
Governadores da direita ‘viram página’ da eleição
Pedro do Coutto
A derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial começa a produzir consequências que ultrapassam a disputa pelo comando da direita. O distanciamento de governadores que estiveram ao seu lado durante a campanha revela uma dificuldade central do bolsonarismo: transformar apoio eleitoral em compromisso político duradouro, sobretudo quando a estratégia de confronto passa a ameaçar os interesses de quem precisa administrar estados e responder a problemas concretos da população.
Levantamento publicado por O Globo mostra que, dos 15 governadores eleitos que apoiaram Flávio no segundo turno, 13 reconheceram expressamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum deles endossou a carta divulgada pelo senador na qual contestava o resultado das urnas. A reação evidencia que, diante da derrota, parte significativa das lideranças estaduais decidiu estabelecer limites à influência do candidato derrotado, especialmente depois de sua saída do Brasil e da tentativa de questionar a legitimidade da eleição sem apresentar provas.
RESULTADO ELEITORAL – O comportamento de Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, é particularmente revelador. Embora tenha apoiado Flávio, o governador defendeu o respeito ao resultado eleitoral e a necessidade de olhar para a frente. Sua posição não representa uma adesão ao governo Lula, mas uma sinalização de que a oposição não precisa reproduzir automaticamente todas as decisões do núcleo familiar Bolsonaro. Para uma liderança que pretende preservar projeção nacional, manter interlocução com diferentes setores políticos e econômicos é mais importante do que assumir os custos de uma radicalização sem perspectiva imediata de poder.
A mesma lógica aparece em outros estados. Douglas Ruas, eleito no Rio de Janeiro pelo PL, manifestou disposição para manter uma relação institucional produtiva com o governo federal, ressaltando a necessidade de investimentos e políticas públicas. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco também reconheceu a importância de uma interlocução com Brasília, diante das dificuldades enfrentadas pelo estado.
SITUAÇÃO FISCAL DELICADA – Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo terá de administrar uma situação fiscal delicada, com uma dívida superior a R$ 180 bilhões com a União e a necessidade de encontrar alternativas para equilibrar as contas estaduais. São exemplos de governos cujas responsabilidades administrativas não podem ser subordinadas indefinidamente às disputas políticas nacionais.
A situação demonstra que a relação entre governadores e Presidência da República não se resume à afinidade ideológica. Estados dependem de transferências constitucionais, financiamentos, renegociações de dívidas, investimentos em infraestrutura e cooperação em áreas como saúde, segurança e educação.
Mesmo os governadores mais identificados com a oposição precisam negociar com o Executivo federal para viabilizar projetos e cumprir compromissos assumidos durante a campanha. Romper pontes com o Planalto por fidelidade a uma liderança derrotada significaria impor aos próprios estados um custo político e administrativo difícil de justificar.
PROBLEMA PARA ALIADOS – É nesse ponto que a tentativa de Flávio Bolsonaro de preservar a contestação eleitoral se torna um problema para seus antigos aliados. Ao insistir em uma narrativa de ilegitimidade da vitória de Lula, o senador coloca os governadores diante de uma escolha inconveniente: acompanhar uma estratégia que prolonga o conflito ou reconhecer a realidade institucional e concentrar esforços na administração de seus estados.
A maioria parece ter optado pela segunda alternativa. Não se trata necessariamente de uma conversão democrática ou de uma mudança ideológica, mas de uma compreensão pragmática dos limites da política de confronto.
O caso de Santa Catarina e Rondônia, onde Jorginho Mello e Marcos Rogério evitaram reconhecer expressamente a vitória de Lula, mostra que o afastamento não é uniforme. Há lideranças que ainda procuram preservar vínculos com o eleitorado mais radicalizado, sem assumir integralmente a contestação apresentada por Flávio. Essa ambiguidade, porém, também revela o desconforto de uma direita que precisa decidir se pretende continuar organizada em torno de uma família ou construir um projeto político capaz de sobreviver à derrota de seus principais representantes.
FUGA – A saída do senador para os Estados Unidos agravou esse cenário. Depois de afirmar que não pretendia deixar o país, Flávio acabou no exterior, num episódio que provocou constrangimento entre aliados e enfraqueceu sua capacidade de conduzir a reação política à derrota.
Para governadores que acabaram de conquistar mandatos, a imagem de um candidato que abandona o centro da disputa enquanto cobra fidelidade de seus aliados não oferece uma referência particularmente convincente de liderança. A política estadual exige presença, negociação e capacidade de entregar resultados, atributos que não se substituem por declarações de confronto.
O distanciamento também precisa ser interpretado à luz da disputa pelo futuro da direita. Governadores com mandato próprio, estruturas partidárias e influência regional não têm necessariamente interesse em permanecer subordinados à família Bolsonaro. Tarcísio, por exemplo, dispõe de condições para reivindicar protagonismo nacional, enquanto outros governadores procuram consolidar suas próprias bases de poder. A derrota de Flávio abriu espaço para essa reorganização e tornou mais evidente que a liderança bolsonarista já não consegue impor, sem resistência, uma orientação comum a todo o campo conservador.
REPRESENTAÇÃO – Isso não significa, contudo, que Lula encontrará uma oposição enfraquecida ou que a direita tenha perdido sua capacidade de articulação. O PL continuará com a maior representação partidária entre os governos estaduais, além de uma presença expressiva no Congresso Nacional.
A oposição terá instrumentos institucionais para fiscalizar, contestar e disputar a agenda do governo. A diferença é que os interesses dos governadores nem sempre coincidirão com a estratégia de enfrentamento defendida pelo núcleo bolsonarista. Uma coisa é exercer oposição ao presidente; outra, bastante diferente, é transformar a administração pública em extensão de uma disputa eleitoral permanente.
Para Lula, o cenário representa uma oportunidade, mas também uma responsabilidade. A relação com os estados deverá ser conduzida com critérios institucionais, sem discriminação partidária e com disposição para atender demandas legítimas, inclusive de administrações adversárias.
EFEITO CONTRÁRIO – Qualquer tentativa de utilizar investimentos, recursos ou instrumentos federais como mecanismo de retaliação produziria o efeito contrário ao desejado: fortaleceria o discurso de perseguição explorado pela oposição e comprometeria a cooperação federativa. O respeito à autonomia dos estados e a distribuição impessoal dos recursos públicos são condições fundamentais para uma governabilidade consistente.
O movimento dos governadores revela, portanto, uma contradição que acompanha o bolsonarismo desde sua consolidação: a dificuldade de conciliar a mobilização permanente do conflito com as exigências concretas do exercício do poder. Enquanto Flávio tenta manter viva uma narrativa de contestação eleitoral, lideranças que compartilham parte de sua identidade política começam a calcular os custos de permanecer vinculadas a essa estratégia. A fidelidade ideológica tem limites quando entram em jogo dívidas, investimentos, empregos, serviços públicos e a própria capacidade de governar.
A eleição terminou, mas a disputa pelo controle da direita está apenas começando. E talvez a consequência mais significativa da derrota de Flávio não seja somente a perda da Presidência, mas a dificuldade crescente de manter unidos aliados que descobriram possuir interesses próprios e responsabilidades que não podem ser transferidas para a família Bolsonaro. O bolsonarismo ainda conserva força eleitoral, mas já não demonstra a mesma capacidade de disciplinar todas as lideranças que ajudou a eleger. Quando o pragmatismo administrativo se impõe à fidelidade pessoal, a autoridade política do líder deixa de ser incontestável.
A única fuga que não abalou a estrutura do País, foi a fuga do ladrão dos velhinhos do INSS
Malafaia. fala alto, conforme:
https://youtube.com/shorts/16lFst4Hric?is=zP84YIGba2YEM5jN
DNA vingativo e golpista de bolsonaristas
Assédio eleitoral e boicote de bolsonaristas contra quem votou em Lula são crimes contra a pessoa e a democracia
Os “Patriotas Cafelândia” – Davoine Colpani e Edson Parra Nani Filho – não suportaram a derrota do ex Jair Bolsonaro em 2022.
Logo depois das eleições, lançaram uma lista de retaliação e de boicote a comerciantes “esquerdopatas” que deveriam ser banidos da pequena cidade paulista de 16,6 mil habitantes. Três anos depois de um vai e vem na Justiça, os dois acabaram condenados pelo crime de perseguição (Art.147-A do Código Penal).
A despeito do enquadramento criminal, a prática deletéria está correndo solta nas redes sociais, endossada por políticos de peso como o deputado mais votado de Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL).
Como se não bastasse, parcela dos bolsonaristas investiu firme na abjeta campanha “demita um petista”, estímulo descarado ao assédio eleitoral. Nada tão aviltante, típico de quem se lixa para a democracia.
De domingo, data do segundo turno das eleições, até a última quinta-feira, o Ministério Público do Trabalho recebeu quase 1,5 mil denúncias de trabalhadores acuados por seus patrões.
No total, os mais de 3,7 mil relatos ultrapassaram os 3,3 mil registros totalizados em 2022.
Embora a Justiça do Trabalho paulista tenha expedido liminar, válida para todo o país, determinando que a Meta, dona do Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads, retire do ar qualquer mensagem estimulando demissões por motivação política, a ação coordenada continua.
Na sexta-feira, ainda se viam chamadas para “demita um petista” com reproduções de mensagens sugerindo que empresários vasculhassem os perfis de seus empregados nas redes, ideia disseminada pelo candidato a deputado Victor Ruiz (PL-SP), que, com 46 mil votos, não se elegeu.
Depois de ser flagrada incentivando a demissão dos que votaram em Lula, a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ), uma das pioneiras na campanha pró-assédio, se recolheu, mas muitas de suas postagens ainda continuam no ar.
Tão vil quanto sugerir a demissão de um trabalhador pelo voto dado, o boicote contra empresas, marcas, lojas e até Ongs que apoiaram Lula continua a todo vapor. Um site intitulado “Meu Dinheiro Não” acolhe “informações verificadas” contra companhias consideradas petistas.
Como vacina a possíveis e prováveis questionamentos legais, o site informa que não prega boicote, alegando – santa cara de pau – que a “decisão de comprar ou não é de cada um”.
Sem nem mesmo corar, o deputado Nikolas defende o boicote como direito de escolha. “Eles ficaram esse tempo todo dizendo: ‘Recua facista, recua’. E nós recuamos. Agora a gente não quer mais consumir ou fortalecer pessoas que não condizem com os nossos princípios.”
Antes, Nikolas já havia gravado um vídeo com uma espécie de “desafio” para que os empresários assumissem o voto estampando o símbolo do PT. O advogado Klaus Fins teve ideia semelhante, sugerindo uma estrela vermelha como identificação de comerciantes pró-Lula. A inspiração nazista não é mera coincidência.
As ações em favor de assédio eleitoral e de boicote a quem apoiou o adversário não deveriam surpreender, especialmente vindo de onde vem. Mas é impossível não reagir ao fato de que líderes políticos e gente da elite do país considerem isso normal. Pior, legítimo.
Seria fácil apontar um defeito de origem – e até é. Está no DNA do bolsonarismo. Mas quando a defesa do indefensável se associa a outros comportamentos infames, a indignação sobe à cabeça.
Por que um inflável gigantesco pedindo a Trump para explodir o Brasil desfila na Avenida Paulista em um ato bolsonarista? Como explicar um apoiador branco com um negro acorrentado pelo pescoço na última agenda de rua da campanha de Flávio Bolsonaro, no Rio?
Liberdade de expressão, dirão os mais fanáticos, na tentativa canhestra de driblar o sabujismo ao presidente dos Estados Unidos e o racismo escancarado.
A melhor explicação talvez esteja na ausência de valores do clã Bolsonaro, que, embora pregue o binômio família e pátria, já se mostrou avesso a ambos. Os Bolsonaros – e só eles – estão (ou se acham) acima de tudo e todos, incluindo Deus.
O autoproclamado presidente dos Estados Unidos do Brazil com z é prova disso. Flávio explicita bem a cartilha da família, moldada no golpismo e na vingança.
Não importa se o inimigo é um político, um empresário, uma instituição ou jovens que passaram a sofrer bullying nas escolas.
Estão sempre prontos para defenestrar oponentes – mesmo em seu próprio campo. Para o bem do país, foram derrotados.
Metrópoles, Política, Opinião, 01/11/2026 09:00 Por Mary Zaidan, jornalista
Bolsonarismo…. Infelizmente, estou quase me convencendo de que nossos intelectuais estão ainda no rez-de-chaussée do nível em que consideramos alguém um intelectual. E do térreo ao último andar leva tempo pra chegar…
Jorginho Melo, Governador de Santa Catarina, convida, em:
https://youtube.com/shorts/CWFObP_hLEY?is=KtyP2B7ioVgtqXjp
Douglas Almeida
Trabalha na empresa Vistoriador online
Estudou na instituição de ensino UNINOVE
🇧🇷❤️ AMERICANA PASSA 12 DIAS INTERNADA PELO SUS E FICA SURPRESA POR NÃO RECEBER CONTA DO HOSPITAL! 😱🏥
Uma americana de 35 anos chamou atenção nas redes sociais ao compartilhar sua primeira experiência com o Sistema Único de Saúde (SUS), no Rio de Janeiro! 🇧🇷👏
🇺🇸 Natural do Alasca, nos Estados Unidos, Jesseka Martin mora no Brasil e contou que estava bastante apreensiva antes de ser internada.
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Obs.:
E pensar que o médico escolhido para ser o futuro ministro da saúde Claudio Lottengerg , de Flávio Bolsonaro caso fosse eleito , pretendia acabar com o SUS , e privatizar a saúde pública gratuita , e colocar em seu lugar a rede de ” mercenários ” hospitalares Israelitas Albert Einstein ” , dentre tantos outros ligados á planos de saúde privados , etc…