
Votação completa dez anos com PT tentando novo governo
Caio Sartori
O Globo
Finalizado há dez anos, em 31 de agosto de 2016, o impeachment de Dilma Rousseff (PT) contou com votos favoráveis de dez deputados ou senadores que hoje compõem chapas majoritárias apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos estados.
O episódio foi traumático para o partido, que também enfrentava naquele momento as investigações da Operação Lava-Jato, mas as mudanças radicais na política brasileira desde então fizeram esses personagens estarem hoje ao lado do petista na tentativa de chegar a governos estaduais ou ao Senado.
REVIRAVOLTAS – De lá para cá, depois do impeachment, Lula foi preso, o partido perdeu a eleição de 2018 para Jair Bolsonaro e conseguiu a volta por cima há quatro anos. Com o retorno ao Planalto, reconquistou aliados que havia perdido e atraiu novos parceiros.
Entre os parlamentares pró-impeachment que hoje estão com o PT, há nomes de projeção nacional como Simone Tebet, que era senadora pelo MDB de Mato Grosso do Sul. Nestes dez anos, ela concorreu à Presidência em 2022 ainda como emedebista, apoiou Lula no segundo turno e virou ministra do Planejamento neste mandato do presidente. Agora, disputa o Senado por São Paulo e filiada ao PSB.
Na votação do processo, Tebet mencionou as “consequências nefastas” da política fiscal de Dilma. Colocou-se contra “todo o mal que ela causou e está causando à população brasileira” e declarou o voto favorável à cassação.
FOTO A FAVOR – Ainda no Senado, outro caso emblemático é o de Renan Calheiros (MDB), que presidia a Casa. Aliado histórico do PT, ele não foi da ala emedebista que costurou o impeachment, mas deu voto a favor. Hoje, tenta a recondução ao Senado em Alagoas na chapa lulista.
Deputado federal pelo PSD do Rio, o agora candidato ao Senado Pedro Paulo era do MDB, mesmo partido do então vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, principal artífice do impeachment, embora fossem de alas diferentes. Dez anos depois, não hesita em dizer que o voto favorável à cassação na Câmara foi um erro.
— Errei e me arrependo desse voto. O tempo mostrou que não houve crime de responsabilidade, e o impeachment abriu a porta para o radicalismo que tomou conta do país — afirma ele, que divide a chapa no Rio com a petista Benedita da Silva nesta eleição.
FILIADOS AO PT – A senadora Eliziane Gama, ex-deputada federal pelo antigo PPS, é um dos casos mais bruscos de mudança. A exemplo do ex-deputado Expedito Netto, ela não só tem o apoio de Lula, como está filiada ao PT. Concorre a um novo mandato no Senado pelo Maranhão, enquanto Expedito busca o governo de Rondônia.
Quem também votou a favor como deputado, elegeu-se senador dois anos depois e agora anseia a recondução à Casa é Veneziano Vital do Rêgo (PB). Está no MDB, mas deu o voto ainda filiado ao PSB.
Parlamentar que ganhou holofotes durante a CPI da Covid, o senador Omar Aziz tenta agora o Executivo de seu estado, o Amazonas, e faz parte do time de Lula. Ele é, assim como em 2016, do PSD. Um dos ativos que carrega consigo é o de ser o relator, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de uma das bandeiras do petista nesta campanha, o fim da escala 6×1.
EXTREMA DIREITA – Na visão do cientista político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a centro-direita tradicional percebeu que, depois do impeachment, quem se aproveitou do espaço vazio não foi ela própria, e sim a extrema direita de Jair Bolsonaro.
— Quando Bolsonaro começa a governar, vem a pandemia, a questão das vacinas, depois a tentativa de golpe de Estado. Isso foi produzindo um deslocamento — diz. — O Bolsonaro não destruiu o PT; destruiu os partidos de direita, tomou os votos deles. Algumas lideranças desses partidos perceberam que sua sobrevivência depende de estar do lado de quem tem condições de barrar o avanço eleitoral e social de Bolsonaro.
AO LADO DE LULA – Os demais casos de parlamentares pró-impeachment que agora estão com Lula são de nomes que tentam o Senado: Júlio Cesar (PSD), no Piauí, Rafael Motta (PDT), no Rio Grande do Norte, e André Moura (União), em Sergipe.
A data de 31 de agosto se refere à conclusão do processo no Senado, que culminou na cassação definitiva de Dilma. Ela estava afastada temporariamente desde 12 de maio daquele ano.
Sr. Newton,
O Sr,. reparou que o Narco-Ladrão está falando igual ao demônio da Tasmânia.??
Bah!
https://www.youtube.com/live/I9FPS0ah1SQ?is=UfSbX0B_drPkCaIn