
Sem projeto, Flávio sustenta candidatura de “protesto”
Marcelo Copelli
Revista Fórum
Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial depois de uma pré-campanha construída em torno de uma retórica de confronto que, até aqui, não produziu um projeto de país nem uma concepção clara de governo. A anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, o confronto com o Supremo Tribunal Federal, a oposição a Lula e a defesa do legado de Jair Bolsonaro definiram suas principais bandeiras, mas não respondem à questão central de uma candidatura: como pretende usar o poder para atender às necessidades do conjunto dos brasileiros, para além das disputas políticas que até aqui orientaram sua trajetória.
Ao definir sua entrada na disputa, o próprio senador resumiu essa orientação ao dizer que se tratava de uma “candidatura de protesto”. A definição, porém, expõe o problema central dessa estratégia: mobilizar-se contra adversários, instituições e governos não substitui a apresentação de um projeto de poder. É justamente essa diferença que o início oficial da disputa coloca agora sob exame.
QUAL PROJETO ? – O plano de governo de Flávio começou a ser divulgado às vésperas da abertura oficial da corrida eleitoral. O calendário não é o problema; qualquer programa eleitoral pode legitimamente amadurecer ao longo desse processo. O que importa é o que seu conteúdo revela sobre o projeto que pretende sustentar.
Na educação, recupera políticas já testadas no (des)governo do seu pai e acrescenta um programa de remuneração para alunos que ajudam colegas com dificuldades; especialistas já apontaram os limites de tratar um problema estrutural a partir de uma única metodologia. No campo institucional, propõe reduzir a competência criminal do Supremo, criar quarentena para ex-ministros antes de chegarem à Corte e limitar decisões monocráticas — medidas que merecem debate técnico próprio, mas que também prolongam, em linguagem de programa de governo, o mesmo conflito com o tribunal que esteve no centro dos embates do bolsonarismo.
A proposta de fim da reeleição presidencial é uma das poucas medidas que estabelecem distância explícita da trajetória de Jair Bolsonaro. No conjunto, o plano confirma o diagnóstico da pré-campanha: a identidade de combate chegou muito antes da formulação programática, e o documento, lido de perto, ainda parece menos uma concepção abrangente de governo do que uma tentativa de dar forma administrativa a convicções que já existiam.
PROGRAMA DE GOVERNO – Essa diferença não é cronológica, é estrutural. Uma candidatura pode nascer de uma reação política — isso não é, em si, uma fraqueza. Mas seu programa de governo é o momento em que precisa dizer que tipo de país pretende construir quando a reação ao adversário deixa de bastar para orientar decisões.
Saúde, desigualdade, contas públicas, produtividade, transição energética, política externa: nenhum desses temas se organiza a partir da simples identificação de quem se quer combater. É exatamente aí que um programa de governo deixa de ser peça eleitoral e passa a revelar uma concepção de Estado. No caso de Flávio, boa parte das propostas mais visíveis permanece presa às mesmas disputas que deram forma à sua trajetória recente. A novidade não está numa ruptura com esse repertório, mas na tentativa de traduzi-lo em agenda administrativa.
Essa tensão entre identidade de combate e capacidade de resposta aparece com ainda mais nitidez fora do plano de governo, no episódio Dark Horse. Em maio, vieram a público mensagens sobre a negociação de recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente. Flávio confirmou o contato — depois de negá-lo e, em seguida, atribuir a negativa a uma cláusula de confidencialidade — e chegou a dizer que não precisava “justificar nada pra ninguém”.
PRESTAÇÃO DE CONTAS – Quatro dias depois, mudou de posição e prometeu publicamente uma prestação de contas “a todo mundo” e “de forma transparente” em até 30 dias. O prazo terminou em 18 de junho; e até agora a prestação de contas prometida não foi divulgada, com o senador atribuindo a responsabilidade à produtora, que não respondeu aos questionamentos.
Não há, nos fatos disponíveis, base para afirmar irregularidade nos recursos — e essa distinção importa, porque o problema aqui não é a suspeita, mas a promessa não cumprida. O que está documentado é uma sequência de posições sucessivas sobre o grau de transparência devido, encerrada num compromisso público com prazo definido que simplesmente não se sustentou.
O peso desse episódio está menos no caso em si do que no que ele expõe sobre a própria lógica política do bolsonarismo. A cobrança de explicações sempre foi uma de suas ferramentas centrais de discurso: instituições, ministros, governos, adversários e jornalistas foram repetidamente submetidos à exigência de transparência por Jair Bolsonaro e seus aliados, e não há problema algum nisso — exigir respostas de quem exerce poder é parte legítima do jogo democrático. O ponto de tensão é outro: o que acontece quando a mesma régua, aplicada com tanto rigor aos outros, encontra uma medida diferente quando voltada para a própria conduta de quem pretende ocupar o poder?
TERCEIRA DIMENSÃO – A filiação de Flávio ao Missão, registrada no sistema eleitoral às vésperas do prazo para candidaturas, acrescenta uma terceira dimensão à análise. Uma certidão emitida pelo Tribunal Superior Eleitoral mostrou o senador desfiliado do PL e filiado ao Missão desde 12 de agosto, alteração que impediu temporariamente o registro de sua candidatura presidencial pelo partido.
Nesta quinta-feira, porém, o TSE restabeleceu a filiação de Flávio ao PL e determinou a investigação do episódio. A Corte informou que não houve invasão de seus sistemas, mas uso indevido de credenciais por alguém que tinha acesso ao sistema da legenda; o Missão, por sua vez, afirmou ter sido vítima de fraude e disse ter alertado o gabinete do senador desde 2 de agosto.
CAUTELA – Não há, neste momento, base para atribuir responsabilidade a Flávio — a cautela é obrigatória diante de uma investigação em curso. O interesse político do caso está menos em produzir uma acusação do que na circunstância em que ocorreu: às vésperas do início oficial da campanha, a candidatura precisou interromper sua agenda para responder a uma questão sobre o próprio registro eleitoral.
Não é preciso forçar esses três elementos — programa de governo, Dark Horse e filiação ao Missão — a contar uma única história, porque são de naturezas diferentes: um é questão programática, outro envolve transparência, e o terceiro permanece sob apuração. O que os aproxima é outra questão: em situações distintas, uma candidatura que passou meses definindo com enorme clareza seus adversários começa a ser submetida a perguntas mais desconfortáveis — como pretende usar o poder para responder às necessidades do conjunto dos brasileiros, como suas propostas se sustentam e até onde vai sua disposição de responder por aquilo que faz.
É uma cobrança válida para qualquer candidato à Presidência, de qualquer partido. Mas ganha peso particular no caso de Flávio porque sua candidatura foi construída como continuidade de um projeto político que fez do confronto uma de suas principais fontes de identidade — e que, por isso mesmo, tem mais a perder quando a régua da cobrança se volta para dentro.
SEM RESPOSTAS – Flávio Bolsonaro sabe há meses contra quem pretende lutar; isso nunca esteve em dúvida. O que o plano de governo e os acontecimentos recentes permitem discutir é outra coisa, bem mais reveladora: que projeto de governo apresenta quando a disputa deixa de ser apenas contra alguém e passa a exigir respostas sobre como usar o poder para atender às necessidades do conjunto dos brasileiros.
É nesse ponto que a candidatura precisa responder ao que ainda não conseguiu demonstrar com a mesma clareza: qual projeto de governo pretende colocar no lugar do discurso de confronto que até agora lhe deu identidade.
Isso vindo dessa revista é normal, ela como outras hoje recebem verbas do governo. Vão falar mal de quem o sustentam, só louco em alto grau de demência
O FATO é que sem projeto próprio que mostra o novo caminho a seguirmos, alternativo a tudo isso que aí está há séculos e até milênios, não chegaremos a lugar novo e alvissareiro nenhum para o ser humano e para a Humanidade, nunca, jamais em tempo nenhum, nem mesmo com a volta de Jesus Cristo, infelizmente. THE PRAYER, A Oração, para iniciarmos uma nova semana abençoada, com cabeças, corpos, almas e corações desintoxicados das alienações politiqueiras impostas pela imprensa falada, escrita e televisionada, certo de que, na verdade, o primeiro passo para descortinarmos o possível e necessário novo mundo mais humano, mais civilizado e mais verdadeiro, compatível com os desígnios de Deus para com espécie humana racional, que não deve ser apenas o da procriação, repleto de paz, amor, fraternidade, prosperidade consciente, Justiça e Esperança consiste em nos libertarmos da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, mãe da bandidagem generalizada, imposta pelo velho mundo, libertação essa que não se conquista com blá-blá-blá, gogó e nem trololó politiqueiros, enganosos, mas isto sim com projeto próprio, quer mostra o novo caminho alternativo a tudo isso que aí está, há séculos, projeto esse a ser posto em execução com a participação ativa, altiva, entusiasmada e corajosa de todos os interessados no descortino dos novos horizontes possíveis e necessários. https://www.facebook.com/reel/1232996591167519
Marcelo, um programa de governo que de imediato desaparelhe todas as instituições já é um bom programa, o resto vem por via de consequência.
Ficar dando coice no Trump e descobrindo petróleo na véspera da eleição é papo de coveiro.
Que mané retórica de confronto, meu caro! O candidato estendeu a mão para todo mundo, inclusive para aliados políticos do narcoladrão que nos desgoverna e foi desprezado por todos os caciques, com rabo preso no STF. A própria imprensa venal noticiou que os traficantes supremos ameaçavam políticos que se dispunham a conversar com o Flávio. Retórica de confronto existe, de fato, do outro lado.
Quanto ao plano de governo, é simples, tentar fazer o que o pai dele (Jair Messias Bolsonaro) fez: diminuir a ingerência estatal na vida da sociedade, controlar a dívida pública e procurar reduzir os gastos, para o país e as estatais voltarem a operar no azul. Qual a dificuldade de compreender algo tão simples?
O Flávio não tem projeto nenhum para o Brasil e nem para os brasileiros, assim como o pai e cabo eleitoral dele o ensinou.
É um família de inúteis e que fazem muito mal ao Brsail. Basta ver a situação do Rio de Janeiro, reduto bolsonarista com a péssima gestão do Cláudio Castro e outros bolsonaristas ligados ao crime organizado.