
Política externa de Donald Trump cobra um preço alto
Marcelo Copelli
Revista Fórum
As declarações recentes de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos não podem ser lidas como improvisos retóricos nem como desvios ocasionais. Elas expressam, com clareza crescente, uma concepção de política externa que abandona a mediação, relativiza fatos e substitui a diplomacia pela lógica da pressão permanente. Ao transformar negociações em demonstrações de força e alianças em relações de cobrança, Trump expõe não apenas os limites de sua própria estratégia internacional, mas também os riscos estruturais que esse modelo impõe à ordem global.
Davos funcionou, nesse sentido, menos como palco e mais como revelador. Em um espaço historicamente associado à coordenação multilateral, à circulação de dados e à busca de soluções compartilhadas, Trump levou uma narrativa marcada por simplificações agressivas, informações factualmente contestáveis e ameaças implícitas a parceiros estratégicos. O contraste não foi apenas simbólico: ele ratificou a tensão entre a lógica do populismo nacionalista e as exigências mínimas de governança em um sistema internacional cada vez mais interdependente.
GROELÂNDIA – Desde que voltou a ocupar posição central no debate político global, Trump vem intensificando um discurso que combina protecionismo econômico, revisionismo geopolítico e uma leitura instrumental do direito internacional. A insistência em tratar a Groenlândia como um “ativo estratégico” a ser controlado pelos Estados Unidos — ainda que envolta em ambiguidades calculadas entre compra, pressão diplomática ou tutela informal — não é um detalhe folclórico. Trata-se de um sintoma de uma visão de soberania fundada na força, na utilidade imediata e na hierarquia de poder, em detrimento de princípios como autodeterminação dos povos e integridade territorial.
A reação dura da Dinamarca e de diversos governos europeus não se explicou apenas pelo conteúdo da declaração, mas pelo que ela normaliza: a reintrodução de uma lógica de esferas de influência que remete ao século XIX. Não se trata de retórica inflamada para consumo doméstico, mas de um sinal inequívoco de erosão dos consensos que sustentaram a arquitetura internacional do pós-guerra — consensos já fragilizados por crises sucessivas e pela ascensão de lideranças dispostas a testar seus limites.
Esse episódio soma-se a uma sequência mais ampla de movimentos igualmente reveladores. Trump voltou a ameaçar parceiros comerciais com tarifas generalizadas, inclusive aliados históricos, condicionando relações econômicas a alinhamentos políticos imediatos. Nesse enquadramento, a política comercial deixa de ser instrumento de regulação e previsibilidade para se converter em mecanismo explícito de coerção. A instabilidade, longe de ser efeito colateral, passa a integrar o método.
DESINFORMAÇÃO – No campo da segurança internacional, a retórica segue o mesmo padrão. Trump insiste na narrativa de que os Estados Unidos “bancam sozinhos” a Organização do Tratado do Atlântico Norte, ignorando dados oficiais que demonstram o aumento consistente dos gastos militares europeus nos últimos anos. A repetição dessa afirmação, amplamente desmentida, não decorre de desconhecimento, mas de cálculo político: enfraquecer alianças, justificar pressões unilaterais e reforçar a imagem de uma América permanentemente explorada por seus parceiros.
A discrepância entre discurso e realidade torna-se ainda mais evidente quando Trump alterna promessas maximalistas com afirmações objetivamente falsas sobre conflitos internacionais. Alegações de que teria “resolvido” guerras e crises globais colidem com um cenário marcado por conflitos prolongados, cessar-fogos frágeis e disputas congeladas que seguem exigindo diplomacia multilateral persistente. Essa dissonância mina a credibilidade externa dos Estados Unidos e contribui para um ambiente de incerteza estratégica que beneficia atores dispostos a explorar a fragmentação da liderança internacional.
A relação com a Europa é particularmente afetada por esse padrão discursivo. Trump tem caracterizado o continente como economicamente estagnado e politicamente disfuncional, atribuindo responsabilidades genéricas a políticas ambientais, sociais ou regulatórias, muitas vezes sem respaldo empírico. Ao atacar a transição energética europeia e desqualificar as energias renováveis com argumentos distorcidos, ignora não apenas o consenso científico, mas também o caráter estratégico da segurança energética em um mundo marcado por instabilidade geopolítica e competição sistêmica.
CARICATURAS – O problema central, contudo, não reside em divergências políticas — inerentes às relações internacionais —, mas na substituição do debate informado por caricaturas ideológicas. Quando a factualidade se torna acessória e a imprevisibilidade é apresentada como virtude, a diplomacia deixa de ser instrumento de gestão de conflitos e passa a operar como espetáculo de força.
O efeito cumulativo desse comportamento é particularmente preocupante. Quando o líder de uma potência central relativiza normas, despreza instituições multilaterais e converte a intimidação em prática recorrente, outros atores se sentem legitimados a adotar condutas semelhantes. O resultado é uma erosão gradual das regras que sustentam a cooperação internacional — justamente em um momento em que desafios globais interligados, da crise climática à inteligência artificial, da segurança alimentar à proliferação de conflitos regionais, exigem coordenação, previsibilidade e confiança mútua.
É nesse ambiente que países fora do eixo central do poder global, como o Brasil, são chamados a exercer uma diplomacia ainda mais criteriosa. Não por alinhamento automático nem por confrontação retórica, mas por pragmatismo estratégico. Em um cenário marcado pela volatilidade discursiva e pela fragilização institucional, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e da previsibilidade diplomática deixa de ser opção ideológica e passa a ser imperativo de interesse nacional.
NARRATIVAS – crítica a Trump, portanto, não é de natureza partidária, mas estrutural. A política internacional comporta — e deve comportar — disputas profundas de interesse e visão. O que se torna disfuncional é a substituição sistemática da diplomacia por gestos performáticos voltados ao consumo interno, e da análise rigorosa por narrativas distorcidas.
A história ensina que ordens internacionais raramente colapsam de forma abrupta. Elas se desgastam lentamente, à medida que normas são relativizadas, compromissos esvaziados e exceções transformadas em regra. As atitudes e declarações de Donald Trump — em Davos e além — aceleram esse processo ao normalizar uma visão de mundo em que a força substitui o direito, o ruído ocupa o lugar do rigor e a ameaça se impõe à cooperação.
Em um mundo atravessado por crises simultâneas e interdependentes, o que está em jogo não é apenas o estilo de um líder, mas a qualidade da liderança global. A retórica pode mobilizar eleitorados; a política externa, contudo, exige responsabilidade, precisão e compromisso com a realidade. Quando esses pilares são sacrificados em nome da distorção sistemática, o custo não recai apenas sobre adversários ou aliados — mas sobre a própria sustentação do sistema internacional.
Imagino que o autor do artigo se sentiria mais feliz e realizado num regime de governança global liderado pela China.
Seu Marcelo, a Rússia e a China farão pior.
Do Donald Trump para a União Europeia, “se não fossemos nós vocês todos estariam falando alemão.”
Lá na Ucrânia os russos bombardeiam a infra estrutura do combustível, parte dos ucranianos estão no escuro.
Mais um ditado tibetano, é preferível acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.
Fonte: Eu.
A Rússia continua a fornecer energia à Europa, incluindo partes do Norte e Europa Ocidental, mas o volume de gás natural enviado via gasoduto caiu drasticamente após o início do conflito na Ucrânia em 2022, sendo agora complementado por gás natural liquefeito (GNL).
Principais Pontos sobre a Energia Russa na Europa (2024-2025):
Queda nos Gasodutos: O fornecimento de gás por tubulações da Rússia para a UE caiu de cerca de 150 bilhões de metros cúbicos (bcm) em 2021 para menos de 52 bcm em 2024. Com o fim do acordo de trânsito pela Ucrânia no final de 2024, o gasoduto TurkStream é a principal rota restante.
Aumento de GNL: Apesar da redução nos gasodutos, a UE continua sendo um grande comprador de GNL russo (especialmente do projeto Yamal), com países como a França e a Bélgica recebendo cargas significativas em 2025.
Dependência e Sanções: Em 2024, o gás russo ainda representava cerca de 14% do consumo total de gás da UE, com aumentos pontuais de importação por países como Itália, Chéquia e França. A meta da UE é eliminar completamente a dependência de combustíveis fósseis russos até 2027.
Estuda história para não ficar escrevendo besteira.
China e Rússia sempre foram império e em 1820 o PIB chines era 6 vezes maior que o inglês. A China dominava o mundo economicamente, sem invasão e imposição. Para acabar com isso, a Inglaterra e outros países europeus criaram a Guerra do Ópio, destruindo a China que passou a viver o século da vergonha.
Esses brasileiros que possuem uma atração sexual por americano é algo que nem Freud explica. Quem venceu os nazistas na segunda guerra foram os russos e não o Soldado Ryan, Capitão América ou Rambo. Foram aproximadamente 30 milhões de russos mortos na segunda guerra. A Alemanha invadiu a Rússia com 3 milhões de soldados, subindo para quase 4 milhões com tropas da Romênia e Finlândia. Dessa força, restaram menos de 800 mil soldados alemães e na invasão da Normandia, a força alemã era um suspiro do que era no auge da invasão na Rússia.
Se você entendesse um pouco de economia, saberia que a indústria europeia era competitiva pois usava a energia da Russia que era barata. Hoje a Europa paga 5 vezes mais caro e quem lucra com isso são os EUA. A Europa sofre uma desindustrialização e agora uma ameaça real de invasão vinda dos EUA. Um verdadeiro tiro no pé, pois sempre falaram que a Rússia iria invadir a Europa.
Os EUA tem órgão sexual nas mãos, tudo o que eles tocam estragam. Matam pessoas aos montes, sugam todas as riquezas e recursos para depois jogar fora. Essa lista é uma pequena demonstração :
A intervenção dos EUA depois da Segunda Guerra Mundial :
🇯🇵 Japão (1945–1952, ocupação militar direta, invasão, ataque atômico)
🇮🇹 Itália (1947–1948, interferência eleitoral massiva e operações da CIA contra a esquerda)
🇬🇷 Grécia (1947–1949, apoio militar e financeiro na guerra civil e consolidação de regime aliado)
🇨🇳 China (1945–1953, apoio militar aos nacionalistas, confronto indireto na Guerra da Coreia)
🇰🇷 Coreia do Sul (1945–presente, ocupação inicial, guerra, bases militares e tutela estratégica)
🇰🇵 Coreia do Norte (1950–1953, guerra total com bombardeios em larga escala)
🇮🇷 Irã (1953–presente, golpe de Estado, sanções, operações encobertas, assassinato seletivo)
🇬🇹 Guatemala (1954–presente, golpe de Estado, repressão prolongada e apoio a regimes militares)
🇨🇳 Tibete (1955–1970, financiamento, armamento e treinamento de insurgência via CIA)
🇹🇼 Taiwan (1950–presente, apoio militar, diplomático e estratégico contínuo)
🇵🇭 Filipinas (1946–presente, contrainsurgência, apoio militar interno e bases estratégicas)
🇮🇩 Indonésia (1958–1965, apoio a rebeliões, golpe militar e massacres em massa)
🇨🇺 Cuba (1959–presente, invasão fracassada, sabotagens, bloqueio econômico e operações encobertas)
🇨🇩 Congo (1960–1965, desestabilização, apoio a golpe e assassinato de Patrice Lumumba)
🇩🇴 República Dominicana (1961–1966, intervenção política seguida de invasão militar direta)
🇻🇳 Vietnã (1961–1975, guerra em larga escala, invasão terrestre e bombardeios massivos)
🇧🇷 Brasil (1961–2016, apoio ao golpe militar, tutela durante ditadura e lawfare institucional)
🇬🇾 Guiana (1964, interferência eleitoral e desestabilização política)
🇱🇦 Laos (1964–1973, guerra secreta e bombardeios massivos)
🇵🇪 Peru (1965–presente, interferência política, pressão diplomática e cooperação militar)
🇬🇷 Grécia (1967–1974, apoio político ao regime militar)
🇰🇭 Camboja (1969–1990, bombardeios em massa e apoio indireto a forças armadas)
🇨🇱 Chile (1964–1973, interferência eleitoral, sabotagem econômica e golpe de Estado)
🇦🇷 Argentina (1976–1983, apoio político, militar e de inteligência à ditadura)
🇺🇾 Uruguai (1973–1985, apoio à repressão estatal e cooperação em inteligência)
🇦🇴 Angola (1975–1992, financiamento e apoio a forças armadas na guerra civil)
🇲🇿 Moçambique (1977–1992, apoio indireto a forças insurgentes)
🇪🇹 Etiópia (1977–1978, envolvimento estratégico indireto na guerra regional)
🇹🇷 Turquia (1980–presente, apoio e legitimação de golpe militar e regime aliado da OTAN)
🇵🇱 Polônia (1980–1989, financiamento e apoio político a movimentos oposicionistas)
🇸🇻 El Salvador (1980–1992, apoio militar e financeiro durante guerra civil)
🇳🇮 Nicarágua (1981–1990, financiamento, treinamento e coordenação dos Contras)
🇭🇳 Honduras (1980–presente, base regional, apoio a golpe e cooperação militar)
🇱🇧 Líbano (1982–1984, intervenção militar direta)
🇬🇩 Granada (1983, invasão militar)
🇱🇾 Líbia (1986–2011, bombardeios, sanções, desestabilização e mudança de regime)
🇵🇦 Panamá (1989–1990, invasão militar e deposição de governo)
🇵🇭 Filipinas (1989, apoio militar interno contra levantes)
🇮🇶 Iraque (1991–presente, guerra, sanções, bombardeios, invasão e ocupação)
🇰🇼 Kuwait (1991, intervenção militar no contexto da Guerra do Golfo)
🇭🇹 Haiti (1991–2004, pressão diplomática, intervenções e mudança de governo)
🇸🇴 Somália (1992–presente, intervenção militar, bombardeios e operações especiais)
🇧🇦 Bósnia (1995, bombardeios da OTAN liderados pelos EUA)
🇸🇩 Sudão (1998, ataques aéreos contra alvos estratégicos)
🇷🇸 Sérvia / 🇾🇪 Iugoslávia (1999, bombardeios da OTAN e desintegração estatal)
🇽🇰 Kosovo (1999–presente, ocupação indireta e tutela internacional)
🇦🇫 Afeganistão (2001–2021, invasão, ocupação militar e mudança de regime)
🇵🇰 Paquistão (2004–presente, ataques com drones e operações encobertas)
🇾🇪 Iêmen (2002–presente, bombardeios, drones e apoio militar)
🇸🇴 Somália (2006–presente, ataques aéreos contínuos)
🇭🇹 Haiti (2004–presente, tutela política e intervenções recorrentes)
🇸🇾 Síria (2011–presente, apoio a grupos armados, sanções e bombardeios)
🇵🇾 Paraguai (2012, apoio diplomático ao impeachment relâmpago)
🇺🇦 Ucrânia (2014–presente, apoio político, militar, financeiro e guerra por procuração)
🇧🇷 Brasil (2013–2016, interferência institucional indireta e lawfare)
🇧🇴 Bolívia (2019, apoio político e diplomático à derrubada do governo)
🇮🇷 Irã (2020, assassinato do general Qasem Soleimani)
🇵🇸 Palestina (Israel/Gaza) (1967–presente, apoio militar, financeiro, diplomático e logístico dos EUA à ocupação israelense e às operações militares em Gaza)
🇻🇪 Venezuela (2014–presente, sanções econômicas, invasão, sequestro)
Explicaçóes, em:
http://www.espada.eti.br/n1015.asp
Senhor James Pimenta , esquecestes de mencionar o consórcio Alemanha x Rússia , na construção e operação do gasoduto x oleoduto visando abastecer toda a Europa a baixo custo , mas infelizmente os gasodutos x oleodutos foram sabotados e explodidos pela Ucrânia a serviço da Inglaterra , a verdadeira responsável por ter ” provocado e iniciado ” a guerra da Ucrânia contra a Rússia .
Senhor Cláudio , no caso da invasão da Somália , pelos EUA , contrariando recomendação da ONU que não o fizesse , os EUA quebraram a cara e recorreram exatamente a ONU que os socorressem (1992–presente, intervenção militar, bombardeios e operações especiais) , pois como é público e notório os EUA raramente invadem um país sozinho , salvo quando esse o país invadido não tem capacidade de revide , como foi o caso da Somália , daí lançaram o filme ” Falcão Negro ” .