
Aliados de Eduardo atacam Michelle nas redes
Rafael Moraes Moura
O Globo
A guerra sem fim do clã Bolsonaro já produziu resultado. Em meio ao fogo cruzado no campo da direita, os críticos mais virulentos nas redes sociais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganharam um apelido dos integrantes do PL: “chihuahuas”.
É assim que têm sido chamados reservadamente Paulo Figueiredo, aliado próximo do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Kim Paim, que não economizam nos ataques à mulher de Jair Bolsonaro na esfera virtual.
“BARULHENTOS” – O apelido se deve às características dessa raça de cachorro, oriunda do México. Os chihuahuas são pequeninos e têm o corpo compacto, mas são agitados e latem muito.
“Eles são barulhentos, tiram você do sério, mas são pequenos em estatura e só servem para encher o saco”, compara um integrante do PL. “É uma tropa canina, um pelotão de chihuahuas.”
Desde que gravou um vídeo, no mês passado, em que acusa o pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), de tê-la humilhado e apunhalado pelas costas, Michelle foi confrontada com o recrudescimento dos ataques contra ela e a senadora e ex-ministra dos Direitos Humanos Damares Alves (Republicanos-DF), uma de suas principais aliadas.
QUEIXAS – Nos bastidores, tanto ela quanto Damares têm se queixado do fogo amigo do bolsonarismo. Em discurso da tribuna do Senado Federal no último dia 13, a senadora atribuiu os ataques aos “aloprados de internet”.
“Parem de atacar os seus soldados. Não é desta forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador. Tem muita gente rejeitando nossa proposta, dizendo ‘É isso que é ser conservador? Atacar o seu próprio soldado, o próprio Exército?’”, afirmou a ex-ministra de Direitos Humanos de Jair Bolsonaro. “Quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita? Será que tem dinheiro envolvido nesses ataques todos?”, questionou.
VOTO DE MULHER – Em um vídeo postado no dia seguinte à manifestação de Michelle, Figueiredo disse que Michelle e Damares são “feministas”, afirmou que “mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as solteiras” e insinuou ter informações comprometedoras sobre a relação da ex-primeira-dama com o marido.
“Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos, só para ver o que acontece, toda vez que ela fala meu galego? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei”, afirmou o braço-direito de Eduardo nos Estados Unidos.
O grupo de Figueiredo, Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e de Kim Paim e outros perfis frequentemente compartilhados por aliados de Eduardo se referem à ex-primeira-dama pelo nome de solteira, Michelle Firmo, em uma tentativa de isolá-la do projeto de poder da família. A estratégia irritou a mulher de Jair Bolsonaro.
AUTOEXILIO NOS EUA – Eduardo, Figueiredo e Allan vivem no autoexílio nos EUA e Eustáquio está na Espanha, enquanto Paim mora na Austrália. No vídeo de 27 minutos que provocou uma hecatombe no meio bolsonarista, a ex-primeira-dama se referiu a eles como um “grupo do exterior”.
“O grupo coordenado por pessoas que estão no exterior continua atuando e me atacando todos os dias. Alguns deles até aparecem em fotos ao lado de Flávio, fazem publicações e vídeos retirando o sobrenome Bolsonaro do meu nome numa tentativa de me atingir. Não me atingem. Eu sei quem eu sou e sei quem é meu marido”, afirmou.
Desde a manifestação de Michelle, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e a própria Damares se colocaram como “bombeiros” da crise, mas até agora não conseguiram pacificar os ânimos na família.
PESQUISA – O impacto da guerra intestina no clã Bolsonaro foi medido pela mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última semana. Para 45% do universo total de entrevistados, Michelle acertou ao divulgar o vídeo em suas redes sociais, enquanto 38% avaliam que a ex-primeira-dama cometeu um erro. Mas a percepção do episódio variou substancialmente nos diferentes espectros políticos dos entrevistados, mostrando maior apoio a Michelle na esquerda do que na própria direita.
Entre os lulistas, 62% acham que Michelle acertou, enquanto 26% avaliam que ela errou ao divulgar o vídeo. No universo bolsonarista, a situação é diametralmente oposta: só 20% acham que ela acertou, enquanto 64% consideraram a postura da ex-primeira-dama um equívoco.
Já para os eleitores independentes, que podem selar o resultado das urnas e não são automaticamente alinhados nem à esquerda, nem à direita, há um racha: 39% afirmaram que Michelle acertou, enquanto 36% acham que foi um erro a publicação do vídeo.
EFEITOS – Há o temor, entre integrantes do PL de que a briga entre Michelle e Flávio produza efeitos mais nocivos à campanha de Flávio do que os desdobramentos das investigações do caso do Banco Master, que trouxeram à tona áudios do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro supostamente para financiar o filme “Dark Horse”.
Isso porque o tiroteio nas redes sociais traz à tona questões como machismo e misoginia, além de escancarar as fissuras internas da família Bolsonaro, o que pode afugentar o eleitorado feminino, onde Flávio enfrenta mais rejeição que Lula.
TENSÃO – Nos últimos dias, o “grupo do exterior” mencionado por Michelle reduziu o fogo amigo bolsonarista e se concentrou em exaltar publicações de Flávio no contexto da campanha eleitoral e destacar a participação de Donald Trump na final da Copa do Mundo. Mas ninguém no PL acredita que os ânimos irão desescalar até o primeiro turno, em 4 de outubro.
A leitura de aliados mais pragmáticos de Flávio Bolsonaro é a de que o barulho dos “chihuahuas” pode até ganhar adesão no campo da direita, mas também corre o risco de afugentar o eleitor independente e indeciso, que está cansado da polarização – e torce o nariz para os “aloprados da internet”.
Desesperado, Flávio se arrasta aos pés de Micheque implorando por apoio
Diante de divergências políticas, Flávio procurou se retratar publicamente com Michelle, pediu perdão e desculpas por supostos mal-entendidos e suplicou o apoio dela para fortalecer sua candidatura, que não decola.
Resta saber se Michelle cairá na lábia de Rachadinha, sabendo que ele tem um caráter mais falso do que nota de três dólares.
Michelle faz as pazes com Flávio Bolsonaro: “Vamos reunir um exército”.
Fonte: Isadora Teixeira
https://www.metropoles.com/colunas/grande-angular/michelle-faz-as-pazes-com-flavio-bolsonaro-vamos-reunir-um-exercito
Não dou um mês pra começarem a atirar merda um no outro.
Gente falsa do garai!
José Luis