seja uma rocha com o tempo ela sofre o desgaste causado pela ação do vento, chuva e calor e frio. A única coisa que não sofre desgaste nesse mundo são os corruptos desse país, em especial com o stf agindo como uma blindagem a esse desgaste
Liberou geral: o eleitor definitivamente não liga para honestidade
Nada mais danoso – e perigoso – a uma pretensa democracia, que a subserviência cega a um líder
Há algo profundamente triste, mas revelador, acontecendo no Brasil, e já faz décadas, para não dizer séculos: a leniência com que a população trata os políticos corruptos.
Aliás, não só os políticos, mas todos que, por uma razão ou outra, estabelecem relações afetivas entre si.
A nova pesquisa do Datafolha mostrou que a queda de Flávio, após o escândalo Vorcaro, perdeu força. O presidente Lula segue numericamente à frente, mas o bolsokid 01 continua competitivo e dentro do jogo. Mais do que isso: segue com chances reais de vencer a eleição em outubro.
Isso diz menos sobre Flavinho Tarantino e mais sobre o eleitor.
Estamos falando de um senador e o histórico de suspeitas de rachadinhas, funcionários fantasmas, movimentações financeiras atípicas, compra de imóveis incompatíveis com a renda e suspeitas de lavagem de dinheiro, no caso da franquia de chocolates.
O pai dos pobres
Agora, some-se a isso o caso Vorcaro, com áudios, encontros e relações financeiras promíscuas.
Já do outro lado está Lula. Condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, posteriormente beneficiado por decisões do Supremo, que anularam suas condenações por questões processuais.
Politicamente, a “alma mais honesta desse país” jamais deixou de carregar o peso histórico do mensalão, do petrolão e da destruição ética produzida durante os governos petistas.
Esse é o ponto central: nada disso é decisivo para uma parcela enorme do eleitorado. A honestidade deixou de funcionar como critério eliminatório no Brasil.
Ser um político corrupto virou mero detalhe em uma guerra imbecil de torcidas organizadas. O eleitor não pergunta nem quer saber se o candidato é íntegro.
Pergunta apenas de que lado ele está. Se o político combate “os inimigos certos”, parte da sociedade perdoa qualquer coisa, por pior que seja.
Corrupto de estimação
O lulista relativiza empreiteiras, desvios bilionários, mensalão e petrolão porque acredita que Lula representa a democracia.
O bolsonarista relativiza rachadinhas, joias, imóveis suspeitos e relações obscuras porque acredita que os Bolsonaro enfrentam o establishment lulopetista. Nada mais falso – de ambos.
A moral pública foi substituída pela conveniência tribal. Eis a pior degradação institucional brasileira das últimas décadas.
Não é a existência de políticos suspeitos, porque isso sempre houve. O realmente grave é que a sociedade já não demonstra qualquer constrangimento em escolher entre eles.
Se Lula ou qualquer Bolsonaro espancar uma senhora idosa em praça pública, para seus respectivos fieis, a culpa será da velhinha.
Nada mais danoso – e perigoso – a uma pretensa democracia, que a subserviência cega a um líder. Hoje, o importante é votar contra, e não a favor. Não há a menor chance disso funcionar
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 23.05.2026 11:32 Por Ricardo Kertzman
O episódio da mentira do senador candidato Flávio Bolsonaro, gerou mais impacto negativo na opinião pública do que propriamente as conversas não republicanas de pedido de dinheiro de Flávio para Vorcaro. Impressiona o valor astronômico para um filme de nível B. Ainda Estou Aqui e Agente Secreto, candidatos ao Oscar, juntos custaram muito menos do que os 234 milhões pedidos por Flávio ao banqueiro mafioso.
Tem alguma coisa aí nessa narrativa Flaviana, que ainda não foi contada. Pego na primeira mentira, depois confirmada pelo candidato, ele disse que não conhecia Vorcaro e que nunca tinha contato com o fraudador bancário.
Logo depois o Site Intercept divulgou os áudios desmascarando Flávio.
O arrogante senador marcou reunião com a bancada do PL para explicar aos deputados e senadores, que mentiu para manter o contrato de confidencialidade com o investidor Vorcaro. Mas, no mesmo dia da reunião, saiu mais uma notícia. Flávio Bolsonaro teve um encontro secreto na mansão de Vorcaro em São Paulo, quando o banqueiro estava com tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar.
São fatos inquestionáveis contra o senador candidato, que já teve os primeiros reflexos na opinião pública, com a queda nas pesquisas eleitorais, baque de nove pontos percentuais.
Bem, o inferno astral de Flávio 01, não terá o condão de substituir o candidato por outro nome da Direita. Zema e Caiado patinam na zona do rebaixamento abaixo dos quatro pontos.
Foi ventilado o nome de Michele Bolsonaro para substituir o enteado na disputa com Lula, mas o chefe do clã, o marido rejeita veementemente essa ideia, sob a alegação de que Michele não tem experiência administrativa. Bolsonaro quer Michele disputando o Senado por Brasilia.
O clã prefere perder com Flávio do que ver um Direitista no Planalto assumindo a liderança do Bolsonarismo. É o cacique, que não suporta um índio crescendo a sua sombra. Ou mata o índio ambicioso ou exila o infeliz para outra tribo.
Bem, vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela da vida privada que se confunde com a vida pública, dinheiro rolando dos cofres públicos para senadores comprarem mansões faraônicas.