PF deve convocar Lulinha para depoimento presencial em investigação no STF

Lulinha vive na Espanha desde 2024

Bela Megale
O Globo

A Polícia Federal deve chamar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para prestar um depoimento presencial no âmbito de investigações que apuram se ele cometeu tráfico de influência junto a órgãos do governo federal e ao Palácio do Planalto.

Nos últimos dias, o filho primogênito do presidente Lula passou a ser alvo de três inquéritos da Polícia Federal que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois deles estão sob a relatoria do ministro André Mendonça e um sob a relatoria de Flávio Dino.

ESCLARECIMENTOS – O presidente Lula já disse publicamente que, caso seu filho seja formalmente acusado ou convocado pela Justiça, ele virá ao Brasil. O advogado de Fábio Luís, Marco Aurélio Carvalho, também afirmou que, se for demandado pelas autoridades, seu cliente comparecerá para prestar esclarecimentos.

Diante disso, os investigadores avaliam que seria o caso de o empresário dar explicações de maneira presencial, o que é mais produtivo para as apurações.

Lulinha vive na Espanha desde 2024. Ele foi dragado pelas investigações da PF devido à sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, apontada como uma peça-chave de um suposto esquema de tráfico de influência que vigorou no terceiro mandato do governo Lula. Ela também está envolvida no esquema de desvios do INSS.

Piada do Ano! Superintendentes defendem diretor da PF que tentou blindar Lulinha

Marco Buzzi é condenado pelo STJ e pode se tornar o primeiro ministro a perder o cargo

Buzzi pode ser excluído dos quadros da magistratura

Pepita Ortega
O Globo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou nesta quinta-feira o ministro Marco Buzzi à pena de disponibilidade com proposta de perda do cargo em razão de acusações de importunação sexual e assédio. Em decisão inédita, a medida abre caminho para que o ministro seja o primeiro a ser excluído dos quadros da magistratura após o fim da aposentadoria compulsória.

Com a decisão, o caso de Buzzi será encaminhado à Advocacia-Geral da União para que proponha, em até 30 dias, uma ação de perda de cargo contra o ministro, perante o Supremo Tribunal Federal. A Corte máxima dará a palavra final sobre a demissão do magistrado.

EFEITOS PRÁTICOS – No julgamento do caso no STF, que ainda não tem data para acontecer, serão definidos os efeitos práticos da pena de Buzzi. O Supremo deve discutir, por exemplo, se a perda de cargo implica somente na perda do salário ou de outros benefícios, como plano de saúde. Também deve ser discutida questões relacionadas a contribuição previdenciária do ministro.

A pena imposta a Buzzi confirma o afastamento do ministro, que era até o momento temporária. O ministro está recebendo o salário proporcional até que o STF decrete, ou não, sua perda de cargo. Além disso, a decisão leva à vacância imediata do cargo do ministro no STJ, abrindo a possibilidade de uma nova indicação à Corte superior. Nesse interim, o desembargador Luís Carlos Gambogi, do Tribunal de Justiça de Minas, seguirá atuando nos casos que estavam no gabinete de Buzzi.

A condenação segue o entendimento da comissão de sindicância, presidida pelo ministro Luís Felipe Salomão. O voto teve peso três, porque também valeu como posicionamento dos outros ministros que integraram o grupo — os ministros Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva.

INFRAÇÕES – Por unanimidade, o pleno entendeu que Buzzi incorreu em infrações disciplinares. Houve um debate, no entanto, sobre a pena que deveria ser aplicada ao ministro. A maioria do colegiado – 24 ministros – votou para impor a Buzzi a nova pena máxima na magistratura – a disponibilidade com proposta de perda de cargo. Os ministros João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria defenderam que o colega fosse aposentado compulsoriamente – punição recém-derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.

Participaram do julgamento 28 dos 33 ministros que integram a Corte. Ficaram fora a ministra Isabel Gallotti, que se declarou suspeita para atuar no processo; o ministro Og Fernandes, diagnosticado com Covid-19; e o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. A outra baixa tem relação com a vaga aberta no Tribunal com a aposentadoria do ministro Antônio Saldanha Palheiro, em maio.

VÍDEOS – Durante o julgamento desta quinta, Buzzi assistiu pela primeira vez os vídeos de depoimentos das vítimas, antes da leitura do voto que levou a sua condenação. Nos bastidores do STJ, o julgamento era aguardado por representar uma resolução para a Corte. Nos corredores, a avaliação é a de que, com a condenação, se vira uma página, com uma atuação institucional antes mesmo do avanço da investigação criminal contra o ministro.

No centro da condenação estão duas acusações: a de uma jovem que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante uma viagem ao litoral de Santa Catarina e a de uma ex-servidora do gabinete do ministro, que o acusa de assédio sexual. Buzzi nega as acusações e sustenta que é inocente. Em alegações finais, a defesa sustentou ter apresentado provas de que os fatos relatados pelas vítimas “não teriam como ocorrer”.

Uma das vítimas é filha de um casal de advogados, que eram amigos de Buzzi e estavam hospedados em sua casa de praia localizada no litoral catarinense, em janeiro deste ano.

PRÓXIMOS PASSOS – Após o julgamento, a defesa de Buzzi afirmou que respeita a decisão do STJ, apesar de discordar da mesma. Além disso, informou que vai analisar a recente resolução do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu a pena aplicada a Buzzi, para decidir sobre os próximos passos.

O advogado Daniel Bialski, que defende uma das vítimas, destacou que a decisão da Corte superior deve ter repercussão sobre a investigação criminal em curso, perante o STF, sobre as acusações contra Buzzi. Em nota, a defesa afirmou ainda que a condenação de Buzzi dá um exemplo, para toda sociedade, que “independentemente do cargo, profissão ou autoridade exercida, aquele que cometeu um ato ilícito não apenas pode, como deve ser devidamente punido”.

A ACUSAÇÃO –  O assédio, de acordo com o relato da denúncia, ocorreu em uma praia de Balneário Camboriú (SC) no mês passado. Quando a jovem foi tomar um banho de mar, Buzzi, que estava dentro da água, teria tentado agarrá-la. Ao saber da agressão, vítima e familiares retornaram a São Paulo, onde lavraram um boletim de ocorrência que deu base à abertura de um inquérito policial.

A denúncia foi registrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que informou que o caso está tramitando em sigilo. “Tal medida é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”, diz o CNJ.

RELATO – Em depoimento prestado à Corregedoria Ncional de Justiça, a jovem que apresentou a denúncia de assédio confirmou a acusação e fez um relato detalhado dos fatos. Segundo O Globo apurou, o depoimento foi prestado de forma presencial e durou cerca de duas horas.

Como mostrou O Globo, a Comissão da Sindicância que analisou o caso propôs ao plenário do STJ que imponha a Buzzi a nova pena máxima da magistratura, que inclui a possibilidade da perda do cargo. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia reforçado o pedido de responsabilização do ministro por assédio e importunação sexual.

QUEM É MARCO BUZZI 

Buzzi completou 68 anos nesta quarta-feira e se formou em direito em 1980, em Itajaí (SC). Ele é mestre em Ciência Jurídica e especializado em Direito do Consumo e Instituições Jurídico-Políticas. Em 2002, tomou posse como desembargador. No STJ desde 2011, nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Buzzi também é membro do Conselho da Justiça Federal (CJF) e presidente da Turma Nacional de Uniformização, composta por 12 juízes federais.

O magistrado é membro da Comissão Permanente de Divisão e Organização Judiciárias do Estado de Santa Catarina e fundador da União dos Magistrados do Mercosul. Além disso, Buzzi já integrou o Conselho Executivo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Em Santa Catarina, Buzzi também já foi presidente do Grupo de Câmaras do Tribunal de Justiça, em 2008, e presidente da Terceira Câmara de Direito Comercial, em 2010. Foi coordenador dos Juizados Especiais do estado entre 2004 e 2010 e supervisor entre 2010 e 2012, além de ter ministrado disciplinas na Universidade do Vale de Itajaí.

Entre suas condecorações, está a Medalha do Mérito Judiciário Catarinense, concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina “em razão dos relevantes serviços” prestados ao estado.

Buzzi, o ministro imundo, foi afastado do STJ e vai receber punição exemplar

STJ decide punir ministro Marco Buzzi com perda do cargo

Buzzi, o ministro tarado, pensava (?) que era irresistível

Vicente Limongi Netto

Togado imundo e desprezível, o ainda ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, está encrencado. Perdeu o cargo de ministro nesta quinta-feira, mas ainda pode recorrer ao Supremo. Ele não pode ficar impune, escondido atrás daquela toga imunda.

Como todos sabem, ele assediou uma jovem, amiga de sua família, numa praia, em Santa Catarina. A vítima contou à Polícia detalhes escabrosos e imundos que sofreu nas mãos do cretino. Buzzi é ministro do STJ desde 2011, nomeado pela presidente Dilma.

A jovem ultrajada e humilhada pelo infame magistrado é filha de um casal amigo da família do indecoroso Buzzi. Estavam hospedados na casa dele.

REVOLTA – Outros casos de assédio aconteceram. A mulher do ministro, é claro, está envergonhada e revoltada. Diz que o marido, de uma união de 47 anos, acabou com a vida dela.

O cretino Buzzi entrou de licença médica e internou-se em rico hospital de Brasília. Depois da cafajestada com a jovem, ficou doente. Coitadinho. Perdeu uma dignidade apenas aparente, porque um homem como ele jamais foi honrado.

Seguramente, como a jurisprudência do Supremo é incisiva, Buzzi não poderá ser aposentado compulsoriamente. Isso, sim, é punição. Tenho ânsia de vômito. Buzzi é um rato de esgoto. Apenas isso.

Chanceler cobra respeito de Milei em meio à grave crise com Argentina

Crise política força reaproximação entre Lula e Alcolumbre

Lula prepara conversa com Trump para conter escalada da crise diplomática

Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados que buscará conversar com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, na próxima semana. A declaração foi feita num encontro do petista com parlamentares do PSOL e da Rede no Palácio da Alvorada nesta tarde. O encontro ocorreu para oficializar o apoio da federação à reeleição do presidente.

De acordo com relatos de dois participantes, o petista defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU para conseguir encerrar o conflito. Nesse momento, Lula afirmou que conversou nos últimos dias com os presidentes da China, Xi JinPing, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre o conflito e que, na próxima semana, buscaria falar com Trump também.

NOVAS TAXAS – Segundo esses relatos, Lula não disse se também aproveitará a conversa para tratar de outros temas na relação do Brasil com Estados Unidos, que vive momento de tensão após nova imposição de taxas do governo Trump aos produtos brasileiros e sanções a autoridades, como a revogação do visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada, mas não respondeu. Uma pessoa que acompanha as conversas diz que ainda não está fechada uma data para esse telefonema. O petista afirmou mais cedo em entrevista nesta quarta que buscaria Trump, mas não indicou quando isso ocorreria.

— Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa (…) Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso (conflitos) e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem o fim nesse conflito — disse Lula em entrevista ao canal Os Três Elementos.

INTERFERÊNCIA – Ainda segundo relatos dos participantes da reunião, Lula voltou a falar do risco de interferência do governo Donald Trump nas eleições brasileiras, e citou nominalmente o presidente americano e o secretário de Estado, Marco Rubio, que mostraram ter interesse no domínio da direita na América Latina.

Também no encontro, o petista falou que a eleição deste ano será dura, que é preciso mobilizar a militância nas ruas e nas redes sociais e apontou para propostas que quer tratar num eventual Lula 4 nas áreas de educação e ciência e tecnologia; defesa; e do cuidado com a terceira idade. Ele afirmou ainda, segundo os relatos, que não quer ser eleito presidente pela quarta vez para fazer o que já foi feito em gestões passadas.

EMENDAS – Além disso, voltou a criticar o controle das emendas parlamentares no Congresso, disse que o governo fica engessado com falta de recursos para investimento e que esse tema precisa ser enfrentado num novo governo. Incentivou ainda a candidatura de nomes da esquerda para o Congresso falando na necessidade de uma base para apoiar o avanço de propostas de interesse da população.

O presidente também foi questionado sobre a participação dele ou não nos debates eleitorais. Nesse momento, segundo os relatos, o presidente do PT, Edinho Silva, que acompanhava o encontro, disse que hoje há mais de 30 pedidos de participação em eventos como esse e que isso será analisado pela coordenação da campanha. A expectativa é que todos os partidos aliados tenham ao menos um representante na coordenação da campanha.

Escolha de Alfredo Gaspar foi fechada às pressas após recusa de aliados

PGR reforça pedido para afastar definitivamente Marco Buzzi do STJ

A igualdade dos casais que se amam e se odeiam, como nos filmes policiais…

dalingua_portuguesa : Morreu, aos 87 anos, o escritor Affonso Romano de Sant 'anna. O escritor foi casado com a também escritora Marina Colasanti, que  morreu em janeiro deste ano. Mineiro de Belo Horizonte,Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna (1937-2025) mostra neste poema a igualdade que pode existir em todos os casais, embora cada um seja diferente dos demais..

BALADA DOS CASAIS
Affonso Romano de Sant’Anna

Os casais são tão iguais,
por isto se casam
e anunciam nos jornais.

Os casais são tão iguais,
por isto se beijam
fazem filhos, se separam
prometendo
não se casarem jamais.

Os casais são tão iguais,
que além de trocar fraldas,
tirar fotos, acabam se tornando
avós e pais.

Os casais são tão iguais,
que se amam e se insultam
e se matam na realidade
e nos filmes policiais.

Os casais são tão iguais,
que embora jurem um ao outro
amor eterno,
sempre querem mais.

Gilmar Mendes prevê que haverá novas regras para emendas parlamentares

Vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar é investigado no STF e no TCU

Discurso delirante de Lula expõe fragilidades de uma campanha sob pressão

Quando a diplomacia cede lugar ao confronto, muita coisa está errada

Trump age contra os próprios interesses estratégicos dos EUA

Pedro do Coutto

A decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos representa um dos episódios mais graves da história recente das relações entre Brasília e Washington. Medidas dessa natureza são raríssimas entre países que mantêm relações diplomáticas estáveis e costumam ser reservadas a situações de ruptura institucional, crises de segurança ou conflitos de elevada intensidade política.

Ao atingir diretamente a principal representante do Estado brasileiro em território norte-americano, a Casa Branca envia uma mensagem que extrapola o campo consular: trata-se de um gesto de inequívoco conteúdo político. A reação dos dois governos evidencia que a crise está longe de ser um mero desacordo protocolar.

RECIPROCIDADE – Washington sustenta que a medida decorre do princípio da reciprocidade diplomática, argumento frequentemente utilizado quando um país entende que seus representantes sofreram tratamento considerado inadequado. Já o Palácio do Planalto interpreta a iniciativa como um ato de hostilidade e uma tentativa de exercer pressão sobre o cenário político brasileiro às vésperas de um ciclo eleitoral que promete intensa polarização.

A história demonstra que divergências entre Brasil e Estados Unidos nunca deixaram de existir. Houve atritos durante a Guerra Fria, diferenças profundas na Guerra do Iraque, embates comerciais em diversos governos e divergências ambientais nos últimos anos.

Ainda assim, ambos os países preservaram, em maior ou menor medida, os canais diplomáticos. A diplomacia existe justamente para impedir que disputas políticas se transformem em crises permanentes entre Estados. É por isso que a revogação do visto da embaixadora brasileira chama tanta atenção: rompe uma tradição de contenção que marcou décadas da relação bilateral.

APROXIMAÇÃO – A decisão também não pode ser analisada isoladamente do contexto político que aproxima Donald Trump da família Bolsonaro. Desde o primeiro mandato de Trump, os dois grupos cultivaram uma relação marcada por afinidade ideológica, defesa de pautas conservadoras e críticas comuns às instituições multilaterais. Essa convergência nunca foi escondida. Ao contrário, foi frequentemente explorada como símbolo de uma aliança política internacional entre movimentos identificados com a direita nacionalista.

Essa proximidade cria inevitavelmente uma dificuldade de percepção. Ainda que o governo norte-americano insista em enquadrar sua decisão como uma resposta institucional, torna-se difícil dissociá-la do vínculo político construído ao longo dos últimos anos entre Trump e Bolsonaro. Quando relações pessoais e ideológicas passam a coexistir com decisões oficiais de política externa, cresce o risco de que atos de Estado sejam interpretados como instrumentos de disputa política.

LIMITES – É justamente nesse ponto que reside uma das maiores preocupações. Relações internacionais entre democracias consolidadas costumam ser orientadas pelo princípio de que governos são transitórios, mas os Estados permanecem. Em outras palavras, divergências com um presidente não deveriam significar confrontos com todo um país. Quando uma potência adota medidas que parecem dialogar mais com atores políticos internos do que com o governo legitimamente constituído de outra nação, inevitavelmente surgem questionamentos sobre os limites entre política externa e interferência.

Não se trata de afirmar que exista uma intervenção direta no processo eleitoral brasileiro. Essa conclusão exigiria provas que, até o momento, não vieram a público. Entretanto, também seria ingênuo ignorar o efeito político produzido por decisões dessa magnitude. Em um ambiente altamente polarizado, qualquer movimento vindo de Washington tende a ser imediatamente incorporado ao debate interno brasileiro, fortalecendo narrativas de ambos os lados e ampliando a tensão institucional.

IMPACTO – Também merece reflexão o impacto sobre os próprios interesses estratégicos dos Estados Unidos. O Brasil é a maior economia da América Latina, integrante do G20, parceiro comercial relevante e ator indispensável em temas como segurança alimentar, energia, clima e minerais estratégicos. Relações bilaterais dessa dimensão dificilmente se beneficiam da personalização dos conflitos. Quando disputas políticas passam a orientar decisões diplomáticas, o prejuízo costuma ultrapassar governos e atingir interesses permanentes de ambos os países.

Do lado brasileiro, a resposta também exigirá equilíbrio. A tentação de elevar o tom pode produzir dividendos políticos internos, mas frequentemente dificulta a reconstrução dos canais diplomáticos. Ao mesmo tempo, a ausência de reação poderia ser interpretada como sinal de fragilidade. O desafio do Itamaraty será defender a soberania nacional sem transformar uma crise política em uma ruptura diplomática de consequências imprevisíveis.

PRUDÊNCIA – A política externa sempre foi um dos instrumentos mais sofisticados da ação do Estado. Ela exige prudência, previsibilidade e capacidade de separar divergências conjunturais dos interesses permanentes das nações. Quando gestos simbólicos passam a substituir o diálogo, todos perdem espaço para a negociação e aumenta o risco de que decisões motivadas pelo presente produzam danos duradouros no futuro.

A crise aberta entre Washington e Brasília talvez não represente um ponto sem retorno. A história das relações internacionais mostra que governos mudam, crises passam e pontes podem ser reconstruídas. Contudo, o episódio deixa uma advertência importante: quando afinidades políticas entre líderes começam a influenciar a condução da política externa, a diplomacia deixa de ser um instrumento de aproximação entre Estados para se tornar uma extensão da disputa ideológica. E esse é um caminho que raramente fortalece as democracias ou contribui para a estabilidade das relações internacionais.

Vice de Flávio Bolsonaro revela escassez de alternativas no PL, diz analista

Nome de Gaspar para vice indica improviso 

Luciana Casemiro
O Globo

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República evidencia a escassez de opções disponíveis para o bolsonarismo e a pouca importância atribuída à sinalização para o eleitorado feminino.

Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e pós-doutor pela Universidade de Columbia. Couto também vê um certo improviso na indicação. Afinal, menos de 24 horas antes do anúncio, Gaspar havia publicado em suas redes sociais que seria candidato ao Senado.

SEM ALTERNATIVAS – “A escolha de Alfredo Gaspar revela a falta de outras opções, sobretudo pelo fato de não terem escolhido uma mulher, depois de tudo o que se viu nesta campanha e das dificuldades históricas que o bolsonarismo enfrenta junto ao eleitorado feminino. Seria quase natural buscar uma candidatura feminina. Especulou-se muito sobre isso. Falaram no nome da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, de várias deputadas do PL e até da senadora Tereza Cristina. Nenhum desses nomes prevaleceu e, pelo visto, não houve um grande esforço para encontrar outra alternativa nessa direção”, afirma.

Outra interpretação possível, segundo o cientista político, é que a escolha esteja relacionada à disputa pelo Senado em Alagoas. A retirada da candidatura de Gaspar poderia representar um aceno a Arthur Lira, numa tentativa de aproximação e de convencer o Progressistas (PP) a abandonar a posição de distanciamento da campanha.

POUCA EXPRESSÃO – Na avaliação de Couto, Gaspar é um nome de pouca expressão na política nacional, apesar da visibilidade que conquistou como relator da CPMI do INSS. Para o professor, o principal atributo de sua escolha para compor a chapa de Flávio Bolsonaro é o fato de ser um político do Nordeste, região onde o bolsonarismo enfrenta seu maior desafio eleitoral. Ele ressalta, contudo, que Alagoas é um dos estados nordestinos em que o petismo também encontra mais dificuldades.

“O fato de Gaspar ser de Alagoas não resolve a situação de Flávio Bolsonaro no Nordeste como um todo. Acho que essa escolha revela mais a falta de alternativas do que propriamente agrega algo de substantivo à chapa, já que se trata de um nome bastante secundário no cenário político nacional”, diz.

ATAQUES – Couto chama atenção ainda que a notícia de fato à Polícia Federal contra o deputado federal Alfredo Gaspar envolvendo informações sobre possível estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos,, feita em março deste ano, pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pode abrir um novo flanco de ataques à candidatura de Flávio.

“Mesmo que não se tenha eventualmente provas ou coisas do tipo, o fato do deputado ser investigado por isso é uma coisa muito complicada. Ter na chapa um candidato que pode levantar essa dúvida, essa acusação é um risco que me parece grande demais. É realmente um tanto quanto estranha essa indicação, considerando que se deixa de ter uma mulher e opta um candidato com todo esse risco”, avalia

Pesquisa mostra que os penduricalhos estão enriquecendo os magistrados e afins

Corrupto desde jovem, Lulinha sempre consegue fugir da Polícia e da Justiça

Tribuna da Internet | Cerco a Lulinha, com quebra de sigilo, desarticula a pré-campanha de Lula

Charge do Clayton (O Povo-CE)

Carlos Newton

O Brasil é conhecido mundialmente como o país da impunidade, porque aqui existem dois tipos de Justiça – a que é aplicada implacavelmente nos criminosos da ralé e a que mantém em liberdade os criminosos do colarinho branco e encardido, ou seja, aqueles que têm recursos para comprar consciências em série.

Um bom exemplo é o famoso fenômeno empresarial Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que há mais de dez anos vem sendo investigado em inquéritos da Polícia Federal, mas é escorregadio e sempre consegue escapar.

ALVO, NOVAMENTE – Agora, em plena campanha eleitoral, o filho mais velho de Lula passou a ser alvo de três novas investigações, autorizadas pelo Supremo, em desdobramentos do escândalo do INSS, por suas criminosas ligações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com a também lobista Roberta Luchsinger, que se diz amiga de Lulinha

Nesta terça-feira, dia 4, a plastificada Roberta Luchsinger voltou a se destacar, após a revelação de que ela corrompeu o então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido no Planalto como Marcola, que é um dos principais coordenadores da campanha eleitoral.

O ministro André Mendonça é relator de dois inquérito sobre Lulinha, enquanto Flávio Dino ficará responsável pela tramitação do terceiro inquérito sobre o filho do presidente.

MAL DE FAMÍLIA – A corrupção está na genética dessa família. O pai respondeu a diversos inquéritos e foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção, pegando 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão no caso do triplex, e mais 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão no caso do sítio de Atibaia.

Todos os filhos já foram investigados pelos mesmos crimes (corrupção e lavagem), envolvidos em tenebrosas transações, como diz o petista Chico Buarque de Holanda. O mais visado é Fábio Luís, o Lulinha, que começou sua carreira como tratador de animais no Zoológico, ganhando R$ 600 por mês e logo se transformou naquele fenômeno empresarial que tanto orgulha o presidente Lula.

Anos depois, assim como o pai e dois irmãos, Fábio Luís foi alvo de buscas na 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em 2016. Na época, a força-tarefa investigava a relação de Lula com empreiteiras.

DINHEIRO FÁCIL – Com Lula na presidência, o fato inconteste é que o dinheiro entrava fácil nos bolsos de Lulinha, que rapidamente enriqueceu de forma ilícita. Em 2016, a PF denunciou que financiadores aplicaram R$ 103 milhões na empresa de Lulinha, a Gamecorp.

A devassa apontou que as empresas Oi Móvel e Telemar Internet foram responsáveis por R$ 82 milhões, e outros R$ 6 milhões foram repassados pelo Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava.

A perícia também denunciava recebimentos de outras duas empresas de Fábio Luís. Na época, o documento ainda não trazia conclusões ou encaminhamentos.

SÍTIO DE ATIBAIA – A investigação da PF indicava que parte dos recursos pagos pelas empresas tenha sido usada na compra do sítio em Atibaia (SP), frequentado por Lula.

Segundo os investigadores afirmaram na ocasião, ao todo, a Oi repassou R$ 132 milhões a empresas de Lulinha e dos sócios – os irmãos Fernando e Kalil Bittar e Jonas Suassuna – e a Vivo, cerca de R$ 40 milhões.

Lulinha também entrou na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em 2005 para apurar corrupção nas estatais, mais especificamente nos Correios. Essa mesma CPI mirou o esquema do mensalão, principal escândalo político do primeiro mandato de Lula.

RONALDINHO – Em 2006, Lula defendeu o filho e afirmou: “Deve haver um milhão de pais reclamando: Por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”.

Sócio de Lulinha, o empresário Jonas Suassuna era dono de uma das áreas da propriedade em Atibaia. Além disso, o inquérito também citava um apartamento no valor de R$ 3 milhões que teria sido comprado e mobiliado por ele para uso da família de Lula.

Em fevereiro de 2020, Suassuna vendeu sua parte na empresa de mídia. Em maio, foi a vez do filho de Lula se retirar da sociedade. As investigações foram arquivadas em 2022.

CPI DO INSS – Agora, tudo voltou à tona, porque a  Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 para apurar desvios em pagamentos a aposentados, acabou incluindo provas do envolvimento do filho de Lula com o lobista conhecido como Careca do INSS e com a também lobista Roberta Luchsinger, que subornou o chefe do gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Lulinha teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pelo STF, a pedido da Polícia Federal, e pela CPI mista do INSS em fevereiro.

Trechos dos dados sigilosos, repassados pela PF à CPI, apontam que, em quatro anos, Lulinha recebeu pouco mais de R$ 9,7 milhões em suas contas e repassou valor equivalente, somando R$ 19,5 milhões em transações.

###
P.S. –
Nada de novo no front ocidental. Todos sabem que a família de Lula vive envolvida em corrupção e lavagem de dinheiro. Agora o alvo é Lulinha, que está foragido na Espanha, onde a família de Lula tem a proteção de uma fortíssima quadrilha internacional, que em 2025 faturou no Brasil algo em torno de um bilhão de reais, l
ivre de impostos, dando “apoio” ao governo Lula e a governos estaduais e municipais. Na Espanha, Lulinha sente-se protegido e não vai mais voltar. (C.N.)

Bolsonaro busca autorização de Moraes para reunir a família no Dia dos Pais

Paz com Michelle impulsiona Flávio Bolsonaro e reduz vantagem de Lula

Evangélicos avaliam que Flávio errou ao escolher Alfredo Gaspar para vice

Malafaia diz que uma mulher agregaria mais à campanha

Anna Virginia Balloussier
Folha

Lideranças evangélicas têm manifestado ressalvas sobre a capacidade do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) de alavancar votos para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, Gaspar foi anunciado nesta quarta (5) como vice de Flávio.

Não foi a melhor escolha —ao menos é como pensam quatro líderes com quem o Painel conversou após o anúncio, todos frequentadores de reuniões evangélicas no Palácio do Planalto quando o pai do candidato, Jair Bolsonaro (PL), era presidente. A avaliação de bastidor é que a presença de uma mulher na chapa traria maior apelo eleitoral e alcance estratégico.

ALTERNATIVAS – Nomes como a vereadora Priscila Costa (PL-CE), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foram apontados por interlocutores como alternativas de maior peso. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos) corria por fora na preferência do grupo —Flávio dizia publicamente que ela era sua predileta.

O pastor Silas Malafaia, único do quarteto a falar abertamente sobre o tema, diz que apoia Flávio e vê seu vice como “um grande político” que fez um “trabalho formidável da CPI”. “Agora, eu acho, opinião minha, que uma mulher agregaria mais. Por exemplo, a Priscila Costa: nordestina, mãe de família, sabe falar. É uma opinião minha, não estou falando de preferência, é estratégia”, disse.

Colegas de pastoreio acham que pode pesar contra a campanha o fato de Gaspar ser alvo de um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de estupro de vulnerável, fora responder a uma investigação por suspeita de desvio de emendas parlamentares. Sobretudo a acusação de violência sexual poderia provocar desgaste no eleitorado feminino. Já Malafaia diz que a acusação é uma “falácia” e não irá prosperar por falta de provas. “É fake news, não entra nessa, não.”