Mendonça faz alerta ao Planalto e trava ameaça que atingiria investigações no STF

Mendonça é o relator de duas investigações delicadas

Rafael Moraes Moura
O Globo

Contrariado com a ofensiva do Ministério da Justiça de determinar o retorno de mais de cem policiais que estavam cedidos a órgãos da administração pública, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça alertou o governo Lula nos bastidores de que, se a medida atingisse a Corte, poderia configurar tentativa de obstrução de Justiça e levar à abertura de uma nova frente de investigação.

Ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, Mendonça é o relator das duas investigações mais delicadas em andamento na Corte: a do caso Master e a dos desvios bilionários em aposentadorias do INSS, que atingem parlamentares de diferentes matizes políticos e alguns de seus colegas no STF.

PREOCUPAÇÕES – Os dois temas devem dominar o debate das próximas eleições, o que levanta preocupações tanto no entorno de Lula como no de Flávio Bolsonaro. Atualmente, quatro delegados da PF auxiliam ministros do STF: dois no gabinete do próprio Mendonça, um com Luiz Fux e outro na equipe de Alexandre de Moraes, relator dos principais casos que fecharam o cerco contra o clã Bolsonaro, como o inquérito das fake news e a ação penal da trama golpista.

Mais de 50 órgãos da administração pública já foram notificados da ordem do Ministério da Justiça – mas o STF, até aqui, foi poupado da medida e não recebeu o ofício, o que permitiu que os delegados seguissem no exercício regular de suas atribuições no tribunal.

NÃO COLOU –   A versão oficial difundida pela administração petista é a de que o movimento seria necessário para reforçar os quadros de segurança no combate ao crime organizado. Mas no Supremo o argumento não colou. A leitura foi a de que a medida poderia abrir caminho para o Palácio do Planalto interferir no andamento das investigações a menos de três meses das eleições presidenciais.

“Esse motivo do governo não é verdadeiro. É como jogar um copo d’água no Rio Tietê e dizer que isso vai melhorar a qualidade de água”, ironizou um integrante da Polícia Federal ouvido reservadamente pela equipe do blog.

AVALIAÇÃO – Durante café da manhã com jornalistas na última sexta-feira (3), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o Ministério da Justiça ainda vai avaliar a necessidade do retorno dos delegados cedidos pela corporação ao Supremo.

“É uma avaliação que o ministério está fazendo ainda. Por enquanto não há essa definição, até porque há uma necessidade de fazer uma análise da posição estratégica”, afirmou Rodrigues na ocasião. Procurado, o gabinete de Mendonça não se manifestou.

LULINHA –  O governo Lula pressiona pelo arquivamento de investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva no caso INSS – filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia.

A peça-chave do caso Lulinha é a empresária Roberta Luchsinger, que se tornou alvo de busca e apreensão no âmbito da investigação das fraudes no INSS. Roberta também teve a quebra de sigilo determinada por decisão do ministro André Mendonça.

Amiga de Lulinha e herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, ela disputou na eleição de 2018 uma vaga de deputado estadual por São Paulo pelo PT, mas teve apenas 14,1 mil votos e não foi eleita. À época, declarou à Justiça Eleitoral um único bem, um apartamento de R$ 1,5 milhão.

“CARECA DO INSS” – Uma das linhas de investigação da PF é se Roberta serviu como intermediária entre o filho do presidente da República e Antônio Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

No fim do ano passado, a PF informou ao Supremo que apurava citações a Lulinha no inquérito. Na representação, os investigadores diziam que ele “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do “Careca do INSS”, o que o filho do presidente nega.

5 thoughts on “Mendonça faz alerta ao Planalto e trava ameaça que atingiria investigações no STF

  1. Zurra de prazer com a blindagem o grupo constituído de “adevogados”, ovelhinhas, cúmplices do ladrão, macacada, velhos velhacos, cronista pé-de-cana e todos os demais assemelhados, paus de arara mortos de fome e vagabundos que optaram pelo bolsa família. “Nosso Ladrão™ é eficaz até mesmo na roubalheira dos aposentados”, zurra agressivamente o representante do grupo.

  2. FOTOS E VÍDEOS ANTIGOS:
    Ernani Leal.

    Na manhã de 23 de junho de 1996, o tesoureiro de Collor e seu Fiat Tipo azul-metálico ainda estavam na casa de praia de Guaxuma, em Maceió — e PC Farias e a namorada Suzana Marcolino, de vinte e oito anos, foram achados mortos a tiros na cama. Em horas, a perícia liderada por Badan Palhares cravou a versão: homicídio seguido de suicídio, ela teria atirado nele e depois em si mesma. Só que a reanálise derrubou tudo — a altura de Suzana foi anotada com dez centímetros de erro, a trajetória do tiro ficou impossível, e a mão dela não tinha resíduo de pólvora. Em 2013, o júri reconheceu duplo homicídio, mas os seguranças da casa foram absolvidos e ninguém pagou por nada. O homem que sabia onde Collor escondia o dinheiro morreu calado, e o Tipo azul virou peça muda de um crime que o Brasil nunca esclareceu.
    Com a palavra Cláudio Humberto , que era assessor de imprensa do então presidente Collor de Melo , com o lema ” bateu , levou “mas silenciou frente aos duplos assassinatos de ” PC Farias e sua namorada Suzana Marcolino “.

  3. Até agora nada foi comprovado, mas especuladores elocubram ideias que atinjam aos seus inimigos.

    Serão covardes praticantes? Ou covardes velhacos?

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