Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Fernando Schüler
Estadão
“Vai chegar o dia em que a mera defesa da liberdade de expressão será um crime no Brasil”. Me lembro de ouvir isso em um debate, anos atrás. À época, achei exagerado. Mas a verdade é que o dia chegou. Já tratei aqui do caso Monark. Ele fez exatamente isso, em um programa perdido no tempo, defendendo a liberdade de expressão até para um partido nazista.
Semanas atrás, saudei o promotor Marcelo Ramos e o Ministério Público pela manifestação em favor da improcedência da ação”. O argumento de Ramos era cristalino, mostrando que o youtuber havia feito uma defesa — equivocada, na sua visão — da liberdade de expressão. E que isto não poderia ser um crime.
TRISTE ENGANO – “Ótimo”, pensei. Sinal de que estaríamos recuperando algum apreço a direitos individuais. Ou, quem sabe, apenas o bom senso. Triste engano. Dias depois, tudo retrocedeu.
Não apenas o promotor Marcelo foi afastado do caso, como sua decisão foi “substituída” pela de um colega, sob a curiosa justificativa de que Ramos havia se “equivocado”. Para completar, o próprio promotor acabou sofrendo um processo disciplinar, sob a vaga acusação de colocar em risco o “prestígio” da Justiça e a “dignidade” do Ministério Público.
Pelo que entendi, prestigiar a Justiça exigiria que o promotor tivesse confirmado a multa de R$ 4 milhões para o Monark. Mesmo se isso atentasse contra sua convicção sobre o caso. Como decidiu na direção inversa, pode agora ser sancionado, sabe-se lá de que jeito.
DUPLA CENSURA – O que temos agora é uma dupla censura: o MP querendo censurar o Monark. E querendo, de quebra, censurar o promotor que defendeu a liberdade de expressão de Monark. Difícil achar uma imagem mais adequada do país estranhíssimo em que nos transformamos.
Muitas coisas impressionam neste caso. A primeira delas é a curiosa dificuldade com a objetividade da lei e do texto. É perfeitamente inequívoco que Monark não fez apologia nenhuma do nazismo. Sua defesa é de um princípio idêntico ao da Primeira Emenda americana. Pode estar errado nisso. Mas, se isto fosse um crime, há muito não seríamos mais uma democracia.
Impressiona, neste caso, a inversão de valores. O promotor que repõe a realidade dos fatos passa a ser ele mesmo o “culpado”. Para quem gosta de história, foi exatamente o que ocorreu no caso Dreyfus. Quando Georges Picquart assumiu a inteligência francesa e percebeu que o capitão Dreyfus era inocente, foi removido de sua função e logo indiciado. O pecado, à época, não era ser um youtuber anarquista e politicamente incorreto. Era o antissemitismo. Cada época tem lá sua loucura.
TRISTE EXEMPLO – O caso entrou para a história como exemplo de intimidação e corporativismo judicial. O instante triste em que as razões de Estado, que por vezes não passam de mesquinharia, se sobrepõem ao dever de justiça. Coisas que nunca deveriam acontecer em uma democracia baseada em direitos.
O curioso disso tudo é que Monark, com sua fala confusa, pode estar dando uma enorme contribuição à nossa democracia. Seu caso expõe uma fratura entre a objetividade da lei, de um lado, e a politização da Justiça, de outro.
Meu argumento sobre isto é bastante simples: em um mundo fraturado, como o nosso, marcado por um radicalismo difuso que se produz no ambiente tóxico dos meios digitais, precisamos tomar cuidado. Que a sociedade esteja tomada pelas guerras culturais é apenas um fato. Sem lá muito remédio. O que é inadmissível é que isto ocorra com as instituições.
REGRAS IGUAIS – Um grande país se faz com o que o Nobel Daron Acemoglu chamou de “instituições inclusivas”. Instituições que resistem à captura. Seja por parte de identitários ou conservadores. Um sistema de justiça feito de regras iguais para todos, e no qual cada cidadão pode confiar. E, a partir daí, acreditar que vale apostar.
Vale dizer o que pensa, mesmo quando isto signifique criticar as leis, as autoridades e defender uma ideia muito ampla sobre a liberdade de expressão.
E isto sem medo de acordar no dia seguinte arrebentado pelas idiossincrasias de algum agente do poder. Viver em um país com estas virtudes é um direito do qual, por nada, deveríamos abrir mão.
Os inúteis Lula, seu Aparato e as oligarquias patrimonialistas vendem pro povo que é possível ganhar dinheiro sem produzir e trabalhar como eles, que extraem a mais valia absolutíssima da sociedade, via extorsão por impostos pra manter suas vidas corruptas, nababescas e imprestáveis.
Acaba, ao invés de pão, comendo ideologias, mentiras e narrativas.
O legada da vagabundagem.
1. Educação
📊 Posição: ~60–70/80 (PISA – OCDE)
➡️ Baixo desempenho global e alta desigualdade interna.
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2. Infraestrutura
📊 Posição: ~70–100/140 (World Economic Forum)
➡️ Gargalos logísticos e déficit em saneamento.
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3. Estado democrático
📊 Posição: ~40–60/167 (EIU Democracy Index)
➡️ Democracia “imperfeita”, com fragilidades institucionais.
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4. Tecnologia e inovação
📊 Posição: ~50–70/130 (WIPO – Global Innovation Index)
➡️ Ciência razoável, inovação produtiva limitada.
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5. Criminalidade (homicídios)
📊 Posição: entre os ~20 mais violentos do mundo (UNODC)
➡️ Altas taxas de homicídio e violência urbana.
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6. Desigualdade de renda
📊 Posição: top 10–20 mais desiguais (Banco Mundial – Gini)
➡️ Forte concentração de renda estrutural.
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7. Desenvolvimento humano
📊 Posição: ~70–90/190 (PNUD – IDH)
➡️ Desenvolvimento intermediário global.
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8. Eficiência estatal (governança)
📊 Posição: percentil ~50–60 (World Bank)
➡️ Capacidade estatal mediana-baixa.
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9. Desigualdade de gênero
📊 Posição: ~80–100 (PNUD)
➡️ Diferenças persistentes em renda, poder e violência.
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10. Desigualdade racial
📊 Sem ranking global direto
➡️ Um dos maiores contrastes raciais estruturais das Américas (IBGE).
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11. Desigualdade regional
📊 Sem ranking global direto
➡️ Um dos maiores desequilíbrios internos do mundo (IBGE).
Ótimo artigo.
Nesta altura é muito difícil ter “instituições inclusivas”, há décadas a esquerda vem ocupando todos os espaços do debate público. As escolas públicas e privadas, do pré-escolar ao superior, foram aparelhadas pelos identitários.
Desde o início do século, a maioria absoluta dos candidatos de concursos públicos foi educada num ambiente que acredita nas idéias do ensaio Tolerância Repressiva, de Marcuse, onde ele afirma que a tolerância das democracias modernas é uma fraude e a liberdade de expressão não é um bem público. Daí, censurar e perseguir opositores é justificável, para a esquerda “progressista”.
A eleição do Flávio Bolsonaro é um imperativo moral para salvar o Brasil das garras dos narco-socialistas; mais 4 anos de PT, resultará no aparelhamento total das instâncias superiores dos órgãos da justiça e da segurança pública, transformando o país numa Brascuela, uma mistura de Brasil, Cuba e Venezuela.
Países, khazariana e fraternalmente, dominados por genocidas apátridas, psicopatas e mentirosos.
“O Elo Perdido!”
Quem forjou a “prova” de 1964.
“Documento secreto da KGB prova que Lula e
“segui-dores” estão por fora de 1964.”
https://youtu.be/yM64G0vtX2g?si=kP9AFG-AdAZzVOhJ
Ótimo artigo ! Só poderia trocar “Pode estar errado nisso. Mas, se isto fosse um crime, há muito não seríamos mais uma democracia.
por
Está errado nisso, hoje em dia. Agora é crime e há muito não somos mais uma democracia.
SOS PAPA LEÃO XIV, Brasil urgente, pelo amor de Deus, a sua presença entre nós, neste momento histórico, já, aqui e agora, com urgência urgentíssima, é de suma importância, por razões óbvia$ e ululante$, pela libertação da Humanidade, vítima, refém, súdita e escrava da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$. NUM PAÍS DE MENTALIDADE POLÍTICA ONDE FAZ-SE OS DIABOS POR ELEIÇÕES, como disse uma certa ex-presidente da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$, e tb por golpes, ditaduras e estelionatos eleitorais, sem se importarem com as consequência que perduram no tempo e no espaço, como demonstrado pelo histórico da mesma república, o dinheiro como base do sistema eleitoral tornou-se uma força tentadora, descomunal, avassaladora, levado ao extremo da loucura compulsiva por dinheiro, poder, vantagem e privilégios, sem limite$, torna-se um tormento para as forças policiais e para os tribunais do bem, que fazem das tripas coração para salvar as aparências e alguma coisa boa que justifique a existência e conservação do dito-cujo sistema que, a nosso ver, tem tudo a ver com a plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia e quase nada a ver com a democracia de verdade, propriamente dita. IMAGINE ENTÃO essa coisa invadida pelo crime organizado, máfias, quadrilhas e organizações criminosas abundantes no país o tamanho do desastre civilizatório que isso representa para uma nação que se pretende séria, civilizada e desenvolvida, livre e independente da zona de influência da plutocracia norte-americana e da autocracia chinesa que hj, rivalizadas, balizam o mundo ? Portanto, irmãos e irmãs, “Reclamar para o Papa”, é o que nos resta, até porque não obstante antiga, a frase nunca foi tão atual e nem tão necessária… https://tribunadainternet.com.br/2026/06/07/pf-abre-mais-de-76-mil-inqueritos-e-expoe-mercado-ilegal-de-compra-de-votos/?fbclid=IwY2xjawSVBwdleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEesUKm9nyFYnBsbSf7_F9O8jwKwBlTxr-vPJUjFNE5SnHoSC9X__tGgSJL-J8_aem_A1CG2pMCwddk_3gGOB3AfQ