
Filho de Jair Bolsonaro celebra desempenho da direita
Luísa Marzullo
O Globo
Depois de terminar o primeiro turno na liderança da corrida presidencial, com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira que o resultado das urnas também deixou o Congresso “configurado” para um eventual governo seu. O candidato, que enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, comemorou o avanço de aliados nas eleições para Câmara e Senado e fez um aceno a governadores e prefeitos ao defender uma atuação conjunta no combate ao que chamou de “narcoterrorismo”.
— Obrigado, Deus! Obrigado, Brasil! O país se manifestou nas urnas pela mudança e pelo futuro! Não apenas na Presidência da República, mas também no Senado e na Câmara dos Deputados — escreveu Flávio.
NOVA COMPOSIÇÃO – No dia seguinte à votação, Flávio associou seu desempenho ao resultado obtido por candidatos de direita para o Legislativo. O senador afirmou que a nova composição do Congresso poderá dar sustentação a um eventual governo.
— A maioria esmagadora que fizemos no Congresso trará de volta a segurança jurídica que o país tanto precisa para crescer. O Legislativo federal está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro! — afirmou.
DIÁLOGO – Flávio também parabenizou os governadores e deputados estaduais eleitos e sinalizou que buscará diálogo para além de seus aliados partidários em caso de vitória no segundo turno.
— Faço o compromisso de sempre colocar o povo acima de qualquer questão partidária, pois, por exemplo, o combate efetivo ao narcoterrorismo tem que ser feito em conjunto com governadores e prefeitos.
Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, contra 53,9 milhões, ou 45,16%, de Lula. Os dois voltarão a se enfrentar no segundo turno. O candidato encerrou a publicação em tom de mobilização para a nova etapa da campanha: “Faltam poucos dias para o resgate do Brasil! Bora pra cima com tudo”. No post, Flávio anexou uma foto em que aparece diante de um retrato do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Kingmaker é quem não pode ser rei, mas decide quem será rei.
Em ciência política tem 3 condições pra ser kingmaker:
*1. Tem votos, mas não tem candidatura*
Você está fora da disputa por prisão, inelegibilidade. Então não compete com os aliados. Isso te torna confiável – você não vai roubar a vaga dele.
*2. Tem veto*
Você não precisa eleger alguém, basta dizer “esse não”. Se sua base é fiel, quem você veta perde 15% a 20% do eleitorado cativo no primeiro turno. No Senado, onde 30% já ganha, veto é fatal.
*3. Tem transferência*
Sua foto com o candidato vale mais que 30 dias de TV. O eleitor troca análise de proposta por atalho: “se o meu líder confia, eu confio”.
*No Brasil o poder de kingmaker diga-se Bolsonaro é maior que em outros países porque:*
– voto para senador é majoritário puro, sem segundo turno. Quem larga na frente com 35% leva.
– existe o efeito palanque: governador e senador colam no ex-presidente para pegar o fundo partidário dele e o engajamento nas redes.
– o ex-presidente vira o único fiador ideológico. O candidato não precisa dizer o que pensa sobre economia, só precisa provar lealdade ao kingmaker.
É por isso que a maior bancada do Senado raramente é construída pelo presidente do partido. É construída por alguém fora do cargo, com capital político intocável e reputação ilibada pela base, que consegue negociar 27 estados .
*IA*