Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça, para restabelecer a ordem no STF

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre chefia da PF e  investigações sobre ministros - 09/09/2026 - Política - Folha

Ministros aliados a Moraes pressionaram Fachin ao máximo

Márcio Falcão e Pedro Henrique Gomes
TV Globo e g1

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.

“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência”, escreveu Fachin.

CONFLITOS – “Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal”, continuou Fachin.

Edson Fachin também levou para si a relatoria de investigações do chamado “Inquérito das Fake News” e suspendeu “todo e qualquer procedimento” de investigação sobre integrantes do STF.

Além disso, Fachin também foi suspensa a apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre possível interferência na produção do relatório da PF que apontou uma relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

BANCO MASTER – A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes começou a partir de decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso passou a envolver também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal (PGR), Andrei Rodrigues, o presidente do STF, Edson Fachin, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.

Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master. Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SEM SIGILO – Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um procedimento no qual havia sido incluído um relatório da PF produzido a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O documento apresentava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. As respostas do ministro não apareciam no material divulgado.

As mensagens também continham referências a Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em uma das mensagens, Vorcaro mencionava uma possível atuação junto a Gonet e Andrei. O relatório não indicava que Moraes fosse alvo da investigação.

NOVAS PROVAS – Na decisão que retirou o sigilo, Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do STF. Segundo o ministro, caberia ao presidente do tribunal, Edson Fachin, definir a data e o procedimento para a deliberação.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR), em peça assinada por Gonet, se manifestou pela nulidade da investigação determinada por Mendonça. O procurador-geral afirmou que o relator não poderia ordenar o aprofundamento de apurações envolvendo outro ministro do Supremo sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.

ARGUMENTOS – A PGR sustentou que cabe à polícia judiciária realizar investigações na fase pré-processual e ao Ministério Público buscar elementos para uma eventual acusação.

Gonet também afirmou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, indícios de crime envolvendo um magistrado deveriam ser submetidos ao órgão competente para julgá-lo. No caso de um ministro do Supremo, esse órgão seria o plenário do STF.

Depois da manifestação da PGR, Mendonça manteve a indicação de que o relatório deveria ser levado ao plenário. Fachin passou a ser responsável por decidir se o material seria analisado pelos ministros e qual seria o rito da discussão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, Fachin botou ordem na zona. Mendonça quer apurar graves irregularidades e crimes envolvendo os ministros Moraes e Toffoli, mas a bancada petista do STF tenta tumultuar a questão, alegando que Mendonça quer eleger Flávio Bolsonaro. Essa investida de Gilmar & Cia. não dará certo, porque 13 ministros aposentados do STF estão defendendo que haja investigações, e a OAB e a Associação dos Delegados da Polícia Federal também apoiam as apurações, formando um movimento que deixa a bancada petista do STF em péssima situação, porque é crime apoiar a ocorrência de atividades criminosas, especialmente quando são magistrados do STF que cometem e apoiam esses crimes.
(C.N.)

15 thoughts on “Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça, para restabelecer a ordem no STF”

  1. Deu a louca no Supremo! Na crise em que todos se acusam, nenhuma peça para em pé

    O STF vive um efeito dominó que interferiu no rumo das eleições e exige providências agora e as devidas punições

    A crise na mais alta corte de Justiça no Brasil se agrava a cada dia, com uma certeza que se espalha pelo País: é o típico caso em que todos se acusam e todos têm razão e ninguém tem razão. Uma guerra de perde-perde.

    O estrago é imenso, fere gravemente o Supremo, as instituições e a própria democracia, às vésperas da eleição presidencial.

    O erro começa lá atrás, quando o Supremo articulou um acordão para jogar debaixo do tapete as revelações contra o ministro Dias Toffoli, que já vinha tropeçando nas próprias pernas com decisões favoráveis à J&F e desabou com a sociedade em um resort de alto luxo que cruza sua história com a de Daniel Vorcaro.

    Depois veio o tombo estrondoso de Alexandre de Moraes, flagrado como cúmplice pago a peso de ouro por Vorcaro e, a partir daí, o Supremo vive um efeito dominó em que nenhuma peça para de pé, a partir do titubeante Edson Fachin.

    O presidente do STF parece aturdido, pequeno para o tamanho da crise, incapaz de assumir o controle. O decano Gilmar Mendes lidera o grupo de Moraes e é um dos fatores da crise.

    O relator dos casos Master e INSS, André Mendonça, deixou seus quinze minutos de glória subir à cabeça e acha que pode tudo.

    Após a divulgação de parte do material de Vorcaro para Moraes pelo Estadão, Mendonça determinou a quebra de sigilo, deixou o País estarrecido com a intimidade do banqueiro com o ministro e interferiu no rumo das eleições.

    Aliás, sem que a sociedade seja informada sobre o tamanho e os reais efeitos da “amizade” entre Flávio e Vorcaro.

    Sem ter o que dizer, e afundando no descrédito, Moraes usou um documento da inteligência da PF, sem timbre, assinatura e valor, não para se defender, mas para atacar o relator Mendonça.

    Só piorou sua própria situação: afundou mais ainda e fez emergir uma onda popular de apoios a Mendonça – e, de quebra, à candidatura de Flávio.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 09/09/2026 | 14h45 Por Eliane Cantanhêde

  2. O STF virou uma carcaça; só se espere mais putrefação

    O autoritarismo, o patrimonialismo e a corrupção, inclusive dos modos, mataram o STF tal como o conhecíamos antes do inquérito das fake news

    Flávio Dino, que trata o Maranhão como se fosse capitania hereditária, resolveu dar a sua colaboração ao caos que reina no STF desde que a prioridade de boa parte dos ministros se tornou salvar a pele de Moraes.

    Com a sua decisão de hoje, escrita com a pena da arrogância, de reintegrar Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF, o ministro afrontou a maioria colegiada da 2ª Turma e também o presidente do STF, Edson Fachin, responsável pelo julgamento do recurso da AGU contra a determinação de André Mendonça.

    Decisão tomada sob o pretexto risível de evitar “danos irreparáveis” a processos, Dino tenta lançar uma sombra de suspeição sobre o colega, agora inimigo, requentando a história do encontro que Mendonça teve com Daniel Vorcaro, quando o fraudador se passava por banqueiro, na sede do instituto do qual o ministro era sócio.

    Estamos no terreno das equivalências desonestas, onde Dino manobra o seu trator como ninguém, certamente para os aplausos, e também para as gargalhadas dos companheiros de luta pela democracia em causas próprias, das quais a mais urgente, repita-se, é a de Moraes, que não admite ver investigada a relação promíscua que mantinha com o perpetrador da maior fraude financeira da história do país.

    Só os ingênuos nutrem ilusões que já deveriam estar perdidas. O autoritarismo, o patrimonialismo e a corrupção, inclusive dos modos e dos costumes, mataram o STF tal como o conhecíamos antes da abertura do inquérito das fake News, marco inicial da putrefação do tribunal.

    Sete anos depois, o que existe é uma carcaça imersa no caos, que provoca engulhos cada vez que somos obrigados a passar perto dela. Só se espere mais decomposição.

    Fonte: Metrópoles, Opinião, 09/09/2026 11:10 Por Mario Sabino

  3. Fachin tirou o “inquérito das Fake News” das mãos de Moraes, deveria retirar o sigilo do inquérito também, para que todos os brasileiros soubessem os crimes cometidos, as irregularidades, as quebras da lei. Alexandre de Moraes é mafioso.

  4. Prezado Sr. Carlos Newton, permita-me o contraditório da NR.
    Ela está muito inclinada pra um lado só.

    Eu penso o seguinte:

    Os relatórios da PF, inconvenientemente, sugerem tratamento desigual entre ministros. Vorcaro e Flávio aparecem no mesmo romance; a NR preferiu o volume em que eles não saem de casa.

    Quanto aos 13 ministros aposentados, à OAB e aos delegados, pediram apuração sob o devido processo, não um atestado de santidade a um lado e de quadrilha ao outro. Confundi-los com torcida organizada é um tropeço, sobretudo quando se acusa os demais de tumulto.

    Respeitosamente,
    José Luis

      • Muito bom!!!
        🤣🤣🤣🤣🤣🤣

        Acho que você tem razão, amigão.
        Concordo demais.

        Só que os ex-ministros que assinaram essa tal carta também fede. E fede a OAB.
        Daqui dá pra sentir o cheiro da imundície.

        A única que ainda se salva é a PF… por enquanto.
        Mas cuidado: os santos acabaram.
        Pensando bem, nem o Batman nos salva.
        Nem a Liga da Justiça.
        Nem a Legião dos Super-Heróis.
        Se aparecer o Super-Homem, vai olhar o cenário, suspirar e voltar pra Fortaleza da Solidão.

        Tamo lascados!

        Um forte abraço,
        José Luis

  5. Fachin deu 48 horas para o Andrei se manifestar sobre os relatórios e investigação de ministros do $upremo Tayayá Federal. Quem vai prender o diretor da PF será o Fachin, não o Mendonça. Aconselho ao sr. Andrei a começar a abrir o bico. Antes que aconteça com ele o que aconteceu com o sicário.

  6. Como se sabe, a escolha do presidente do STF não se baseia em critérios de produtividade, quantidade de votos ou “mérito” pessoal.

    Em vez disso, adota-se um sistema de rodízio baseado na antiguidade.

  7. Digam o que quiserem, mas um único ministro teve coragem para apontar “O imperador está nu ! O imperador está nu !“.

    Todos morrem de medo do Lixo Careca, principalmente Aka Gonna. Um só o peitou.

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