Operação da PF avança sobre aliados de Sóstenes Cavalcante em investigação por supostos desvios

Advogados são alvo de operação da Polícia Federal

Luciana Casemiro
O Globo

Advogados ligados ao deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, segundo fontes, são o alvo da A terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Operação Galho Fraco II, da Polícia Federal, com o objetivo de aprofundar investigações relacionadas à suposta prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. Nesta fase não há medidas contra o deputado federal ou qualquer outra pessoa com foro.

Entre os alvos estão pessoas que teriam realizado saques em espécie relacionados aos R$ 468,7 mil apreendidos em endereço ligado a Sóstenes em operação anterior da PF, realizada em dezembro do ano passado. À época, a versão apresentada pelo parlamentar para o montante encontrado foi a venda de um imóvel em Minas Gerais.

INDÍCIOS – As medidas judiciais, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais para coleta e preservação de elementos de prova. Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos. Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.

Nas fases anteriores, ressalta a PF, foram identificadas supostas irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). A atual fase aprofunda as apurações sobre a movimentação e a destinação desses recursos.

DESVIO DE RECURSOS – A operação de dezembro do ano passado, teve como alvo, além de Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). Os parlamentares foram alvo de mandados de busca e apreensão sob suspeita de desviar recursos públicos vindos de cotas parlamentares.

As investigações apontavam que os parlamentares teriam feito uso de empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal tese dos investigadores indicava o uso de contratos de aluguel para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar.

Crise com Michelle força Flávio Bolsonaro a reformular estratégia para atrair eleitoras

Brasil avança na Copa, enquanto a política testa limites da internacionalização eleitoral

Classificação brasileira foi construída com persistência

Pedro do Coutto

O futebol e a política costumam caminhar por trilhas distintas, mas ambos compartilham uma característica fundamental: a capacidade de despertar paixões, mobilizar narrativas e influenciar o estado de espírito de um país. Nesta semana, o Brasil viveu esses dois cenários quase simultaneamente. Enquanto a seleção brasileira conquistava uma vitória dramática por 2 a 1 sobre o Japão e avançava na competição mundial, um movimento político de Flávio Bolsonaro na Argentina reacendeu o debate sobre até que ponto alianças internacionais podem produzir efeitos positivos — ou negativos — em uma disputa essencialmente doméstica.

Em campo, a classificação brasileira foi construída com sofrimento, estratégia e persistência. O Japão mostrou, desde os primeiros minutos, por que chegou às fases decisivas do torneio. A equipe asiática apresentou uma organização tática consistente, fechando espaços, reduzindo a velocidade das jogadas brasileiras e obrigando o Brasil a buscar alternativas durante praticamente toda a partida.

JOGO DURO – Não foi um adversário passivo. Ao contrário, valorizou ainda mais a vitória brasileira justamente por impor dificuldades que exigiram mudanças e maturidade da equipe comandada por Carlo Ancelotti.

A atuação do treinador italiano voltou a ser decisiva. Ancelotti promoveu alterações que modificaram o panorama do confronto, especialmente com a entrada de Gabriel Martinelli, cuja velocidade passou a oferecer uma nova dinâmica ao setor ofensivo brasileiro. A mudança permitiu que a seleção ganhasse profundidade justamente no momento em que o desgaste físico começava a pesar dos dois lados.

Outro protagonista foi Casemiro. O volante apareceu em um dos momentos mais importantes da partida ao marcar, de cabeça, o gol que recolocou o Brasil na disputa quando o tempo se tornava um adversário adicional. O empate renovou o ímpeto da equipe e manteve viva a pressão ofensiva até os minutos finais.

LONGOS ACRÉSCIMOS – A reta decisiva do jogo foi marcada por uma característica cada vez mais presente no futebol moderno: os longos acréscimos determinados pela arbitragem. Com a política adotada nas principais competições internacionais, que busca compensar de forma rigorosa todas as paralisações, o confronto ultrapassou os 50 minutos no segundo tempo. O que parecia caminhar para uma prorrogação acabou sendo resolvido antes do apito final. O Brasil encontrou o gol da vitória ainda no tempo regulamentar, encerrando qualquer necessidade de disputa em tempo extra ou nos pênaltis.

A classificação reforça uma máxima conhecida das Copas do Mundo: a partir das fases eliminatórias, não existem adversários fáceis. Seja Noruega ou Costa do Marfim, qualquer seleção que alcance esse estágio reúne qualidades suficientes para surpreender. A história do futebol está repleta de campanhas improváveis, zebras memoráveis e atuações individuais que mudaram completamente o destino de competições inteiras. Por isso, escolher adversário costuma ser um exercício inútil. Quem pretende disputar o título precisa estar preparado para enfrentar qualquer desafio.

FLÁVIO E MILEI – Enquanto a seleção avançava dentro das quatro linhas, outro episódio chamava atenção no cenário político. O senador Flávio Bolsonaro esteve em Buenos Aires com o presidente argentino, Javier Milei. O encontro, realizado na residência oficial da presidência argentina, foi interpretado como mais um passo na aproximação entre lideranças conservadoras da América do Sul, em um contexto no qual movimentos de direita buscam ampliar sua articulação internacional.

A estratégia não é inédita. Nos últimos anos, tornou-se comum que lideranças conservadoras e progressistas estabeleçam redes de cooperação política além de suas fronteiras nacionais. Conferências internacionais, encontros entre chefes de Estado, fóruns ideológicos e manifestações públicas de apoio passaram a integrar o repertório de campanhas e movimentos políticos em diversas democracias.

A direita mantém interlocução frequente entre nomes como Javier Milei, Donald Trump e outras lideranças conservadoras, enquanto partidos de esquerda também preservam alianças históricas em organizações internacionais e fóruns multilaterais.

FATORES INTERNOS – O desafio, contudo, reside na percepção do eleitor. Pesquisas em ciência política indicam que o voto tende a ser fortemente influenciado por fatores internos — economia, emprego, segurança pública, inflação, renda e avaliação do governo — muito mais do que por demonstrações de apoio vindas do exterior. Em outras palavras, alianças internacionais podem fortalecer uma identidade política perante a militância mais engajada, mas dificilmente substituem as preocupações concretas do eleitor médio.

Nesse contexto, a visita de Flávio Bolsonaro apresenta riscos e oportunidades. Para o núcleo mais fiel do eleitorado conservador, a aproximação com Javier Milei pode reforçar a narrativa de integração entre governos alinhados à defesa do liberalismo econômico e de pautas conservadoras. Por outro lado, existe também a possibilidade de que parte do eleitorado interprete esse movimento como excessiva personalização da política externa ou como tentativa de importar disputas ideológicas para uma eleição cuja definição dependerá, sobretudo, das questões brasileiras.

CAUTELA – A experiência internacional recomenda cautela. Em democracias consolidadas, demonstrações explícitas de apoio entre líderes estrangeiros nem sempre produzem o efeito esperado. Em alguns casos, acabam mobilizando adversários e alimentando críticas sobre interferência externa. A soberania eleitoral permanece um valor sensível em praticamente todas as sociedades democráticas, independentemente da orientação ideológica dos candidatos envolvidos.

O Brasil atravessa um período em que o debate político se torna cada vez mais conectado às disputas globais, mas a decisão final continuará pertencendo exclusivamente ao eleitor brasileiro. Nenhuma liderança internacional vota nas urnas brasileiras, assim como nenhuma articulação diplomática substitui a necessidade de convencer a população sobre propostas concretas para o país.

No futebol, o resultado depende dos gols marcados dentro das quatro linhas. Na política, a vitória depende da confiança conquistada junto ao eleitor. Em ambos os casos, estratégia é importante, alianças podem ajudar, mas o desempenho decisivo continua sendo construído em casa. É essa lógica que explica por que o Brasil comemora sua classificação no campo esportivo enquanto, no cenário eleitoral, os protagonistas ainda buscam descobrir quais movimentos realmente agregam força — e quais podem, ao contrário, representar um custo político inesperado.

Enquanto Caiado fecha vice, Flávio e Zema têm problemas para compor a chapa

TST inventa uma “lei” para multar quem contrata mais homens do que mulheres

Sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília

TST se intromete em questões que não lhe competem

Fernando Schüler
Estadão

Causou certo espanto a multa de R$ 300 mil aplicada a uma indústria de colchões, a Ortobom, pela falta de mulheres em cargos de gerência em sua fábrica de Arapongas, no Paraná. Os ministros dizem que há 51% de mulheres, no município, e logo isto deve se refletir na composição gerencial da empresa.

Dizem também que a empresa não explicou por que contratou gerentes com este e não aquele corte de gênero. O interesse sobre o tema surgiu visto que se trata de uma interferência ad hoc. Traduzindo: não se trata do Congresso estabelecendo uma regra geral sobre como disciplinar a atividade econômica. Se trata da interferência pontual e direta na vida de uma empresa, a partir da aplicação de “princípios”, por parte de um Tribunal.

INTROMISSÃO – A questão real aqui não é sobre o que cada um acha sobre a política de pessoal da empresa. A pergunta é sobre se cabe ao Estado intervir dessa forma, em um tema como este. Se cabe a um governo ou a um tribunal decidir o padrão de contratação e promoções de cada empresa.

O nó da questão, no fundo, diz respeito a uma antiga pergunta republicana: qual é a regra? O Brasil possui perto de 400 mil supermercados ou similares. Caberia ao Estado fazer um pente fino e mandar cada um ajustar seu pessoal a uma distribuição “justa” entre grupos sociais? A exigência valeria apenas para gênero ou deveria incluir outros grupos?

A lei antidiscriminação, de 1989, fala em raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. É apenas uma referência. Mas e a idade? O tribunal poderia combater o etarismo, não? O que fazer com uma empresa que não tem ninguém com mais de 50 anos, na gerência?

NEURODIVERGENTES – Escuto cada vez mais falar em neurodiversidade. Algum problema com uma organização que não tem sequer um neurodivergente em posições relevantes? Acho curiosa uma certa arrogância difusa de quem pretende estipular aquilo que realmente deva importar, quando se fala em diversidade humana. O que sempre me soa como um curioso exercício de autocontradição.

O ponto essencial diz respeito a um antigo debate, na teoria política: uma boa sociedade é aquela que pune a discriminação e garante que todos sejam tratados com igualdade, diante da lei, e com a mesma consideração e respeito? Ou seria uma sociedade que assegura um certo padrão de “resultados”, no jogo social?

E mais: o padrão de resultados seria algo bastante genérico, do tipo “ninguém cairá abaixo de um padrão mínimo de dignidade” (o Bolsa Família, por exemplo), ou invadiria todos os poros da vida social?

TUDO REGULAMENTADO – Essa norma valeria para as empresas, clubes, fábricas de colchoes, padarias, filmes e comerciais de televisão? A decisão tomada pelo TST, no caso da Ortobom, vai exatamente nesta direção. Algo que diz respeito à sedução da engenharia social. Neste caso, com um certo requinte: a microengenharia social.

Vai aqui uma distinção crucial: toda sociedade faz, em alguma medida, o que se poderia chamar de macroengenharia social. São políticas públicas de desenho geral, submetidas ao debate democrático, aprovadas por lei, que redistribuem renda, ampliam oportunidades ou protegem grupos vulneráveis.

Não é preciso explicar aqui por que isto é importante. Nossas sociedades são feitas de assimetrias injustas. Não vivemos em um mundo pautado por uma hipotética meritocracia. Mesmo um liberal como Hayek reconheceu a necessidade de mecanismos de proteção. O problema é como fazer isto, equilibrando valores como igualdade e liberdade individual, proteção e incentivos à produtividade.

INTERVENÇÃO CASUÍSTICA – O benefício BPC, no Brasil, sempre me pareceu um bom exemplo. Se você ficar velho, seu pior cenário, aconteça o que acontecer, será receber um salário-mínimo.

Coisa bem diferente é a microengenharia social. A intervenção casuística é feita caso a caso, por um juiz ou tribunal, exigindo explicações sobre a composição interna de cada organização, segundo padrões abstratos, sem previsão em lei alguma.

Para muita gente, a engenharia social é uma boa ideia. Seria ótimo delegar ao Estado determinar a distribuição “justa” das posições na sociedade, de pizzarias e lojas de travesseiros a universidades. Mas sempre com uma condição: que as escolhas do Estado correspondam a “sua” distribuição favorita.

SEM CENSURA – Acontece a mesmíssima coisa com a liberdade de expressão. Muita gente também acha que deveria caber a um tribunal ou quem sabe um gentil e bom ditador a decisão sobre o que pode ou que não ser dito. Sempre com a mesma cláusula: que os censurados sejam os outros. Nunca vi, em lugar nenhum, alguém dizendo: “fui censurado, mas está correto, o censor sabe o que faz”.

Vai aí o primeiro problema: de que maneira chegaremos a um consenso sobre qual o critério “justo” a ser aplicado para cada grupo, cada empresa, em cada posição ou nível de comando. É possível que a IA pudesse nos ajudar.

Vamos imaginar: uma imensa máquina definindo em tempo real a distribuição correta de todos os gerentes e funcionários, em qualquer lugar. O sujeito cria uma empresa e a máquina já informa como ele deverá distribuir as vagas, nos próximos anos. A ideia é ótima. Mas máquina não existe. E sequer temos uma lei que defina estas coisas.

SEM DITADURAS – Fossem os homens anjos, como lembrou Madison, governos talvez não precisassem de controles. Como não são, a primeira exigência republicana é limitar a discricionariedade de quem decide. Regras objetivas e adequadamente gerais existem para isso: proteger a sociedade não apenas dos vícios privados, mas também da virtude autoconfiante de quem detém o poder.

Do contrário, o resultado é um só: a instabilidade jurídica. A dúvida na cabeça de quem pensa em investir e abrir uma empresa, mas talvez pense duas vezes se souber que pode levar uma multa gigante por não cumprir uma regra escrita em lugar nenhum.

De minha parte, penso que o que realmente incomoda as pessoas não é a existência de certos padrões de justiça. Se eles foram deliberados pela sociedade, no parlamento, forem universalistas, valendo para todos, indistintamente, a partir de critérios objetivos, não acho que haveria grande problema.

COMUM A TODOS – Alguém poderia até divergir do critério adotado, mas saberia que ele foi decidido em um processo do qual participou, de alguma forma. E que poderá ser revisado, no futuro, pelos mecanismos da democracia.

O que é realmente incomoda é o intervencionismo ad hoc. A invasão cotidiana na liberdade das pessoas e das empresas a partir da visão de um tribunal, com base na interpretação altamente subjetiva – não raro carregada pelo gosto ideológico – de quem detém o poder.

Democracias liberais vivem da previsibilidade das regras do jogo. Vivem da contenção do poder, como contraface necessária da liberdade individual. Esta é uma antiga lição moderna, que muitas vezes parecemos esquecer neste País nervoso no qual nos convertemos.

Caiado cai na armadilha de Kassab e desfaz sua parceria com Romeu Zema

Dois homens sentados lado a lado em ambiente interno, ambos vestindo ternos azuis e camisas brancas. O homem à esquerda tem cabelo branco e sorri levemente, enquanto o homem à direita, com cabelo escuro, também sorri e está próximo a um microfone.

Afinal, por que Caiado decidiu aceitar Kassab como vice?

Carlos Newton

Como ensinava o filósofo espanhol Ortega Y Gasset, a vida e a política são construídas pelas circunstâncias. As peças vão se movendo e se interconectando, ao formar mosaicos e criar destinos, mesclando situações, independentemente dos partidos ou da dicotomia direita e esquerda.

No caso do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), sua principal circunstância chama-se Gilberto Kassab, que é fundador e proprietário da nova versão do PSD, a legenda que Getúlio Vargas criou em 1945 para lançar a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra e depois seria novamente vitoriosa com Juscelino Kubitschek em 1955.

ALIANÇA COM ZEMA – Na atual eleição, o novo PSD tinha três governadores pré-candidatos à Presidência – Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS). Os três foram embromados por Kassab de tal forma que Ratinho e Leite desistiram e vão ficar fora da política, porque não deixaram os cargos no prazo legal e não podem mais se candidatar.

Sobrou Caiado, que recentemente fez um acordo com outro pré-candidato, o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), para se unirem numa só chapa a partir de agosto.

Kassab não gostou nada, porque essa aliança aumentaria as chances de Caiado. Fez o possível e o impossível para boicotar o acordo, a tal ponto que Caiado enfim decidiu aceitá-lo como vice numa chapa “puro sangue”.

KASSAB NA CHAPA – Sem alternativa, Caiado anuncia nesta quarta-feira, dia 1º, a participação de Kassab, que na verdade é como o radialista Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e não veio para somar forças, mas apenas para confundir.

A princípio, Kassab não pretende que Caiado ganhe a eleição, porque poderia dominar o PSD e tirá-lo da presidência do partido, que mantém o enriquecimento ilícito e o poder político de Kassab, que desde 2011 vive por conta do partido, que lhe garante cargos de secretário de Estado e até de ministro.

A candidatura a vice parece não ter força para mudar a circunstância de Kassab, cuja estratégia sempre foi deixar de ter candidato no primeiro turno e depois apoiar o vencedor da eleição e se beneficiar com a participação no governo e a nomeação dele próprio e de seus indicados.

E CAIADO? – Bem, mesmo tendo de aturar essa candidatura a vice, que deveria somar, mas pretende dividir, Ronaldo Caiado vai seguir em frente. As pesquisas são desanimadoras, mas em meados de junho surgiu um levantamento do Instituto Alfa Inteligência, que lhe deu 7% das intenções de voto e outros 7% para Zema. Somados, eles chegariam a 14% e transformariam a terceira via numa realidade palpável.

De toda forma, para ter alguma chance, Caiado precisa assumir uma estratégia mais direta e esclarecedora. Primeiro, explicar que sua família comanda Goiás desde o Século 18. Seus antecessores Antônio José Caiado, Totó Caiado, Brasil Ramos Caiado e Leonino Caiado governaram Goiás.  Seu tio Emival Ramos Caiado, como senador, foi um dos líderes da campanha de JK para construir Brasília.

Em miúdos, Ronaldo Caiado é político desde sempre, e seu lema de campanha poderia ser algo assim “Vote no menos pior, aquele que não precisa roubar, porque já nasceu rico e se orgulha de trabalhar pelo Brasil”. Apenas isso.

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P.S. 1 –
Será que Lula da Silva e Flávio Bolsonaro podem utilizar algum lema de campanha desse tipo? Claro que não… O passado dos dois é tão sujo que não há como limpar. Ambos nasceram pobres, mas as famílias enriqueceram fazendo política, o que não deixa de ser uma importante circunstância.

P. S. 2 – Por fim, pode haver outra explicação para Kassab querer se tornar vice. Talvez as chamadas pesquisas internas, feitas pelos próprios partidos, já estejam demonstrando que Caiado vem subindo nas intenções de voto, o que seria uma nova circunstância, realmente espetacular. (C.N.)