Acordo no Senado abre caminho para reduzir maioridade penal, mas divide o PT

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  1. Exército do Lula criado por Janones inibe vigarices

    A primeira surpresa foi a esquerda perder a timidez diante das redes sociais.

    A segunda foi a aceitação imediata do “Exército do Lula”. Em dois dias, foi de 50 mil para 1 milhão, e no dia do segundo turno eram 10 milhões.

    Janones quebrou a escrita segundo a qual o uso das redes sociais era privilégio da direita. Ele e seu exército foram parar nas páginas de The New York Times, The Guardian e Le Monde. Seu modelo de ativismo vem sendo replicado em vários países.

    Quando Janones botou seu canal no ar, em abril passado, fazia-se pouca fé nele, mas a iniciativa juntou-se a um despertar do movimento estudantil. A garotada foi para a rua (…).

    A ação do “Exército do Lula” mobilizou os jovens. Desde o primeiro momento, reconheceu-se a importância do exército de Janones na virada de Lula. Para surpresa geral, o deputado não quer ser ministro.

    Janones ficará na Câmara e à frente de seu “Exército do Lula”, a esta altura com 11 milhões de seguidores. É natural que esse número caia, mas numa emergência ele pode reaparecer.

    Indo aos primórdios, quando o PT ralava com patranhas como o kit gay, explorado à saciedade por Jair Bolsonaro. A quantidade de mentiras usadas na eleição de 2018 talvez nunca venha a ser superada.

    O eleitorado ficou esperto, e iniciativas como o “Exército do Lula” inibem vigarices.

    Janones tornou-se o símbolo da vitória de Lula 4.0. Ficaram para trás episódios nebulosos, como uma rachadinha com dois servidores. O deputado reconheceu o malfeito, fez um acordo e devolveu R$ 157,8 mil. Sua carreira parlamentar foi bisonha. Contudo ele mostrou que foi um inovador e que conhece o caminho das pedras.

    Fonte: O Globo, Opinião, 04/11/2026 00h05 Por Elio Gaspari

  2. Congresso dominado por democratas trará dificuldades para Bolsonaros nos EUA

    Nova conjuntura “é um mau presságio para os Bolsonaros, que talvez tenham que pedir ‘asilo’ em outro país daqui a dois anos”

    A vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos projeta dificuldades crescentes para a família Bolsonaro que reside no país.

    Na avaliação de diplomatas brasileiros, a nova configuração do parlamento americano será um terreno de críticas diretas e duras para Flávio e Eduardo Bolsonaro, que contam com o abrigo do governo Donald Trump, que amarga uma grande derrota.

    Integrantes do Itamaraty avaliam que a eleição do Congresso é muito ruim para os filhos de Bolsonaro porque “haverá pouca paciência dos parlamentares com Trump e seus intentos de interferir nos processos democráticos na América do Sul e no Brasil, em particular”.

    A postura do presidente americano de abrigar condenados pela justiça brasileira, defensores de golpe de Estado e impor sanções via tarifas terá um terreno crítico no Congresso americano, pontuam os diplomatas.

    Ainda segundo uma dessas fontes, essa nova conjuntura “é um mau presságio para os Bolsonaros, que talvez tenham de fazer planos de pedir ‘asilo’ em outro país daqui a dois anos”, caso o trumpismo perca as eleições presidenciais em 2028.

    Os democratas terão ainda o palco das comissões sobre temas estrangeiros no Congresso para chamar a atenção sobre o abrigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro dado pelo governo Trump.

    Além do impacto para os Bolsonaros, a eleição majoritária de democratas sobre republicanos no Senado e na Câmara marcam a maior derrota política da carreira de Donald Trump. Para diplomatas brasileiros, o resultado foi uma reação à extrema impopularidade do governo dos EUA, que agora terá de enfrentar um Congresso hostil.

    Embora Trump tenha declarado que vetará sistematicamente iniciativas do parlamento, ele não pode fugir de relações com o Congresso, especialmente em temas cruciais, como a negociação do orçamento.

    A maioria democrata também deverá endurecer as cobranças e exercer fiscalização mais rigorosa sobre desmandos e erros na política externa do governo Trump. Com o comando das comissões de relações exteriores de ambas as casas legislativas, os democratas prometem fazer muito barulho contra as políticas e práticas do presidente na área internacional.

    Além disso, a postura dos democratas será crítica em relação ao Escudo das Américas — coalizão de segurança liderada pelos EUA com potencial de aumentar a interferência de Trump na região — e à Doutrina Monroe, política externa americana contra interferências europeias no continente e que suscita debates sobre intervencionismo americano na América Latina.

    Apesar do cenário adverso, há a leitura de que Trump poderá tentar acomodar a relação bilateral com o Brasil, evitando que o confronto no Congresso se agrave ainda mais.

    Fonte: O Globo, Opinião, 04/11/2026 13h22 Por Bela Megale

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