Master e INSS: Mendonça e Gonet dividem riscos e responsabilidades pelas investigações

Lula e Flávio: dois candidatos, uma mesma dificuldade em dar explicações

Candidatos embromam sobre os próprios casos

Dora Kramer
Folha

É direito de todo cidadão, eleitor ou não, cobrar franqueza e objetividade de governantes ou de qualquer um que postule o ofício da representação e, assim, pretenda ter poder de decisão sobre a vida da coletividade —em variados graus.

A escolha pela vida pública é livre; já seu exercício implica obrigações entre as quais está no topo da lista a permanente prestação de contas à sociedade dona dos votos e do dinheiro que sustenta a atividade.

CAMINHO DE RISCO – A opção pela mentira, a meia-verdade e a dissimulação é caminho de risco; expõe seus autores ao constrangimento de se verem despidos da virtude fabricada. O enunciado, de tão óbvio, soa a platitude. Anormal é a desfaçatez com que candidatos à Presidência da República fazem da transgressão ao princípio básico uma banalidade.

Não só escolhem ao que (não) responder como se dão ao desfrute de se indignar, mentir, enrolar, tratar perguntas como impertinência ou incompetência de entrevistadores.

Reações que tanto revelam o autoritarismo dos espíritos como podem evidenciar a ausência de explicações plausíveis ou conter a combinação das duas hipóteses: culpa aliada à prepotência. Invertem aí o preceito da submissão de suas conveniências ao direito da população ao conhecimento de tudo o que lhes diz respeito. Direta ou indiretamente.

ESCÂNDALOS – Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escolheram explorar os escândalos que rondam o adversário e reivindicam atenção aos planos de governo. É do jogo, mas se refugiam em evasivas quando confrontados com as respectivas vergonhas, contradições, imprecisões e vazios de ideias.

O presidente recorre ao velho truque de se pôr no lugar daquele que nada vê e nada sabe sobre o que se passa no seu entorno. O senador insiste em dar por superada uma questão que ficará em aberto enquanto ele não explicar para onde foi o dinheiro recebido do “irmão” Daniel Vorcaro. Ambos embromam, não respondem honestamente ao interesse do público nem afastam os fantasmas que os rodeiam.

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Fotos de Lula com lobista são anteriores à posse e foram tiradas em eventos públicos

Imagens eram respostadasem rede social de Roberta

Sarah Teófilo
O Globo

As fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado da lobista Roberta Luchsinger que passaram a circular nas redes sociais após a entrevista do presidente ao Jornal Nacional não são recentes e foram publicadas pela própria empresária em diferentes momentos.

Os registros que vieram à tona mostram encontros ocorridos antes da posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023, e algumas das imagens foram republicadas por Roberta em seu perfil algumas vezes.

ANTERIOR À CAMPANHA – Entre os registros está uma fotografia em que Lula e Roberta aparecem usando máscaras de proteção contra a Covid-19. Segundo a própria empresária, a imagem foi feita em 19 de dezembro de 2021. A foto, portanto, é anterior à campanha eleitoral de 2022 e ao atual mandato de Lula.

Há também duas fotografias de um evento realizado em 1º de maio de 2022. As imagens foram originalmente feitas naquela data e posteriormente foram resgatadas por Roberta em suas redes sociais. Uma delas aparece em publicação feita em junho de 2022, enquanto outra foi republicada por ela em outubro de 2022.

Em 27 de outubro de 2022, Roberta publicou ainda uma fotografia em que aparece ao lado de Lula, os dois sorrindo. Na legenda, escreveu: “Feliz aniversário para o cara que fará o Brasil feliz de novo !!! Parabéns…”. A publicação ocorreu durante o período eleitoral.

ELOGIO – Em outra postagem, de 29 de agosto de 2023, Roberta voltou a publicar uma fotografia em que aparece com Lula e a advogada Daniela Teixeira. Na legenda, ela elogiou a escolha de Daniela para o STJ. Parte da imagem já havia sido publicada por ela em junho de 2022.

As imagens passaram a circular logo depois de Lula afirmar no Jornal Nacional que não conhecia Roberta nem havia estado com ela, na noite da última quinta-feira. Em seguida à entrevista, a oposição passou a explorar as fotografias do presidente ao lado da empresária, justamente registros que já haviam sido divulgados pela própria Roberta em suas redes sociais.

A repercussão levou a campanha petista a divulgar uma nota para explicar a situação. A equipe de Lula afirmou que “a existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”. “O presidente Lula é uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos”, pontuou.

CARECA DO INSS – Roberta Luchsinger veio à tona nas investigações sobre o escândalo do INSS por sua atuação junto a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar um contrato de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

A investigação da Polícia Federal obteve mensagens do celular de Roberta e, a partir desse material, um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também passou a ser envolvido em uma nova frente de investigação. A PF apura suspeitas de tráfico de influência e investiga se ele pode ter usado a condição de filho do presidente para abrir portas do governo para a amiga e lobista.

Mensagens já mostraram a relação dela com outros integrantes do governo, como o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

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“Fim de Caso”, uma canção de Dolores Duran que jamais será esquecida

Quem Foi? – música e letra de Dolores Duran | Spotify

Dolores morreu aos 29 anos e deixou uma grande obra

Paulo Peres
Poemas & Canções

A pianista, cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), conhecida como Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50.

Uma de suas obras principais é o samba-canção “ Fim de Caso”, gravado por Dolores Duran, em 1959, pela Copacacabana. Outros grandes sucessos foram “A Noite do Meu Bem”, “Estrada do Sol” , “Ternura Antiga” e “Por Causa de Você”, que Frank Sinatra gravou numa versão em inglês.

FIM DE CASO
Dolores Duran

Eu desconfio,
Que nosso caso
Está na hora de acabar.
Há um adeus
Em cada gesto, em cada olhar,
O que não temos é coragem de falar.

Nos já tivemos
A nossa fase de carinho apaixonado
De fazer verso,
De viver sempre abraçados.
Naquela base do eu só vou se você for.
Mas de repente,
fomos ficando cada dia mais sozinhos.
Embora juntos,
cada qual tem seu caminho.
E já não temos nem vontade de brigar…

Tenho pensado,
E Deus permita que eu esteja errada.
Ah, eu estou.
Eu estou desconfiada
que o nosso caso está na hora de acabar…

Nas urnas, vinte candidatos usam “Bolsonaro” e oito adotam “Lula” no sobrenome sem parentesco

Candidatos tentam explorar força política dos nomes

Nayara Felizardo
G1

As eleições de 2026 têm oito candidatos que adotaram “Lula” e 20 que usam “Bolsonaro” no nome de urna sem ter parentesco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na maioria dos casos, os nomes foram incorporados como referência política aos dois líderes.

O fenômeno cresceu principalmente entre os “Bolsonaros”. O número de candidatos que adotam o nome do ex-presidente na urna, sem ter o sobrenome de fato nem parentesco com ele, aumentou dez vezes desde 2018. Há oito anos, eram dois. Em 2022, passaram a 15 e, em 2026, chegaram a 20 que fazem uso político do nome.

DIREÇÃO CONTRÁRIA – Entre os “Lulas”, o movimento foi na direção contrária. Os candidatos que incorporaram o nome do petista à identificação na urna, sem parentesco com ele, eram dez em 2018. O número caiu para sete em 2022 e foi para oito em 2026.

Segundo os dados cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 41 candidaturas foram registradas em 2026 com “Lula” ou “Bolsonaro” no nome de urna em diferentes estados do país. Desse total, 28 adotaram os nomes sem tê-los oficialmente nem possuir parentesco com o presidente ou o ex-presidente. Os outros 13 são candidatos que têm esses nomes oficialmente, possuem algum grau de parentesco ou podem usar “Lula” como apelido tradicional derivado de Luiz.

Entre os 28 candidatos que adotaram os nomes, 20 fazem referência política a Bolsonaro e um dos oito que fazem referência a Lula foge à regra: apesar de usar o nome do petista, o candidato é bolsonarista e, por causa da semelhança física com o presidente, apresenta-se como “o Lula do Bem”.

CONCENTRAÇÃO  NO PL – Dos 20 candidatos que adotaram Bolsonaro como referência política no nome de urna, 16 são homens e quatro são mulheres. O PL concentra a maior parte deles, com 12 candidaturas. O Podemos tem duas. Agir, Progressistas, Democrata, Democracia Cristã e Novo têm um candidato cada.

A maioria tenta uma vaga no Legislativo. Oito disputam o cargo de deputado estadual no Ceará, em São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná. Outros sete concorrem a deputado federal em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso.

Há ainda três candidatos ao Senado, em Roraima, Rondônia e Tocantins; um candidato a deputado distrital; e um que disputa o governo do Rio Grande do Norte. Entre os sete candidatos que adotaram Lula como homenagem ao presidente, cinco são homens e duas são mulheres. Seis são filiados ao PT e um, ao Avante. Três disputam vagas de deputado estadual em Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro. Outros dois concorrem a deputado federal em Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, há ainda um candidato ao governo e outro ao Senado com Lula no nome de urna.

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Estamos lascados nesta eleição, porque Lula e Flávio não merecem nosso voto

Cartum mostra um outdoor com a frase 'Vote em mim!'. Da boca do candidato sai um líquido marrom que inunda a cidade. Um homem, agarrado ao pé do outdoor, quase sendo levado pela correnteza, responde 'Eu votei!'. Ao fundo, prédios e nuvens negras. No primeiro plano, carros boiando

Charge da Folha (Cláudio Mor)

Hélio Schwartsman
Folha

Não dá para a gente pular direto para a eleição de 2030? Pergunto porque, pelas opções que se nos descortinam agora, estamos lascados. O principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, dá diariamente mostras de que não tem condições de conduzir uma patinete por rua tranquila de cidade do interior. É preciso ter perdido o juízo para entregar-lhe a condução de um país com as complexidades do Brasil.

A suposta novidade no pedaço, Renan Santos e seu partido Missão, vendem-se como representantes do liberalismo, mas não desperdiçam nenhuma oportunidade de abraçar posições iliberais. Já o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva, está bem fora de forma e parece perdido em algum lugar entre o passado e o futuro. Com isso, quero dizer que não assimilou as lições do passado e apresenta uma visão de futuro bem obnubilada.

ERRO INFANTIL – Para um político que disputa sua sétima eleição presidencial, ele cometeu erro infantil ao afirmar não conhecer e jamais ter estado perto da lobista Roberta Luchsinger. Fotos que provam o contrário apareceram em minutos.

Na mesma linha, custa crer que Lula, que já passou pelo mensalão e pelo petrolão e sofreu enorme desgaste por causa dos negócios do filho Fábio Luís, não tenha tomado medidas preventivas para evitar que a vida empresarial do primogênito não voltasse a assombrá-lo.

Algo parecido vale para o caso Marcola. Um presidente precisa saber o que ocorre na antessala de seu gabinete.

E A DÍVIDA – O mais desalentador foi a declaração do presidente de que a dívida pública não o preocupa. Deveria. No Brasil, a dívida mobiliária, dadas a reduzida poupança interna e as condições de rolagem, opera como uma âncora que puxa para baixo todas as variáveis necessárias para manter a economia crescendo por períodos mais longos, condenando-nos aos proverbiais voos de galinha.

Nos últimos 30 anos, o PIB do Brasil cresceu 105%, pouco perto dos 165% da Colômbia ou 220% do Chile e uma piada diante dos 620% do Vietnã ou 1.200% da China.

Não ver um problema desse tamanho é grave.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um extraordinário artigo de Helio Schwartsman, que trafega admiravelmente pela Política, pela Economia, pela Filosofia e pelas Artes em geral. É um dos brasileiros mais qualificados, porém às vezes cabe fazer algum reparo a seus artigos, como acontece agora. Schwartsman reduziu a pó os principais candidatos ao governo, para concluir que “estamos lascados” e deveríamos adiar a eleição para 2030. Peço licença para discordar. Como a eleição não será adiada, os brasileiros deveriam votar no menos pior, digamos assim, que se chama Ronaldo Caiado e não sofreu nenhuma crítica de Schwartsman, que a meu ver não quis apoiá-lo para evitar atrito com a maioria dos jornalistas, que é de esquerda e apoia Lula. O editor da Tribuna é um velho admirador de Engels e Marx (nesta ordem, por favor, prefiro Engels a Marx…). Hoje atuo como social-democrata, em busca do Estado de Bem-Estar (Welfare State) e não ligo mais para as divergências entre direita e esquerda, porque todos somos iguais e precisamos optar pelo que é certo. Nesta eleição, o certo é votar em Caiado, por simples constatação de que os demais são muito inferiores a ele. Vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

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Vicente Limongi Netto

O filho do Lula está sendo investigado por supostamente fazer lobby para venda de remédios de canabidiol. Só há crimes, se houver propina e caso o contrato seja aceito pelo órgão público.

Esse processo, se continuar no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo relator é o ministro André Mendonça, deve ser anulado por incompetência, já que não tem nada a ver com os processos anteriores do INSS ou do banco Master, que envolve figurões de foro privilegiado. Trata-se de negócio privado, de competência da primeira instância da justiça.

SÓ VAZAMENTOS – Na entrevista de quinta-feira, César Tralha e Renata Vasconcellos tomaram por base o que foi vazado, aos poucos, do inquérito de Fábio Luiz. E vazamento de parte de inquérito sigiloso é considerado crime.

Mesmo assim, Lula não se desestabilizou e respondeu como tinha de fazer. Nem precisava, bastava frisar o que vem dizendo: “Se meu filho for culpado, que pague pelo que cometeu”. 

No caso do combate ao crime, Lula nadou de braçada, falou sobre o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) que foi rejeitado pelos governadores da direita. Disse que a responsabilidade da segurança pública é dos governadores. Respondeu a todas as perguntas. Não fugiu dos assuntos. A meu ver, saiu vitorioso da sabatina.

MENSAGEM DE LOYOLA – O gigantesco e notável jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão emociona meu coração. Desta vez, enalteceu texto do meu artigo publicado na Tribuna da Internet, sobre os candidatos anônimos à Presidência da República. 

Vicente,

Emocionante texto. Você é mestre na visão da realidade. Pois este assunto, os anônimos que surgem a cada eleição, pode ser tema de um romance.

Ninguém presta atenção a eles. Atravessam o mar tempestuoso das campanhas, indiferentes aos percalços. Pensaste em um livro?

Bom final de semana.

Ignácio