
A Corrida da Rejeição, segundo Caio Gomez (C.B.)
Carlos Newton
Estamos diante de uma eleição muito peculiar, em que é possível constatar que grande parte dos eleitores não costuma se interessar pelo resultado das eleições, que sempre têm um elevado índice de abstenção, votos brancos e nulos. Essa realidade pode ser atribuída ao analfabetismo funcional de parte da população, à repulsa do eleitor pelo comportamento deletério dos políticos ou até por uma postura negativista do brasileiro, que cansou de tudo isso e já desistiu do país.
Realmente, há motivos para decepcionar milhões de cidadãos-eleitores-contribuintes, como dizia o jornalista Helio Fernandes, pois há muitos milhões de brasileiros que estão desapontados ao verem uma eleição presidencial ser decidida entre dois candidatos absolutamente despreparados e nada confiáveis, além de ambos terem enriquecido ilicitamente.
BUSCAR A VERDADE – Essa equiparação entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro decepciona a atual maioria, que é de eleitores polarizados, mas não deixa de ser verdadeira. Ambos são intoleráveis e cabe ao jornalista constatar essa realidade, caso pretenda se comportar como um comunicador independente e veraz.
Deve dizer, por exemplo, que Lula da Silva é um homem de duas caras, como aquele rival do Batman. Tornou-se o maior líder sindical do país, porém ao mesmo tempo atuava como agente infiltrado pelo regime militar, sendo remunerado para passar informações aos militares, sob o codinome “Barba”, conforme depoimentos mais do que comprovados e que o petista jamais ousou desmentir.
Desde jovem, Lula nunca passou dificuldades financeiras e recebia apoio de todo tipo, como mostram no Google as fotos de seu casamento. Vivia numa casa confortável em São Bernardo, custeada pelo advogado Roberto Teixeira, que anteviu as possibilidades de Lula, investiu no futuro dele e se deu bem. Teixeira ficou muito rico nos primeiros governos de Lula, ampliou o escritório e comandou a compra do sítio em Atibaia para o presidente.
BRIGA EM FAMÍLIA – Quando houve o escândalo da Lava Jato, Teixeira colocou o genro Cristiano Zanin para defender Lula e o escritório ganhou muito dinheiro do PT. No final, ele e Zanin brigaram por causa dos honorários, o genro o abandonou e foi morar em Brasília com a mulher, sequer convidou o sogro para a posse no Supremo. Hoje, Teixeira é um homem rico, mas doente e infeliz, longe da filha e dos netos. Investir na política do PT foi um erro, que ele só descobriu agora.
Lula também enriqueceu. Quando dona Marisa morreu, a fortuna do casal foi subavaliada em R$ 11,7 milhões, que este era o valor declarado à Receita, com os imóveis listados no valor histórico, inclusive o apartamento de cobertura e a propriedade às margens da represa Billings, que a família abandonou por ser “coisa de pobre”.
É claro que Lula já tinha muito mais bens do que o valor declarado, inclusive a segunda luxuosa cobertura em São Bernardo, que a Polícia Federal só descobriu ao dar busca e apreensão e encontrar derrubada a parede divisória com a cobertura ao lado. Cheio da grana, hoje Lula diz se um socialista refinado.
FLÁVIO RACHADISTA – Flávio Bolsonaro não fica atrás. Sempre se elegeu facilmente usando o nome do pai no meio militar. Aprendeu com ele a cobrar rachadinha aos funcionários do gabinete na Assembleia e imitou o pai também na compra de imóveis em dinheiro vivo. Só inovou ao abrir a loja da Kopenhagen na Barra da Tijuca, para lavar o dinheiro.
Flávio não é maior nem melhor do que Lula em nada, ambos são duas nulidades. A diferença entre os dois é apenas a idade. Ambos são despreparados para governar. Seja qual for o eleito, na verdade tudo dependerá dos ministros, especialmente o responsável pela Fazenda, do qual dependerá o crescimento socioeconômico.
Nenhum dos dois anunciou quem será o respectivo ministro da Fazenda, e assim fica muito difícil escolher o menos pior. Portanto, é uma eleição do tipo Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido, no dizer do genial Dias Gomes, que era comunista, não sei se vocês sabem.
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P.S. – Como nem tudo é negativo o tempo todo, já existe um resultado muito positivo causado por essa eleição. Com medo de perder, Lula mandou suspender a jogatina das bets, para tentar obter votos dos evangélico. E o futuro a Deus pertence, como dizia Armando Falcão, aquele deputado cearense que prestava bons serviços a Roberto Marinho, que o colocou como ministro da Justiça. (C.N.)
O momento é de muita apreensão e desespero na campanha de Lula
A divulgação da pesquisa Quaest acendeu o sinal de alerta máximo e instaurou o pânico na campanha lulista, que agora corre contra o tempo diante do risco iminente de uma derrota acachapante.
Com Lula marcando 46% dos votos válidos contra 45% de Flávio, o pesadelo de ver a eleição ruir já no primeiro turno virou uma realidade assustadora para os articuladores do governo.
Esse cenário de desespero atinge níveis críticos com a iminente onda de voto útil: caso os eleitores de Caiado, Santos, Cury e Zema migrem significativamente para o candidato bolsonarista nesta reta final, a virada se tornará inevitável.
O clima de terra arrasada se consolida com os dados do segundo turno, no qual a Quaest já projeta a derrota de Lula por 42% contra 44% de Flávio, transformando o quartel-general lulista em um cenário de pura apreensão e desespero.
A ver. Não há apenas a pesquisa da Quaest, e a pesquisa que realmente vale é a eleição.
Se extrairem a máscara, babáu!
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Adendos, em:
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Chegamos a esse ponto tudo por causa de uma justiça lerda, corrupta e tendenciosa. se punissem e eliminasse os corruptos da vida pública não chegaríamos nesse ponto de podridão
Não importa quem vença, o Centrão vai mandar e o STF estará em maus lençóis
Nunca antes na história deste País as eleições chegam ao fim tão indefinidas, tensas e com o STF roubando a cena, soterrado por erros e críticas.
Ganhe quem ganhar a Presidência, as únicas certezas são que o Judiciário estará na mira e que o Centrão vai continuar poderoso, dominando o Legislativo e controlando o Executivo.
Quem ganha neste domingo? É certo que o “segundo pelotão”, com Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, mal deve chegar a 10% dos votos válidos e só dois candidatos têm chance de vitória, Lula e Flávio. No mais, tudo continua incerto.
Nada é impossível, mas é bastante improvável que a eleição presidencial feche já no primeiro turno. Logo, as incertezas e tensões vão persistir e as fakenews vão continuar pipocando para além da noite de domingo, quando os resultados devem ser anunciados pouco depois das 21h.
O segundo turno é “uma nova eleição”, logo, as pesquisas, os especialistas e a mídia, além das campanhas de Lula e Flávio, continuarão mobilizados, atolados em dúvidas sobre quem vencerá e temerosos de novas intervenções políticas do Supremo e do próprio TSE, como as que derrubaram o último debate.
Atenção, porém: essas intervenções podem vir tanto a favor de Lula quanto de Flávio e não vão começar pelo Judiciário, mas pelo Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que vai iniciar a análise do fim da escala 6X1 na terça-feira, bem no início do segundo turno.
Como essa é uma das cartas na manga pró Lula, desde que ele fez as pazes com Alcolumbre, depois de meses de muxoxos, conclui-se que a decisão é boa para o presidente, que disputa o quarto mandato, e ruim para Flávio, eleito pelo pai, o ex-mito, como seu sucessor político.
Se já é esse sufoco todo, imagine-se como será o segundo turno, com o eleitorado já desanimado, descrente, desmobilizado e sem praticamente metade dos palanques estaduais, já que uma dúzia de governadores devem eleitos em primeiro turno.
A expectativa é de guerra de acusações, facknews aos montes, Supremo se metendo, TSE indo para um lado ou outro, Centrão entrando de mau jeito e uma disputa feroz pelos votos do “segundo pelotão”, já derrotado.
E não poderiam faltar as igrejas. Não só as evangélicas, majoritariamente pró Flávio, mas também a Católica, que entrou na campanha de Lula.
É nesse clima de radicalização, crise entre as instituições e envolvimento religioso, que o primeiro turno vai chegando ao fim e o segundo já vai começar. O pós-eleição, como o novo governo será melhor? Quem sabe?
O Estado de S. Paulo, Opinião, 03/10/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde