Os porcos instigam a infâmia religiosa para vencer a eleição num “país laico”

Lula fala em jamais acabar com Nossa Senhora Aparecida - 30/09/2026 -  Brasília Hoje - Folha

Janja se diverte com a fake news usada por Lula na eleição…

Demétrio Magnoli
Folha

O Dia do Voto deveria ser nosso, dos brasileiros. Será deles, dos porcos. Ganhe um ou outro, eles já triunfaram: lulistas e bolsonaristas decidiram que, no vale-tudo, vale brincar com Deus. A explosão mundial do ardor religioso manifesta-se pela infiltração da fé no terreno da política. O Brasil corre o risco de deslizar para esse abismo, empurrado pelos porcos.

Na minha juventude, mulheres passeavam de minissaia nas ruas de Cabul e não se imaginava uma polícia religiosa em Teerã. Nenhum republicano atribuía ao presidente dos EUA uma missão divina. Inexistia um partido relevante em Israel que, batizando-se Sionismo Religioso, clamava por limpeza étnica em nome do judaísmo.

IDADE MODERNA – Na França, ao longo de 36 anos, a guerra entre católicos e huguenotes matou cerca de 3 milhões, um quinto da população total. O Edito de Nantes (1598), que encerrou o conflito e garantiu direitos ao que restava dos protestantes, ensaiou implantar no Ocidente o princípio da tolerância religiosa.

A secularização do Estado chegaria com as revoluções americana e francesa, no século 18, e o conceito de laicidade estatal, apenas no outono do século 19. São bens preciosos, mas frágeis, como mostram Cabul, Teerã, Jerusalém e Washington.

Os porcos simulam fé e ardor, na busca por votos. Os bolsonaristas começaram tudo, com as sessões de oração promovidas por Michelle no Planalto, em 2022. A ideia, segundo palavras dela, era purificar um palácio “consagrado a demônios” em governos anteriores.

JOGO DA INFÂMIA – Hoje, diante de uma paisagem eleitoral perigosa, os lulistas seguem o rastro de seus rivais, empatando o jogo da infâmia. Marcham com a mentira numa mão e a imagem de Nossa Senhora na outra.

O Brasil tornou-se um Estado laico em 1890. O princípio foi inscrito na Constituição de 1988 sob forma dupla e complementar: a proibição de alianças entre Estado e igrejas (artigo 19) e o livre exercício de crença religiosa (artigo 5). Os constituintes sabiam que o único alicerce sólido da liberdade de religião é a separação entre o poder estatal, público, e as igrejas, entidades privadas. Brincando com Deus, misturando fé com política, os porcos chutam a Constituição.

Não é de agora. As igrejas obtiveram as mais extensas isenções tributárias, fruto de favores de governos e parlamentares às custas do dinheiro de todos. Bispos de negócios converteram seus púlpitos subsidiados em palanques eleitorais.

NOSSA SENHORA – Mas o jogo alcança um ápice quando a campanha petista agarra-se a uma notícia desmentida para atiçar uma guerra de religião. Lula declara não saber se a notícia falsa é verdadeira e, memorioso, encena santa indignação contra um chute na santa ocorrido 31 anos atrás, enquanto sua guerrilha digital assegura que a mentira veicula a verdade.

Já entraram em campo cabos eleitorais concorrentes, disfarçados atrás das togas ilusórias de ministros do STF. Numa ponta, André Mendonça, paladino da liberdade de expressão, exige censura judicial. Na ponta oposta, Flávio Dino, cavaleiro andante da censura às fake news, clama por respeito à liberdade de expressão. De quebra, em linha com sugestão de Lula, manda a PF investigar indícios de ataques a imagens religiosas.

Sob tortura, a mentira tem que ser transformada em verdade. Cabul, Teerã, Jerusalém, a Washington de Trump? Os porcos não se importam: querem o teu voto.

3 thoughts on “Os porcos instigam a infâmia religiosa para vencer a eleição num “país laico””

    • “Não gosto da direita porque é de direita
      Não gosto da esquerda porque é de direita”

      Hoje é o único dia ao longo de quatro anos em que os brasileiros são obrigatoriamente “lembrados”.

      Se dependesse desses pilantras nem esse arremedo de voto existiria.

      O mundo precisa assistir essa brilhante produção.

      https://x.com/Le_Crapaud47/status/2105922171306496404?s=20

      Ditadores são ridículos e independem de cores e de “ideologias”.

      É a história e não depende do contexto eleitoral.

  1. Após se aliar ao bolsonarismo, Ciro perde vantagem e põe sua era em jogo

    A aproximação de Ciro Gomes (PSDB) com o bolsonarismo virou um dos principais problemas de sua campanha ao governo do Ceará.

    Líder isolado no início da disputa, o ora tucano viu desaparecer uma vantagem de 19 pontos sobre o governador Elmano de Freitas (PT) enquanto os adversários passaram a explorar sua aliança com o PL e o apoio da abominável família Bolsonaro.

    Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (3/10), véspera da eleição, mostra Elmano com 50% dos votos válidos e Ciro com 47%, em empate técnico.

    Nos votos totais, o petista tem 46%, contra 44% do tucano. Em agosto, o cenário era muito diferente: Ciro tinha 52%, e Elmano, 33%.

    (…)

    Fonte: Metrópoles, Opinião, 03/10/2026 17:26 Por Andreza Matais

    Mais um bolsotário a se ferrar na vida?

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