Lula e Flávio fogem das perguntas e querem uma campanha sem contraditório

Piada do Ano! Lula muda estratégia sobre Lulinha e promete: ‘Ninguém está acima da lei’

O Brasil acumula crises enquanto a política continua refém da sinistra polarização

Mendonça diz que salário de ministro do STF não permite ‘vida sem preocupações financeiras’

Salário do STF dá ‘condição média’ de vida, diz ministro

Guilherme Matos
Estadão

O ministro André Mendonça, do STF, afirmou que o salário de magistrados proporciona uma ‘condição média’ de vida, apesar de ser superior à média brasileira. Durante o 5º Seminário da Anamel, ele destacou que, embora privilegiados, magistrados precisam controlar despesas.

Mendonça, no STF desde 2021, relatou dificuldades nos primeiros anos na Corte. Ele é responsável por investigações sensíveis na Polícia Federal. Seus rendimentos mensais variaram entre R$ 18.881,92 e R$ 43.028,21 em 2023.

“CONDIÇÃO MÉDIA” – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, ainda que “muito acima” do restante dos brasileiros.

“Um ministro do tribunal, um juiz em geral, ele não pode ter a pretensão de ficar rico. O salário, ainda que seja um bom salário, não te dá condições de ter uma vida sem preocupações financeiras. A gente tem que controlar a despesa no dia a dia”, afirmou Mendonça.

Apesar de não proporcionar uma “vida nababesca”, como descreveu o ministro, os magistrados são uma classe privilegiada. “Mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”, disse. A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira, 21, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

RENDIMENTOS – Segundo o Portal da Transparência do STF, os rendimentos líquidos recebidos por André Mendonça entre janeiro e julho deste ano variaram de R$ 18.881,92 (abril e maio) a R$ 43.028,21 (janeiro), somando R$ 182.029,10 no período. A média mensal é de R$ 26.004,16.

Conforme noticiou o Estadão, no mesmo evento, o ministro falou sobre as dificuldades do trabalho na Corte. Os dois primeiros anos no STF, disse, “foram períodos de muita infelicidade”. Hoje, ele vive “muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa”.

André Mendonça é ministro do STF desde dezembro de 2021 por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é relator das duas investigações mais sensíveis em curso na Polícia Federal: a que apura as fraudes envolvendo o Banco Master e a que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Confirmado! A lobista pagava um aluguel de R$ 100 mil para o amigo Lulinha

Tribuna da Internet | CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário de Lulinha

Charge do Clayton (O Povo/CE)

José Marques
Folha

Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia “significativas movimentações de dinheiro em espécie” e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula (PT).

Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez “duas coletas em espécie com terceiro desconhecido” nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta — nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

CASA DE LULINHA – Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Procurada, a defesa de Lulinha disse que “setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026” e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.

“É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato”, afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.

“SOB SIGILO” – Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar “conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo”.

Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, “para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie”.

A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: “Quando você pegar o dinheiro me avisa”. Ele responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min”, diz o motorista, que, em seguida, afirma que são “100 + 200”.

DEPÓSITOS – Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.

Ulisses responde “ok”, depois manda uma foto de um armário e diz: “Restante tá atrás das roupas”. A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: “cê esteja lá, por favor”.

A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.

EM CONJUNTO – Como a Folha mostrou, a PF apontou que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.

O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.

O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.

MARCOLA ENVOLVIDO – A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola disse que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal. A defesa do filho do presidente afirma que setores da PF tentam interferir em eleição. E o advogado de Roberta Luchsinger não se manifesta

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos tribunais, quando se quer dizer que uma situação precisa ser logo resolvida, fala-se que tem aparência de bom direito (fumu bonis iuris). Neste caso da lobista e Lulinha, há um cheiro de coisa podre, pois o fedor é mesmo insuportável. (C.N.)

Brasileiros perderam a vergonha e passaram a idolatrar políticos altamente corruptos

Na corda bamba - Blog do Ari Cunha

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Nos filmes e nos seriados de TV produzidos no exterior, é comum que haja menções à corrupção no Brasil, sempre identificado como o país da impunidade, e os criminosos sonham em fugir para cá, porque confiam que jamais serão presos.

Essa visão internacional sobre o Brasil tem razão de ser, embora haja exceções, como em 1983, com a prisão do chefe mafioso Tommaso Buscetta pelo delegado federal Pedro Luis Berwanger, que escreveu um livro a respeito do caso.

CASO BATTISTI – São poucas exceções. Lembrem-se que o criminoso italiano Cesare Battisti, que se fantasiava de perseguido político, teve sua extradição vetada pelo presidente Lula da Silva, mesmo sabendo que ele havia confessado três assassinatos…

A fama de país da impunidade é causada pela corrupção que atinge a Polícia e a Justiça, um problema que perdura até hoje, mas a política não era tão contaminada. Basta lembrar os presidentes brasileiros nos últimos 100 anos.

As gestões de Washington Luís (1926-1930) e seu antecessor Artur Bernardes (1922-1926), por exemplo, não ficaram marcadas por escândalos sistêmicos de desvio de dinheiro público ou enriquecimento ilícito dos presidentes.

OUTRAS ACUSAÇÕES – Naquela época, eram outras as acusações feitas pelos movimentos de contestação — como o tenentismo, a partir do episódio dos 18 do forte, em julho de 1922, contra a posse de Bernardes, que teve seguimento com a Revolta de 1924 em São Paulo. A oposição acusava o governo de repressão política, fraudes eleitorais, censura à imprensa e eventuais estados de sítio, mas não citava casos de corrupção financeira.

Em 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil. Liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, a marcha tentou derrubar Washington Luís e expôs a fragilidade da República Velha, cujo maior crime, não era desviar recursos públicos da forma como ocorre hoje.

A Revolução de 1930 depôs Washington Luis e implantou uma ditadura, que iria durar 15 anos, mas Getúlio Vargas jamais foi acusado de corrupção. Voltou para a fazenda no Rio Grande do Sul, sem nenhum sinal de riqueza.

PÓS-DUTRA – Depois de Vargas, o marechal Eurico Dutra. Despreparado para governar, porém incorruptível. Só fez esquentar a cadeira para a volta de Vargas em 1951. Em seu governo constitucional, houve alguns casos de corrupção, envolvendo seu irmão Benjamin, o filho Lutero e o segurança Gregório Fortunato, e Carlos Lacerda transformou num “mar de lama” que levou Vargas ao suicídio, mas a corrupção naquela época não tinha a gravidade de  hoje, que desmoraliza os três poderes.

Assumiu o vice Café Filho, que governou até novembro de 1955, quando teve um ataque cardíaco e se licenciou. Apoiado pelos militares udenistas, Lacerda tentou um golpe, mas fracassou diante do legalismo do Ministro da Guerra, Henrique Lott, que pôs ordem na casa, digamos assim, e Café Filho voltou ao poder.

POLÍTICO POBRE – Naquela época, era difícil enriquecer na política. Café Filho não tinha renda nem aposentadoria. Morava num modesto apartamento térreo em Copacabana. Ao saber da penúria do ex-presidente, Lacerda se compadeceu e o nomeou ministro do Tribunal de Contas da Guanabara, onde Café Filho trabalhou até se aposentar.

Em 1956 Juscelino chegou à Presidência e podia ter enriquecido, mas não o fez. O única bem que adquirira foi uma pequena fazenda em Luziânia (GO), de baixo valor. Não se corrompeu, mas aceitou um presente do industrial Sebastião Paes de Almeida, que presidiu o Banco do Brasil e foi fornecedor dos vidros a construção de Brasília.

O amigo doou ao ex-presidente a cobertura num prédio que construíra em Ipanema (Edifício JK), que Juscelino depois de cassado teve de vender para evitar a ruína. A cobertura mudou de dono várias vezes e mais recentemente um deles foi Caetano Veloso.

DITADOR – Jânio Quadros e João Goulart, os presidentes seguintes, ficaram pouco tempo no poder e passaram longe da corrupção. A partir de 1964, o regime militar teve muitos defeitos, mas não caiu na tentação. Nenhum general enriqueceu na Presidência. Na época, falava-se muito na corrupção do coronel Mário Andreazza, ministro dos Transportes, mas eram denúncias falsas.

Depois, veio Sarney, que já tinha enriquecido no governo do Maranhão e não precisou se corromper no Planalto. Mas seu sucessor Fernando Collor não soube resistir à tentação. Já era rico de nascença, mas queria mais. Acabou sofrendo impeachment e foi sucedido por Itamar Franco, um governo limpo e exemplar.

Depois de Itamar, o caos. O sucessor Fernando Henrique Cardoso privatizou o governo “no limite da irresponsabilidade”, como admitiu o tucano Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. E o Brasil nunca mais escapou da corrupção, da qual Lula da Silv até hoje é um do expoentes.

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P.S. 1
Nos governos de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção realmente se institucionalizou, com mensalão, petrolão, maquiagem nas contas públicas, emendas parlamentares e tudo o mais.

P.S. 2Em 2018, o ex-deputado Jair Bolsonaro já chegou ao poder ostentando um histórico de enriquecimento ilícito, a partir das rachadinhas, das aquisições de imóveis em dinheiro vivo e das relações com milicianos, hábitos que ele passou de pai para filhos, ou seja, criou uma família de moral altamente comprometida.

P.S. 3Esta é a realidade brasileira. Tudo isso que está relatado neste artigo não é novidade, são informações de domínio público. Assim, fica demonstrado que os brasileiros realmente se acostumaram à corrupção e passaram a idolatrar duas famílias que estão completamente apodrecidas. Uma delas continuará no poder. E os brasileiros terão de esperar mais quatro anos para decidir se preferem votar num político que não se dedique à corrupção, sem confundir a vida pública com a privada. (C.N)

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Missão Impossível! Janja entra em campo para aproximar Lula dos evangélicos

Janja gravou mensagem em lançamento de comitê 

Victoria Azevedo
O Globo

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, gravou um vídeo para evangélicos em que fala dos valores da solidariedade e da igualdade que guiaram a vida e os governos do presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num momento em que o petista aparece atrás de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas eleições, nas pesquisas de intenção de voto nesse segmento.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, entre evangélicos, Flávio atinge a marca de 62%, enquanto Lula fica em 29%. Em julho, o petista tinha 31%, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 60%. Esse é mais um gesto que a campanha do presidente tem adotado nas últimas semanas buscando se aproximar do segmento, seja com lançamento de jingle gospel à carta voltada aos evangélicos. O entorno de Lula também está preparando um ato no Rio de Janeiro com esse público.

REUNIÃO – A primeira-dama gravou o vídeo que foi exibido no lançamento do comitê Evangélicos e Evangélicas com Lula, coordenado pelo PT, nesta segunda-feira. Nele, Janja afirma que viajou pelo país nos últimos anos para se reunir com mulheres evangélicas, foi recebida “de forma muito afetuosa” por elas e presenciou “o importante trabalho de acolhimento e proteção da cidadania realizado por essas mulheres”.

Ela afirma que as igrejas evangélicas cumprem um importante papel de pertencimento e se tornam espaços de referência para milhões de brasileiros. “Os valores da solidariedade e da igualdade, que sempre guiaram a vida e os governos do presidente Lula, são importantes norteadores da nossa fé cristã”, diz a primeira-dama.

Janja também afirma que acompanhou de perto nos últimos anos “o respeito” com que Lula “trata a fé de cada brasileira e brasileiro”. Ela usa o vídeo para falar de atos tomados nas gestões do presidente que foram voltados especificamente aos evangélicos, entre eles a criação do Dia Nacional do Evangélico, a Marcha para Jesus e o Dia Nacional da Música Gospel.

NOVA POSTURA – “O trabalho desse comitê é essencial para o fortalecimento da nossa democracia. Contem comigo na construção desse Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno”, diz Janja. Essa postura da primeira-dama é diferente da adotada por ela na campanha de 2022, quando apresentava resistência para gestos mais enfáticos de Lula ao segmento evangélico.

Entre o primeiro e segundo turno, em outubro de 2022, o petista foi convencido pelo seu entorno e divulgou carta ao público evangélico — Janja, por sua vez, não participou do ato que marcou esse gesto. Além dos encontros com evangélicas, a primeira-dama também passou a cantar um jingle gospel da campanha petista, ao lado do pastor Kleber Lucas, antes de atos eleitorais.

APROXIMAÇÃO – Esse é mais um movimento dentro do PT e da campanha de Lula para buscar se aproximar desse eleitorado. Aliados de Lula dizem que, assim como o presidente reforça em discursos há anos, não deve ocorrer nenhum evento do petista em igrejas ou cultos. Ele já afirmou diversas vezes que é católico, mas que não irá fazer dos púlpitos palanques eleitorais. Apesar disso, diferentemente de 2022, a campanha deste ano tem reforçado as sinalizações mais diretas ao segmento.

Em junho deste ano, o PT divulgou uma carta voltada ao público evangélico. O texto não faz menção às pautas controversas, como o aborto, que é defendida pela esquerda e criticada por esse segmento. Um ato voltado a evangélicos está sendo discutido pela equipe da campanha de Lula para ocorrer no Rio de Janeiro nos próximos dias.

“Opinião”, um samba tão importante que virou nome de um jornal e de um teatro

Notícias FFC - Unesp - Faculdade de Filosofia e Ciências - Câmpus de Marília

João do Vale, Zé Keti e Nara Leão no show

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), compôs em 1964 o samba “Opinião”, cuja letra possui um impacto forte, criado pelo relato  do dia-a-dia na favela.

Alguns historiadores afirmam que a data desta composição é anterior a 1964, porque fora composta em protesto ao governador Carlos Lacerda, do antigo Estado da Guanabara, o qual decidira acabar com as favelas, removendo os seus habitantes para a bairros afastados do centro e da Zona Sul.

Em 1964, com Nara Leão e João do Vale, Zé Kéti participou do show Opinião, um dos primeiros gritos artísticos de protesto contra o regime militar. O roteiro foi feito por  Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes. com direção de Augusto Boal.

O samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, do grupo que encenou a peça e do segundo LP de cantora, intitulado Opinião de Nara, lançado no final de 1964, pela Philips. O show foi realizado no Teatro de Arena, que daí por diante passou a se chamar Teatro Opinião.

OPINIÃO
Zé Kéti

Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não

Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu

Flávio Bolsonaro representa uma direita elitista, autoritária e desumana

Tribuna da Internet | Flávio confunde herança política com poder e empurra  a direita para o racha

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Vicente Limongi Netto

A esquerda de Lula é humanista, progressista e defensora da soberania brasileira. A direita de Bolsonaro é desumana, golpista e elitista. Defende o atraso e a subserviência aos interesses dos Estados Unidos.

São vendilhões da Pátria com as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Isso é próprio dos que têm complexo de vira=latas. Não têm noção do valor do Brasil perante o mundo. 

FOCO MAIOR – Pesquisa Quaest em São Paulo aponta ampla vantagem de Tarcisio para Haddad. Até aqui sem novidade. Já era esperado. Tarcisio tem a máquina nas mãos. O poder do cargo.

Mas a força eleitoral do atual governador, aliado de Flávio Bolsonaro, não impede o crescimento de Lula, no momento empatando com Flávio no maior colégio eleitoral do país. O normal seria Lula aparecer apanhando feio de Flávio. Mas não está.

Ou seja, pode acontecer, não é improvável, que Lula derrote, em São Paulo, não apenas Flávio Bolsonaro, mas, também, o governador Tarcísio de Freitas, a máquina do Palácio dos Bandeirantes e a força eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

DOIS ASSUNTOS – O florescer dos ipês coloridos deixa Brasília ainda mais bela, alegre, amorosa e  cativante. O ipê branco abranda a alma. O amarelo encanta corações. O roxo alimenta esperança. O ipê lilás exorta a paz. Os pés de ipês são recheados de dignidade. Suas folhagens saúdam o amanhecer. O aroma dos ipês tem a pureza dos sentimentos. Embalam o cotidiano e embelezam o sol. Quando as folhas começam a cair, os ipês partem para nova missão: juntam-se ao barro para arar e semear a vida eterna.

Por fim, um registro – na GloboNews, um casal ruim de serviço, “se achando” na televisão, formado por Andrea Sadi e André Risek. São analistas primários, rasos, repetitivos, sem graça.  Duro para o assinante aguentar dupla tão insignificante e pretenciosa.

Lulinha processa Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, por vídeo feito com IA

Perícia aponta que 72% dos gastos para produzir ‘Dark Horse’ ocorreram nos EUA

Braskem: quando uma crise empresarial deixa de ser apenas uma questão de dívida

Empresa protocola pedido de recuperação extrajudicial

Pedro do Coutto

A crise da Braskem chegou a um ponto em que já não pode ser tratada como simples dificuldade de caixa. A maior petroquímica da América Latina apresentou à Justiça de São Paulo um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. O tamanho da cifra impõe uma pergunta que ultrapassa os balanços da companhia: como uma empresa de importância estratégica para a indústria brasileira chegou a esse nível de endividamento?

A resposta, porém, não está necessariamente em uma sucessão de erros administrativos. A crise resulta de uma combinação mais complexa: um ciclo prolongado de baixa da indústria petroquímica mundial, perda de competitividade, pressão sobre margens, estrutura de capital excessivamente alavancada, problemas societários e de governança e os custos decorrentes do desastre ambiental provocado pela exploração de sal-gema em Maceió.

DIMENSÃO DO PROBLEMA – Os próprios resultados da empresa dimensionam o problema. No quarto trimestre de 2025, a Braskem encerrou o período com dívida bruta corporativa de US$ 9,4 bilhões e alavancagem de 14,74 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA. A companhia reconheceu que atravessava um ciclo prolongado de baixa da indústria global.

O dado mais recente revela um paradoxo. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou EBITDA de US$ 1,043 bilhão e lucro líquido de US$ 664 milhões, impulsionados pela melhora dos spreads petroquímicos. Ainda assim, a dívida líquida ajustada chegou a US$ 9,5 bilhões e a alavancagem permaneceu em 6,74 vezes. A operação pode melhorar, portanto, sem que a estrutura financeira deixe de ser vulnerável.

É aí que a discussão precisa ser aprofundada. Uma empresa pode apresentar recuperação operacional em determinado trimestre e continuar financeiramente fragilizada. Se a geração de caixa não basta para sustentar juros, vencimentos, investimentos e obrigações extraordinárias, uma melhora pontual dos resultados não resolve o problema estrutural.

DESVANTAGEM – Há ainda uma questão industrial. A petroquímica brasileira enfrenta desvantagem diante de produtores estrangeiros com acesso a matérias-primas mais baratas. Nos Estados Unidos, a abundância de gás natural ampliou a disponibilidade de etano, utilizado na produção de etileno. No Brasil, a dependência da nafta impõe custos maiores. Ao mesmo tempo, a desaceleração chinesa e o excesso de oferta internacional pressionaram as margens. A participação da Braskem no mercado brasileiro também caiu significativamente nos últimos anos.

Isso muda a natureza da pergunta. Não basta saber quem errou dentro da Braskem. É preciso compreender se o modelo industrial sobre o qual a companhia construiu sua posição dominante continua sustentável diante das condições atuais do mercado mundial.

Isso, evidentemente, não absolve a administração. Quanto maior a relevância econômica de uma empresa, maior deveria ser sua capacidade de antecipar riscos, controlar o endividamento e responder a mudanças estruturais. A própria governança da companhia merece escrutínio.

QUALIDADE DA GOVERNANÇA – Em junho de 2026, a CVM divulgou decisões envolvendo termos de compromisso relacionados à divulgação de informações ao mercado sobre negociações envolvendo ativos da Braskem. O episódio não explica, por si só, a atual crise financeira, mas reforça a necessidade de examinar a qualidade da governança corporativa.

Outro ponto incontornável é Maceió. A exploração de sal-gema provocou o deslocamento de milhares de pessoas e deixou um passivo socioambiental de enormes proporções. As vítimas já manifestaram preocupação com a possibilidade de que a reestruturação financeira afete obrigações de reparação. A empresa sustenta que o processo é exclusivamente financeiro e não alcança suas obrigações com outras partes interessadas.

Essa distinção será fundamental. Recuperação extrajudicial não pode significar recuperação seletiva. Uma empresa pode renegociar dívidas financeiras; não pode transformar uma crise de liquidez em mecanismo para enfraquecer responsabilidades sociais, ambientais ou jurídicas.

COMPOSIÇÃO DOS CREDORES – Também chama atenção a composição dos credores. Cerca de 92,4% da dívida incluída na reestruturação está vinculada a credores estrangeiros. O maior credor individual é o Bank of New York Mellon, enquanto investidores internacionais também representam parcela expressiva dos créditos. A crise da Braskem, portanto, está diretamente conectada ao mercado internacional de capitais.

Há ainda uma dimensão política. A Petrobras possui participação relevante na estrutura majoritária da  Braskem, junto com a IG4 Capital, controlada e liderada por seu fundador e CEO global, o advogado brasileiro Paulo Todescan Lessa Mattos, e é estruturada globalmente por meio da holding estrangeira IG4 Capital Partners Holding Investments LP. A estatal afirma que qualquer decisão sobre aumento de participação ou eventual operação envolvendo a petroquímica dependerá de estudos técnicos e dos mecanismos internos de governança.

É nesse ponto que a crise empresarial se transforma em questão de política industrial. A Braskem não é uma companhia qualquer. Sua produção está integrada a diversas cadeias industriais brasileiras, e sua situação pode afetar fornecedores, trabalhadores, bancos e setores consumidores de insumos petroquímicos.

COMPETITIVIDADE – Por isso, a solução não pode ser reduzida à pergunta sobre quem colocará dinheiro na empresa. É preciso saber que estrutura de capital, governança e estratégia industrial permitirão à Braskem recuperar competitividade sem simplesmente transferir o custo da crise para credores, acionistas, trabalhadores ou Estado.

O plano apresentado prevê a possibilidade de capitalização de parte da dívida e eventual suporte de liquidez dos principais acionistas. A adesão inicial, contudo, estava em 39,6% dos créditos abrangidos, e a empresa terá 90 dias para alcançar o apoio necessário. Sem acordo, a recuperação judicial poderá entrar no horizonte.

A recuperação extrajudicial pode reorganizar vencimentos e dar tempo para a companhia respirar. Mas não elimina uma estrutura de dívida excessiva nem resolve, por si só, os problemas de competitividade e governança.

ACÚMULO DE SINAIS – Por isso, a pergunta decisiva não é apenas como a Braskem chegou a US$ 10,9 bilhões em dívidas. É por que tantos sinais de deterioração puderam se acumular até que a renegociação se tornasse inevitável.

Será necessária uma investigação econômica profunda da trajetória do endividamento, das decisões de investimento, da política de capital, da evolução das margens, dos passivos de Maceió, da estrutura societária e das escolhas administrativas diante das transformações do mercado internacional.

A Braskem pode sair da crise. Mas não apenas com boa vontade entre credores e devedores. Será necessário capital, governança, transparência, disciplina financeira e uma estratégia industrial compatível com um mercado mundial muito diferente daquele em que a empresa consolidou sua posição.

INSUSTENTABILIDADE –  A dívida é assustadora. Mais preocupante é que uma companhia estratégica tenha chegado a esse ponto depois de anos dispondo de informações suficientes para perceber que sua estrutura financeira estava se tornando insustentável.

A recuperação extrajudicial pode comprar tempo. A verdadeira questão é se a Braskem conseguirá transformar esse tempo em recuperação — e impedir que a crise de uma das maiores companhias industriais do continente se converta em mais uma perda de capacidade produtiva, tecnológica e estratégica do Brasil.