Fuga de Flávio Bolsonaro e carta golpista ganham destaque na imprensa internacional

4 thoughts on “Fuga de Flávio Bolsonaro e carta golpista ganham destaque na imprensa internacional”

  1. “Ao vencedor, a revanche: o Wall Street Journal descreve o roteiro brasileiro.

    A imprensa internacional começa a enxergar o que parte da imprensa brasileira ainda trata como ‘normalidade institucional’: o uso seletivo do aparato de Estado contra opositores, com cronômetro político.

    Rodrigo Constantino para a Gazeta do Povo:

    O Wall Street Journal publicou nesta quarta-feira o editorial “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”). O texto não é de um blogueiro de direita nem de um militante bolsonarista. É do conselho editorial de um dos jornais mais influentes e sóbrios do mundo, o mesmo que acompanha de perto a deterioração institucional do Brasil há anos. O que ele descreve é exatamente o que já está acontecendo – e o que o regime lulista anunciou com todas as letras.

    Os vencedores políticos deveriam ser magnânimos com os derrotados. No Brasil, processam. Lula venceu, em um pleito bizarro, o segundo turno no domingo (25). Em minutos, o aparato ordenou a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes, aliado notório, assinou o pedido da Polícia Federal. Flávio não foi formalmente acusado de crime. Ainda assim, cruzou a fronteira com a Argentina na terça e chegou a Miami na quarta, onde os Estados Unidos concederam vistos à família – “oferta justificável de proteção política”, nas palavras do próprio WSJ.

    Flávio tem motivos concretos para duvidar de um julgamento justo. No debate da Globo, Lula deixou claro: assim que o adversário perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações. “Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”, resume o editorial. Coisa de regime soviético. A competência para decidir processos criminais contra políticos federais é da Procuradoria-Geral da República. Moraes, no entanto, tem o hábito de expandir sua jurisdição quando convém politicamente. O passaporte foi só o primeiro ato. O recado é mais amplo: o candidato derrotado não tem o mesmo tratamento que o eleito.

    O WSJ lembra o contexto. Jair Bolsonaro foi condenado no ano passado pelo STF, por 4 a 1, por orquestrar uma tentativa de golpe. Um golpe impossível. Moraes presidiu. O ex-advogado pessoal de Lula e o ex-ministro da Justiça nomeado por ele votaram pela condenação. Flávio Dino chamava Bolsonaro de “demônio” e não se considerou suspeito. Luiz Fux escreveu um voto divergente de 452 páginas apontando falta de jurisdição, insuficiência de provas e violações ao devido processo. Jair cumpre 27 anos em prisão domiciliar. Foi ostracizado pelo regime durante a eleição.

    Flávio se junta a jornalistas, blogueiros e formadores de opinião que optaram pelo exílio depois que o STF anulou a condenação de Lula por corrupção e passou a censurar críticos. Nos próximos quatro anos Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao STF. Caberá ao novo Senado defender a independência do Judiciário – se for capaz. Será? O teste será derrotar Alcolumbre na reeleição, o que só será possível se a oposição se unir.

    O editorial termina com o roteiro clássico da passagem da liberdade à autocracia: um demagogo vence nas urnas (normalmente de forma suspeita), controla o Judiciário e prende os inimigos. “Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá. ”Não se trata de opinião isolada. O mesmo jornal já apontou a reação negativa dos mercados à reeleição (queda de ações, desvalorização do real, deterioração fiscal). A imprensa internacional começa a enxergar o que parte da imprensa brasileira ainda trata como “normalidade institucional”: o uso seletivo do aparato de Estado contra opositores, com cronômetro político.

    Sete minutos após o resultado do TSE, a representação da PF já estava assinada. Quem acredita que a perseguição diminui porque Flávio perdeu está enganado. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar cai. A imunidade acaba em fevereiro de 2027. Os inquéritos já estão no STF.O Estado de Direito exige igualdade perante a lei. O que se vê é o aparato usado de forma assimétrica contra um lado.

    Enquanto Flávio tem o passaporte apreendido em minutos e se junta à lista de exilados, casos envolvendo o entorno do poder seguem sem a mesma pressa ou rigor. Lulinha está protegido na Espanha. Moraes sequer é investigado. Isso não é justiça. É instrumento de poder. Países que seguem esse caminho não voltam facilmente. O WSJ apenas descreveu o roteiro que já está em andamento. Resta saber se o Brasil ainda tem instituições – e vontade política – capazes de interrompê-lo.”
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  2. A fuga, a carta, o ridículo e a falta de vergonha

    O episódio da fuga de um senador da República para os EUA, candidato derrotado à Presidência da República, com 59.862.041 de votos, é um capítulo deprimente da história do Brasil.

    A viagem de fuga da família de Flávio Bolsonaro ocorreu em um Gulfstream G400 pertencente a uma empresa investigada por lavagem de dinheiro. O avião custa aproximadamente US$ 43,5 milhões, o equivalente a R$ 187 milhões. Algo parecido com o dinheiro doado por Vorcaro para fazer o famoso filme e que hoje ajuda a sustentar a vida de luxo da família foragida.

    O comboio de carros que acompanhou a família parecia uma comitiva real. É muito dinheiro envolvido. E o desesperadamente ridículo: a carta em que o foragido se diz “presidente eleito do Brasil”. É de uma vergonha profunda.

    A família Bolsonaro tem que ser estudada: indigentes intelectuais, corruptos, sem formação humanista, incultos e com um apego exagerado à violência e ao preconceito.

    Fizeram a vida política explorando o lado bizarro e escatológico das pessoas e conseguiram sucesso ao se elegerem para os mais diversos cargos com votações expressivas.

    O atual presidiário, Jair Bolsonaro, chegou à Presidência da República e, mesmo com sua visão tacanha e limitada, quase se reelegeu. É de dar vergonha alheia ver essa família se jactando pelo fato de serem ignorantes.

    Eles têm orgulho de serem toscos. Investiram na ignorância como estratégia e na mentira como forma de se comunicar. Ficaram bilionários e acham que não devem satisfação a absolutamente ninguém. Criaram uma legião de seguidores fanáticos com uma força política inacreditável.

    Ao que tudo indica, pelo menos 3 deles deverão ser presos em breve. O pai já está numa prisão domiciliar que tem cheiro de privilégio. A Papuda deve ser o destino próximo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado e se refugiou nos EUA. O senador que fugiu certamente sabe o que fez para precisar fugir.

    Logo deve estar respondendo a vários processos por peculato, corrupção, organização criminosa, evasão e outros crimes. É uma lista imensa e as condenações serão inevitáveis. Também já é foragido antes mesmo de a prisão ser decretada.

    O mais triste e preocupante é que esse bando tem o apoio de parte de uma elite brasileira que só pensa nos inúmeros e incontáveis privilégios que desfrutava com os Bolsonaros no poder.

    Saquearam o país e fizeram severos retrocessos em praticamente todas as áreas: saúde, educação, cultura, ecologia, agro, economia, ciência e arte; enfim, um desmonte da estrutura do Brasil.

    E, mesmo com o desastre, ainda conseguiram, nas últimas eleições, eleger senadores e deputados, além de obter uma vitória assustadora no 1º turno da disputa presidencial.

    Foi essa vitória no 1º turno que acordou o Brasil. Em 21 dias, do 1º ao 2º turno, o país viu-se envolvido no mais importante movimento de resistência democrática.

    Os jovens foram às ruas, sem um comando partidário e sem responder a um chamado da campanha. Foi muito maior do que tudo o que se viu até então. Foi espontâneo, com alegria, medo, apreensão e esperança. Milhões de pessoas em todos os cantos do país.

    E a voz dos jovens despertou a 3ª idade. A resposta, no dia da votação do 2º turno, foi o fato político mais emocionante da história recente do Brasil. Idosos sendo carregados para votar; pessoas com mais de 100 anos chegando de cadeira de rodas ou de bengala.

    Milhares de eleitores tendo que percorrer quilômetros, pois a bandidagem oficial tirou ônibus e metrôs de circulação. Foi um movimento que abraçou o país e envolveu todas as pessoas que queriam ver a civilização vencer e derrotar a milícia e a barbárie da direita fascista.

    Um movimento muito maior do que o próprio Lula e o próprio PT. Essa é a reflexão que devemos fazer: todos os que têm responsabilidade com a estabilidade democrática e com os rumos do país.

    É necessário que o 4º mandato do presidente Lula seja realmente um governo para todos. Uma tarefa silenciosa e urgente é unir o país.

    O bolsonarismo investiu na violência e dividiu a sociedade brasileira e as famílias. Uma das bases de sustentação desse movimento de ultradireita é o ódio como alimento. O mais solene desprezo a qualquer empatia e a qualquer solidariedade.

    Mudar esse jeito cruel e mesquinho, que se alimenta da discórdia, é uma tarefa fundamental para a próxima gestão.

    Não é só mudar o governo, é muito mais: temos que alterar a maneira de estarmos na sociedade. Questões que podem parecer simples, mas que poderão efetivamente mudar o Brasil.

    Aquele país alegre, solidário e humano que se manifestou do 1º ao 2º turno precisa ser a tônica do dia a dia. Resgatar um Brasil onde se possa viver em paz e harmonia é a maior tarefa que cada brasileiro tem agora. E depende de todos nós.

    Não podemos deixar que a mediocridade, o ódio e a violência voltem a ser a cara do brasileiro. Vamos voltar a ser leves e alegres. Esses 21 dias, de 4 a 25 de outubro, mostraram que o Brasil tem jeito. Sem medo de ser feliz.

    Poder360, Opinião, 30.out.2026 – 5h58 Por Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado criminal.

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