“Vai, vai, vai começar a brincadeira, tem charanga tocando a noite inteira…

IMMuB | Álbum - SIDNEY MILLER

Sidney Miller morreu jovem, aos 35 anos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca Sidney Álvaro Miller Filho (1945-1980), na letra de “O Circo”, nos traz as lembranças dos sonhos infantis, repletos de ilusões e fantasias, onde a vida é mais alegre e colorida.  A música foi gravada no LP Sidney Miller, em 1967, pela Elenco.

O CIRCO
Sidney Miller

Vai, vai, vai começar a brincadeira,
tem charanga tocando a noite inteira,
Vem, vem, vem ver o circo de verdade,
tem, tem, tem picadeiro de qualidade.

Corre, corre, minha gente,
que é preciso ser esperto.
Quem quiser que vá na frente,
vê melhor quem vê de perto.
Mas no meio da folia,
noite alta, céu aberto,
Sopra o vento que protesta,
cai no teto, rompe a lona
pra que a Lua de carona
também possa ver a festa.

Bem me lembro o trapezista
que mortal era seu salto,
balançando lá no alto, parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo
que o Zezinho do Trombone,
de renome consagrado,
esquecia o próprio nome
e abraçava o microfone
pra tocar o seu dobrado

Faço versos pro palhaço
que na vida já foi tudo.
Foi soldado, carpinteiro,
seresteiro e vagabundo.
Sem juízo e sem juízo
fez feliz a todo mundo,
mas no fundo não sabia
que em seu rosto coloria
todo encanto do sorriso
que seu povo não sorria

De chicote e cara feia
domador fica mais forte.
Meia volta, volta e meia,
meia vida, meia morte
Terminando seu batente
de repente a fera some
Domador que era valente
noutras feras se consome
seu amor indiferente,
sua vida e sua fome

Fala o fole da sanfona,
fala a flauta pequenina,
Que o melhor vai vir agora
que desponta a bailarina.
Que o seu corpo é de senhora,
que seu rosto é de menina.
Quem chorava já não chora,
quem cantava desafina,
porque a dança só termina
quando a noite for embora.

Vai, vai, vai terminar a brincadeira
que a charanga tocou a noite inteira.
Morre o circo, renasce na lembrança;
foi-se embora e eu ainda era criança

Lula deu terrível mancada ao defender Wagner, um petista altamente corrupto

Na Bahia, Lula enfileira ministros ao lado de Wagner e exalta trajetória do aliado – CartaCapital

Usando um chapéu de malandro, Lula fez papel de otário

Vicente Limongi Netto

Não é hora de Lula mostrar que é amigo dos amigos. Abre imenso risco eleitoral e político. Nesta turbulenta crise institucional, Lula bancou o principiante ao fazer questão de aparecer ao lado do enrolado senador Jacques Wagner, cheio de dólares e euros, mais do que envolvido no sinistro caso do Banco Master.

No mínimo, há eleitores capazes de achar que Lula também estaria enrolado no Master, ou então não acredita na isenção das fartas investigações da Policia Federal mostrando o senador baiano era íntimo do banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, que iniciou sua carreira de trambiques exatamente na Bahia. Não é bom Lula pretender ser mais realista do que o rei. 

NOTÍCIAS BOAS – Para encerra, três notícias realmente maravilhosas. A primeira é que madame Michelle Bolsonaro está perto de desistir sua candidatura ao Senado, por Brasília. E daqui seguem votos para que o famigerado clã Bolsonaro acabe se derretendo de vez. 

A segunda notícia boa é que Herman Gil, vigilante de 43 anos, ganhou a copa da esperança. Foram oito  doloridos dias, soterrado nos escombros na Venezuela. Sobreviveu conversando com vozes do céu. Acreditando na força de Deus. Com o sol entrando pelas frestas dos entulhos. Imprensado entre pedras, guiou suas preces com as conversas agitadas dos socorristas e voluntários.  Guardou a respiração, confiante que estava sob a proteção dos anjos.

E a terceira notícia é que o ministro André Mendonça vai ser homenageado pela Assembleia Legislativa do Amazonas com a medalha do Mérito Jurídico Ministro José Bernardo Cabral. Pastor presbiteriano de corpo e alma, Mendonça vai ostentar feliz e honrado a comenda que tem o nome de um patriota e jurista, devotado ao bem comum.

Bernardo Cabral honrou e dignificou todos os elevados cargos públicos que ocupou. Exemplo marcante foi a relatoria geral dos trabalhos da C Constituinte, que culminou na elaboração da nova Carta Magna brasileira. 

Kassio Nunes atende líderes e prepara congelamento do teto de gastos eleitorais

STF analisa caso do segurança de Bolsonaro indiciado por porte ilegal de arma

Sargento não poderia carregar a pistola sem autorização 

Gustavo Uribe
CNN

A Polícia Civil do Distrito Federal decidiu pelo indiciamento do sargento Estácio Leite Filho por porte ilegal de arma de fogo. O militar carregava uma pistola, registrada no nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando foi parado em uma blitz na capital federal.

Segundo a autoridade policial, o militar, que faz a segurança do dirigente de direita, portava a pistola sem autorização formal do proprietário, em desacordo com a exigência legal. Em depoimento, no dia da blitz, o sargento disse que levava a pistola para conserto e que a devolveria ao proprietário.

ENVIADO AO STF – O entendimento jurisprudencial, porém, é de que o porte funcional não autoriza o agente público a portar arma registrada em nome de terceiro. O inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal. 

Em decisão recente, o ministro Alexandre de Moraes classificou como “grave” a presença de uma pistola na residência do dirigente de direita. A defesa de Bolsonaro informou, porém, que a arma de fogo estava inutilizada e que não configura desrespeito às medidas cautelares.

No inquérito policial, o delegado disse ainda que o registro de arma de fogo de Bolsonaro é válido e que não considerou haver ilegalidade no fato de ele ter uma pistola em sua residência.

Analistas contestam plano de segurança de Flávio por faltar eficácia comprovada

Plano de segurança de Flávio Bolsonaro enfrenta críticas

Carolina Faria
Mariana Grasso
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, apresentou no dia 18 de junho, em São Paulo, um conjunto de 12 propostas para a segurança pública reunidas em um plano chamado “Brasil sem Medo”. O lançamento reuniu aliados como o senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao Governo do Paraná, e o deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado.

Entre as medidas que Flávio defende estão a construção de cinco novos presídios federais de segurança máxima inspirados no modelo adotado por El Salvador, a redução da maioridade penal, o endurecimento das regras para progressão de pena e a classificação de facções criminosas, como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital), como organizações terroristas.

PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO – O anúncio desse plano ocorre em um momento em que a segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa Quaest divulgada nesse mês, a violência lidera a lista de problemas apontados pelos eleitores, citada por 30% dos entrevistados, à frente da corrupção (19%) e dos problemas sociais (16%).

Na avaliação de Luiz Fábio Paiva, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da UFC (Universidade Federal do Ceará), o plano carece de detalhamento e consistência técnica, porque desconhece o sistema de segurança pública e justiça do país.

“Nós temos forças de polícia, um sistema de Justiça, leis e um ordenamento jurídico. Não é assim, no grito ou no desempenho, que um presidente vai transformar coisas que sequer são da sua competência”, afirma.

PROPOSTAS GENÉRICAS – Paiva diz que o documento reúne propostas genéricas, sem explicação sobre sua implementação, e aponta que o debate sobre segurança pública precisa considerar os circuitos econômicos que sustentam o crime organizado, como o tráfico de drogas, que envolve diferentes camadas sociais e também agentes públicos. “São medidas populistas, sem evidência, que não atacam as causas reais da violência no país”, conclui.

Para o analista de segurança e defesa Alessandro Visacro, o plano tem pouca aplicação prática. Ele estende a crítica para além da oposição e diz que o debate sobre segurança no Brasil é raso.

“Aquilo ali é uma peça publicitária de campanha, mais do que uma proposta séria, articulada, de enfrentamento. O Brasil não tem política de Estado, tem programa de governo, e os programas de governo não passam de papel, de uma declaração de intenção de muito pouca aplicabilidade.”

ACERTO ISOLADO – O advogado e professor de direito penal Gustavo Scandelari também critica o pacote, mas avalia que a proposta traz um acerto isolado ao prever o reforço logístico nas divisas do país. “O chamado ‘sistema de fronteiras’ pode representar um avanço porque significa melhoria das condições das forças de segurança pública brasileiras. Investimentos em coletes balísticos, armamentos, viaturas, munições e equipamentos de vigilância são necessários para a repressão da criminalidade violenta”, afirma o jurista.

Ao analisar as propostas de endurecimento da legislação, a socióloga Carolina Grillo, professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), diz que elas são manifestações de “populismo penal”, fenômeno em que a pauta da segurança pública é apropriada para fins eleitorais.

“No caso, a extrema direita compartilha da opinião leiga de que o crime é fruto da impunidade”, afirma. Segundo Grillo, o endurecimento das penas e o aumento do encarceramento não produziram, historicamente, a redução da criminalidade prometida por seus defensores.

MODELO ADOTADO – A socióloga também critica a referência ao modelo adotado por El Salvador. “Prisões em massa são caríssimas, costumam violar uma série de garantias constitucionais e não têm o efeito esperado de desmantelamento do crime organizado”, afirma.

Sobre a diminuição da maioridade penal, ela argumenta que aumentar o número de jovens nas prisões só contribui para levá-los ao crime organizado. As facções já dominam esses ambientes.

Já em relação à proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas, afirma: “Trata-se de uma imprecisão teórica e conceitual. O terrorismo prevê motivação política ou religiosa para mudar o sistema de um país, enquanto as facções criminosas no Brasil visam pura e simplesmente ao lucro.”

TERRORISMO – O analista de segurança e defesa Alessandro Visacro discorda em parte da argumentação de Carolina Grillo. Para ele, o fato de as facções visarem o lucro e não terem uma ideologia política tradicional não anula o fato de que elas utilizam o terror, na prática. No entanto, ele também se posiciona contra a proposta de Flávio Bolsonaro de carimbar legalmente os grupos como terroristas.

“Se a gente simplesmente pegar hoje no Brasil, em termos legais, e classificar qualquer organização criminosa como terrorista, você vai criar um óbice para o enfrentamento dela”, explica Visacro, apontando que a medida sobrecarregaria a PF (Polícia Federal) por dar protagonismo legal à instituição. “Pode rotular ou não, no Brasil vai dar o mesmo, porque a gente vai continuar sendo omisso e negligente”, conclui.

RESTRIÇÕES – Por outro lado, o advogado criminalista Gustavo Scandelari vê vantagens estratégicas na proposta de asfixia financeira que o carimbo de terrorismo traria, embora mantenha restrições ao pacote geral. “A vantagem é permitir investimentos maiores na repressão e dar acesso a ferramentas de cooperação internacional que auxiliam na localização de bens, empresas e pessoas de modo mais ágil. A asfixia financeira tende, sim, a constituir ataque mais eficaz contra grupos criminosos organizados.”

Questionado pela reportagem, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública respondeu que “aguarda o detalhamento das ideias apresentadas nesta quinta-feira pelo pré-candidato para ser possível fazer uma análise técnica e emitir um posicionamento institucional sobre o tema.”

Michelle, Flávio e o custo político de um racha que interessa muito à oposição

Embate impactou na imagem de unidade do bolsonarismo

Pedro do Coutto

A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro ultrapassou definitivamente os limites de uma divergência familiar. O episódio transformou-se em um problema político de grandes proporções para o Partido Liberal (PL), expondo fissuras internas justamente quando a legenda deveria concentrar seus esforços na construção de uma estratégia eleitoral unificada para as eleições de outubro.

Se confirmada a desistência de Michelle de disputar uma vaga no Senado pelo partido, o desgaste deixará de ser apenas simbólico para produzir efeitos concretos sobre o tabuleiro eleitoral.

MEDIAÇÃO – Nos últimos dias, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, buscou atuar como mediador da crise. Entretanto, as tentativas de recomposição não conseguiram impedir que o conflito se aprofundasse. Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher, alegando motivos familiares e o desejo de dedicar-se integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro e da filha.

A decisão ocorreu logo após a repercussão pública do desentendimento com Flávio Bolsonaro, que chegou a pedir desculpas, mas sem conseguir encerrar a crise política provocada pelo episódio.

Embora a justificativa oficial seja de natureza pessoal, nos bastidores políticos a leitura é diferente. Parlamentares e dirigentes partidários interpretam a saída como consequência direta do desgaste provocado pela exposição pública das divergências dentro da família Bolsonaro.

DÚVIDA – O ambiente interno tornou-se suficientemente delicado para colocar em dúvida a própria disposição de Michelle em disputar o Senado pelo Distrito Federal, hipótese que vinha sendo tratada como praticamente certa até poucas semanas atrás.

Do ponto de vista eleitoral, trata-se de uma perda potencialmente significativa. Michelle consolidou, ao longo dos últimos anos, um patrimônio político próprio, especialmente entre o eleitorado feminino e os segmentos evangélicos, grupos considerados estratégicos para o campo conservador.

Sua presença em uma chapa majoritária representava não apenas uma candidatura competitiva, mas também um instrumento de mobilização capaz de ampliar o alcance eleitoral do partido em regiões decisivas. Sua eventual retirada reduz esse capital político disponível para o PL e enfraquece uma das principais lideranças nacionais da legenda.

FOCO DO DEBATE – A crise também produz outro efeito relevante: desloca o foco do debate político. Em vez de apresentar propostas, consolidar alianças e organizar o discurso eleitoral, o partido passou a administrar sucessivas explicações sobre conflitos internos.

Em campanhas eleitorais, especialmente nos meses que antecedem a votação, o controle da narrativa costuma ser um ativo precioso. Quando esse espaço é ocupado por disputas domésticas, a oposição naturalmente encontra terreno fértil para explorar contradições e questionar a capacidade de liderança do grupo adversário.

Não se trata apenas da relação entre madrasta e enteado. O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade do partido de administrar divergências internas sem permitir que elas se transformem em crises públicas. Em legendas fortemente identificadas com lideranças personalistas, conflitos familiares frequentemente assumem dimensão política, produzindo reflexos que vão muito além das relações pessoais.

IMAGEM DA UNIDADE – Outro elemento relevante é o impacto sobre a imagem de unidade construída pelo bolsonarismo ao longo dos últimos anos. Grande parte da força política do grupo sempre esteve associada à ideia de coesão entre seus principais líderes. Quando divergências dessa magnitude tornam-se públicas, abre-se espaço para interpretações de fragmentação justamente em um momento no qual a coordenação política deveria transmitir estabilidade e confiança ao eleitorado.

A situação também representa um desafio direto para Valdemar Costa Neto. Como principal dirigente do PL, cabia a ele preservar a unidade partidária e evitar que o conflito atingisse proporções nacionais. A dificuldade em conter o desgaste evidencia os limites da atuação da direção partidária diante de um grupo político cuja dinâmica muitas vezes ultrapassa as estruturas formais da legenda.

Naturalmente, ainda existe espaço para uma reaproximação. Na política brasileira, crises aparentemente irreversíveis frequentemente cedem lugar a acordos construídos pela conveniência eleitoral. Aliados de Michelle ainda trabalham para convencê-la a manter seus projetos políticos, enquanto interlocutores também buscam reconstruir a relação com Flávio Bolsonaro. Até o momento, porém, não há sinais concretos de que essa recomposição tenha sido efetivamente alcançada.

REFLEXOS POLÍTICOS – Independentemente do desfecho, o episódio já produz consequências políticas. A oposição observa atentamente uma crise que desvia energias do principal partido da direita brasileira e enfraquece sua capacidade de organizar a campanha eleitoral. Quando uma legenda precisa concentrar esforços na administração de conflitos internos, inevitavelmente reduz sua capacidade de enfrentar adversários externos.

Em política, o tempo costuma ser um dos recursos mais valiosos. Com apenas alguns meses até as eleições, cada semana dedicada à contenção de crises representa menos tempo para convencer eleitores, consolidar alianças e apresentar propostas. Nesse contexto, o racha envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro deixa de ser um problema exclusivamente familiar para transformar-se em um fator de relevância nacional, cujos efeitos poderão ser sentidos ao longo de toda a campanha eleitoral.

Após críticas, Gonet se afasta de Moraes em decisões que beneficiam Jair Bolsonaro

Aliados veem tentativa de independência de Gonet

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após receber críticas por conta de um alinhamento praticamente automático às posições de Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, vem ensaiando um distanciamento gradual do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais fiadores de sua indicação para a chefia do Ministério Público Federal (MPF) e relator das investigações que fecharam o cerco contra o clã Bolsonaro.

Gonet fez dois movimentos recentes no âmbito de casos que atingem diretamente os interesses do ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando uma atuação mais “independente” em relação a Moraes. O primeiro foi o parecer de duas semanas atrás em que o chefe do MPF contrariou Moraes e defendeu a aplicação imediata da Lei da Dosimetria, que beneficia Bolsonaro e outros condenados das investigações da trama golpista.

CONTRA A MEDIDA – A lei foi suspensa pelo próprio Moraes em 9 de maio deste ano. Mas Gonet se posicionou contra a medida, sob a alegação de que o texto aprovado pelos parlamentares “não desconstitui condenações e não impede a responsabilização penal dos autores, modificando, tão somente, critérios legais de dosimetria e execução penal”.

“Ainda que tais alterações possam produzir efeitos favoráveis a determinados condenados, isso não basta para converter o diploma em ato de clemência acaso incompatível com a Constituição”, escreveu Gonet.

O segundo movimento de Gonet dissociado de Moraes foi um outro parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) da semana passada em que o chefe do MPF não viu nem “falta disciplinar”, nem “descumprimento de condições de cautela” no episódio de uma arma registrada no nome de Bolsonaro apreendida com um militar do Exército que atua em sua segurança, durante blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.

AMEAÇA – Ao pedir um parecer da PGR, Moraes ameaçou derrubar a prisão domiciliar do ex-presidente da República, ao apontar que, segundo a Lei de Execução Penal, “comete falta grave o condenado que possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem” – um argumento que não colou para Gonet.

Em seu parecer, o PGR afirma que as circunstâncias do episódio, pelo menos neste momento, não indicam “situação caracterizadora de falta disciplinar ou de descumprimento das condições de cautela a que o condenado está submetido”. Segundo a defesa de Bolsonaro, o armamento foi retirado de sua casa para sofrer reparos, após o ex-presidente constatar uma falha mecânica.

Integrantes da cúpula da PGR avaliam que os movimentos mais recentes de Gonet evidenciam “um misto de percepção do erro e consciência de que não há apoio na cúpula do Ministério Público Federal quanto aos exageros dos ministros do STF”.

DEGUSTAÇÃO DE UÍSQUES – Um dos episódios de desgaste do chefe da PGR frente aos seus pares foi a participação numa degustação de uísque com Moraes, o ministro Dias Toffoli e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em abril de 2024, quando estavam todos reunidos em Londres para participar de um fórum jurídico. “Ninguém disse uma sílaba em favor dele. Ele sabe que a cúpula o desaprovou”, resumiu um interlocutor de Gonet. “É uma autocrítica incentivada.”

Na avaliação de outro integrante da PGR, Gonet está tentando se desvencilhar da influência de Moraes, fator que quase impediu sua recondução ao cargo em novembro do ano passado, dada a grande rejeição do ministro entre os senadores.

Gonet acabou aprovado pelo plenário com o placar mais apertado de um procurador-geral da República desde a redemocratização – foram 45 votos favoráveis (apenas quatro a mais que os exigidos pela Constituição) e 26 contra. E mesmo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) articulando nos bastidores apoio à sua manutenção no cargo.

SOBREVIVÊNCIA –  Nem toda a cúpula da PGR avalia que os movimentos dele representam um distanciamento real. “Gonet está se posicionando de forma mais independente, que não desagrade tanto a quem ele estava desagradando antes. Isso não quer dizer que esteja totalmente afastado de Moraes. Ele apenas está tentando salvar a própria pele”, comentou outro integrante da Procuradoria. Para um aliado de Bolsonaro, o chefe do MPF está, na verdade, “tentando salvar o currículo”.

Não há impedimentos para Gonet tentar ser reconduzido ao cargo mais uma vez, em 2027, mas as projeções indicam um Senado ainda mais inclinado à direita – e bolsonarista – no ano que vem, justamente quando Moraes vai assumir a presidência do STF.

Silêncio de Flávio sobre os ataques a Michelle amplia divisões e preocupa o PL

Em matéria de cinismo, Davi Alcolumbre consegue rivalizar até mesmo com Lula…

Davi Alcolumbre anunciou que o Senado acionará o STF para defender as  prerrogativas parlamentares de Jaques Wagner (PT-BA), investigado na  Operação Compliance Zero. Segundo o presidente da Casa, medidas judiciais  comprometeram o

Wagner foi ao plenário de óculos escuros para não ser reconhecido

Carlos Newton

Os pecados capitais – que sintetizam a doutrina moral do Cristianismo na classificação de vícios e comportamentos prejudiciais que dão origem a outros pecados – originalmente eram oito, porque incluíam a melancolia. Com o passar do tempo, as lideranças católicas decidiram fundir a melancolia com a preguiça, e assim os pecados foram reduzidos a sete – soberba, avareza, inveja, luxúria, gula, ira e preguiça.

Rever essa lista de maus comportamentos sociais nos dá a certeza absoluta de que os sete pecados capitais foram adotados na atualidade como programa dogmático dos principais políticos brasileiros.

RETROCESSO – O desenvolvimento tecnológico e social mostra que existe uma dinâmica em busca de aprimorar os relacionamentos humanos. Ou seja, cada nova geração deveria ser melhor do que a anterior. Mas não é isso que se vê na prática. Em determinadas nações podem ocorrer fenômenos de retrocesso social, que parece ser atualmente o caso do Brasil.

No século passado, entre 1930 e 1980, éramos felizes e não sabíamos, porque o Brasil se tornou o nação com maior crescimento do PIB, acredite se quiser. Foi a época do chamado “milagre brasileiro”, que levou o país a figurar como sétima economia mundial.

Depois disso, os pecados mortais se popularizaram nas elites nacionais de tal forma que sobreveio o retrocesso, com a favelização das grandes cidades, a corrupção política e empresarial, o surgimento das facções e milícias, a educação precária, a insegurança reinante e tudo o mais.

OUTRO PECADO – Como temos mania de grandeza e até costumamos dizer que Deus é brasileiro, nossas elites fizeram questão de cultivar mais um pecado que deveria ser considerado capital – o cinismo.

Na classe política, então, o cinismo está sendo cultivado em todo o seu esplendor, a ponto de o presidente da República proclamar-se o homem mais honesto do país, apesar de condenado em cinco processos por corrupção e lavagem de dinheiro, sempre por unanimidade, tendo cumprido 580 dias de cadeia: “Não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da Igreja Evangélica, nem dentro do sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido”.

Lula teve coragem de dizer essa insanidade, mas não conseguiu responder às denúncias sobre sua atuação como agente da ditadura militar, infiltrado no sindicalismo, feitas por diferentes autores, como Romeu Tuma Jr., Mário Garnero, José Nêumanne, Claudio Tognolli, Ivo Patarra, Duda Teixeira, Gabriel Magalhães e outros mais.

ATRÁS DO CINISMO – Além de não responder a nenhuma das acusações, Lula jamais processou nem processará nenhum de seus muitos biógrafos.  Preferiu se esconder atrás do cinismo.

Bem, se fosse uma característica apenas de Lula, seria até compreensível. Era pobre, jamais leu um livro etc. e tal. Mas e os outros? O que explica que corrupção, favorecimentos e penduricalhos dominem tão amplamente as consciências das elites, a ponto de os reajustes salariais serem concedidos na mesma proporção?

Assim, quando um trabalhador de salário mínimo ganha 10%, a remuneração dele aumenta apenas RS 162,10, enquanto quem já ganha o teto tem reajuste de R$ 4.636,62. Com isso, a desigualdade social cresce desgovernada, e ainda chamam isso de democracia…

###
P.S. 1
– Quanto ao cinismo, tornou-se marca registrada da realidade brasileira. Nesta terça-feira, dia 30, o show foi no Senado, com o corruptíssimo Davi Alcolumbre pregando a inocência de Jaques Wagner, aquele que não leva dólares e euros na cueca, prefere guardá-los em pilhas, para apreciá-los no recesso do luxuoso lar de ex-sindicalista.

P.S. 2 – Disse Alcolumbre: “Este país aqui está condenando todas as pessoas antes de a investigação ser concluída e antes de o mérito da investigação ser concluído, sem dar o processo de ampla defesa e o contraditório para todos os brasileiros”. Assim, em matéria de cinismo, Alcolumbre quase se iguala a Lula e merece, pelo menos, o Oscar de Coadjuvante.

P.S. 3 – Wagner também é um caso à parte. A Polícia encontrou 55 mil dólares e 33,5 mil euros. Ele disse que eram” sobras de diárias” que guardava em “envelopes do Senado”. Mas os agentes federais só acharam as notas, não havia um só envelope… (C.N.)

Regular redes sociais significa regular o discurso público, avisa cientista político

Arma de Bolsonaro foi inutilizada com aval de Michelle por preocupação com segurança

Câmara omitiu pagamento de R$ 31,4 mil que pagou viagem ao “Gilmarpalooza”

PGR rejeita nova tentativa de delação de Vorcaro e aposta nas provas já reunidas

Se entrar de novo em campo, Neymar não decepcionara a seleção contra a Noruega

Acho que é minha última Copa', diz Neymar sobre Mundial no Catar - Folha PE

Neymar já foi campeão olímpico e só falta ganhar a Copa

Vicente Limongi Netto

Sei que serei alvo da ira de alguns, mas se as tantas contusões não tivessem atrapalhado a carreira de Neymar, ele também alcançaria a altura técnica consagradora de Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos conseguiram manter o alto nível técnico exatamente por este motivo, poucas contusões. Ao contrário de Neymar que apanha muito em campo.

O craque brasileiro só é parado com faltas violentas. Cada atleta reage de um jeito às lesões. Nesta copa não será diferente para Neymar. Não será poupado pelos brutamontes.  A meu ver, Neymar é nosso único craque. Tem técnica refinada. Visão de jogo, excelente driblador. Cobra falta e pênalti  com precisão. Respeitado pelos companheiros, técnicos e jogadores adversários. Acredito que não decepcionará, ajudando o Brasil nesta copa.

SOMOS PENTA – O Brasil vai pegar a Noruega.  Os remadores estão empolgados. Mas a seleção brasileira está motivada e unida. Ajustando bem suas linhas. Respeita adversários. Mas não teme jogar com nenhum deles. Permaneceremos os únicos pentacampeões do mundo, com a eliminação da Alemanha, que sonhava com esta chance.

Ancelotti de parabéns, tem acertado em todas as substituições. A Noruega joga com 10 jogadores na defesa, todos grandalhões com um bom sistema de contra-ataque, com velocidade e passes rápidos, principalmente pelo lado direito do Brasil, que tem o Danilo, um jogador lento. Ancelotti precisa reforçar este setor, colocando alguém para ajudá-lo.

Para entrar numa defesa muito fechada, o time precisa de um centroavante que tenha desenvoltura e toque de bola dentro da área. Poderá ser Martineli ou Endrick. Com Paquetá machucado, Neymar é boa opção. Visão de jogo, técnica apurada, excelente cobrador de faltas, atrai adversários, temido por eles, facilitando jogadas com os atacantes, especialmente com Vini Junior.

BARGANHAS – Caiado  e Kassab. Chapa pura, de quê? Trio bolsonarista na área,  Flávio,  Caiado e Zema. Dois sobrarão na rinha final contra Lula. Kassab, vivíssimo, já tem embaixo do braço o cardápio de saborosas barganhas do PSD,  pronto para colocar na mesa do Lula.

Kassab aceitará bons ministérios, evidente. Nada de anormal, é do jogo. Partido sem cargos não existe. Dúvida atroz é saber se, amainados o ódio e  a fúria, o PL e o centrão também aceitarão ser enquadrados com ministérios.

Eleições distantes, mas as pinceladas para quem gosta de resenhas politicas, seguirão esta linha de raciocínio.

MP acusa Caiado de usar estrutura pública em benefício próprio e pede ressarcimento

Michelle deixa o PL Mulher sem indicar sucessora e transfere decisão a Valdemar Costa Neto

O futuro incerto do bolsonarismo, sem haver alinhamento entre Flávio e Michelle

Ministério Público de SP e União disputam quase R$ 170 milhões ligados a Maluf

No caminho incerto da vida, o importante é decidir, dizia Cora Coralina

13 melhores ideias de Frases de cora coralina | frases de cora coralina, cora  coralina, cora coralina poemasPaulo Peres
Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, como “Poeminha Amoroso”, que ofereceu a seu amado.

POEMINHA AMOROSO
Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.

Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema, o verso
que te deixará pasmo, surpreso, perplexo…

Eu te amo, perdoa-me, eu te amo…     

Damares vira alvo de ofensiva de aliados de Flávio em meio à guerra interna no PL

Figueiredo, conselheiro de Flávio, mira senadora

Roseann Kennedy
Leticia Fernandes
Estadão

A senadora e coordenadora do Mulheres Republicanas, Damares Alves (Republicanos-DF), é o novo alvo de ataques machistas de amigos e conselheiros do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). As principais agressões são orquestradas nas redes por Oswaldo Eustáquio e Paulo Figueiredo.

Damares contribuiu com sugestões para o plano de governo do presidenciável do PL, mas não deu certeza se iria à reunião de Flávio com lideranças femininas nesta quarta-feira, 1º. Ela é amiga pessoal de Michelle Bolsonaro, que gravou vídeo na semana passada relatando ter sido humilhada pelo enteado.

CONSTRANGIMENTO – Bastou isso para a artilharia de ataques de amigos de Flávio se voltar para a senadora. E Flávio não fez nenhum gesto de apoio a Damares após as publicações. As postagens apelam a expressões sexuais para constranger a senadora.

As mensagens circularam em grupos de pastores pouco antes de ela participar, na última segunda-feira, 29, do Fórum Político da Convenção das Igrejas Assembleias de Deus do Brasil. Ao falar no evento, ela reclamou da violência política contra mulheres. A pessoas próximas, a senadora expôs o quanto os ataques misóginos e que recorrem a xingamentos e palavras de baixo calão a afetaram emocionalmente.

ATAQUE – Nos últimos dias, um dos principais conselheiros dos irmãos Bolsonaro, o influenciador Paulo Figueiredo, reagiu a uma notícia de que Damares ainda não teria decidido se iria ao encontro com mulheres que Flávio vai promover. “Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário, estariam todas juntas, certo?”, criticou, dizendo ainda que a senadora teve “bastante militância feminista”, mas pouca atuação parlamentar.

Depois do embate com Damares, Figueiredo expandiu os alvos dos ataques e concluiu que mulheres “votam muito mal”. Ele mora nos Estados Unidos para driblar a Justiça brasileira e é fiel escudeiro e conselheiro de Flávio. Ele fez a declaração no dia 25, numa live. Difícil acreditar que o senador nem sequer ficou sabendo.

Nesta segunda, 29, após a imprensa divulgar a declaração, o blogueiro foi ainda mais grosseiro. Publicou uma foto com um cartaz dizendo: “Mulher vota mal para caralho. Mude a minha opinião”. Já o blogueiro de direita Oswaldo Eustáquio disse que Damares “quer destruir uma nação”, e que “atirar nas costas de Flávio é entregar a eleição ao PT”. Sem contar outras acusações e xingamentos machistas.