
Polarização continua a marcar a corrida presidencial
Pedro do Coutto
As novas sondagens eleitorais do instituto Quaest confirmam uma tendência que vem se consolidando ao longo dos últimos meses: Lula da Silva permanece como o principal nome da disputa presidencial de outubro, mas a vantagem que parecia confortável começa a dar sinais de redução. O presidente continua liderando tanto no primeiro quanto no segundo turno, porém a recuperação de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto indica que a oposição voltou a encontrar algum espaço político, ainda que insuficiente para alterar, neste momento, a condição de favoritismo do Palácio do Planalto.
Os números merecem uma leitura mais cuidadosa do que aquela sugerida pelas manchetes. A redução da diferença entre os dois candidatos não significa, necessariamente, uma mudança estrutural do eleitorado. Pesquisas de opinião captam o humor de um determinado momento e, em campanhas longas, oscilações dentro da margem de erro costumam ser frequentes. Ainda assim, quando um movimento se repete em levantamentos consecutivos, passa a merecer atenção dos estrategistas de ambos os lados.
OPOSIÇÃO FRAGMENTADA – Lula preserva uma vantagem construída sobre fatores relativamente sólidos. O peso da máquina pública, programas sociais amplamente conhecidos, uma economia que, apesar dos desafios fiscais, mantém indicadores de emprego relativamente favoráveis e uma imagem consolidada entre o eleitorado de menor renda continuam funcionando como importantes pilares de sustentação eleitoral. O presidente também segue sendo beneficiado pela fragmentação do campo oposicionista, que ainda não conseguiu ampliar significativamente sua capacidade de conquistar o eleitor moderado.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, demonstra capacidade de recuperar parte do terreno perdido. Depois de registrar queda na sondagem anterior, voltou a crescer e reduziu a distância para Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno. O movimento sugere que parte do eleitorado conservador voltou a se mobilizar, especialmente após a intensificação do discurso crítico ao governo em temas sensíveis para a opinião pública.
FRAUDES DO INSS – Entre esses temas, o escândalo envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) permanece como um dos principais instrumentos da oposição. Embora as investigações apontem irregularidades iniciadas antes do atual governo e envolvendo entidades de diferentes períodos administrativos, o episódio oferece à campanha adversária uma narrativa poderosa: a de que o governo falhou em proteger justamente um dos segmentos mais vulneráveis da população. Em política, a percepção pública frequentemente pesa tanto quanto a responsabilidade jurídica.
Outro foco de desgaste está nas controvérsias envolvendo gastos na área da saúde. As críticas dirigidas a compras públicas e decisões administrativas produziram repercussão suficiente para provocar mudanças internas na equipe política ligada ao presidente. O afastamento de integrantes da coordenação da campanha demonstra que o Palácio do Planalto procura reduzir danos antes que o tema adquira maior dimensão eleitoral. Em campanhas presidenciais, mudanças na coordenação raramente são apenas administrativas; costumam representar tentativas de reorganizar a comunicação diante de crises.
DESGASTE POLÍTICO – Há ainda um componente particularmente delicado para Lula: as investigações que envolvem seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Independentemente do desfecho judicial, episódios que alcançam familiares de presidentes tendem a produzir desgaste político porque alimentam narrativas exploradas pelos adversários. A experiência internacional demonstra que denúncias dessa natureza dificilmente alteram, sozinhas, o resultado de uma eleição, mas podem influenciar a percepção sobre integridade e confiança, especialmente entre eleitores independentes.
Apesar disso, o governo ainda não enfrenta uma crise eleitoral comparável àquelas que, historicamente, alteraram o rumo de disputas presidenciais no Brasil. Lula continua apresentando níveis de intenção de voto que o colocam em posição privilegiada para chegar ao segundo turno como líder da corrida. Mais importante do que a oscilação recente é observar se ela representa o início de uma tendência consistente ou apenas uma acomodação estatística após meses de estabilidade.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio permanece muito maior do que reduzir alguns pontos percentuais. Será necessário ultrapassar o núcleo tradicional do eleitorado bolsonarista e convencer parcelas do centro político, dos eleitores moderados e daqueles que votam prioritariamente com base em questões econômicas. Historicamente, candidatos identificados com polos ideológicos muito definidos encontram dificuldades justamente nessa etapa da campanha.
BRANCO, NULO OU INDECISO – Também merece atenção o comportamento do eleitor que ainda declara voto branco, nulo ou indeciso. Em eleições polarizadas, esse grupo costuma diminuir à medida que a campanha avança. Dependendo de como se distribua, pode ampliar ou reduzir diferenças aparentemente pequenas observadas nas pesquisas atuais. É justamente nesse segmento que campanhas investem recursos de comunicação nas últimas semanas antes da votação.
Outro aspecto relevante é que a campanha ainda será fortemente influenciada por acontecimentos externos. A evolução da economia, eventuais decisões judiciais envolvendo figuras políticas, crises internacionais capazes de afetar preços e inflação e até fatos inesperados podem modificar significativamente o ambiente eleitoral. Pesquisas retratam o presente, não antecipam necessariamente o futuro.
POLARIZAÇÃO – Por isso, embora a pesquisa Quaest confirme Lula na liderança, seria precipitado concluir que a eleição esteja definida. Da mesma forma, seria exagerado interpretar a recuperação de Flávio Bolsonaro como o início inevitável de uma virada. O cenário mais provável continua sendo o de uma disputa polarizada, em que o presidente larga em posição de vantagem, mas precisará administrar crises e preservar sua imagem para impedir que a redução da diferença observada nesta rodada se transforme em tendência.
A corrida presidencial entra, assim, numa nova fase. Lula continua sendo o favorito, sustentado por uma base eleitoral resiliente e pela força institucional do governo. Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de reação, mas ainda precisa transformar recuperação estatística em expansão efetiva de seu eleitorado. As próximas semanas serão decisivas para mostrar se a vantagem do presidente representa uma liderança consolidada ou apenas um retrato momentâneo de uma eleição que ainda promete mudanças até o voto final.
Favorito, com os mesmos 17%?
Sabe aquela maquininha caça-níqueis ? Às vezes, o jogador ganha. Faz a analogia.
Há “dendos”, em:
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Partidos autossuficientes esnobam os candidatos a presidente
Autossuficiência dos ‘superpartidos’ deturpa relação entre Poderes
Verbas de emendas e de fundos turbinam legendas, que não precisam mais de alianças para prosperar, e evitam se comprometer com candidatos a presidente
A autossuficiência da maioria dos partidos — demonstrada até pelo indisfarçado desinteresse de siglas robustas e tradicionais na campanha presidencial — é a prova até aqui mais eloquente de que o mecanismo irrigado por emendas a rodo e fundos partidário e eleitoral bilionários empoderou as legendas de forma inédita na História do Brasil, com consequências que já começam a aparecer, mas que podem ter extensão muito maior.
Os partidos, que já têm dado de ombros ao Executivo pelo menos desde o governo Jair Bolsonaro, agora também esnobam os principais candidatos a presidente.
Dizem na cara dos favoritos saber que mandarão e estarão no governo quem quer que vença, que as emendas praticamente asseguram previsibilidade sobre o tamanho que terão no Parlamento depois de outubro e que, portanto, é mais jogo cuidarem da própria vida, e os candidatos que lutem na lama da polarização encarniçada para ver quem leva a melhor.
Só Lula conseguiu fazer uma coligação, mesmo assim magrinha, com perfil mais à esquerda do que ele gostaria e seu último governo recomendaria.
A grande maioria de partidos que ocuparam ministérios nos últimos quatro anos tinha disposição deliberada de sugar até a última gota e depois pular fora.
Esse raciocínio, por si só, explica as agruras enfrentadas por Lula no Congresso, sem nenhum compromisso dos integrantes de seu primeiro escalão em obter votos das próprias bancadas em favor de políticas públicas ditadas a partir do Palácio do Planalto.
Com o divórcio entre as siglas do Centrão e os candidatos nas urnas, o descompasso tende a se agravar no próximo quadriênio.
Cada vez mais, a negociação das pautas legislativas passará pela intermediação das frentes parlamentares e dos caciques partidários, com o Executivo como coadjuvante ou, por vezes, mero espectador de arranjos que, no limite, podem inviabilizar as plataformas que submeterá ao eleitor (embora isso também seja artigo cada vez mais em falta na política brasileira).
A solução para essa inversão de papéis e para a hipertrofia das siglas partidárias parece longe de ser um compromisso que Lula ou Flávio Bolsonaro pretendam ou tenham força para assumir.
Podem até bater no peito e cantar de galo no palanque, mas a esnobada que principalmente o senador do PL levou dos dirigentes mostra que não incutem temor em ninguém.
Em outras palavras, a chance de reforma do mecanismo de definição das emendas ou de financiamento de campanhas é remota.
Mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF), que tentou pegar um desses touros à unha nos últimos anos, tende a enfrentar dificuldades para travar a batalha a partir do ano que vem. Isso porque tudo indica que, a depender da composição congressual que saia das urnas, será ele, STF, que estará na berlinda, pressionado pela ameaça de uma série de medidas supressoras de prerrogativas — quando não francamente revanchistas.
Até aqui, a anomalia na relação entre os Poderes aparece apenas subsidiariamente como tema da campanha, e não na forma de preocupação com os superpoderes conferidos aos partidos, que, com o andar dessa carruagem luxuosa, tendem cada vez mais a ser bunkers, governados pelos mesmos caciques, que não largarão o osso cheio de carne nem que a vaca tussa.
(…)
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 07/08/2026 00h37 Por Vera Magalhães
Texto relevante para compreensão da atuação dos partidos e poderes no País atualmente.
Que vergonha do nosso povo (a julgar pelas estatísticas). Onde já se viu um povo que se preze aceitar a candidatura desses dois incompetentes?
O Brasil vai se ferrar se continuar do jeito que está.
Temos terra fértil de sobra, riquezas, uma miscigenação maravilhosa e estamos na traseira do progresso.
Ata do PL abre caminho para vice de Flávio voltar à disputa ao Senado
Ata do PL em Alagoas deixa aberto caminho para Gaspar voltar a ser candidato ao Senado caso deixe a vice de Flavio
A direção estadual do PL em Alagoas deixou aberto o caminho para o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) voltar à corrida eleitoral ao Senado no estado, caso ele deixe de ser candidato a vice de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa ao Palácio do Planalto.
(…)
Fonte: Metrópoles, Política, 07/08/2026 09:11 Por Igor Gadelha
https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/ata-do-pl-abre-caminho-para-vice-de-flavio-voltar-a-disputa-ao-senado
Rachadinha contratou um vice? Alugou um vice?
Ou vice dele é um dublê?
Ou Seria um vice paralelo, genérico?
Talvez seja um vice “tampão”, vamos dizer, até que se consiga outro. Quem sabe?
Tipo um menstrual OB?
Ao manter a candidatura ao Senado por Alagoas, o vice Gaspar revelou desconfiança total em relação ao titular da chapa, Flávio.